AAA…

…significa aceitar, amplificar e acelerar. Iniciado aqui e intensificado aqui, isso abre um horizonte inexplorado para uma discussão estratégica dentro da NRx. Nenhuma análise do conflito cultural na Internet pode evitar uma referência à trollagem, e nenhuma compreensão da trollagem é está mais completa sem referência a AAA. Isso eleva a discussão da paródia a um novo nível. (Se já não está óbvio, este blog está seriamente impressionado.)

AAA funciona se a complicação estratégica tiver consequências favoráveis. A facção cultural que tiver maior capacidade de tolerância a dificuldade, confusão de identidades, ironia e humor, tenderá a encontrar uma vantagem nisso. Creio que sejamos nós. É inerentemente tóxico para o fanatismo.

Como subtema – mas um que é afiadamente apreciado aqui – isso marca uma evolução crítica nas Guerras de Cthulhu. (Verifique os gráficos no post do TNIO para um reconhecimento disso.) Em vez de argumentar se “Cthulhu nada para a esquerda“, AAA propõem anfetaminizar o monstro independente disso. Se um “holocausto de liberdade” é o que vocês querem, vamos . Leve essa operação até o fim do rio… e vejamos o que encontramos.

ADICIONADO: Comentários do Slate Star Scratchpad.

Original.

O horror…

“A coisa é que, agora que fiquei ciente do fenômeno, eu o vejo em todo lugar…”

“Não se pode deixar isso assim. Isso é como descobrir que um serial killer abusador de crianças está no comando da seu time da liga júnior local. Este não é um caso de tolerância. Este é um caso de forquilhas e tochas metafóricas. …isto, a ‘Neorreação’, é uma ameaça definitiva, e deve ser encarada.”

(Alguns empurrões impressionantes já estão ocorrendo na seção de comentários lá em cima.)

Original.

Missão Arrepio

A sensação – nutrição da mídia – está situada em uma fronteira. Ela conta ao interior algo sobre o exterior e é moldada por ambos os lados. O exterior é o que é, o que poderia não ser perceptível ou aceitável. O interior quer informação relevante, selecionada e formatada para os seus propósitos. A sensação é, portanto, onde o sujeito e o objeto se encontram.

…essa é uma tentativa de expressar uma simpatia preliminar pela situação de Matt Sigl, preso entre uma coisa sinistra e uma agenda definida. De maneira concreta; a pesquisa colide com a edição, com o cérebro de Sigl como marco zero. O encontro da Neorreação com a mídia é peculiarmente vicioso, com sensações condizentes.

Falando de maneira crua, a Neorreação é o desgosto com a mídia condensado em uma ideologia. Embora desdenhosa, de maneira geral, com a forragem humana que compõe as democracias modernas, a Neorreação visa principalmente o complexo midiático-acadêmico (ou ‘Catedral’) para antagonismo, porque é a mídia que é o real ‘eleitorado’ – dizendo ao eleitores o que fazer. Esta crítica fundamental, por si só, seria o suficiente para garantir um ódio recíproco intenso. Claro, ela não está sozinha. A Neorreação é, em quase todos os aspectos, a anti-mensagem da Catedral, o que quer dizer que ela está consistente, radical e desafiadoramente ‘fora da mensagem’ sobre todo tópico de significância e é, assim, algo indizivelmente horrível. Ainda assim, dicção – agora parece – tem que haver…

Então, o que aparece na fronteira – ou sensacionalmente – é algo notavelmente arrepiante. Enquanto comunicação pública profundamente ressonante do que acabou de acontecer, e continua acontecendo, assim como do que foi editorialmente decidido, essa palavra é quase primorosa demais para se contemplar. Podemos, pelo menos, nos enfiar um pouco mais fundo nela.

O que é o arrepio exatamente? A intratabilidade desta questão é o fenômeno (que não é um fenômeno exatamente). O arrepio não é bem o que parece, e esta insinuação do desconhecido, ou inexatidão intrínseca, é algo horrível, que excede a sensação inicial de repulsa. Ela sugere uma revelação em estágios, complicada por revisões sucessivas, mas levando inexoravelmente, cada vez mais fundo, a um encontro do qual se recua, pressentindo (de maneira inexata) que se o descobrirá, em última análise, intolerável.

