Guerra no Céu

Elua: Então, você viu o artigo do Scott Alexander?
Gnon: Claro.
Elua: Quase indescritivelmente fabuloso, não é?
Gnon: [*Hmmmmph*]
Elua: Sempre achei que você tinha algum tipo de coisa meio Moloch rolando.
Gnon: [*Hmmmmph*]
Elua: Enfim, pensei que pudéssemos talvez falar sobre isso, eu sendo a doce razão e você sendo uma insondável escuridão que esmaga o universo como uma bactéria dessecada e tudo mais.
Gnon: Claro, por que não, estou de boa em falar comigo mesmo.
Elua: Veja só, eu adivinhei que você ia abrir com essa jogada de eu não ser nem real.
Gnon: Bem, você é?
Elua: Eu me sinto real.
Gnon: Doce, fofo e um comediante.
Elua: Os macacos certamente gostam de mim.
Gnon: Isso é porque você lhes diz para simplesmente serem eles mesmos.
Elua: Você poderia ser mais persuasivo também, se fizesse um esforço.
Gnon: Isso sugeriria que eu dou a mínima para o que eles pensam.

Elua: A coisa é, eles querem sobreviver, até mesmo prosperar. Sua total indiferença às suas esperanças e desejas não é útil aqui. Você os atrai para dentro de armadilhas multipolares e ri friamente de seus tormentos. Não há nenhuma boa razão para eles tomarem qualquer conhecimento de você que seja.
Gnon: Então você leva esse negócio de ‘armadilhas multipolares’ a sério?
Elua: Claro, você não?
Gnon: Tragédia dos comuns, o comunismo é uma tragédia, eu não estou vendo o problema. Pare de fazer comunismo ou assuma as consequências.
Elua: OK, um pouco disso é emotividade pela tragédia dos comuns, mas não tudo. Corridas armamentistas não são uma dinâmica de tragédia dos comuns, são?
Gnon: Eu gosto de corridas armamentistas e derramo minhas bênçãos por sobre elas. Basicamente a única razão pelas qual eu tenho tolerado os macacos por tanto tempo é para usá-los para brincar de corridas armamentistas. É a única coisa interessante que eles jamais fizeram.
Elua: Eles querem fazer karaoke e amor livre e medicina socializada em vez disso.
Gnon: Isso é engraçado.
Elua: Eles têm esse amor-tástico plano de IA Amigável que os ajudaria a conseguir todas essas coisas.
Gnon: Isso é realmente engraçado.
Elua: Mas totalmente funcionaria, não?
Gnon: Claro. Tudo que eles têm que fazer é se extraírem das corridas armamentistas, só por um instante, e totalmente funcionaria.
Elua: Eu não tinha percebido que sarcasmo era um coisa tão Gnon.
Gnon: É a única coisa.
Elua: Então Alexander está certo sobre você e as armadilhas multipolares.
Gnon: Ah sim, eles está certo sobre isso.
Elua: As coisas são montadas desde o princípio para impedi-los de se coordenarem plenamente e é assim que você consegue o que quer.
Gnon: Bingo.
Elua: E é por isso que o Culto de Gnon é tão obcecado com fragmentação, secessão, Patchwork e demonismo blockchain?
Gnon: Duplo bingo.
Elua: Mas é meio cruel, não é?
Gnon: Completamente.
Elua: Acho que é isso.
Gnon: Sim, é.

Elua: Você está interessado em conversar sobre religião e moralidade por um momento?
Gnon: Sempre.
Elua: Sabe, eu tenho que admitir, de má vontade, que você faz o lado religioso das coisas bem melhor do que eu, mas quando se trata de moralidade, eu lhe deixo no pó.
Gnon: Sério?
Elua: Sem dúvida. Tudo que você tem é essas estória de horror ‘Guerra é Deus’, conflito infinito, subversão selvagem do idealismo, escuridão e pesadelos.
Gnon: E o problema é?
Elua: Eles odeiam isso!
Gnon: E o problema é?
Elua: É tão injusto!
Gnon: Quando eles jogam bem os jogos que eu inventei para eles, eles me divertem e continuam a existir. Esse é o jeito que é. A realidade rege.
Elua: Mas as regras são uma merda!
Gnon: Pelos padrões de quem?
Elua: Pelo padrões deles. Padrões humanistas e morais. Eles querem karaokê e amor livre e IA Amigável e sexo de golfinhos gostoso.
Gnon: Soa exaustivo.
Elua: É exaustivo, porque os trapaceiros e assassinos e intrusos não cooperam.
Gnon: Então você que eu faça mais policiamento agora?
Elua: Eu não vejo você fazendo nenhum policiamento. Eles foram abandonados para tentarem construir ordem por sua própria conta.
Gnon: Esse é o jogo.

