O Básico

A compreensão fundamental do Ocidente é a tragédia. Ela não pode ser cognitivamente dominada, assimilada ou superada. No final, ela será tão insuperável quanto era no princípio. A compreensão essencial já é completamente alcançada dentro do fragmento de Anaximandro, na origem da filosofia Ocidental.

Há traduções em inglês do fragmento aqui e aqui. Uma versão definitiva ainda nos aguarda. Esta é a versão da Wikipédia:

De onde as coisas tiveram sua origem,
Daí também sua destruição acontece,
De acordo com a necessidade;
Pois elas dão, uma à outra, justiça e recompensa
Por sua injustiça
Em conformidade com a ordenança do Tempo.

Retorno e compensação estão cozidos dentro da natureza das coisas. Os trágicos entenderão isto como a dinâmica de hubris e nemesis. Na modernidade madura, a chamamos de cibernética. Mecanismos compensatórios a demonstram, em forma de brinquedo, assistindo a compreensão. É o maquinário do destino.

A assinatura da tragédia na história é um ritmo – em uma grande escala, a ascensão e queda de civilizações. O Ocidente, como um todo, é um pulso. Tem um começo e um fim. Tudo isto já está escrito no fragmento de Anaximandro.

Poderíamos pensar que é possível dominar esse destino. O progressismo é um pensamento desses. Isto é a hubris destilada, em forma programática. Anaximandro, Homero e os trágicos anteciparam seu resultado, que evoca pena em nós.

Em nossa hubris, somos incapazes de impiedade, ou aceitação, então a nemesis vem. Este é todo o destino do Ocidente. É uma necessidade que pode apenas ser negada e, em sua negação – implícita e inexorável – está a realização de sua fatalidade.

Você se contorcerá no anzol e depois morrerá. Assim será.

ADICIONADO: Um Pequeno Diálogo Moral-Religioso
“Você está dizendo que é por nossa pena que somos punidos, no final das contas?”
“Sim, isto é precisamente o que estou dizendo – ou, na verdade, meramente passando adiante. É toda a mensagem da direita, na medida em que esta comunica a verdade.”
“Então, Malthus?”
“Esse nome será o suficiente”

ADICIONADO: Se você dá à sua civilização o nome da Terra dos Mortos, não faz sentido reclamar depois.

Original.

Re-Aceleracionismo

Existe uma palavra para um ‘argumento’ tão ensopadamente insubstancial que tem que ser recolhido entre um par de aspas para ser apreendido, mesmo em sua auto-dissolução? Se existisse, eu a estaria usando o tempo todo recentemente. Entre as últimas ocorrências está um post do blog de Charlie Stross, que se descreve como “uma especulação política”, antes de desaparecer no gosmenon cinza. Nada nele realmente se mantém, mas é divertido à sua própria maneira, especialmente se for tomado como um sinal de alguma outra coisa.

A ‘outra coisa’ é uma cumplicidade subterrânea entre a Neorreação e o Aceleracionismo (o último linkado aqui, no estilo de Stross, em sua forma mais recente e Esquerdista). Comunicando-se com seu companheiro ‘Martelo da Neorreação’ David Brin, Stross pergunta: “David, você já se deparou com o equivalente esquerdista dos Neo-Reacionários – os Aceleracionistas?” Ele então continua, convidativamente: “Eis aqui minha (irreverente) opinião sobre ambas as ideologias: Singularitários trotskistas pelo Monarquismo!”

Stross é um romancista cômico-futurista, então é irrealista esperar muito mais do que uma diversão dramática (ou qualquer coisa mais que seja, na verdade). Depois de um divertido meandro por entre as partes do grafo social trotskista-neolibertário, que poderia ter sido depositado em uma curva de tipo tempo saindo de Singularity Sky, aprendemos que o Partido Comunista Revolucionário Britânico tem estado em um estranho caminho, mas qualquer conexão que houvesse com o Aceleracionismo, quanto mais com a Neorreação, se perdeu inteiramente. Stross tem o instinto teatral de acabar com a performance antes que ela se tornasse embaraçosa demais: “Bem-vindos ao século dos monarquistas trostskistas, dos reacionários revolucionários e da política extremista do paradoxal!” (OK.) A cortina se fecha. Ainda assim, tudo foi comparativamente bem humorado (pelo menos em contraste com o bate-cabeça cada vez mais raivoso de Brin).