Já é uma pequena estória de horror, muito provavelmente com uma protagonista feminina (como observado, de maneira aguçada, em Amos & Gromar). Desde o princípio, é uma sensação sinistra. Não se pode ver exatamente por quê, já que não se pode suportar ver. A imprecisão da percepção já é protetora, ou evasiva, servindo dramaticamente como um pressentimento agourento do pânico cegante, da fuga selvagem e dos gritos que certamente devem vir. Você realmente não quer ver isso, muito embora (horrivelmente) você saiba que você tem que ver, porque poderia ser perigoso. Como os lívidos cartazes de filmes guincham sensacionalmente, é uma coisa que É Melhor Você Levar a Sério.

Isso é o jornalismo comendo a si mesmo, ou sendo comido, em um encontro com algo monstruoso vindo do Exterior. Olhe para esta coisa que você não será capaz de olhar (sem gemer em horror). Observe o que você não pode suportar ver. Inclina-se para um tipo de loucura, que não poderia ser mais óbvia ou menos claramente perceptível. Os editores de Sigl foram sugados para dentro de um vórtex de sensacionalismo horrível que chama atenção para a única coisa que eles têm o dever de esconder das pessoas. Tem que ser arrepiante, isto é: imperceptível no momento mesmo em que é vista. A resposta aprovada à Neorreação é ficar arrepiado, mas isso não pode ser o suficiente.

A princípio poderíamos pensar que ‘arrepiante’ é um adjetivo subjetivo, que descreve algo horrível demais para se descrever. É tentador, uma vez que suspeitamos que essas pessoas se retiraram aos seus sentimentos há muito tempo. A realidade é bem mais arrepiante.

As coisas realmente arrepiam, embora não exatamente de maneira objetiva, quando procedem de uma maneira que você não é bem capaz de perceber. Evidentemente, Moldbug  isso (“Algo está acontecendo aqui. Mas você não sabe o que é – sabe, Mr. Jones?”).

Você tem que imaginar que você é a mídia para ir mais adiante na estória de horror. Aí você pode ver que é arrepiante, em parte (sempre em partes), porque você a deixou entrar. Aquela coisa de guinchar que você estava fazendo? Talvez você devesse ter tomado como um sinal. Agora ela está rastejando por dentro, na sua mídia, nos seus cérebros, em seus pensamentos vagos e sem escrutínio e em todos aqueles elaborados sistemas de segurança que você gastou tanto tempo montando – agora eles são em sua maior parte uma pista de obstáculos para os tiras, ou quem quer que seja que você pensa que poderia, em imaginação, vir a seu resgate, porque eles certamente não estão entre você e o Vírus Mental.

Sério, o que você estava pensando, quando começou a gritar sobre ela e, assim, a deixou entrar? Você não sabe, né? – e isso é seriamente arrepiante. Muito embora você não queira – de maneira alguma – ela lhe faz pensar sobre BDH, hereditariedade, instintos, impulsos e máquinas química incompreensíveis, furtivamente operantes por trás de seus pensamentos, obstinadas em sua realidade e intoleráveis para além do reconhecimento. Guinchar “ciência nazista!” (ou o que seja) não ajuda, porque agora ela está dentro, e você sabe que é verdade, mesmo enquanto você atua como a heroína sendo caçada, balbuciando “não, não, não, não, não…”, recuando cada vez mais profundamente nas sombras. Isto é a realidade, e já está dentro, era isso que você estava dizendo quando a chamou de ‘arrepiante’.

Está acontecendo, e não faz sentido nenhum dizer “supere” – porque você não vai.

Original.

Horrorismo

A Neorreação, conforme tende à extremidade de seu vetor no Iluminismo Sombrio, frustra todas as demandas familiares por ativismo. Mesmo que a anti-política explícita continue sendo uma postura minoritária, o cálculo demótico da possibilidade política, há muito dominante, é consistentemente subvertido – esvaziando os eleitorados demográficos dos quais se poderia esperar uma ‘mobilização’. Não há nenhuma classe, raça ou credo reacionário remotamente coerente – ela dolorosamente explica – a partir do qual uma política de massas que reverta a maré possa ser construída. A este respeito, mesmo as versões mais brandas de análise neorreacionária são profundamente decepcionantes em termos de política.