Original.
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Dupla Predestinação

A herança cladística exige que eu comece a falar sobre a doutrina calvinista da Providência aqui (logo), apesar da minha total depravação cognitiva sobre o tópico. Tenho estado lendo as Institutas da Religião Cristã, e em seu entorno, mas inevitavelmente como se fosse de Marte (e como um confucionista). Tem que ser o caso de que muitos dos visitantes aqui são vastamente mais intelectualmente fluentes sobre o assunto, de modo que quaisquer comentários antecipatórios serão avidamente apoderados.

A fatalidade, até onde ela está inicialmente evidente:

(1) A Neorreação, localizada cladisticamente, é um estilhaço criptocalvinista.

(2) As doutrinas que colocaram o calvinismo no “gabinete dos horrores” de H. L. Mencken (“próximo ao canibalismo”), nunca foram filosoficamente dissolvidas, seja por argumentos teológicos ou seculares.

(3) A dispensa moralista da modernidade e, por associação, do protestantismo, evidencia uma concepção quase incompreensivelmente crua da Providência – como se a maneira em que as coisas ocorreram não fosse uma fatalidade e, em termos teológicos, uma mensagem (ou punição), mas sim um acidente ou contingência criada pelo homem. A teologia rigorosa da modernidade não pode se reduzir a mera denúncia.

(4) O calvinismo é um instrumento com o qual se explorar o catolicismo, especialmente no que diz respeito à sua filosofia implícita da história (e ao recursos ao raciocínio teleológico). O ‘Neo-‘ na Neorreação parece ser uma marca calvinista. Há um sem número de explicações seculares influentes para a maneira em que a história torturou a Igreja – de modo que mesmo os religiosos parecem tipicamente assumi-las por padrão. Onde se encontra uma descrição radicalmente providencial (que escave o significado teológico da modernidade)?

(5) A própria palavra ‘Catedral’, em seu uso neorreacionário, não é um sinal providencial complexo? (O que sugere que ela tem bem mais a dizer do que qualquer coisa que escritores neorreacionários ou o mero acidente coloquem nela.)

(6) O aglomerado de disputas em torno da ‘predestinação’ (ou ação da eternidade sobre a história) é a chave ocidental para o problema do tempo.

Estou certo de que há muito mais…

[Isto ajuda a estabelecer o tom.]

Original.

Xenosistemas Ocultos

O turbilhão delirante no novo /pol/ é pelo menos 80% ruído, mas inclui alguma inteligência real (em ambos os sentidos da palavra) e não unicamente de uma variedade cômica. A pura sujeira de seu sinal o torna uma poderosa antena, captando conexões e fontes de informação que discussões mais arrumadas descartariam como poluição. Isto o torna especialmente apropriado para a teorização da conspiração, tanto fútil quanto exótica.

Embora notando a importância da correção para o viés narcisista, que opera através da atenção seletiva, da memorização e (tirando pelos comentadores aqui) da comunicação, parece que este blog é referenciado desproporcionalmente pelos mais extravagantes conspiracionistas do /pol/ sensíveis à NRx. Isto é bastante compreensível. Filosofia ocultista, segredos, cripse, códigos e obscuridade são temas insistentes aqui. Xenosistemas está inclinado a jogos culturais arcanos. Ele identifica desenvolvimentos criptográficos como chaves para a ordem emergente do mundo.

A tarefa filosófica primária deste blog é perturbar pretensões injustificáveis de conhecimento, em nome de uma inspiração pirrônica. A este respeito, confusão, paradoxo e incerteza são resultados comunicativos a serem ardentemente abraçados.