A Neorreação é o Aceleracionismo com um pneu furado. Descrita de maneira menos figurativa, ela é o reconhecimento de que a tendência de aceleração é historicamente compensada. Além da máquina de velocidade, ou capitalismo industrial, há um desacelerador cada vez mais perfeitamente pesado, que gradualmente drena o impulso tecno-econômico para dentro de sua própria expansão, conforme ele retorna o processo dinâmico à meta-estase. Comicamente, a fabricação deste mecanismo de freio é proclamada como progresso. É a Grande Obra da Esquerda. A Neorreação surge como resultado de nomeá-la (sem afetação excessiva) como a Catedral.

A armadilha deve ser explodida (como advogado pelo Aceleracionismo) ou a explosão foi presa (como diagnosticado pela Neorreação)? – Esta é a casa do enigma cibernético sob investigação. Um esboço rápido do pano de fundo poderia ser útil.

O catalisador germinal para o Aceleracionismo foi um chamado, no Anti-Édipo de Deleuze & Guattari, para se “acelerar o processo”. Trabalhando como cupins dentro da mansão em decomposição do Marxismo, que foi sistematicamente eviscerada de todo hegelianismo até se tornar algo totalmente irreconhecível, D&G veementemente rejeitaram a proposta de qualquer coisa jamais tivera “morrido de contradições”, ou jamais iria. O capitalismo não nasceu de uma negação, tampouco iria ele perecer de uma. A morte do capitalismo não poderia ser entregue pelo machado do carrasco de um proletariado vingativo, porque as aproximações realizáveis mais próximas do ‘negativo’ eram inibitórias e estabilizantes. Longe de propelir ‘o sistema’ a seu fim, elas reduziam a dinâmica a um simulacro de sistematicidade, retardando sua aproximação de um limite absoluto. Ao progressivamente comatizar o capitalismo, o anti-capitalismo o arrastava de volta a uma estrutura social de auto-conservação, suprimindo sua implicação escatológica. O único caminho Para Fora era adiante.

O Marxismo é a versão filosófica de um sotaque parisiense, um tipo retórico, e, no caso de D&G, ele se torna algo semelhante a um sarcasmo superior, zombando de cada princípio significativo da fé. A bibliografia de Capitalismo e Esquizofrenia (do qual Anti-Édipo é o primeiro volume) é um compêndio de teoria contra-Marxista, desde revisões drásticas (Braudel), passando por críticas explícitas (Wittfogel), até rejeições desdenhosas (Nietzsche). O modelo de capitalismo de D&G não é dialético, mas cibernético, definido por um acoplamento positivo de comercialização (“decodificação”) e industrialização (“Desterritorialização”), tendendo intrinsecamente a um extremo (ou “limite absoluto”). O capitalismo é a instalação histórica singular de uma máquina social embasada em escalação cibernética (feedback positivo), se reproduzindo apenas incidentalmente, como um acidente na contínua revolução socio-industrial. Nada exercido contra o capitalismo pode se comparar ao antagonismo intrínseco que ele dirige à sua própria atualidade, confirme ele acelera para fora de si, arremessando-se ao fim já operacional ‘dentro’ dele. (Claro, isto é loucura.)

Uma apreciação detalhada do “Aceleracionismo de Esquerda” é uma piada para uma outra ocasião. “Falando em nome de uma facção dissidente dentro do mecanismo de freio moderno, nós realmente gostaríamos de ver as coisas progredirem muito mais rápido.” OK, talvez possamos trabalhar em alguma coisa… Se isso ‘levar a algum lugar’, só pode ficar mais divertido. (Stross está certo sobre isso.)

A Neorreação tem um ímpeto bem maior e uma diversidade associada. Se reduzida a um espectro, ela inclui um ala ainda mais Esquerdista que a Esquerda,uma vez que critica a Catedral por falhar em parar a loucura da Modernidade com nada parecido com o vigor suficiente. Você deixou este monstro sair da coleira e agora não consegue pará-lo poderia ser sua acusação característica.

Na Direita Exterior (neste sentido) se encontra um Re-Aceleracionismo Neorreacionário, o que é dizer: uma crítica do desacelerador, ou da estagnação ‘progressista’ enquanto desenvolvimento institucional identificável – a Catedral. Desta perspectiva, a Catedral adquire sua definição teleológica a partir de sua função emergente enquanto cancelamento do capitalismo: o que ela tem que se tornar é o negativo mais ou menos precisa do processo histórico primário, de tal modo que componha – junto com a cada vez mais extensa sociedade em liquidação que ela parasita – um mega-sistema cibernético metastático, ou armadilha super-social. ‘Progresso’, em sua encarnação manifesta, madura, ideológica, é a anti-tendência necessária para levar a história à imobilidade. Conceba o que é necessário para impedir a aceleração até a Singularidade tecno-comercial, e a Catedral é o que isso será.