Quando as ideologia demotistas entraram em crises superficialmente comparáveis, elas se bifurcaram em ‘realistas’ conciliadores e ‘terroristas’ extremistas. A última opção, que substitui a erosão do fator extensivo (popular) por uma intensificação violenta da vontade política, é um indicador especialmente confiável de que o demotismo está entrando em um estado idealista, no qual suas características ideológicas essenciais são expostas com peculiar clareza. Terroristas são os veículos de ideias políticas que ficaram encalhadas por conta de uma maré vazante de identidade social e estão, assim, liberados para se aperfeiçoarem na abstração da praticidade massiva. Uma vez que um movimento revolucionário se torna demograficamente implausível, terroristas nascem.

O realismo neorreacionário, em contraste, está positivamente alinhado com a recessão da sustentação demótica. Se este não fosse o caso, ele exibiria seu próprio modo específico de política democrática – um evidente absurdo. Qualquer sugestão de raiva frustrada, que se incline a expressões terroristas, imediatamente revelaria uma profunda confusão, ou hipocrisia. Açoitar as massas até a aquiescência ideológica, através da violência exemplar, não pode sequer imaginavelmente ser um objetivo neorreacionário.

O ativismo demotista encontra sua rigorosa ‘contrapartida’ neorreacionária no fatalismo – tricotomizado como providência, hereditariedade e catalaxia. Cada uma destas vertentes do destino trabalha em seu caminho para fora, na ausência do endosso político das massas, com um impulso que se constrói através da dissolução da ação compensatória organizada. Em vez de tentar fazer algo acontecer, a fatalidade restaura algo que não pode ser parado.

É assim que os contornos aproximados da tarefa horrorista emergem em foco. Em vez de resistir ao desespero do ideal progressista aterrorizando seus inimigos, ela se dirige à culminação do desespero progressista no abandono da compensação à realidade. Ela des-mobiliza, des-massifica e des-democratiza, através de intervenções sutis, singulares e catalíticas, orientadas à efetuação do destino. A Catedral tem que ser horrorizada à paralisia. A mensagem horrorista (aos seus inimigos): Nada do que você está fazendo tem qualquer possibilidade de funcionar.

“O que deve ser feito?” não é uma questão neutra. O agente que ela invoca já se estica na direção do progresso. Isso é suficiente para sugerir uma resposta horrorista: Nada. Não faça nada. Sua ‘práxis’ progressista dará em nada, em todo caso. Desespere-se. Receda ao horror. Você pode fingir prevalecer em antagonismo a ‘nós’, mas a realidade é seu inimigo verdadeiro – e fatal. Não temos nenhum interesse em gritar para você. Nós sussurramos, gentilmente, em seu ouvido: “desespere-se”. (O horror.)

Original.

Horror Reacionário

Dentro da tradição ocidental, a expedição para encontrar Kurtz no fim do rio tem um única e esmagadora conotação. É uma viagem ao Inferno. Daí sua absoluta importância, excedendo totalmente as ‘especificações da missão’. Os objetivos atribuídos não são mais do que um pretexto, organizando os termos da aproximação a um destino derradeiro. A unidade narrativa, conforme ganha impulso, é verdadeiramente infernal. O Iluminismo Sombrio é a atração comandante.

Sem dúvida existem espécies de filosofia reacionária política e histórica que permanecem completamente inocentes de tais impulsos. Quase certamente, elas predominam sobre suas sócias mórbidas. Manter uma orientação psicológica retrógrada, por reverência ao que já foi e está deixando de ser, pode se opor de maneira razoável àqueles para quem a desintegração da tradição descreve um gradiente e um vetor, que propele a inteligência adiante, para dentro do abismo que se escancara.