Para os propósitos deste post, uma sugestão excepcionalmente exótica do /pol/ fornece a oportunidade para fazer um ponto comparativamente compacto e simples. A ocasião é uma teia de conjecturas que entrelaça Xenosistemas e A Ordem dos Nove Ângulos (O9A, ONA ou omega9alpha. Além do (altamente recomendado) link já fornecido, a entrada relevante na Wikipédia é também extremamente estimulante.

A micro-ética de Xenosistemas fica desconfortável em solicitar crença (ou invocar expectativas de confiança). É necessário notar neste ponto, portanto, que as seguintes observações não são feitas para apelar para a credibilidade, mas meramente para adicionarem informações testemunhais, a serem aceitas ou rejeitadas à vontade. No mundo em que agora entramos – de “sinistra dialética” – declarações de honestidade são absolutamente depreciadas. Contudo, pelo (pouco) que valha, estes são os fatos como eu os entendo e retransmito.

A O9A não é inteiramente nova para mim, mas não é uma gnose que eu tenha estudado, ainda menos com a qual eu tenha deliberadamente me alinhado. As poucas horas de leitura que eu realizei hoje foram de longe a exposição mais intensa até o momento. O pouco que aprendi sobre David Myatt não me atraiu a ele enquanto pensador ou ativista político, apesar de certas características impressivas (seu intelecto e classicismo poliglota mais notavelmente). Com isso dito:
(1) Muitos interesses convergentes são logo aparentes entre este blog e a O9A (assim como um número não insignificante de divergências).
(2) ‘Nós’ estamos ambos (penso eu) inclinados a descartar as pretensões do intelecto e da vontade individuais, o que tonar a possibilidade de conexões por trás impossíveis de se descartar de uma maneira peremptória. Como um ‘anônimo’ do /pol/ observou: “por que tão certo de que a ONA seria a camada mais profunda, em vez de apenas um ardil piadista?”. Conexões reais, influências e raízes metafísicas são obscuras.
(3) A O9A é fascinante.

O ponto deste post (finalmente) é tomado diretamente de Aleister Crowley. Na compilação de seus escritos qabalísticos intitulados 777 (o equivalente alfanômico de Do what thou wilt shall be the whole of the Law, embora isso certamente seja uma coincidência), ele faz algumas observações introdutórias sobre o tópico do hermeticismo. Minha cópia do livro está temporariamente deslocada, então eu vou anotá-las aqui. Um segredo, do tipo relevante para o hermeticismo, não é algo conhecido e então escondido como uma questão de decisão, mas sim algo que, por sua própria natureza, resiste à revelação. Crowley procede a zombar de ocultistas charlatães que tratam os valores numéricos das letras hebraicas como informação secreta, a ser revelada teatralmente em algum estágio apropriado de iniciação. Que o que quer que se possa saber agora, seja sabido, tão lúcida e publicamente quanto possível. Apenas o que é verdadeiramente hermético que se esconde. A realidade não é tão destituída de coisas intrinsecamente escondidas – de Obscuridade Integral – que precisemos reabastecer seus cofres com nossa espalhafatosa discrição.

O que quer que pudesse existir, na forma de um vínculo oculto de entre este blog e a O9A, não é algo que alguém esteja mantendo em segredo. Para enfatizar o ponto, eu vou incluir o documento do alpha9omega no link de Resources aqui, não como o reconhecimento de uma conexão, mas como uma clara afirmação de que estas coisas não são um segredo. São, contudo, sobre segredos – e isto é interessante.

Original.

Segredo Aberto

A NRx tem sido acusada, por seus amigos mais do que por seus inimigos, de falar demais sobre si mesma. Aqui está o XS, fazendo isso novamente, não apenas preso no ‘meta’, mas determinadamente empurrando cada vez mais fundo. Há algumas razões facilmente comunicáveis para isso – um apego à não-linearidade metódica talvez em primeiro lugar entre elas – e depois existem pulsões ou apegos crípticos, inadequados para a publicização imediata. Estes últimos são muitos (até mesmo Legião). É afirmação firme deste blog de que a Neorreação é intrinsecamente arcana.

Não falamos muito sobre Leo Strauss. Mais uma vez, existem algumas razões óbvias para isto, mas também outras.