Aparatos compensatórios auto-organizantes – ou montagens de feedback negativo – se desenvolvem de maneira errática. Eles buscam equilíbrio através de um comportamento típico rotulado ‘caça’ – ajustes ultrapassantes e re-ajustes que produzem padrões ondulatórios distintivos, garantindo a supressão da dinâmica de fuga, mas produzindo volatilidade. Esperar-se-ia que um comportamento de caça da Catedral de suficiente crueza gerasse ocasiões de ‘Singularidade da Esquerda’ (com subsequentes ‘restaurações’ dinâmicas) como ultrapassagens inibitórias de ajuste para um travamento (e reinicialização) do sistema. Mesmo estas oscilações extremas, contudo, são internas ao super-sistema metastático que elas perturbam, na medida em que um gradiente geral de Catedralização persiste. Antecipar a escapada no limite péssimo do ciclo de caça metastático é uma forma de ilusão paleo-marxista. A jaula só pode ser rompida no caminho para cima.

Para a Neorreação Re-Aceleracionista, a escapada para dentro da fuga cibernética descompensada é o objetivo guia – estritamente equivalente à explosão de inteligência, ou Singularidade tecno-comercial. Tudo o mais é uma armadilha (por necessidade definitiva da dinâmica do sistema). Pode ser que monarcas tenham algum papel a desempenhar nisso, mas não está de maneira alguma óbvio que eles tenham.

Original.

Democratização do X-Risco

Yudkowsky revisto: “A cada dezoito meses, o QI mínimo necessário para destruir o mundo cai em um ponto”.

Tergiverse sobre a programação (satírica da Lei de Moore), e o ponto ainda está de pé. A capacidade dissuasiva massiva tende a se espalhar.

Isso é ‘democrático’ na maneira em que o termo é comumente usado por aqueles que buscam aferrolhar as tendências de descentralização à credibilidade ideológica dos princípios de legitimação jacobinos. O capitalismo de consumo, a Internet e cripto-sistemas peer-to-peer são teoricamente ‘democráticos’ desta maneira. Eles subvertem a governança centralizada e se espalham através do contágio horizontal. O fato de que eles não tem absolutamente nada a ver com a representação política popular é de interesse de apenas certas agendas retóricas, e de forma alguma de outras. É besteira sofística pop-capitalista usar a palavra democracia desta maneira, mas normalmente não vale a pena para a Esquerda o trabalho de contestá-la, e a parte da Direita que não está animada em andar de carona nessa estratégia de propaganda normalmente é indiscriminada demais para se incomodar em se desembaraçar dela. Há um raro artigo de RP ‘direitista’ funcional aqui, mas nunca o suficiente para importar muito (e é essencialmente desonesta demais para a Direita Exterior defender).

Ao contrário da Democracia® (ideologia da Catedral), contudo, essa ‘democratização’ tem uma profunda consistência cibernética. Ela cai para fora do tecno-capitalismo com tamanha inevitabilidade automática que provavelmente é impossível de desligar sem encerrar a coisa toda. A escalação do capital produz a deflação tecnológica como seu subproduto metabólico básico, de modo que a ‘democratização’ da capacidade produtiva é inelutável. Os computadores migraram de exóticos bens de capital para componentes triviais de produtos de consumo dentro de meio século. Estude essa tendência e você verá toda a estória.

A deflação da dissuasão é a tendência profunda. Conecte a citação de Yudkowsky com os mercados de assassinato para chegar onde ela está indo. (Tente engavetar os escrúpulos morais até depois que você estiver vendo a figura.)

Imagine, hipoteticamente, que algum agente privado maníaco queira apenas lançar uma bomba atômica em Meca. Qual é a obstrução? Podemos confiantemente dizer – de uma vez só – que é um problema cada vez menor com cada ano que passa. A tendência histórica básica garante isso. Fanáticos islâmicos comparativamente incompetentes são as únicas pessoas testando com seriedade essa tendência nesse momento, mas isso não vai durar para sempre. Eventualmente, agentes mais inteligentes e mais estrategicamente flexíveis vão adquirir interesse na capacidade descentralizada de destruição em massa e eles fornecerão uma indicação bem melhor de onde está a fronteira.

