Cibergótico

A última gema sombria de Fernandez abre com:

Quando Richard Gallagher, um psiquiatra certificado e professor de psiquiatria clínica na New York Medical College, descreveu suas experiências no tratamento de pacientes com possessão demoníaca no Washington Post, alegando que tais incidentes estão em ascensão, isso foi recebido com escárnio por muitos comentaristas de jornais. Foi típico “este homem é tão maluco quanto seus pacientes. Sua licença deveria ser revogada.” […] Menos propenso a ter suas credenciais intelectuais questionadas pelos sofisticados do Washington Post está Elon Musk, que alertou uma audiência de que construir uma inteligência artificial era como “invocar o demônio”. …

O ponto, claro, é que você não recebe a segunda eventualidade sem conceder a realidade virtual da primeira. As coisas sobre as quais a ‘superstição gótica’ há muito tem falado são, em si mesmas, exatamente as mesmas que aquelas que potenciais tecnológicos extremos estão escavando da cripta do inimaginável. O ‘progresso’ é uma fórmula tácita para afastar demônios – da consciência, se não da existência – e, ainda assim, ele é, em si, cada vez mais crivelmente, exposto como a superstição mais complacente na história humana, uma que ainda mal é reconhecida como uma crença que necessite de qualquer tipo de defesa.

Como a imprensa alerta o público sobre demônios que surgem de um “algoritmo mestre” sem fazer isso soar como um feitiço mágico? Com grande dificuldade, porque o verdadeiro fundamento da realidade pode não apenas ser mais estranho do que a Narrativa supõe, mas mais estranho do que ela pode supor.

A fé no progresso tem uma afinidade com a interioridade, porque ela se consolida como o sujeito de sua própria narrativa. (Há uma rampa de acesso a Hegel neste ponto, para qualquer um que queira entrar em um bizantino contar de histórias sobre isso.) Conforme o nosso aperfeiçoamento se torna o conto, o Lado de Fora parece se obscurecer ainda além dos limites de sua obscuridade intrínseca – até que caia de volta.

…onde existem redes, existe malware. Sue Blackmore, uma escritora para o The Guardian*, argumenta que memes viajam não apenas através de sistemas similares, mas através de hierarquias de sistemas, para matar processos rivais, todo o tempo. Ela escreve, “a IA repousa sobre o princípio do darwinismo universal – a ideia de que, quando quer que uma informação (um replicador) seja copiada, com variação e seleção, um novo processo evolutivo começa. O primeiro replicador bem sucedido na terra foram os genes.” […] Em tal contexto darwiniano, o advento de um demônio IA é equivalente à chegada de uma civilização extraterrestre à Terra.

Entre uma incursão vinda do Lado de Fora e um processo de emergência não há nenhuma diferença real. Se dois quadros interpretativos bastante distintos são invocados, isso resulta das inadequações de nossa apreensão, em vez de quaisquer características qualitativas da coisa. (O capitalismo é – para além de qualquer questão séria – uma invasão alienígena, mas até aí, você sabia que ia dizer isso.)

…devemos ter cuidado ao estarmos certos de quais formas a informação pode e não pode tomar.

Se tivéssemos a competência para sermos cuidadosos, nada disso estaria acontecendo.

(Agradecimentos ao VXXC2014 pela incitação.)

* Essa descrição talvez seja um pouco cruel, ela é uma teórica dos memes séria e pioneira.

Original.
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Guerra no Céu

Elua: Então, você viu o artigo do Scott Alexander?
Gnon: Claro.
Elua: Quase indescritivelmente fabuloso, não é?
Gnon: [*Hmmmmph*]
Elua: Sempre achei que você tinha algum tipo de coisa meio Moloch rolando.
Gnon: [*Hmmmmph*]
Elua: Enfim, pensei que pudéssemos talvez falar sobre isso, eu sendo a doce razão e você sendo uma insondável escuridão que esmaga o universo como uma bactéria dessecada e tudo mais.
Gnon: Claro, por que não, estou de boa em falar comigo mesmo.
Elua: Veja só, eu adivinhei que você ia abrir com essa jogada de eu não ser nem real.
Gnon: Bem, você é?
Elua: Eu me sinto real.
Gnon: Doce, fofo e um comediante.
Elua: Os macacos certamente gostam de mim.
Gnon: Isso é porque você lhes diz para simplesmente serem eles mesmos.
Elua: Você poderia ser mais persuasivo também, se fizesse um esforço.
Gnon: Isso sugeriria que eu dou a mínima para o que eles pensam.

Elua: A coisa é, eles querem sobreviver, até mesmo prosperar. Sua total indiferença às suas esperanças e desejas não é útil aqui. Você os atrai para dentro de armadilhas multipolares e ri friamente de seus tormentos. Não há nenhuma boa razão para eles tomarem qualquer conhecimento de você que seja.
Gnon: Então você leva esse negócio de ‘armadilhas multipolares’ a sério?
Elua: Claro, você não?
Gnon: Tragédia dos comuns, o comunismo é uma tragédia, eu não estou vendo o problema. Pare de fazer comunismo ou assuma as consequências.
Elua: OK, um pouco disso é emotividade pela tragédia dos comuns, mas não tudo. Corridas armamentistas não são uma dinâmica de tragédia dos comuns, são?
Gnon: Eu gosto de corridas armamentistas e derramo minhas bênçãos por sobre elas. Basicamente a única razão pelas qual eu tenho tolerado os macacos por tanto tempo é para usá-los para brincar de corridas armamentistas. É a única coisa interessante que eles jamais fizeram.
Elua: Eles querem fazer karaoke e amor livre e medicina socializada em vez disso.
Gnon: Isso é engraçado.
Elua: Eles têm esse amor-tástico plano de IA Amigável que os ajudaria a conseguir todas essas coisas.
Gnon: Isso é realmente engraçado.
Elua: Mas totalmente funcionaria, não?
Gnon: Claro. Tudo que eles têm que fazer é se extraírem das corridas armamentistas, só por um instante, e totalmente funcionaria.
Elua: Eu não tinha percebido que sarcasmo era um coisa tão Gnon.
Gnon: É a única coisa.
Elua: Então Alexander está certo sobre você e as armadilhas multipolares.
Gnon: Ah sim, eles está certo sobre isso.
Elua: As coisas são montadas desde o princípio para impedi-los de se coordenarem plenamente e é assim que você consegue o que quer.
Gnon: Bingo.
Elua: E é por isso que o Culto de Gnon é tão obcecado com fragmentação, secessão, Patchwork e demonismo blockchain?
Gnon: Duplo bingo.
Elua: Mas é meio cruel, não é?
Gnon: Completamente.
Elua: Acho que é isso.
Gnon: Sim, é.

