Nota Fragmentada (#9)

Estou de volta ao Oeste Chinês, desta vez com a família (nuclear mais sogra). Enquanto escrevo, estou no trem de Lanzhou para Dunhuang, fabulosamente renomada por suas cavernas budistas. É hora de uma recriação de vínculos com o tablet, então, o que é um desafio mecânico – na maior parte devido ao controle incrivelmente disfuncional do cursos, sobre o que eu sei que todo mundo super apreensivo para ouvir mais…

…então, 24 horas mais tarde, não tem muito de notícias emocionantes da viagem para relatar. Vamos para as Cavernas de Mongao amanhã, o que deve ser digno de se falar. Até agora tem sido deserto, e carne de burro, e a esquisitice geral do Oeste Chinês, mas com uma mente escorrendo inutilmente como lama arenosa, não se somam a algo sequer remotamente profundo. Talvez mais tarde.

A coisa que eu quero introduzir de maneira tentativa aqui, porque tem que se re-introduzida de maneira mais completa bem em breve, é a hiperstição e, em particular, o método hipersticional. Estou com o forte sentimento de que existem coisas que simplesmente não serão possíveis de se fazer de outra maneira. (Tentarei explicar.)

Há uma variedade de maneiras plausíveis de se explicar a ‘ideia’ básica da hiperstição. A mais pertinente dessas, aqui, agora, é que é uma tentativa de sistematizar o uso filosófico da ficção. Ao enquadrar a discussão filosófica dentro da ficção, em vez de dentro de um entendimento consensual assumido, ela é promovida como uma perturbação da descrença, em vez de uma modificação da crença. Como proceder filosoficamente da suposição artificial de fundo de que tudo é uma mentira? Esta é a questão hipersticional (cujas ressonâncias pirrônicas e gnósticas são imediatamente evidentes).

Falando de maneira prática – a que sempre tem que ser – a bifurcação tomada é formular pensamentos dentro da ‘voz’ de um sujeito sintético (ficcional), em vez de propô-los em nome de um sujeito privada e socialmente acreditado. A hipótese preliminar: uma diversidade experimental maior de pensamento deve ser esperada quando ele é conduzido no modo ‘do que poderia ser pensado’ – comparativamente livre de ego-comprometimento e jogos sociais de primeira ordem. (O ‘pensi-parar’ orwelliano é a confirmação desta hipótese a partir do outro lado.)

Começar com um eu ficcional tem uma inclinação budista, a ser discutida em algum ponto posterior. Estar em Dunhuang é o que fazer isso ser digno de sequer ser mencionado.

Embora tudo isto seja relevante ao problema em desenvolvimento enquanto ‘fragmentos sub-cognitivos’ (isto é, como pensar), o retorno à questão do método hipersticional, para mim, veio principalmente na outra direção. Meu retardo filosófico é enfurecedor, mas meu bloqueio literário é completamente intolerável. Não há nada de que eu esteja mais certo do que que a literatura abstrata, ou ficção de horror metafísico perseguida de maneira radical, é o empreendimento que me reivindica, mas não há igualmente nada que invoque forças mais titânicas de procrastinação. A obstrução, bem obviamente, sou ‘eu’ – e a hiperstição sugere uma solução para isso ou, pelo menos, um método dirigido de maneira decisiva a uma solução. Encontre a maneira de falar em nome da coisa que pode falar o que você não pode (ou algo assim).

O que a hiperstição ainda tem a fazer de maneira completa (eu ainda acredito), é fechar o ciclo, se subsumindo definitivamente na ficção. Ela tem que se tornar uma estória, em vez de uma teoria das estórias, antes que possa se dizer que alcançou consistência.

Original.