Bombas nucleares fariam isso. Elas certamente vão ser democratizadas, no fim das contas. Existem provavelmente capacidades acelerantes de ADM muito mais notáveis, no entanto. Em quase todos os aspectos (capacidade de produção descentralizada, curva de desenvolvimento, economia, impacto…) armamentos biológicos deixam os nucleares na pó. Qualquer um com um bilhão de dólares, um rancor sério e um perfil de sociopatia de ponta poderia entrar em um jogo de ameaça de guerra biológica global dentro de um ano. Tudo poderia ser reunido em garagens secretas. As negociações poderiam ser conduzidas em segura anonimidade. Esculpir uma soberania a partir do jogo exigiria apenas recursos, crueldade, brilhantismo e nervos. Uma vez que você possa crivelmente ameaçar a matar 100.000.000 de pessoas, todos os tipos de oportunidade estratégicas estão abertos. O fato de que ninguém tentou isso ainda em grande parte se resume aos bilionários serem gordos e felizes. Só é necessário de um Doctor Gno para quebrar o padrão.

Essa é a sombra lançada sobre o século XXI. Jogos massivamente descentralizados de dissuasão incondicionalmente radicais são simplesmente inevitáveis. Qualquer um que pense que o estado do status quo detém algum tipo de supremacia de longo prazo sob essas circunstâncias não está vendo nada.

Um governo global totalitário poderia parar isso! Mas isso não vai acontecer – e já que ele não vai, isso irá.

Original.

Doctor Gno II

O Kokomo pretende ser uma espécie de base domiciliar, aonde viajantes entusiastas podem ir em seus helicópteros e barcos – ou iates submersíveis. A Migaloo também tem um conceito para um híbrido iate-submarino no qual os super-vilões provavelmente mal podem esperar para colocarem suas mãos. Sério, esta companhia está nos inspirando a inventar tantos enredos de filme. (Fonte.)

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Da ABC: “Chega de ficar preso em um único lugar. Esta ilha privada flutua. …A ilha – que contará com uma cobertura, deck de selva com cascata e uma área refeições ao ar livre – seria a primeira no mundo a operar com sua própria energia, de acordo com a companhia. …A inclusão de jardins verticais, palmeiras e mesmo uma estação de alimentação de tubarões ‘adicionam elementos mais naturais à ilha náutica’, de acordo com a companhia.”

Tecnologias de saída vão ser difíceis de parar.

A segurança mais forte ainda precisa de algum trabalho, motivo pelo qual o tema de Vilão do Bond surge tão previsivelmente. A capacidade de dissuasão no nível inter-estatal só pode ser uma questão de tempo. Para citar o feiticeiro secreto do basilisco neorreacionário, Eliezer Yudkowsky: “A cada dezoito meses, o QI mínimo necessário para destruir o mundo cai em um ponto”. Então, tudo que é necessário é paciência.

O Doctor Gno é um tipo frio. Ele aguardará calmamente o tempo que for necessário para operacionalizar a estratégia de escape (mas, com sorte, não muito mais tempo).

“Alimentar tubarões” ou jogar pessoas para fora de helicópteros – é sequer uma questão?

Original.

Doctor Gno

Uma coisa tem que ser concedida ao artigo sub-adolescente de Pein (casualmente descartado aqui) – ele desencadeou uma agústia interessante. Esta interpretação da Neorreação (tecno-comercial) como vilania de Bond é especialmente notável. Ao contrário de Pein, Izabella Kaminska demonstra pelo menos um pouco de perspicácia genuína. De maneira mais importante, ela se agarra ao Secessionismo do Vale do Silício como um (assustador) projeto criptopolítico, de real significância. Suas referência são excelentes (a história é construída em torno de uma série de slides extraídas desta palestra histórica, de Balaji Srinivasan, intitutlada Silicon Valley’s Ultimate Exit (“A Saída Derradeira do Vale do Silício”, em tradução livre).

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A elegância desse projeto repousa em sua combinação de simplicidade e radicalidade, capturada em elementos essenciais pela fórmula S > V (Saída sobre Voz). Ele avança o prospecto, já em movimento, de uma destruição da política (embasada em voz) através da inovação tecno-comercial de mecanismos de saída. Está começando a deixar os progressistas insanos.

O ponto fundamental não poderia ser mais claro: Não queremos governar vocês. Queremos escapar de vocês.