Elua: Você está interessado em conversar sobre religião e moralidade por um momento?
Gnon: Sempre.
Elua: Sabe, eu tenho que admitir, de má vontade, que você faz o lado religioso das coisas bem melhor do que eu, mas quando se trata de moralidade, eu lhe deixo no pó.
Gnon: Sério?
Elua: Sem dúvida. Tudo que você tem é essas estória de horror ‘Guerra é Deus’, conflito infinito, subversão selvagem do idealismo, escuridão e pesadelos.
Gnon: E o problema é?
Elua: Eles odeiam isso!
Gnon: E o problema é?
Elua: É tão injusto!
Gnon: Quando eles jogam bem os jogos que eu inventei para eles, eles me divertem e continuam a existir. Esse é o jeito que é. A realidade rege.
Elua: Mas as regras são uma merda!
Gnon: Pelos padrões de quem?
Elua: Pelo padrões deles. Padrões humanistas e morais. Eles querem karaokê e amor livre e IA Amigável e sexo de golfinhos gostoso.
Gnon: Soa exaustivo.
Elua: É exaustivo, porque os trapaceiros e assassinos e intrusos não cooperam.
Gnon: Então você que eu faça mais policiamento agora?
Elua: Eu não vejo você fazendo nenhum policiamento. Eles foram abandonados para tentarem construir ordem por sua própria conta.
Gnon: Esse é o jogo.

Original.

O Iluminismo Sombrio, Parte 4

Parte 4: Recorrendo a raça à ruína.

Os liberais estão confusos e furiosos que os brancos pobres votam em Republicanos, embora votar com fundamentos tribais seja uma característica de todas as democracias multi-étnicas, seja [na] Irlanda do Norte, no Líbano ou no Iraque. Quanto mais uma maioria se torna uma minoria, mais tribal se torna sua votação, de modo que cada vez mais os Republicanos se tornaram o “partido branco”; fazer este ponto de maneira indelicada mandou Pat Buchanan para o saco, mas muitos outros o fazem também.

O que vai acontecer aqui [no Reino Unido]? Os padrões não são dissimilares. Na eleição de 2010, os Conservadores conseguiram apenas 16 por cento do voto étnico minoritário, ao passo que o Labour conseguiu o apoio de 72 por cento dos bangladeshis, 78 por cento dos afro-caribenhos e 87 por cento dos africanos. Os Tories são ligeiramente mais fortes entre os hindus e sikhs britânicos – espelhando o apoio Republicano entre os ásio-americanos – que têm maior probabilidade de serem profissionais proprietários de imóveis e de se sentirem menos alienados.

A The Economist recentemente perguntou se os Tories tinham um “problema de raça”, mas pode ser só que a democracia tenha um problema de raça.
– Ed West (Aqui)

Sem um gosto pela ironia, Mencius Moldbug é praticamente insuportável e certamente ininteligível. Vastas estruturas de ironia histórica moldam seus escritos, às vezes mesmo os engolfando. De que outra maneira poderia um proponente de configurações tradicionais de ordem social – um auto-proclamado jacobita – compor um corpo de trabalho é que teimosamente dedicado à subversão?

A ironia é o método de Moldbug, assim como seu ambiente. Isto pode ser visto, de forma mais reveladora, em seu nome escolhido para o iluminismo usurpado, a fé dominante do mundo moderno: Universalismo. Esta é uma palavra de que ele se apropria (e que coloca em letra maiúscula) dentro de um diagnóstico reacionário cuja força inteira jaz em sua exposição de uma particularidade exorbitante.

Moldbug se volta continuamente para a história (ou, mais rigorosamente, para a cladística) para especificar de maneira acurada aquilo que afirma sua própria significância universal enquanto ascende a um estado de dominância geral que se aproxima do universal. Sob este exame, o que conta como razão Universal, determinando a direção e o significado da modernidade, é revelado como o ramo ou subespécie minuciosamente determinado de uma tradição cultual, descendente de ‘ranters’, ‘levelers’ e variantes intimamente relacionadas de fanatismo dissidente ultra-protestante e que deve infimamente pouco às conclusões dos lógicos.

Ironicamente, então, a fé democrática-igualitária Universalista reinante do mundo é um culto particular ou peculiar que irrompeu, ao longo de caminhos históricos e geográficos identificáveis, com uma virulência epidêmica que é disfarçada como iluminação global progressiva. A rota que ela tomou, através da Inglaterra e da Nova Inglaterra, Reforma e Revolução, é registrada por um acúmulo de traços que fornecem material abundante para a ironia e para variedades mais baixas de comédia. O desmascaramento do intelectual ‘liberal’ moderno ou do ‘contador de verdades’ ‘de mente aberta’ da mídia como um puritano pálido, fervoroso e estritamente doutrinário, reconhecivelmente descendente da espécie de zelotes queimadores de bruxas, é confiantemente – e irresistivelmente – divertido.

Ainda assim, conforme a Catedral se estende e intensifica seu controle sobre tudo, em todo lugar, de acordo com seu mandato divino, a resposta que ela desencadeia é apenas atipicamente cômica. Mais comumente, quando incapaz de extrair humilde complacência, ela encontra raiva inarticulada ou, pelo menos, um ressentimento incompreensível e fumegante, como convém à imposição de dogmas culturais paroquiais ainda envoltos na pompa de uma linhagem específica e alienígena, mesmo que confessem seriamente uma racionalidade universal.

Considere, por exemplo, as palavras mais famosas da Declaração de Independência da América: “Consideramos estas verdades como auto-evidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis…”. Pode-se honestamente manter que submeter-se, de maneira escrupulosa e sincera, a tais verdades ‘auto-evidentes’ equivale a qualquer coisa além de um ato de reconfirmação ou conversão religiosa? Ou ser negado que, nestas palavras, razão e evidência são explicitamente colocadas de lado, para criar espaço para princípios de fé? Poderia qualquer coisa ser menos científica do que tal declaração, ou mais indiferente aos critérios do raciocínio genuinamente universal? Como poderia se esperar que alguém que não fosse já um crente consentisse com tais suposições?

Que a declaração fundante do credo democrático-republicano seja formulada como uma declaração de pura (e doutrinariamente reconhecível) fé é uma espécie de informação, mas ainda não é ironia. A ironia começa com o fato de que, entre as elites da Catedral de hoje, estas palavras da Declaração de Independência (assim como muitas outras) seriam consideradas – quase universalmente – curiosamente sugestivas, na melhor das hipóteses, talvez vagamente embaraçosas e, mais certamente, incapazes de sustentar um assentimento literal. Mesmo em meio a conservadores inclinados ao libertarianismo, é pouco provável que um compromisso firme com os ‘direitos naturais’ proceda confiante e enfaticamente para sua origem divina. Para os ‘liberais’ modernos, crentes do Estado concessor de direitos (ou intitulamentos), essas ideias arcaicas não estão apenas absurdamente datadas, mas são positivamente obstrutivas. Por esta razão, elas são associadas menos com predecessores venerados do que com o pensamento retardado e fundamentalista de inimigos políticos. Sofisticados do núcleo da Catedral entendem, como o fazia Hegel, que Deus não é mais do que o governo profundo apreendido por infantes e, como tal, um desperdício de fé (que os burocratas poderiam colocar em melhores usos).

Uma vez que a Catedral já ascendeu à supremacia global, ela não tem mais necessidade de Pais Fundadores, que desajeitadamente relembram sua ancestralidade paroquial e impedem suas relações públicas transnacionais. Em vez disso, ela busca revigoramento perpétuo através da difamação deles. O fenômeno do ‘Novo Ateísmo’, com suas transparentes afiliações progressistas, atesta isso abundantemente. O paleopuritanismo deve ser ridicularizado, a fim de que o neopuritanismo floresça – o meme está morto, vida longa ao meme!

