Exumação

Eles o haviam enterrado fundo, tremendo o tempo todo, espalhando seus encantamentos de proteção sobre o túmulo amaldiçoado, como se para sepultar suas memórias ali, enterrando tudo que haviam sabido no barro infinitamente indulgente. O que eles imploravam silenciosamente para esquecer, acima de tudo, era profecia de que, quando as estrelas estivessem certas, ele – aquilo – retornaria para alguma conclusão horrível. O tempo passou, na medida exata que sempre fora necessária, até que a noite sem lua veio, sem anúncio e sem o agito da menor das brisas, quando as estrelas estavam – em fato gelado e brilhante – perfeita e impiedosamente certas

Original.
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Nota Fragmentada (#9)

Estou de volta ao Oeste Chinês, desta vez com a família (nuclear mais sogra). Enquanto escrevo, estou no trem de Lanzhou para Dunhuang, fabulosamente renomada por suas cavernas budistas. É hora de uma recriação de vínculos com o tablet, então, o que é um desafio mecânico – na maior parte devido ao controle incrivelmente disfuncional do cursos, sobre o que eu sei que todo mundo super apreensivo para ouvir mais…

…então, 24 horas mais tarde, não tem muito de notícias emocionantes da viagem para relatar. Vamos para as Cavernas de Mongao amanhã, o que deve ser digno de se falar. Até agora tem sido deserto, e carne de burro, e a esquisitice geral do Oeste Chinês, mas com uma mente escorrendo inutilmente como lama arenosa, não se somam a algo sequer remotamente profundo. Talvez mais tarde.

A coisa que eu quero introduzir de maneira tentativa aqui, porque tem que se re-introduzida de maneira mais completa bem em breve, é a hiperstição e, em particular, o método hipersticional. Estou com o forte sentimento de que existem coisas que simplesmente não serão possíveis de se fazer de outra maneira. (Tentarei explicar.)

Há uma variedade de maneiras plausíveis de se explicar a ‘ideia’ básica da hiperstição. A mais pertinente dessas, aqui, agora, é que é uma tentativa de sistematizar o uso filosófico da ficção. Ao enquadrar a discussão filosófica dentro da ficção, em vez de dentro de um entendimento consensual assumido, ela é promovida como uma perturbação da descrença, em vez de uma modificação da crença. Como proceder filosoficamente da suposição artificial de fundo de que tudo é uma mentira? Esta é a questão hipersticional (cujas ressonâncias pirrônicas e gnósticas são imediatamente evidentes).

Falando de maneira prática – a que sempre tem que ser – a bifurcação tomada é formular pensamentos dentro da ‘voz’ de um sujeito sintético (ficcional), em vez de propô-los em nome de um sujeito privada e socialmente acreditado. A hipótese preliminar: uma diversidade experimental maior de pensamento deve ser esperada quando ele é conduzido no modo ‘do que poderia ser pensado’ – comparativamente livre de ego-comprometimento e jogos sociais de primeira ordem. (O ‘pensi-parar’ orwelliano é a confirmação desta hipótese a partir do outro lado.)

Começar com um eu ficcional tem uma inclinação budista, a ser discutida em algum ponto posterior. Estar em Dunhuang é o que fazer isso ser digno de sequer ser mencionado.

Embora tudo isto seja relevante ao problema em desenvolvimento enquanto ‘fragmentos sub-cognitivos’ (isto é, como pensar), o retorno à questão do método hipersticional, para mim, veio principalmente na outra direção. Meu retardo filosófico é enfurecedor, mas meu bloqueio literário é completamente intolerável. Não há nada de que eu esteja mais certo do que que a literatura abstrata, ou ficção de horror metafísico perseguida de maneira radical, é o empreendimento que me reivindica, mas não há igualmente nada que invoque forças mais titânicas de procrastinação. A obstrução, bem obviamente, sou ‘eu’ – e a hiperstição sugere uma solução para isso ou, pelo menos, um método dirigido de maneira decisiva a uma solução. Encontre a maneira de falar em nome da coisa que pode falar o que você não pode (ou algo assim).