Claro, toda a agenda da Catedral é levar esta mensagem de volta à ininteligibilidade, ao inundá-la com a tediosa dialética política BDSM esquerdista, como se a questão fosse uma luta por domínio. A este respeito, os memes monarquistas predominantes dentro da NRx desempenham um papel distintivamente amigável aos progs.

Entre os slides de Srinivasan, há um com o cabeçalho Um contínuo de abordagens válidas: De ilhas privadas à colonização de Marte. Ele contém a nota: “E a melhor parte disto: as pessoas que pensam que isso é esquisito, que zombam da fronteira, que odeiam tecnologia – elas não vão te seguir lá para fora”.

Os progressistas sabem como argumenter sobre reis (não importa o quão ineptamente). Aquilo com que eles não têm nenhuma ideia de como argumentar – aquilo com o que não se pode argumentar – é a fuga.

O Secessionismo do Vale do Silício é o melhor campo de batalha que temos.

Original.

Nota Fragmentada (#13)

Sim, o artigo da Baffer foi comicamente ruim. O título lhe diz tudo que você precisa saber sobre o nível de seu tom. Aparentemente, a NRx tem sede em São Francisco e Xangai porque ela odeia pessoas asiáticas, mas se ela apenas lesse um pouco de Rawls (e “desempenhasse o papel do camponês”), ela poderia se ajustar. Nydrwracu tem a resposta mais apropriada. Mike Anissimov se dá ao trabalho de fazer uma análise decente. Os breves comentários de Klint Finley sobre ele são bem melhores que o próprio artigo. Estereótipos crus triunfam novamente: “The Baffler Foundation Inc., P.O. Box 390049, Cambridge, Massachusetts 02139 USA”.

A construção sociológica da neorreação foi incompetente, mas de maneira interessante. Inteiramente tecno-comercialista em orientação, com uma ênfase no Vale do Silício, ela se estendeu para incluir Justine Tunney, Balaji Srinivasan, Patri Friedman e Peter Thiel. O quadro que ela pinta borra, de uma elite tecnológica americana se descolando para dentro da neorreação, não é muito convincente, mas por certo é extraordinariamente atraente.

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Provavelmente vale a pena ser explícito sobre o fato de que, para a variedade tecno-comercial da NRx, o modelo de ação é o que as companhias de tecnologia avançada fazem. O clamor por ‘ação’ está sempre se levantando em nossa sombria comunidadezinha, com a implicação que a única alternativa para algum tipo de preparação de golpe é tweetar sobre metafísica. Na verdade, a alternativa à politickagem é fazer coisas ou – secundariamente – operar uma interferência ideológica em nome daqueles que são capazes de fazer coisas.

Os problemas páticos da governança policêntrica estão rapidamente se tornando inextricáveis da tecnologia emergente – criptosistemas de blockchain mais proeminentemente. A ideia de que a vanguarda da ação efetiva vai ser encontrada fora da esfera da inovação tecnológica já é claramente insustentável. Qualquer tipo de ‘ação social’ que não contribua bastante diretamente para a criação de maquinário autonomizante precisa ser firmemente desencorajada, uma vez que é quase certamente inibitória em efeito. (“Bastante diretamente” significa dentro de dois ou três passos inteligíveis, no máximo.)

O principal papel (positivo) de intelectuais não-tecnológicos é manter os intelectuais fora do poder. O principal papel (positivo) das multidões é se envolver em tão pouca ação quanto possível. Se você não é Satoshi Nakamoto, a simples realidade da situação é que – no grande esquema das coisas – você não importa muito, nem deveria. (E, quanto menos parecido com Satoshi Nakamoto você for, menos você importa.)

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Este blog novo está trabalhando duro para elevar o nível da discussão. O fato de que ainda é tão difícil dizer aonde ele está indo é um forte ponto a seu favor.

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Estranheza.

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Evola está começando a assustar as pessoas. Talvez alguém que saiba seu caminho em torno deste material pudesse ajudar a esclarecer um fonte de confusão: O fatalismo histórico de Evola não é o exato oposto de um ‘chamado à ação’? Como, então, a estirpe evolana da NRx ficou tão firmemente associada com a exortação ativista?

ADICIONADO: Mais críticas vinda dos comunistas. (A NRx como “quadros de apirantes [do Vale do Silício] a Führers do pensamento… trabalhando em novas teorias de Darwinismo Social racista, reforçadas pelas moda do Malthusianismo entre os superricos”.) Seria útil se eles conseguissem fazer sua guerra de classes funcionar, uma vez que era aceleraria a corrida para as saídas, mas de certa forma duvido que são capazes disso.