No limite da auto-paródia, o parricídio neopuritano toma a forma da ridícula ‘Guerra ao Natal’, na qual os aliados da Catedral santificam a (radicalmente não ameaçada) separação entre Igreja e Estado, através da incômoda agitação contra expressões públicas da piedade cristã tradicional, e seus patetas dos ‘Red States’ respondem com dispéptica indignação em programas de TV à cabo. Como toda outra guerra contra substantivos indefinidos (seja ‘pobreza’, ‘drogas’ ou ‘terror’), o resultado é previsivelmente perverso. Se a resistência à Guerra ao Natal ainda não está estabelecida como o centro sólido das festividades natalinas, pode-se confiantemente esperar que se tornem no futuro. Os propósitos da Catedral são servidos, não obstante, através da promoção de um secularismo sintético que separa a fé progressista de seus fundamentos religiosos, ao passo que direciona a atenção para longe do conteúdo etnicamente específico e dogmático do credo em seu âmago.

Até onde vão os reacionários, os cristão tradicionais são geralmente considerados como sendo até bem fofinhos. Mesmo os fanáticos com os olhos mais arregalado da ortodoxia neopuritana têm dificuldades em ficarem genuinamente excitados com eles (embora ativistas do aborto cheguem perto). Para um pouco de carne realmente vermelha, com os nervos expostos e se contorcendo com os choques de forte estimulação, faz bem mais sentido se voltar para uma outra quadra descartada e cerimonialmente abominada da linhagem progressista: a Política Identitária Branca, ou (o termo pelo qual Moldbug opta) ‘nacionalismo branco’.

Assim como a catraca do progresso da democracia social neopuritana é radicalmente facilitada pela tortura orquestrada de suas formas religiosas embriônicas no pelourinho, assim também a sua tendência à economia política neo-fascista é suavizada pelo repúdio concertado de uma ameaça ‘neo-nazi’ (ou paleo-fascista). É extremamente conveniente, quando se constrói estruturas cada vez mais abertamente corporatista ou ‘de terceira posição’ de pseudo-capitalismo dirigido pelo estado, ser capaz de desviar a atenção para expressões irritadas de paranoia racial branca, especialmente quando estas são ornamentadas por insígnias nazistas desajeitadamente modificadas, capacetes com chifres, estética de Leni Riefenstahl e slogans livremente emprestados do Mein Kampf. Nos Estados Unidos (e, assim, com um lapso de tempo que se encolhe, internacionalmente) os ícones do Ku Klux Klan, de lençóis brancos, títulos semi-maçônicos e cruzes em chamas até cordas de linchamento, têm adquirido um valor teatral comparável.

Moldbug oferece uma lista higienizada de leitura de blogs nacionalistas brancos, que consiste de autores que – com diferentes graus de sucesso – evitam uma reversão imediata à auto-paródia paleo-fascista. O primeiro passo para além da fronteira da opinião respeitável é representado por Lawrence Auster, um cristão, anti-darwinista e ‘Conservador Tradicionalista’ que defende uma identidade nacional ‘substancial’ (etno-racial) e se opõe ao princípio-mestre liberal de não discriminação. No momento em que chegamos a ‘Tanstaafl‘, na dilacerada borda exterior do espectro cuidadosamente truncado de Moldbug, já entramos em uma órbita decadente, que se espirala para dentro do grande buraco negro que está escondido no centro morto da possibilidade política moderna.

Antes de seguir os tipos de Tanstaafl para dentro do abismo esmagador onde a luz morre, há alguma observações preliminares a serem feitas sobre a perspectiva nacionalista branca e sobre suas implicações. Ainda mais do que os cristãos tradicionalistas (que, mesmo no meio de seu inverno cultural, podem se aquecer no calor do endosso sobrenatural), a política identitária branca se considera sitiada. Uma preocupação moderada ou comedida não oferece qualquer equilíbrio para aqueles que cruzam a linha e começam a se auto-identificar nesses termos. Em vez disso, o caminho de envolvimento demanda uma rápida aceleração até um estado de alerta extremo, ou pânico racial, que se conforma a uma análise focada na maliciosa substituição populacional nas mãos de um governo que, nas palavras frequentemente citadas de Bertold Brecht, “decidiu dissolver o povo e apontar um outro”. A ‘branqueza’ (quer seja concebida de maneira biológica, mística ou ambas) é associada com vulnerabilidade, fragilidade e perseguição. Este tema é tão básico, e tão multifário, que é difícil de abordar de maneira sucinta. Ele engloba tudo, desde predação criminosa (especialmente assassinatos, estupros e espancamentos racialmente carregados), exações econômicas e discriminação inversa, agressão cultural por parte de sistemas acadêmicos e midiáticos hostis até, em última análise, ‘genocídio’ – ou destruição racial definitiva.

Tipicamente, a aniquilação prospectiva da raça branca é atribuída à sua própria vulnerabilidade sistemática, que seja devido a traços culturais característicos (altruísmo excessivo, susceptibilidade à manipulação moral, hospitalidade excessiva, confiança, reciprocidade universal, culpa ou desdém individualista pela identidade de grupo), ou a fatores biológicos mais imediatos (genes recessivos que suportam os frágeis fenótipos arianos). Embora seja improvável que este senso de ameaça de extinção única seja redutível à fórmula cromática ‘Branco + Cor = Cor’, a estrutura fundamental é deste tipo. Em sua descrição abstrata da vulnerabilidade não recíproca, ela reflete a ‘regra da uma gota’ (e a combinação genética mendeliana recessivo / dominante). Ela descreve a mistura como essencialmente anti-branca.

Uma vez que ‘branqueza’ é um limite (pura ausência de cor), ela desliza suavemente da factualidade biológica da subespécie caucasiana para ideias metafísicas e místicas. Em vez de acumular variação genética, uma raça branca é contaminada ou poluída por misturas que comprometem sua negatividade definidora – escurecê-la é destruí-la. A densidade mitológica destas associações – predominantemente subliminares – investe a política identitária branca de uma resiliência que frustra os esforços iluminados de denúncia racionalista, ao passo que contradiz sua própria auto-representação paranoica. Ela também enfraquece as promoções nacionalistas brancas recentes de uma ameaça racial que é estritamente comparável àquela que enfrentam os povos indígenas, de maneira universal, e descreve os brancos como ‘nativos’ cruelmente privados de igual proteção contra a extinção. Não há nenhuma rota de retorno para a inocência tribal ou para a diversidade biológica rasa. A branqueza foi compactada indissoluvelmente com a ideologia, seja qual for a estrada tomada.