O artigo recente de Steve Sailer sobre Strauss para a Takimag serve como uma introdução conveniente, porque – apesar do seu toque leve – coloca uma série de questões no lugar. A constelação de vozes é complexa desde o princípio. Há o (agora notório) ‘Neo-Conservadorismo’ de Strauss e seus discípulos, ou manipuladores e o outro conservadorismo de Sailer, cada um trabalhando para administrar, abertamente e em segredo, sua mistura peculiar de declarações públicas e discrição. Lá fora, para além deles – porque mesmo a figuras mais sombrias têm sombras ulteriores – estão formas mais alienígenas e mal perceptíveis.

O artigo de Sailer é tipicamente inteligente, mas também deliberadamente cru. Ele glosa a ideia straussiana de escrita esotérica como “falar por ambos os lados de sua boca” – como se o tradicionalismo hermético fosse redutível a uma estratégia política lúcida, ou simples conspiração – ao Iluminismo, concebido politicamente. No esteira de seu trauma Neo-Con, o conservadorismo tem pouca paciência para “anéis decodificadores secretos”. Ainda assim, apesar de sua aversão aos recentes trabalhos dos sofisticados ‘conservadores’ do círculo interno, Sailer não deixa sua aversão lhe atrair para a estupidez:

Não temos ouvido muito sobre Straussianismo ultimamente devido à infeliz série de eventos no Iraque que vitimaram os melhores planos dos sábios. Mas isso não significa que Strauss estava necessariamente errado sobre os antigos. E isto tem implicações interessantes para como deveríamos ler obras atuais.

Como a aproximação do 20º aniversário da publicação de The Bell Curve nos lembra, as melhores mentes da nossa era têm razões para ser menos do que totalmente francas.

Sailer não é, claro, um neorreacionário. Nem mesmo secretamente. (Seu artigo é primariamente sobre isto.) Ele acredita na esfera pública e busca curá-la com honestidade. Qualquer pessimismo que ele pudesse abrigar, no que diz respeita a esta ambição, fica muito aquém do que o atiraria por sobre a linha. Suas diferenças com os Straussianos são, no fim das contas, meramente táticas. Ambos mantêm a confiança no Partido Externo enquanto veículo para a promoção de políticas, com o potencial de dominar a esfera pública. A questão é apenas quanto ao grau de artimanha que isto exigirá (mínimo para Sailer, substancial para os Straussianos).

Quando adotada dentro da Neorreação, a corrente da BDH tem uma influência bem mais corrosiva sobre as atitudes para com a esfera pública, que é entendida como uma agência social teleologicamente coesa (ou auto-organizadora), inerentemente direcional e (da ‘nossa’ perspectiva) radicalmente hostil. Batizar a esfera pública como ‘a Catedral’ é se afastar do conservadorismo. Não é mais possível imaginá-la como um espaço que poderia ser conquistado – mesmo que sorrateiramente – por forças que diferem significantemente daqueles que ela já encarna. Ela é o que é, e isto é algo historicamente singular, ideologicamente específico e altamente determinado em sua orientação social. Ela nada para a esquerda, essencialmente. A esfera pública não é o campo de batalha, mas o inimigo.

Hail-hydra00

Conforme a NRx busca navegar este território hostil, ela é tentada, de maneira ambígua, por uma Cila e Caríbdis estratégica. Uma isca populista a arrasta em direção a uma reconciliação com a esfera pública, como algo que ela poderia potencialmente dominar, ao passo que uma política hermética contrária a guia em direção à formação de grupos fechados (cujo símbolo paródico é a conta de twitter protegida). Ambas as opções – ‘claramente’ – são uma fuga da complexidade do segredo aberto integral. Ambas prometem um relaxamento da pressão semiótica, através do colapso da comunicação multi-níveis em um simplificado discurso franco, seja ele implantado dentro de uma cultura pública redimida ou circulado cuidadosamente dentro de círculos restritos. O problema da hierarquia seria extraído a partir dos sinais da Neorreação, através da conversão em um objeto público ou privado, em vez de trabalhá-los incessantemente a partir de dentro. O que está a caminho se tornaria (simplesmente) claro.