A reação é articulada como uma inversão da promessa progressista, dissociando ‘o bem’ e ‘o futuro’. A narrativa tácita da ficção científica, que corresponde à evolução social projetada, é despojada de seu otimismo, e dois gêneros alternativos surgem em seu lugar. O primeiro, como fugazmente notamos, é suave e nostálgico, reequilibrando a tensão do tempo em direção ao que foi perdido e tendendo a uma residência cada vez mais onírica de antigas glórias. Uma mentalidade conservadora-tradicionalista se devota a uma busca mnemônica, preservando vestígios de virtude em meio a remanescentes de uma sociedade erodida, ou – quando a preservação finalmente renuncia à sua compreensão da realidade – se voltando para evocações fantástica, enquanto reduto final da resistência. Tolkien exemplifica essa tendência em sua expressão mais sistemática. O futuro é gentilmente obliterado, conforme o bem morre dentro dele.

A segunda alternativa reacionária à ruína do futurismo utópico se desenvolve na direção do horror. Ela não hesita em sua viagem ao fim do rio, mesmo quando agouros envoltos em fumaça se espessam no horizonte. Conforme a devastação se aprofunda, seu futurismo é ainda mais acentuado. A projeção histórica se torna a oportunidade para uma exploração do Inferno. (O ‘neo-‘ da ‘neorreação’, assim, encontra uma confirmação adicional.)

Nessa trajetória, a antecipação histórica reacionária se funde com o gênero do horror em sua possibilidade mais intensa (e verdadeira vocação). Numerosas consequências ficam bem rapidamente evidentes. Uma zona especial de significância se refere à insistente questão da popularização, que está substancialmente resolvida, quase desde o começo. O gênero do populismo reacionário já está firmemente formulado, no lado da ficção de horror, onde coisas indo para o Inferno é uma pressuposição estabelecida. O Apocalipse Zumbi é apenas a variante mais proeminente de uma acomodação cultural bem mais geral ao desastre iminente. O ‘sobrevivencialismo’ é uma convenção do gênero tanto quanto uma expectativa sócio-política. (Quando, como VXXC aponta no blog, a munição .22 funciona como uma moeda virtual, a ficção de horror já se instalou como uma dimensão da realidade social.)

A reação não faz dialética, nem conversa com a Esquerda (com a qual não tem nenhuma comunidade), ainda assim a fatalidade histórica carrega sua mensagem: Suas esperanças são nossa estória de horror. Conforme o sonho perece, o pesadelo se fortalece e até mesmo – horrendamente – se revigora. Então, como se desenrola esse conto …?

elysium

O que você estava esperando? Valfenda?

Original.

O Acordo

A NRx repudia a política pública. Inverta isso e é a tese: A política acontece em privado.

Especificamente – enquanto filosofia política – a NRx advoga a privatização do governo. Ela faz um argumento público em favor disso, em abstrato, mas apenas para propósitos de otimização informacional e teórica. Ela não está, jamais, fazendo política em público, mas apenas pensando sobre ela sob condições de segurança mínima para a inteligência. A execução concreta da estratégia política ocorre através de acordos privados.

A moeda de troca de tais acordos foi formalizada, por Mencius Moldbug, como propriedade primária (ou soberana e fungível). Ela corresponde à conversão – seja ideal ou real – do poder coercitivo em ativos empresariais. Esta conversão é o que ‘formalismo’ significa. É uma contribuição importante para a filosofia política e para a economia política, mas é também uma posição de negociação.

Clamores por Ação! (pública) estarão sempre conosco, pelo menos até que as coisas sejam radicalmente arrumadas. Eles deveriam ser ignorados. Nenhuma ação púbica é séria.

A coisa séria é o acordo, que substitui qualquer aparência de revolução e também perpetuação de regime. A NRx das sombras – que age por fora da esfera de visibilidade pública – é um vulture fund político. Este blog não quer saber quem ou o que ela é. Seu profundo sigilo é o mesmo que sua realidade. Nossa preocupação está restrita à maneira em que ela necessariamente age, em conformidade com um princípio absoluto. Perguntamos apenas: Como o acordo tem que ser?

Em sua essência é isto: Entregue suas capacidades efetivas de preservação do regime em troca de ações de propriedade primária. A forma assim indica os outorgantes relevantes – detentores das chaves do poder coercitivo. O que está em oferta para eles, conforme a NRx se desenvolve na realidade (nas sombras), é a formalização de sua autoridade social implícita, através da emergência de um novo – definitivo ou ‘transcendental’ – meio comercial. Toda a transição neocameral é realizada através disto.
“Transforme tudo que você tem em código rigoroso, e tudo muda. Podemos ajudar com a parte técnica.”
“Por que eu deveria fazer isso?”
“Vai valer a pena.”