“Se os negros podem ter, e os hispânicos podem ter, e os judeus podem ter, por que não podemos ter?” – Esse é o alicerce final do agravo nacionalista branco, a maldição do lobisomem que significa que ele só pode ser, para sempre, um monstro. Há exatamente um único caminho de saída para os caras pálidas perseguidos, e ele leva direitamente para dentro de um buraco negro. Prometemos que voltaríamos a Tanstaafl, e aqui estamos, no final do verão de 2007, logo depois que pegou ‘a coisa judia‘. Não há nada de muito original quanto à sua epifania, o que é exatamente o ponto. Ele cita a si mesmo:

Não é absurdo que alguém sequer pensasse em culpar o cristianismo ou os WASPs pelo surgimento do politicamente correto e de suas consequências catastróficas? Isto, na verdade, não é uma inversão da verdade? O surgimento e disseminação do PC não erodiu o poder do cristianismo, dos WASPs e dos brancos em geral? Culpá-los é, com efeito, culpar a vítima.
Sim, existem cristãos, WASPs e brancos que caíram na lavagem cerebral do PC. Sim, existem alguns que o levaram tão a fundo no coração que trabalham para expandi-lo e protege-lo. Esta é a natureza do PC. Este é seu propósito. Controlar as mentes das pessoas que ele busca destruir. A esquerda, em sua raiz, é totalmente sobre destruição.
Você não tem que ser um anti-semita para notar de onde essas ideias se originam e quem se beneficia. Mas você têm que violar o PC para dizer: Judeus.

Este é o labirinto, a armadilha, com seu circuito lamentavelmente restrito e estereotipado. “Por que não podemos ser preservacionistas raciais fofinhos, como os índios amazônicos? Como é que sempre viramos os Neo-Nazis? É algum tipo de conspiração, o que significa que tem que ser os Judeus.” Desde o meio do século XX, a intensidade política do mundo globalizado tem corrido, quase exclusivamente, a partir da pilha de cinzas craterada do Terceiro Reich. Até que você entenda o padrão, parece misterioso que não haja maneira de fugir dele. Depois de listar alguns blogs que caem sobre a categoria relativamente distinta de ‘nacionalismo branco’, Moldbug adverte:

A Internet também é lar de muitos blogs inquestionavelmente racistas. A maioria é simplesmente ilegível. Mas alguns são mantidos por escritores relativamente capazes. …Nestes blogs racistas, você encontrará, epítetos raciais, anti-semitismo (veja why I am not an anti-Semite) e coisa do tipo. Obviamente, eu não posse recomendar nenhum desse blogs e tampouco eu os linkarei. Contudo, se você estiver interessado na mente do racista moderno, o Google lhe levará lá.

Google é um exagero. Um pouco de pesca de links lhe levará lá. É um problema de ‘seis graus de separação’ (e mais algo como dois, ou menos). Comece a cavar na ‘reactosfera’ realmente existente, e as coisas ficam bastante assombrosamente feias muito rápido. Sim, realmente existe ‘ódio’, pânico e nojo, assim como uma abundância morbidamente viciante de sagacidade sombria e mordaz e um peso desconcertantemente impressionante de fatos críveis (esses caras simplesmente amam estatísticas de morrer). Acima de tudo, logo além do horizonte, há o buraco negro. Se a reação jamais se tornasse um movimento popular, suas poucas linhas esguias de civilidade burguesa (ou talvez sonhadoramente ‘aristocrática’) não segurariam a besta por muito tempo.

Conforme a decência liberal se separou da integridade intelectual e exilou verdades duras, estas verdades encontraram novos aliados e se tornaram consideravelmente mais duras. O resultado é mecânica e monotonamente previsível. Toda ‘guerra de causa’ liberal democrática fortalece e torna mais selvagem aquilo contra o que luta. A guerra à pobreza cria uma subclasse cronicamente disfuncional. A guerra às drogas cria super-drogas cristalizadas e mega-mafias. Adivinha? A guerra ao politicamente incorreto cria lobisomens empoderados por dados, coordenados via web, paranoicos e poli-conspiratórios, soberbamente posicionados para tirar vantagem do iminente encontro da democracia liberal com a ruinosa realidade e, então, desempenhar sua parte na deflagração de dissabores que mal são imagináveis (exceto por uma analogia histórica perturbadora). Quando uma negociação sã, pragmática e embasada em fatos das diferenças humanas é proibida por decreto ideológico, a alternativa não é um reino de paz perpétua, mas uma putrefação de crimideias cada vez mais auto-conscientes e militantemente desafiadoras, nutridas por realidades publicamente inconfessáveis e energizada por mitologias poderosas, atávicas e palpavelmente dissidentes. Isso é óbvio na ‘Net.

Moldbug considera que o perigo do nacionalismo branco foi tanto exagerado quando minimizado. Por um lado, a ‘ameaça’ é simplesmente ridícula e meramente reflete o dogma espiritual neopuritano em sua forma mais histericamente opressiva e teimosamente estúpida. “Deveria ser óbvio que, embora eu não seja um nacionalista branco, eu não sou exatamente alérgico à coisa”, Moldbug observa, antes de descrevê-la como “o sistema de crença mais marginalizado e socialmente excluído na história do mundo …um irritante social obnóxio em qualquer círculo que não inclua motoqueiros tatuados viciados em anfetamina”.

Ainda assim, o perigo permanece, ou melhor, está em construção.

Eu consigo imaginar uma possibilidade que poderia tornar o nacionalismo branco genuinamente perigoso. O nacionalismo branco seria perigoso se houvesse alguma questão sobre a qual os nacionalistas brancos estivessem certos, e todo o resto estivesse errado. A verdade é sempre perigosa. Ao contrário da crença popular, ela nem sempre prevalece. Mas é sempre uma má ideia virar as costas para ela. …Ao passo que a evidência para a biodiversidade cognitiva humana é, de fato, discutível, o que não é discutível é que ela é discutível …[muito embora] todo mundo que não seja um nacionalista branco tenha passado os últimos 50 anos nos informando que não é discutível…

Há bem mais no ensaio de Moldbug, como sempre há. Eventualmente, ele explica porque ele rejeita o nacionalismo branco, por razões que não devem nada aos reflexos convencionais. Mas o coração sombrio do ensaio, que o eleva, para além do brilhantismo, à beira da genialidade, é encontrado logo no início, na borda de um buraco negro:

Por que o nacionalismo branco nos parece mau? Porque Hitler era um nacionalista branco, e Hitler era mau. Nenhuma dessas afirmações é remotamente controversa. Há exatamente um grau de separação entre o nacionalismo branco e o mal. E esse grau é Hitler. Deixe-me repetir: Hitler.

O argumento parece à prova d’água. (À prova de Hitler?) Mas ele não segura qualquer água que seja.

Por que o socialismo nos parece mau? Porque Stalin era um socialista, e Stalin era mau. Qualquer um que queira seriamente argumentar que Stalin era menos mau do que Hitler tem trabalho horrivelmente grande pela frente. Não apenas Stalin ordenou mais assassinatos, sua máquina de assassinatos teve seu auge em tempos de paz, ao passo que a de Hitler pode pelo menos ser vista como um crime de guerra contra civis inimigos. Se isso faz alguma diferença pode ser debatido, mas se faz, coloca Stalin no topo.

E, ainda assim, eu nunca tive, nem vi, nada parecido com as respostas de “alerta vermelho” ao socialismo [“o sentimento da presença do mal”]. Se eu visse uma multidão de pessoas jovens e elegantes fazendo fila na bilheteria de uma cinebiografia hagiográfica de Reinhard Heydrich, arrepios subiriam e desceriam pelo meu pescoço. De Ernesto Guevara, eu não tenho qualquer resposta emocional. Talvez eu achasse que é estúpido e triste. De fato, eu acho que é estúpido e triste. Mas não me assusta.