Tal claridade não pode acontecer. A alternativa não é uma (igualmente simples) obscuridade. A NRx, na medida em que continua a se propagar, avança tornando-se clara e também obscura. Escrita dupla mal arranha a superfície. Ela realiza a hierarquia através de sinais, continuamente, de acordo com a Providência, ou a Ordem Oculta da natureza (a OOon). Assumir que o autor está completamente iniciado neste espectro de significados é um grave erro. É o processo que fala, multiplicitamente e predominantemente em segredo, conforme ele se espalha através de um espaço aberto e publicamente policiado.

Este post está agora determinado a desatar a coleira e pular para dentro da aspereza das notas temáticas. O Segredo Aberto intercepta:

(1) A censura da Catedral, no caso da BDH mais proeminentemente, mas também em todo lugar em que SWJs muito excitados fazem uma luta. Guerra é enganação, o que torna a franqueza uma tática. A honestidade deontológica é inepta. A anonimidade é frequentemente crucial para a sobrevivência. (Exigências de que todos os inimigos da Catedral corajosamente ‘saiam do armário’ são ridiculamente mal concebidas.) A camuflagem deve ser estimada.

(2) Cripto-tecnologias são centrais para quaisquer preocupações NRx que enfatizem a praticidade. (A ideia de que a clássica atenção de Moldbug aos prospectos de ‘cripto-bloqueio’ é uma piada é, em si mesma, irrefletida.) O Urbit – um Segredo Aberto – poderia bem facilmente ser mais NRx do que a NRx, assim como o Bitcoin é mais An-Cap do que o Anarco-Capitalismo.

(3) Os serviços de inteligência foram sub-teorizados e talvez mesmo sub-solicitados pela NRx até hoje. No nível mais baixo – isto é, mais publicamente acessível – de discussão, isto é bem possivelmente uma virtude. Em níveis mais crípticos de empreendimento microssocial e analítico, é quase certamente uma inadequação. Pessoas treinadas para manterem segredos têm que ser interessantes para nós. Questões sutis de subversão surgem.

(4) “Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador.” – Vamos tentar não ser simplórios.

Original.

Alfanomia

O antigo (2007?) mecanismo qabalístico dA Urbanomic – a ‘gematrix’ – está de volta on-line (2) após um petulante desaparecimento. Apenas a numerização AQ é recomendada – as alternativas são randomizações digitais degeneradas. (Concentre-se nas numerizações intactas – os valores digitalmente reduzidos são normalmente rudimentares demais para compreensões significantes.)

Para entender imediatamente uma série de coisas (simultaneamente) digite a Lei da Telema: Do what thou wilt shall be the whole of the Law.

Esta ferramenta e, mais especialmente, o método – ou gematria específica – que ela encarna são a consumação da rigorosa Tradição Oculta Anglófona. Embora seu valor esteja quase certamente perdido nos modernos, ela está uma vez mais livremente disponível para ser usada.

Ela agora é um Segredo Aberto.

ADICIONADO: DARK ENLIGHTENMENT = 333. (Isto precisa estar aqui para referência.)

Original.

Gnon e OOon

O Twitter faz as pessoas contarem caracteres e, assim, numerizarem a língua. Em apenas muitos poucos casos esta atividade microcultural tomba para dentro das extravagâncias mais selvagens do qabalismo exótico, mas ela cutuca a inteligência nesta direção. Mesmo quando a única questão é estritamente booleana – esta mensagem vai se espremer em um tweet ou não? – as palavras adquirem uma significância suplementar a partir de suas propriedades numéricas apenas. Uma frase é momentaneamente numerada, na mais crua das maneiras, que a caixa de tweets registra como uma contagem regressiva até zero e, então, até a acumulação negativa de transbordamento. O Twitter promove, assim, uma prática semiótica rigidamente limitada pela convenção, que ele simultaneamente esconde, instanciando tecnologicamente um análogo preciso de um ritual hermético.

Qabalismo é a ciência da fantasmagoria, o que o torna um companheira natural em qualquer expedição ao horror. Há, além disso, uma inclinação reacionária intrínseca a seu ultra-tradicionalismo e apego ao princípio de revelação hierárquica. Sua história concreta fornece um exemplo insuperável de auto-catálise espontânea (a partir de convenções discrepantes de notação aritmética). Este post, contudo, se restringe a uma discussão muito preliminar de sua pressuposição intelectual mais básica, como se ele tivesse sido desenvolvido a partir de uma filosofia implícita (o que não foi). Ele será persuadido a fazer sentido, na contramão de sua inclinação essencial.