Este é o aspecto de vulture fund. A capacidade de poder coercitivo é sistematicamente sub-valorizada sob as condições de degeneração demótico-catedralistas, uma vez que é desperdiçada na preservação cada vez mais ineficiente de um establishment religioso insano – a Eclesiocracia Ateo-Ecumênica – e compensada de acordo, a partir dos restos carbonizados do desastre político crônico. Depois que programas sociais domésticos disfuncionais, compra de eleições e política externa jacobina foram pagos, o que resta para recompensar a governança competente?

A capacidade administrativa está escravizada à Catedral, o que quer dizer, a uma zelosa busca de objetivos impossíveis e, assim, ao desperdício acelerante. Enquanto oportunidade de negócios (“Podemos ajudar com a parte técnica”), a atratividade da deserção cresce, portanto, em proporção estrita com o triunfo do progressismo. Isto é crítico, porque os risco do limiar de transição são imensos, e o acordo tem que cobri-los.

“Todo essa governanaça complexa que você está fazendo sob circunstâncias cada vez mais ridiculas? Queremos lhe ajudar a transformá-la em um negócio.”

 

… “Você entende que você está basicamente trabalhando como um valentão da segurança de Jim Jones no momento, sim?”

A Catedral é o Templo do Povo.

Original.

O Iluminismo Sombrio, Parte 4d

Parte 4d: Casamentos Esquisitos

As origens da palavra ‘cracker’ enquanto termo de ridicularização étnica são distantes e obscuras. Ela parece já ter circulado, como um insulto contra brancos pobres sulistas, de ascendência predominantemente celta, no meio do século XVIII, derivada talvez de ‘corn-cracker’ (máquina de descascar milho) ou do escocês-irlandês ‘crack’ (gracejo). O rico aspecto semântico do termo, inextricável da identificação de elaboradas características raciais, culturais e de classe, é comparável àquela de sua imencionável prima obscura – “the ‘N-word” – e extrai do mesmo poço de verdades geralmente reconhecidas, mas proibidas. Em particular, e enfaticamente, ela atesta o truísmo ilícito de que as pessoas ficam mais excitadas e animadas com suas diferenças do que com seus pontos em comum, ‘apegando-se amargamente’ – ou pelo menos tenazmente – à sua não-uniformidade e resistindo obstinadamente às categorias universais da administração populacional iluminada. Os crackers são areia na engrenagem do progresso.

As características mais deleitáveis do insulto, contudo, são inteiramente fortuitas (ou Qabalísticas). ‘Crackers’ quebram códigos, cofres, compostos químicos orgânicos – sistemas selados ou delimitados de todos os tipos – com eventuais implicações geopolíticas. Eles antecipam um crack-up (rachadura), cisma ou secessão, confirmando sua associação com a corrente subterrânea desintegradora anatematizada da história anglófona. Não é nenhum surpresa, então – a despeito de saltos e falhas linguísticas – que a figura do cracker recalcitrante evoque um Sul ainda não pacificado, insubordinado ao destino manifesto da União. Isto o retorna, por cirto-circuito, às profundezas mais problemáticas de seu significado.

Contradições exigem resolução, mas cracks (rachaduras) podem continuar a se alargar, se aprofundar e se espalhar. De acordo com o ethos cracker, quando as coisas desmoronam – está OK. Não há qualquer necessidade de se chegar a um acordo, quando é possível se separar. Esta falta de educação, perseguida até seu limite, tende ao estereótipo do hill-billy firmado em uma choupana ou trailer enferrujado, nos confins de uma passagem nas montanhas Apalaches, onde todas as transações econômicas são conduzidas ao longo do cano de uma espingarda carregada, e a sabedoria antipolítica intemporal é resumida no reflexo do não-pise-em-mim: “Sai do meu quintal”. Naturalmente, este desdém pelo debate integrador (dialética) é codificado dentro do mainstream da história global anglocêntrica – isto é, do puritanismo evangélico ianque – como uma deficiência não apenas de sofisticação cultural, mas também de inteligência básica, e mesmo o mais escrupuloso adepto da retidão construtivista social imediatamente reverte a uma psicometria hereditária dura quando confrontado com a obstinação do cracker. Para aqueles a quem uma ampla tendência de progresso sociopolítico parece um fato simples e incontestável, a recusa de se reconhecer qualquer coisa do tipo é percebida como clara evidência de retardamento.