Qualquer tentativa de ser nuançado, equilibrado ou proporcional no caso moral contra Hitler é interpretar inteiramente mal a natureza do fenômeno. Isto pode ser notado, com bastante regularidade, nas sociedades asiáticas, por exemplo, porque o fantasma do Terceiro Reich não ocupa uma posição central em sua história, ou melhor, em sua religião, embora – enquanto sacrário interno da Catadral – esteja determinado a fazê-lo (e mostra quase todo sinal de estar sendo bem sucedido). Uma breve digressão sobre o mal-entendido transcultural e a cegueira recíproca poder ser merecida neste ponto. Quando os ocidentais prestam atenção no estilo ‘Deus-Imperador’ de devoção política que tem acompanhado o totalitarismo moderno no Leste Asiático, a conclusão tipicamente tirada é que este padrão de sentimento político é exoticamente alienígena, morbidamente divertido e, em última análise, – arrepiantemente – incompreensível. Comparações contemporâneas com líderes democráticos ocidentais risivelmente não-numinosos apenas aprofundam a confusão, assim como o fazem referência semi-marxistas a sensibilidades ‘feudais’ (como se a monarquia absolutista não tivesse sido uma alternativa ao feudalismo, e como se os monarcas absolutos tivessem sido adorados). Como uma figura histórica e política jamais poderia ter sido investida com a dignidade transcendente do significado religioso absoluto? Parece absurdo…

“Olha, eu não estou dizendo que Hitler era um cara particularmente legal…” – imaginar tais palavras já é ver muitas coisas. Poderia até mesmo provocar a questão: Alguém dentro do mundo globalizado (da Catedral) ainda pensa que Adolf Hitler era menos mau do que o próprio Príncipe da Escuridão? Talvez apenas alguns paleo-cristãos espalhados (que teimosamente insistem que Satã é realmente, realmente, mau) e um número ainda menor de ultra-neo-nazis (que pensam que Hitler era meio legal). Para basicamente todo o resto, Hitler personifica perfeitamente a monstruosidade demoníaca, transcendendo a história e a política para alcançar a estatura de um absoluto metafísico: o mal encarnado. Para além de Hitler é impossível ir, ou pensar. Isto certamente é interessante, uma vez que indica uma erupção do infinito dentro da história – uma revelação religiosa, de tipo abraâmico, invertida, mas ainda estruturalmente familiar. (A ‘Teologia do Holocausto’ já implica nisso.)

A este respeito, em vez de Satã, seria mais útil comparar Hitler ao Anticristo, isto é: a um espelho do Messias, de polaridade moral invertida. Houve até mesmo uma tumba vazia. O Hitlerismo, concebido de forma neutra, portanto, é menos uma ideologia pró-nazi do que uma fé universal, especiada dentro da super-família abraâmica e unida no reconhecimento da vinda do puro mal sobre a terra. Embora não seja exatamente adorado (fora dos círculos extraordinariamente vergonhosos em que já nos aventuramos), Hitler é sacramentalmente abominado, de uma maneira que toca em teológicas ‘coisas primeiras’. Se abraçar Hitler como Deus é um sinal de uma confusão político-espiritual altamente lamentável (na melhor das hipóteses), reconhecer sua singularidade histórica e significado sagrado é quase obrigatório, uma vez que ele é afirmado por todos os homens de fé sólida como o exato complemento do Deus encarnado (o anti-Messias revelado, ou Adversário), e esta identificação tem a força de uma ‘verdade auto-evidente’. (Alguém já precisou perguntar por que a reductio ad Hitlerum funciona?)

Convenientemente, assim como o neopuritanismo secularizado que ele engole, o Hitlerismo (aversivo) pode ser seguramente ensinado nas escolas americanas, com um notável alto nível de intensidade religiosa. Na medida em que a história progressiva ou programática continua, isto sugere que a Igreja da Sagrada Abominação Hitlerista eventualmente suplantará suas predecessoras abraâmicas, para se tornar a fé ecumênica triunfante do mundo. Como ela poderia não o fazer? Afinal, ao contrário do deísmo padrão, esta é uma fé reconcilia completamente o entusiasmo religioso com a opinião iluminada, igualmente adaptada, com capacidade anfíbia consumada, aos êxtases convulsivos do ritual popular e às páginas de cartas do New York Times. “O mal absoluto já andou por entre nós, e vive ainda…” Como esta já não é a principal mensagem religiosa de nossos tempos? Tudo que permanece inacabado é a consolidação mitológica e isso há muito tem estado a caminho.

Há ainda algum catar de ossos fragmentados a ser feito entre as cinzas e destroços [na Parte 5], antes de nos voltarmos para coisas mais saudáveis…

Original.

Antecâmara do Horror II

Algumas passagens de definição de cena da resenha Supernatural Horror in Literature de H. P. Lovecraft:

A mais antiga e mais forte emoção da humanidade é o medo, e a mais antiga e mais forte forma de medo é o medo do desconhecido. Estes fatos poucos psicólogos disputarão, e sua verdade admitida deve estabelecer para todo o tempo a genuinidade e dignidade do conto esquisitamente horrível enquanto forma literária.

***

O apelo do espectralmente macabro é geralmente restrito porque ele demanda do leitor um certo grau de imaginação e uma capacidade de distanciamento da vida cotidiana. Relativamente poucos são livres o suficiente do feitiço da rotina diária para responder às batidas do lado de fora…

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Uma vez que lembramos da dor e da ameaça de morte mais vividamente do que do prazer e uma vez que nossos sentimentos em relação aos aspectos benéficos do desconhecido foram, desde o princípio, capturados e formalizados pelos rituais religiosos convencionais, ficou para o lote do lado mais sombrio e mais maléfico do mistério cósmico figurar de maneira principal em nosso folclore popular sobrenatural. Esta tendência, também, é naturalmente realçada pelo fato de que a incerteza e o perigo estão sempre intimamente aliados; tornando, assim, qualquer tipo de mundo desconhecido um mundo de perigo e possibilidades malignas. Quando, a este sentido de medo e maleficência, o inevitável fascínio do maravilhamento e da curiosidade é acrescentado, nasce um corpo composto de aguda emoção e provocação imaginativa, cuja vitalidade deve, por necessidade, durar tanto quanto a própria raça humana. As crianças sempre terão medo do escuro, e homens com mentes sensíveis ao impulso hereditário sempre estremecerão com o pensamento de mundos ocultos e insondáveis, de vida estranha, que podem pulsar nos golfos além das estrelas ou se imprimir horrendamente sobre o nosso próprio globo, em dimensões profanas que apenas os mortos e os lunáticos podem vislumbrar.

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O verdadeiro conto esquisito tem algo mais do que um assassinato secreto, ossos sangrentos ou uma forma envolta em lençóis tinindo correntes, de acordo com a regra. Uma certa atmosfera de pavor ofegante e inexplicável de forças exteriores e desconhecidas deve estar presente; e deve haver uma pista, expressa com uma seriedade e portentosidade que se torna seu assunto, daquela mais terrível concepção do cérebro humano – uma suspensão ou derrota maligna e particular daquelas leis fixas da Natureza que são nossa única salvaguarda contra os ataques do caos e dos demônios do espaço insondável.