O que a hiperstição ainda tem a fazer de maneira completa (eu ainda acredito), é fechar o ciclo, se subsumindo definitivamente na ficção. Ela tem que se tornar uma estória, em vez de uma teoria das estórias, antes que possa se dizer que alcançou consistência.

Original.

O horror…

“A coisa é que, agora que fiquei ciente do fenômeno, eu o vejo em todo lugar…”

“Não se pode deixar isso assim. Isso é como descobrir que um serial killer abusador de crianças está no comando da seu time da liga júnior local. Este não é um caso de tolerância. Este é um caso de forquilhas e tochas metafóricas. …isto, a ‘Neorreação’, é uma ameaça definitiva, e deve ser encarada.”

(Alguns empurrões impressionantes já estão ocorrendo na seção de comentários lá em cima.)

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Notas de Citação (#26)

Otimize a inteligência não é um grito de guerra ao qual Chip Smith está sucumbindo:

… a alta inteligência pode muito bem ser um beco evolutivo sem saída. Eu certamente fico sem saber como apresentar uma boa razão de por que um traço outrora adaptativo, que ocorre de eu e você valorizarmos, deveria gozar de uma defesa especial ante ao ruído algorítmico cego que é a seleção natural.

Mas mesmo que os musculosos em cérebro de fato descubram uma maneira de desafiar a gravidade antes que o sol exploda, eu acho que ainda existem razões para se questionar se a ascensão galopante da mente é realmente digna de aplauso. Nerds futuristas nos informarão de que existe uma miríade de revoluções tecnológicas em andamento – todas encabeçadas por sabichões, podemos estar certos. E eu sugeriria que, dessas, as que convergem na promessa dourada de computação quântica e nanotecnologia poderia aconselhar uma segunda pausa reflexiva – uma que vem por meio do “Não tenho boca e preciso gritar” de Harlan Ellison e se resolve no consolo solene que resta nas explicações mais sombrias que sempre cercaram o Enigma de Fermi.

Talvez eu esteja sendo críptico. O que eu quero considerar é simplesmente que a trajetória evolutiva da inteligência ainda pode levar, e já levou, a coisas muito ruins. Pode um dia ser possível, por exemplo, criar experiência senciente – não sejamos tão audazes de chamá-la de “vida” – não a partir de gametas, mas na medula profunda de estados de quibits [sic] e, se isto vier a ocorrer, não é um salto tão grande imaginar que tais simulações inteligentes – okay, elas estão vivas – serão capazes de sofrer, ou que se fará com que elas sofram, talvez por emoções sádicas, talvez em loops recursivos de intensidade imensurável que se aproximam o suficiente do estado eterno de tortura que se ameaça em toda visão febril do Inferno para tornar a distinção irrelevante.

Utilitaristas não tem nenhum senso de diversão.

(via)

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Guerras Zumbi

Zumbis são visado com antecedência para a aplicação de uma violência desinibida. Sua chegada anuncia um conflito no qual todas as considerações morais são definitivamente suspensas. Uma vez que eles não têm ‘almas’, não há nada que não façam, e se esperar que façam o pior. Reciprocamente, ele merecem exatamente zero preocupação humanitária. A relação com o zumbi é uma na qual toda a simpatia é anulada de maneira absoluta (殺殺殺殺殺殺殺).

Não é nenhuma surpresa, então, que a identificação do zumbi tenha se tornado um conflito crítico, travado através do terreno da cultura popular. Ela descreve uma zona de fogo livre, ou um gradiente antecipado na direção social da violência. Os zumbis ou são ralé ou são drones.

Michael Hampton esboça essas alternativas de maneira convincente:

Historicamente, o zumbi só começou a migrar para além dos confins do Haiti no período entre a Quebra da Bolsa de Nova York e a eclosão da Segunda Guerra Mundial, infectando Hollywood em filmes tais como The Magic Island, 1929, White Zombie, 1932 e Revolt of the Zombies, 1936. Como um monstro não-europeu, o zumbi foi usado aqui como um tipo conveniente e sem face de alteridade, que, embora temporariamente desprovido de suas associações canibais do século XIX, se tornou um assustador substituto para as subclasses despojadas da América das tempestades de areia, e uma ameaça racial às mulheres brancas civilizadas também. (“Extermine os brutos”)