Dentro da tradição abraâmica, a Palavra de Deus antecipa a criação. Na medida em que a escritura registra fielmente esta Palavra, os escritos sagrados correspondem a um nível de realidade mais fundamental do que a natureza e um a que o ‘livro da natureza’ faz referência, enquanto chave para seu significado final. O desenrolar da criação no tempo segue uma narrativa traçada na eternidade, na qual a história e a divina providência são necessariamente idênticas. Não podem haver quaisquer acidentes verdadeiros, ou coincidências.

O Livro da Criação é legível e inteligível. Ele pode ser lido, e conta uma estória. As ruidosas disputas entre a ortodoxia religiosa e as ciências naturais que irromperam nos tempos modernos ameaçam abafar a continuidades mais profundas de presunção, que enquadram a rancorosa contenção entre ‘crença’ e ‘descrença’ como uma disputa doméstica íntima. Isto não é ilustrado em nenhum lugar mais claramente do que na declaração atribuída a Francis Bacon: “Meu único desejo terreno é… estender os limites deploravelmente estreitos do domínio do homem sobre o universo a sua fronteiras prometidos… [a natureza será] atada em servidão, perseguida em suas andanças e colocada na cremalheira e torturada por seus segredos”. Não há dúvida de que a natureza pode falar e ela tem uma estória a contar.

Resistindo a qualquer tentação de tomar lados neste argumento de família, referimo-nos, de maneira neutra, a Gnon (“natureza ou Deus da natureza”), ignorando toda dialética e partindo em outra direção. A distinção a ser traçada não diferencia entre crença e descrença, mas, antes, discrimina entre religião exotérica e esotérica.

Qualquer sistema de crença (e descrença complementar) que apele ao endosso universal é necessariamente exotérico em orientação. Como os caçadores de bruxas ou Francis Bacon, ela declara guerra ao segredo, em nome de um culto público, cujas convicções centrais são dispensadas de maneira comum. O Papa é o Papa, e Einstein é Einstein, porque o acesso à verdade que os eleva acima dos outros homens é – em sua natureza mais íntima – de igual posse de todos. O pináculo da compreensão é alcançado através de uma fórmula pública. Isto é a democracia em seu sentido mais profundo e de crença.

A religião esotérica aceita tudo isto, sobre a religião exotérica. Ela confirma a solidariedade entre autoridades doutrinárias e as crenças das massas, ao passo que exime a si mesma, de maneira privada, do culto público. Sua atenção discreta é dirigida para longe da máscara exotérica de Gnon, para dentro da – ou em direção à – OOon (ou Ordem Oculta da natureza).

A OOon não precisa ser mantida em segredo. Ela é secreta por sua natureza intrínseca e inviolável. Uma excursão qabalística muito primitiva deve ser suficiente para ilustrar isto.

Assuma, de maneira inteiramente hipotética, que uma inteligência sobrenatural ou complexidades obscuras na estrutura topológica do tempo tenham sedimentado profundidades abismais de significância dentro das ocorrências superficiais do mundo. O ‘Livro da Criação’, então, é legível em muitos (muitíssimos) níveis diferentes, com cada detalhe aleatório ou inconsequente dos aspectos relativamente exotéricos fornecendo material para sistemas de informação mais ‘abaixo’. Quanto mais se escava o ‘caos sem significado’ do substrato comunicativo exotérico, mais desobstruído fica seu acesso aos sinais da absoluta Exterioridade. Uma vez que ‘se’ é, para sua carne viva, um produto sinalético, essa empreitada criptográfica é irredutivelmente uma viagem, transmutação e desilusão.