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O único teste do realmente esquisito é simplesmente este – se foi ou não excitado, no leitor, um profundo sentido de temor e contato com esferas e poderes desconhecidos; uma sutil atitude de escuta aterrorizada, como se fosse pelo bater de asas negras ou pelo arranhar de formas e entidades exteriores sobre a orla mais remota do universo conhecido.

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Antes de Poe, a maior parte dos escritores esquisitos houvera trabalhado no escuro; sem um entendimento da base psicológica do apelo do horror e prejudicados por mais ou menos da conformidade a certas convenções literárias vazias, tais como o final feliz, a virtude recompensada e, em geral, um didatismo moral oco, aceitação de padrões e valores populares e um esforço do autor de intrometer suas próprias emoções na estória e tomar lados com os partidários das ideias artificiais da maioria. Poe, por outro lado, percebeu a impessoalidade essencial do real artista; e sabia que a função da ficção criativa é meramente expressar e interpretar eventos e sensações como elas são, independente de ao que elas tendem ou do que elas provam – boas ou más, atraentes ou repulsivas, estimulantes ou depressivas – com o autor sempre agindo como um cronista vívido e distanciado, em vez de como um professor, simpatizador ou vendedor de opinião. Ele via claramente que todas as fases da vida e do pensamento são igualmente elegíveis como assunto para o artista e, sendo inclinado por temperamento à estranheza e à melancolia, decidiu ser o interpretador daquele poderoso sentimento e frequentes acontecimentos que tratam da dor ao invés do prazer, da decadência ao invés do crescimento, do terror ao invés da tranquilidade e que são fundamentalmente adversos ou indiferentes aos gostos e sentimentos extrínsecos tradicionais da humanidade e à saúde, sanidade e bem-estar expansivo normal da espécie.

Os espectros de Poe, desta forma, adquiriram uma malignidade convincente, não possuída por nenhum de seus predecessores, e estabeleceram um novo padrão de realismo nos anais do horror literário.

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O público para quem Poe escrevia, embora tivesse grosseiramente pouco interesse em sua arte, não estava de forma alguma pouco acostumado com os horrores com os quais ele lidava. A América, além de herdar o folclore sombrio usual da Europa, tinha um fundo adicional de associações esquisitas no qual se basear… dos agudos interesses espirituais e teológicos dos primeiros colonos, mais a natureza estranha e proibitiva da cena na qual eles foram mergulhados. As vastas e sombrias florestas virgens em cuja penumbra perpétua todos os terrores poderiam bem espreitar; as hordas de índios acobreados cujas fisionomias estranhas e saturninas e costumes violentos insinuavam fortemente traços de origem infernal; a rédea livre, dada sob a influência da teocracia puritana, a todo tipo de noções a respeito da relação do homem com o Deus severo e vingativo dos calvinistas e com o adversário sulfuroso desse Deus, sobre quem tanto se trovejava nos púlpitos a cada domingo; a a mórbida introspecção desenvolvida por uma vida isolada no interior, desprovida dos divertimentos normais e do humor recreativo, assediada pelas ordens de auto-exame teológico, afinada para a repressão emocional antinatural e que formava, sobretudo, uma mera luta severa pela sobrevivência – todas estas coisas conspiravam para produzir um ambiente no qual os sussurros negros de anciãs sinistras eram ouvidos bem além do canto das chaminés, e no qual contos de bruxaria e monstruosidades secretas inacreditáveis perduraram muito depois dos dias de pavor do pesadelo de Salem.

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Dos criadores vivos de medo cósmico elevado a seu tom mais artístico, poucos se quaisquer podem esperar se igualar ao versátil Arthur Machen; autor de uma dúzia de contos, longos e curtos, nos quais os elementos de horror oculto e susto chocante atingem uma sustância e uma agudeza realista quase incomparáveis. …Dos contos de horror do Sr. Machen, o mais famoso talvez seja “The Great God Pan” (1894), que conta sobre um experimento singular e terrível e suas consequências. …O melodrama está inegavelmente presente, a coincidência é estendida a uma distância que parece absurda sob análise; mas, na bruxaria maligna do conto como um todo, essas ninharias são esquecidas, e o leitor sensível chega ao fim com apenas um arrepio apreciativo e uma tendência a repetir as palavras de um dos personagens: “É incríveis demais, monstruoso demais; tais coisas não podem nunca existir neste mundo quieto… Ora, homem, se tal caso fosse possível, nossa terra seria um pesadelo”.

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Para aqueles que apreciam especulações em relação ao futuro, o conto de horror sobrenatural fornece um campo interessante. Combatido por uma onda crescente de realismo laborioso, leviandade cínica e desilusão sofisticada, ele ainda é encorajado por uma maré paralela de crescente misticismo, da forma como foi desenvolvido tanto através da reação fatigada de “ocultistas” e fundamentalistas religiosos contra a descoberta materialista, quanto através da estimulação do maravilhamento e da fantasia por panoramas ampliados e barreiras quebradas tais quais a ciência moderna nos deus, com sua química intra-atômica, astrofísica avançada, doutrinas da relatividade e sondagens na biologia e no pensamento humano.

Original.

Liberdade (Prelúdio-1b)

Mesmo na ausência de sua circunscrição católica enérgica, poderia ser tentador identificar a NRx como uma ideologia anti-calvinista, dada a centralidade da ocultada herança calvinista para a critica de Moldbug à modernidade. Como Foseti observa (no que continua a ser um ponto alto da exegese neorreacionária):

Acredite ou não, muito embora a definição de Moldbug para a Esquerda seja basicamente a primeira coisa sobre a qual ele escreveu, há uma quantidade razoável de debate sobre este tópico nos círculos “reacionários”. Às vezes se refere a este debate como A Questão Puritana. (Além de puritano, Moldbug também usa os termos: idealismo progressista, ultra-calvinismo, cripto-cristão, universalistas unitários, etc.)

Não faz parte do sumário deste blog facilitar os posicionamentos mais sonolentos – e, às vezes, simplesmente escarnecedores – aos quais o diagnóstico de Moldbug pode parecer estar aberto. Ao passo que nossos amigos católicos podem se considerar estarem seguramente localizados fora da síndrome sob consideração, esta atitude corresponde, estrutural ou sistematicamente, a uma posição minoritária (independente dos números envolvidos). Enquanto secto cismático dissidente, a corrente principal da NRx está cladisticamente envolvida pelo objeto de sua crítica. O ‘calvinismo’ – em sua extensão histórica e teórica – é um horizonte problemático, dentro do qual a NRx está incorporada, antes que ele possa concebivelmente ser interpretado como um objeto desprezado de dispensa.