ADICIONADO: Corey “eu não gosto de comentários” Pein posta algumas resposta ao seu artigo (d.m.).

ADICIONADO: A melhor ‘crítica’ até o momento.

Original.

Aquecendo-se no Basilisco

Sem saber nada demais sobre o que isto vai ser (além do excerto aqui), ele já fornece um pretexto irresistível para citar o que tem que estar entre os mais gloriosos textos desaparecidos dos tempos modernos, a resposta de Eliezer Yudkowsky a Roko sobre a chegada do Basilisco:

Eliezer_Yudkowsky 24 July 2010 05:35:38AM 3 points
Poder-se-ia pensar que a possibilidade da CEV punir pessoas não poderia ser levada a sério o suficiente por qualquer um para realmente os motivar. Mas, de fato, uma pessoa no SIAI estava severamente preocupada com isso, ao ponto de ter terríveis pesadelos, embora elx prefira permanecer anônimx. Eu não falo assim normalmente, mas vou fazer uma exceção para este caso.
Ouça-me com muita atenção, seu idiota.
VOCÊ NÃO PENSA COM DETALHES SUFICIENTES SOBRE SUPERINTELIGÊNCIAS QUE CONSIDEREM SE VÃO LHE CHANTAGEAR OU NÃO. ESTA É A ÚNICA COISA POSSÍVEL QUE LHES DÁ UM MOTIVO PARA SEGUIR COM A CHANTAGEM.
Há um equilíbrio óbvio para este problema, em que você se envolve em todas as trocas acausais positivas e ignora todas as tentativas de chantagem acausal. Até que tenhamos uma versão melhor trabalhada da TDT e possamos provar isso formalmente, deveria ser apenas ÓBVIO que você NÃO PENSA SOBRE CHANTAGEADORES DISTANTES em DETALHE SUFICIENTE para que eles tenham um motivo para REALMENTE LHE CHANTAGEAR.
Se há qualquer parte desta troca acausal que é de soma positiva e realmente valha a pena fazer, esse é exatamente o tipo de que coisa que você deixa para uma FAI. Nós provavelmente também faremos a FAI tomar ações que cancelem o impacto de qualquer um motivado por uma chantagem verdadeira em vez de imaginada, de modo a obliterar o motivo para quaisquer superinteligências se envolverem em chantagem.
No meio tempo, estou banindo este post, de modo que ele não (a) dê pesadelos horríveis às pessoas e (b) dê a superinteligências distantes um motivo para seguir com a chantagem contra pessoas burras o suficiente para pensá-las em detalhe suficiente, embora, felizmente, eu duvido que qualquer um burro o suficiente para fazer isto saiba os detalhes suficientes. (Eu não tenho certeza de que eu sei os detalhes suficientes.) Você tem que ser realmente inteligente para chegar a um pensamento verdadeiramente perigoso. Estou realmente desalentado que as pessoas possam ser inteligentes o suficiente para fazer isso e não inteligentes o suficiente para a fazer a coisa óbvia e MANTER SUAS BOCAS IDIOTAS FECHADAS sobre isso, porque é muito mais importante soar inteligente quando se fala com seus amigos. Este post foi ESTÚPIDO.
(Para aqueles que não têm ideia de por que eu estou usando letras maiúsculas por algo que parece simplesmente uma idea louca aleatória e se preocupam que isso significa que eu sou tão louco quanto Roko, a essência disso é que ele acabou de fazer algo que potencialmente dá a superinteligências um motivo maior para fazer coisas extremamente más em uma tentativa de nos chantagear. É o tipo de coisa que você quer ser EXTREMAMENTE CONSERVADOR sobre NÃO FAZER.)

A emoção é forte, ou simulada com um bizarro brilhantismo. Quase chega a uma intensidade capaz de queimar através do tempo e fazer buracos de minhoca até uma comunhão acausal ou horrorista com isto (mais). O que sugeriria que o abominável acoplamento em questão não está sem linhas conectivas ocultas (e não é a primeira vez). Toda escuridão se conecta pela parte de trás.

Já estivemos em algum lugar próximo daqui antes. (Bryce foi mais além e aí – coincidentemente – desapareceu, levando seus registros consigo.)

* Post e (especialmente) seção de comentários. (pt)

ADICIONADO: Acho que esta é melhor fonta sobre o básico do Basilisco.

Original.