Uma vez que estereótipos geralmente têm um elevado valor de verdade estatística, é mais do que possível que os crackers estejam fortemente aglomerados à esquerda da curva de sino de QI dos brancos, concentrados ali por gerações de pressão disgênica. Se, como Charles Murray argumenta, a eficiência da seleção meritocrática dentro da sociedade americana tem crescido constantemente e conspirado com o acasalamento preferencial para transformar diferenças de classe em castas genéticas, seria extraordinariamente estranho se o estrato cracker fosse caracterizado por uma conspícua elevação cognitiva. Ainda assim, alguma questões estranhamente intrigantes intervém neste ponto, contanto que se persiga diligentemente o estereótipo. Acasalamento preferencial? Como isso pode funcionar quando os crackers se casam com seus primos? Ah sim, tem isso. Baseando-se em grupos populacionais de além do noroeste da Linha de Hajnal, os padrões de parentesco tradicionais dos crackers são notavelmente atípicos à norma exogâmica anglo-saxã (WASP).

A incansável ‘hbdchick‘ é o recurso crucial sobre este tópico. Ao longo do curso de uma série verdadeiramente monumental de posts no seu blog, ela emprega ferramentas conceituais hamiltonianas para investigar a zona fronteiriça onde natureza e cultura se interceptam, incluindo estruturas de parentesco, as diferenciações que elas requerem no cálculo da aptidão inclusiva e os perfis étnicos distintivos na psicologia evolutiva do altruísmo que daí resultam. Em particular, ela dirige atenção à anormalidade da história (do Noroeste) da Europa, onde a exogamia obrigatória – através de uma rigorosa proscrição do casamento entre primos – prevaleceu por 1600 anos. Esta distintiva orientação à exogamia, ela sugere, explica de forma plausível uma variedade de peculiaridades bio-culturais, a mais historicamente significativa das quais é uma singular preeminência do altruísmo recíproco (sobre o familial), como indicado pelo individualismo enfático, famílias nucleares, uma afinidade com instituições ‘corporativas’ (livres de parentesco), relacionamentos contratuais altamente desenvolvidos entre estranhos, níveis relativamente baixos de nepotismo / corrupção e formas robustas de coesão social independente de vínculos tribais.

A endogamia, em contraste, cria um ambiente selectivo que favorece o coletivismo tribal, sistemas estendidos de lealdade e honra familiar, desconfiança de não aparentados e instituições impessoais e – em geral – aqueles traços ‘clânicos’ que se entrosam desconfortavelmente com os principais valores da modernidade (eurocêntrica) e são, assim, denunciados por sua ‘xenofobia’ e ‘corrupção’ primitivas. Valores clânicos, claro, são criados em clãs, tais como aqueles que populam a franja celta da Grã-Bretanha e suas terras fronteiriças, onde o casamento entre primos persistiu, junto com suas formas sócio-econômicas e culturais associadas, em especial o pastoreio (em vez da agricultura) e uma disposição para a violência extrema e vingativa.

Esta análise introduz o paradoxo central da ‘identidade branca’, uma vez que os traços étnicos especificamente europeus que estruturaram a ordem moral da modernidade, inclinando-a para longe do tribalismo e em direção ao altruísmo recíproco, são inseparáveis de uma herança singular de exogamia que é intrinsecamente corrosiva para a solidariedade etnocêntrica. Em outras palavras: é quase exatamente o agrupamento étnico fraco que torna um grupo etnicamente modernista, competente na construção de instituições ‘corporativas’ (não familiais) e, assim, objetivamente privilegiado / favorecido dentro da dinâmica da modernidade.