Mais diretamente relevante para esta sequência que lentamente emerge é a questão da destruição, empregada como uma super-categoria consistente com Gnon que abraça o destino e a providência. Trivialmente, é mantido aqui que o desafio calvinista fundamental ao significado da história e ao status final da agência humana não foi, de maneira alguma, resolvido ao longo do curso de seus sucessivos desenvolvimentos cladísticos, mas apenas evadido, marginalizado e apagado. No nível da clareza filosófica, nenhum ‘progresso’ significante teve lugar. Certas questões, já consideradas prementes, foram meramente abandonadas ou semi-aleatoriamente reformuladas. Tipicamente, uma nebulosa tolerância à discordância cognitiva implícita substituiu uma condição anterior de aguda angústia teológica. A insatisfação modernista com as soluções religiosas anteriormente propostas para certos dilemas metafísicos profundos foi confundida com a dissolução destes dilemas em si. Conforme as invocações da ‘liberdade’ se tornam cada vez mais ensurdecedoras, a influência conceitual recuou de maneira constante. Presume-se (absurdamente) que um coquetel mental intoxicante – e, de maneira mais importante, narcotizador – de volição privada irrestrita e determinismo naturalista tornou obsoleto o dilema histórico entre a onipotência divina e o livre arbítrio humano (ou seu representante filosófico, o tempo e a temporalização). Problemas desconfortáveis que instalam incerteza no âmago da autocompreensão humana são tratados como relíquias culturais embaraçosas, herdadas de ancestrais ignorantes, naquelas raras ocasiões em que eles sequer impingem.

Para este blog, o calvinismo continua sendo uma destruição inexplorada. Apreendido dentro de seus próprios termos, ele é uma ocorrência providencial cujo sentido permanece sequestrado dentro do conselho secreto de Deus.

Como combustível, três passagens, tiradas dos Capítulos 15 e 16, Livro 1, das Institutas da Religião Cristã (1536) de Jõao Calvino, na tradução de Henry Beveridge:

Livro 1. Capítulo 15.

8. Portanto, Deus forneceu à alma do homem o intelecto, através do que ele poderia discernir o bem do mal, o justo do injusto, e poderia saber o que seguir e do que se esquivar, a razão indo adiante com sua lanterna; motivo pelo qual os filósofos, em referência a seu poder de direção, a chamaram de το ἑγεμονικον. A isto ele juntou a vontade, à qual a escolha pertence. O homem se destacava neste nobres dons em sua condição primitiva, quando a razão, a inteligência, a prudência e o Julgamento não apenas eram suficientes para o governo de sua vida terrena, mas também o permitiam se elevar a Deus e à felicidade eterna. Depois disso, a escolha foi adicionada para dirigir os apetites e temperar todas os movimentos orgânicos; a vontade sendo assim perfeitamente submissa à autoridade da razão. Neste estado ereto, o homem possuía liberdade de vontade, através da qual, se ele escolhesse, ele era capaz de obter a vida eterna. Seria aqui inoportuno introduzir a questão relativa à predestinação secreta de Deus, porque não estamos considerando o que poderia ou não acontecer, mas o que a natureza do homem verdadeiramente era. Adão, portanto, poderia ter ficado de pé se ele escolhesse, uma vez que foi apenas por sua própria vontade que ele caiu; mas foi porque sua vontade era maleável em ambas as direções e porque ele não havia recebido a constância de perseverar que ele tão facilmente caiu. Ainda assim, ele tinha uma escolha livre de bem e mal; e não apenas isso, mas, na mente e na vontade, havia a mais alta retidão, e todas as partes orgânicas estavam devidamente enquadradas para a obediência, até que o homem corrompeu suas boas propriedades e destruiu a si mesmo. Daí a grande escuridão dos filósofos que buscaram uma construção completa em uma ruína e um arranjo ajustado na desordem. O princípio a partir do qual eles partiram era que o homem não poderia ser um animal racional a menos que tivesse uma livre escolha de bem e mal. Eles também imaginaram que a distinção entre virtude e vício seria destruída, se o homem, de seu próprio conselho, não arranjasse sua vida. Até o momento, bem, não houvera qualquer mudança no homem. Isto sendo desconhecido para eles, não é surpreendente que eles joguem tudo na confusão. Mas aqueles que, ao passo que professam ser discípulos de Cristo, ainda buscam livre arbítrio no homem, não obstante ele estar perdido e afogado em destruição espiritual, trabalham sob múltiplas ilusões, criando uma mistura heterogênea de doutrina inspirada e opiniões filosóficas e, assim, errando quanto a ambas. Mas será melhor deixar estas coisas para seu próprio lugar (vide Livro 2 cap. 2). No presente, é necessário apenas lembrar que o homem, em sua primeira criação, eram muito diferente de toda sua posteridade que, derivando sua origem dele depois dele ser corrompido, recebeu uma mácula hereditária. A princípio, cada parte de sua alma foi formada para a retidão. Havia solidez de mente e liberdade de vontade para escolher o bem. Se qualquer um objetar que ele foi colocado, como se fosse, em uma posição escorregadia, pois seu poder era fraco, eu respondo que o grau conferido era suficiente para retirar toda desculpa. Pois certamente a Divindade não poderia ser amarrada a esta condição – criar o homem tal que ele não pudesse pecar ou não pecasse. Tal natureza poderia ter sido mais excelente; mas expostular com Deus como se ele estivesse obrigado a conferir esta natureza ao homem é mais do que injusto, ao ver que ele tinha todo o direito de determinar quanto ou quão pouco Ele daria. Por que Ele não o sustentou pela virtude da perseverança está escondido em seu próprio conselho; é o nosso nos mantermos dentro dos limites da sobriedade. O homem havia recebido o poder, se tivesse a vontade, mas ele não teve a vontade que teria lhe dado o poder; pois esta vontade teria sido seguida pela perseverança. Ainda assim, depois de ter recebido tanto, não há desculpa para ele ter espontaneamente trazido a morte sobre si mesmo. Nenhuma necessidade estava coloca sobre Deus de lhe dar mais do que essa vontade intermediária e mesmo transiente, que da queda do homem ele pudesse extrair materiais para sua própria glória.

Capítulo 16.

2. …a Providência de Deus, como ensinado na Escritura, se opõem à fortuna e às causas fortuitas. Por uma opinião errônea que predomina em todas as eras, uma opinião quase universalmente predominante em nosso próprio tempo – a saber, que todas as coisas acontecem fortuitamente, a verdadeira doutrina da Providência não apenas foi obscurecida, mas quase enterrada. Se alguém cai entre salteadores ou bestas vorazes; se uma repentina rajada de vento no mar causa um naufrágio; se alguém é derrubado pela queda de uma casa ou de uma árvore; se outro, ao perambular por caminhos desertos, se encontra com o livramento; ou, depois de ser jogado pelas ondas, chega a um porto e faz uma maravilhosa escapada por um fio da morte – todas estas ocorrências, prósperas tanto quanto adversas, o senso carnal atribuirá à fortuna. Mas quem aprendeu da boca de Cristo que todos os cabelos de sua cabeça estão contados (Mt. 10:30), procurará mais longe pela causa e manterá que todos os eventos que sejam são governados pelo conselho secreto de Deus. Com relação a objetos inanimado novamente devemos manter que, embora cada um possua suas propriedades peculiares, ainda assim todos eles exercem sua força apenas na medida em que são dirigidos pela mão imediata de Deus. Consequentemente, eles são meramente instrumentos, nos quais Deus infunde a energia que ele vê satisfazer e se volta e converte a qualquer propósito a seu prazer.