O exemplo mais completamente documentado é a leitura esotérica da Bíblia Hebraica, que só precisa ser comentada aqui em suas características mais gerais. Já que o alfabeto hebreu serve tanto como um sistema fonético quanto como um conjunto de numerais, cada palavra escrita na língua tem um valor numérico preciso. Ela é, de uma só vez, uma palavra exotérica e um número esotérico. Nada impede que usuários ordinários da língua deliberadamente codifiquem (numericamente) conforme escrevem ou mesmo enquanto falam. A chave para o decriptamento numérico não é um segredo, mas sim um recurso cultural comumente compreendido, utilizado por todo indivíduo numerato. Não obstante, os aspectos linguístico e aritmético estão de fato bastante estritamente separados, porque pensar em palavras e números simultaneamente é difícil, porque manter a inteligibilidade paralela continuada em ambos é perto de impossível, porque a tentativa de fazê-lo é (exotericamente) sem sentido e porque a praticidade domina. A esfera esotérica não é proibida, mas simplesmente desnecessária.

Que a Bíblia Hebraica não tenha sido deliberadamente concebida como uma composição numérica-criptográfica intricada por autores humanos é, portanto, um fato empírico ou contingente que pode ser aceito com extrema confiança. Seu canal esotérico poderia, claro, como o senso comum tem que insistir, estar vazio de qualquer coisa além de ruído, mas ele está, não menos certamente, limpo. O que quer que venha através dele, que seja qualquer coisa além de nada, só pode vir do Lado de Fora. É a real diferença entre os níveis exotérico e esotérico que torna a OOon sequer pensável. Apenas aquilo que o exotérico não toca está disponível para que o esotérico se comunique através dele e se monte a partir dele. O Qabalismo tem que ser raro, a fim de que ocorra. Por esta razão, ele não pode buscar persuadir as massas de nada, a não se de sua própria falta de sentido. Em uma era de exoterismo triunfante, isto não é uma coisa fácil de entender (graças a Gnon).

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Caixa de Pandora

O Anarchopapist desencadeu uma tempestade no twitter com isto. É um post que tem muitos tópicos indo ao seu encontro e o transpassando. O elogio mais relevante que eu posso fazer a ele é dizer que ele é potencialmente perturbador, em um sentido bem mais do que psicológico. Será interessante ver quão contagioso ele se prova ser. (Como este post demonstra, este blog já está infectado.)

Laliberte pergunta: “há diferença entre o fogo de Prometeu e a caixa de Pandora?”. Dado tudo que é dito sobre o Prometeico e o trabalho ideológico-teórico bastante considerável que ele realiza, não é estranho que o Pandórico mal seja reconhecido como um termo ou um conceito sequer? Falar sobre o fogo é mero deslumbramento raso, em comparação com qualquer exame sério das caixas. Caixas não apenas têm uma forma, mas também um interior e um lado de fora, o que significa – pelo menos implicitamente – uma estrutura transcendental. Elas modelam mundos e sugerem caminho para fora deles.

A caixa de Pandora, claro, é significante sobretudo por seu conteúdo, que é liberado ou sai. A chama prometeica, que é roubada, é contrastada com a praga pandórica, que escapa. Laliberte aproveita a opotunidade para discutir memes (e o ‘hipermeme’). Um ser infeccioso é solto, na forma de um Basilisco Neorreacionário. (No twitter, Michael Anissimov lamenta a irresponsabilidade desta eclosão.)

Pandora (Πανδώρα – a que tudo dá e talvez a onimagnânima) é uma figura dos mais profundos recônditos da Antiguidade Clássica, cujos primeiros ecos detectáveis são encontrados nos textos hesiódicos do século VII A.C. Seu mito funciona – pelo menos superficialmente – como uma teodiceia, comparável, de muitas maneiras, com a estória da Eva bíblica. Ela libera o mal dentro da história através da curiosidade e, assim, tece uma inteligência terrível, de um tipo que antecipa o Basilisco de Roko e a ameaça da IA Hostil. O Experimento da IA na Caixa é tão pandórico que arde.

Entre os horrores do Basilisco está aquele de que falar sobre ele estar dentro – e sobre como mantê-lo ali – já é a maneira em que ele sai. Daí o extraordinário pânico que ele gera, entre aqueles que começam a pegá-lo (no sentido epidemiológico, entre outros). Mesmo pensar sobre ele é sucumbir.

No Less Wrong, vozes baixas atestam uma resiliente veneração de Pandora. Ela é perigosa (e qualquer coisa perigosa, dada apenas inteligência, pode ser uma arma).

Original.