Ao passo que a contraparte horrorológica, da maneira em que é percebida / construída pela Esquerda…

…veio a figurar como um símbolo fatídico da massa de tecno-humanos sem subjetividade sob o capitalismo, lumpen-não-seres de pesadelos, cuja alteridade havia sido completamente internalizada, e depois suavizada, e devolvida com juros descontados como um entretenimento desalmado; não tanto mortos-vivos quanto hipermediados e vivos sob uma restrição globalizada severa; sedentários gravemente afligidos pela ‘síndrome de cadáver que respira’ ou ‘síndrome do parcialmente morto’. Voyeur hipócrita, você se reconhece?

Como quer que a guerra contra os zumbis seja vislumbrada, a guerra pelos zumbis tem estado há muito em andamento. É inextricável da questão: A violência legítima vem da Direita ou da Esquerda?

Uma vez que esta questão é historicamente inextinguível, é seguro prever que os zumbis não desaparecerão tão logo do mundo do pesadelo popular. Quase certamente, veremos bem mais deles. Se você quiser tem um sentimento de onde as linhas de tiro estão sendo colocadas, você precisa dar uma olhada cuidadosa…

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Horrorizado

Há um post sobre o racismo extremo de H. P. Lovecraft a caminho e, dada a abundância de material estimulante sobre o tópico, um tira-gosto menor é irresistível. Este] ensaio altamente representativo de Nicole Cushing serve como oportunidade. Ela escreve:

Abordar este assunto também é difícil porque ele tem que ser tratado com algum nuance (o que é difícil de conseguir em uma discussão sobre um tópico uma carga emocional tão justificadamente grande quanto o racismo americano). Seria fácil demais apontar para o racismo de Lovecraft (e para algumas de suas outras falhas enquanto autor) e descartá-lo como um idiota indistinto que não merecia nada melhor do que ser publicado em pulps. Eu não vou fazer isso aqui. Minha posição é de que Lovecraft fez uma contribuição importante para o horror e para a ficção científica ao focar (de uma maneira persistente e convincentemente imaginativa) no terror induzido pela revelação da não-significação humana no cosmos. […] Lovecraft teve uma influência significativa na ficção de horror (em particular) durante muitos anos, uma influência que transcende seu racismo. …Tudo isso é apenas uma maneira verbosa de explicar que o racismo de Lovecraft não nega suas realizações.

Mas suas realizações não negam seu racismo. (Entre, dissonância cognitiva).

Entre os aspectos mais fascinantes deste comentário é sua flagrante desorientação, uma vez que – claro – o fenômeno indicado não tem absolutamente nada a ver com dissonância cognitiva. Há aqui um encontro com uma espécie anormal de gênio literário, associada com uma verdade metafísica profunda, o que, ao mesmo tempo, – e por razões inextricavelmente emaranhadas – desencadeia uma reação de pânico moral, que se inclina para uma repulsa somática profunda. Em outras palavras, e talvez até mesmo bastante simplesmente, o que está sendo relatado por Nicole Cushing é – horror.

ADICIONADO: Isto me divertiu morbidamente:

“Houve essa janela de oportunidade”, continua [o boateiro sobre o Necronomicon, Peter Levenda], revisando a ressurgência ocultista nos anos 1970, quando “queríamos mostrar que isso não era uma coisa assustadora. Poderia ser poderosa, poderia alterar sua mente, poderia mudar sua vida. Mas não era perigoso, não ia te matar. E era isso que estávamos tentando promover.”

Eu recentemente visitei o antigo local do The Magickal Childe. Herman Slater morreu de AIDS em 1992…

ADICIONADO: Nicole Cushing (em sua própria seção de comentários: “Em posts nos quais “a palavra com n” apareceria, eu editei para ser ‘N—-r’ ou algum outro arranjo similar. Dessa maneira, os leitores devem ser capazes de entender a essência do que o comentador está se referindo sem ter que olhar para a palavra em si”.  – Por que não simplesmente deixar como “Neorreação”? – não pode ser tão aterrorizante assim.

Original.