Esse paradoxo é mais completamente expresso nas formas radicais do renascimento etnocêntrico europeu exemplificado pelo paleo- e neo-Nazismo, que confunde igualmente seu proponentes e antagonistas. Quando uma ‘traição da raça’ excepcionalmente avançada é sua característica racial quintessencial, a oportunidade para uma política etno-supremacista viável desaparece em um abismo lógico – mesmo que ocasiões para a criação de problemas em larga escala sem dúvida continuem a existir. Admitidamente, um Nazista, por definição, está disposto a (e ansioso por) sacrificar a modernidade no altar da pureza racial, mas isto é ou não entender ou tragicamente afirmar a consequência inevitável – que é ser superado na modernização (e, assim, derrotado). A política identitária é para perdedores, inerente e inalteravelmente, devido a um caráter essencialmente parasitário que só funciona vindo da esquerda. É porque a endogamia sistematicamente contra-indica o poder moderno que Übermenschen raciais não fazem qualquer sentido real.

Em todo caso, não importa o quão infinitamente fascinantes os nazistas possam ser, eles não são qualquer tipo de chave confiável para a história ou direção da cultura cracker, para além de estabelecer um limite lógico à construção e ao uso pragmáticos da política identitária branca. Tatuar suásticas em suas testas não faz nada para mudar isso. (Hetfields vs. McCoys é mais Pushtu do que Teutônico.)

A conjunção que tem lugar na Fábrica de Crackers é bastante diferente, e bem mais desconcertante, enredando os defensores urbanos e cosmopolitas da mercantilização hiper-contratariana com tradicionalistas românticos, etno-particularistas e nostálgicos da ‘Causa Perdida’. É primeiro necessário entender este enredamento em toda sua esquisitice fundidora de mentes, antes de explorar suas lições. Para isso, alguns dados pontuais simples e semi-aleatórios podem ser úteis:

* O Mises Institute foi fundado em Auburn, Alabama.

* Os boletins informativos de Ron Paul na década de 1980 contêm observações de uma matiz decididamente derbyshireana.

* Derbyshire ama Ron Paul.

* Murray Rothbard escreveu em defesa da BDH.

* Os contribuídores do lewrockwell.com incluem Thomas J. DiLorenzo e Thomas Woods.

* Tom Palmer não ama Lew Rockwell ou Hans-Herman Hoppe porque “Juntos Eles Abriram os Portões do Inferno e Acolheram os Mais Extremos Racistas, Nacionalistas e Charlatães Variados da Direita”

* Libertários / constitucionalistas representam 20% da lista de observação ‘Direita Radical’ do SPLC (Chuck Baldwin, Michael Boldin, Tom DeWeese, Alex Jones, Cliff Kincaid e Elmer Stewart Rhodes)

…talvez isso seja o suficiente para se prosseguir (embora haja bem mais de fácil alcance). Esses pontos foram selecionados, questionavelmente, cruamente e perniciosamente para emprestar um suporte impressionista a uma única tese básica: forças sócio-históricas fundamentais estão crackerizando o libertarianismo.

Se as conclusões preliminares da pesquisa tiradas pela hbdchick forem aceitas como um frame, a estranheza desse casamento entre temas libertários e neo-confederados é imediatamente aparente. Quando posicionados sobre um eixo bio-cultural, definido por graus de exogamia, a ausência de sobreposição – ou sequer proximidade – é dramaticamente exposta. Um polo é ocupado por uma doutrina radicalmente individualista, focada quase exclusivamente em redes mutáveis de intercâmbio voluntário de um tipo econômico (e notoriamente insensível à própria existência de vínculos sociais não negociáveis). Próximo do outro polo está um rica cultura de apego local, família estendida, honra, desprezo pelos valores comerciais e desconfiança de estranhos. A racionalidade destilada do capitalismo fluído é justaposta à hierarquia tradicional e ao valor não alienável. A priorização absoluta da saída é embaralhada em meio a comportamentos tradicionais dos quais nenhuma saída é sequer imaginável.

Grampear os dois juntos, contudo, é uma conclusão simples e cada vez mais irresistível: a liberdade não têm nenhum futuro no mundo anglófono fora do prospecto da secessão. A rachadura vindoura é o único caminho para fora.

Original.