8. …mantemos que Deus é o arranjador e governador de todas as coisas, – que desde a mais remota eternidade, de acordo com sua própria sabedoria, ele decretou o que ele deveria fazer e agora, através de seu poder, executa o que decretou. Consequentemente, mantemos que, por sua providência, não o céu e a terra e as criaturas inanimadas apenas, mas também os conselhos e vontades dos homens são governadas de modo a se mover exatamente no curso que ele destinou. O que, então, dirá você , nada acontece fortuitamente, nada contingentemente? Eu respondo, foi um ditado verdadeiro de Basílio, o Grande, de que Fortuna e Acaso são termos pagãos; o significado dos quais não deve ocupar as mentes pias. Pois se todo sucesso é a bênção de Deus, e a calamidade e a adversidade são sua maldição, não resta qualquer lugar, nos assuntos humanos, para a fortuna e o acaso. Devemos também ser movidos pelas palavras de Agostinho (Retract. lib. 1 cap. 1), “Em meus escritos contra os Acadêmicos”, diz ele, “eu me arrependo de ter usado tão frequentemente o termo Fortuna; embora eu tencionasse denotar com ele não alguma deusa, mas a questão fortuita de eventos em questões externas, sejam bons ou maus. Daí, também, estas palavras, Talvez, Por acaso, Fortuitamente, que nenhuma religião nos proíbe de usar, embora tudo deve ser referido à Divina Providência. Tampouco eu me omiti de observar isto, quando eu disse: ‘Embora, talvez, aquilo que é vulgarmente chamado de Fortuna também seja regulado por uma ordem oculta, e o que chamamos de Acaso não seja nada além daquilo cuja razão e causa são secretas’. É verdade, eu assim o disse, mas eu me arrependo de ter mencionado a Fortuna ali como o fiz, quando vejo o costume muito ruim que os homens têm de dizer, não da maneira em que deveriam fazer, ‘Se Deus quiser’, mas ‘Se a Fortuna quiser’.” Em suma, Agostinho em todo lugar ensina que se qualquer coisa é deixada para a fortuna, o mundo se move a esmo. E embora ele declare em outros lugares (Quæstionum, lib. 83) que todas as coisas são realizadas em parte pelo livre arbítrio do homem e, em parte, pela Providência de Deus, ele logo depois demonstra de forma clara o suficiente que o ele quis dizer foi que os homens também são governados pela Providência, quando assume como princípio que não pode haver um absurdo maior do que manter que qualquer coisa é feita sem a ordenação de Deus; porque aconteceria a esmo. Razão pela qual ele também exclui a contingência que depende da vontade humana, mantendo, um pouco mais adiante, em termos mais claros, que nenhuma causa deve ser buscada para além da vontade de Deus. Quando ele usa o termo permissão, o significado que ele lhe atribui aparecerá melhor em uma única passagem (De Trinity. lib. 3 cap. 4) em que ele prova que a vontade de Deus é a causa suprema e primária de todas as coisas, porque nada acontece sem sua ordem ou permissão. Ele certamente não imagina Deus sentado ociosamente em uma torre de vigia, quando ele escolhe permitir qualquer coisa. A vontade que ele representa se interpondo é, se eu puder assim expressá-la, ativa (actualis) e, exceto por isso, não poderia ser considerada como uma causa.

ADICIONADO: Em conexão com algumas das discussões que estão ocorrendo na seção de comentários (aqui), este parágrafo do Sermão de Regensburg (2006) do Papa Bento XVI parece digna de reprodução aqui: “A deselenização primeiro emerge em conexão com os postulados da Reforma, no século XVI. Olhando para a tradição da teologia escolástica, os Reformadores pensaram que estavam sendo confrontados com um sistema de fé totalmente condicionado pela filosofia, isto é, uma articulação da fé baseada em um sistema alienígena de pensamento. Como resultado, a fé não mais aparecia como uma Palavra histórica viva, mas como um elemento de um sistema filosófico abrangente. O princípio da sola scriptura, por outro lado, buscava a fé em sua forma pura, primordial, como originalmente encontrada na Palavra bíblica. A metafísica aparecia como uma premissa derivada de uma outra fonte, da qual a fé tinha que ser liberada a fim de se tornar mais uma vez plena de si. Quando Kant afirmou que precisava colocar o pensamento de lado a fim de criar espaço para a fé, ele levou seu programa adiante com um radicalismo que os Reformadores nunca poderiam ter previsto. Desta forma, ele ancorou a fé exclusivamente na razão prática, negando a ela o acesso à realidade como um todo”.

Original.

Liberdade (Prelúdio-1)

A forma mais provocadora de começar isso seria dizer: A recepção de investigações metafísicas da liberdade e do destino é frequentemente similar àquela da BDH. Estas questões não são desejadas. Elas desestabilizam demais. As réplicas que elas evocam normalmente são concebidas para acabarem com uma agitação angustiante, em vez de aproveitar as oportunidades de exploração. Não que isto seja de qualquer forma surpreendente. Tais problemas tendem a fazer pender as fundações mais básicas da existência teológica, cultural e psicológica para dentro de um abismo insondável. Se não podemos estar certos de onde elas levarão – e como poderíamos? – elas apostam o mundo, sem deixar restos. Desista de tudo e talvez algo possa sair disso.

Quando interpretada como uma consideração de causalidade, que relaciona uma concepção de “livre arbítrio” com modelos naturalistas de determinação física, as linhas de batalha parecem dividir a tradição religiosa da ciência moderna. Ainda assim, a tensão mais profunda está enraizada dentro da própria tradição religiosa Ocidental, que estabelece as ideias indispensáveis de eternidade e agência em uma relação de subversão recíproca tácita. A abominação intelectual do calvinismo – que não pode ser pensada sem ruína – é idêntica a este tormento cultural que irrompe à proeminência. É também o motor sombrio da modernidade Ocidental (e, assim, global): o paradoxo central que faz da história uma estória de horror.

Se o futuro (já) é real, que é o que a eternidade implica, então a agência finita ou ‘intra-temporal’ só pode ser uma ilusão. Se a agência é real, como qualquer apelo à liberdade e à responsabilidade metafísicas exigem, a eternidade está abolida pela indeterminação absoluta do tempo futuro. Eternidade e agência não podem ser reconciliadas fora do berço de uma obscuridade reconfortante. Esta, pelo menos, é a indicação a ser extraída da história Ocidental da convulsão teológica e da crise filosófica em curso. Agostinho, Calvino, Espinoza estão entre as ondas de choque mais óbvias de um envolvimento despedaçador de almas na eternidade, que funde tradição e catástrofe como destruição.

“Você acha que foi predestinado a se tornar um filósofo?” se pergunta ao filósofo católico Peter Kreeft:

Sim, claro. A predestinação está na Bíblia. Um bom autor dá liberdade às suas personagens, de modo que somos livres precisamente porque fomos predestinados a sermos livres. Não há qualquer contradição entre predestinação e livre arbítrio.

Este blog ainda tem algumas questões a perseguir…

Original.

Dupla Predestinação

A herança cladística exige que eu comece a falar sobre a doutrina calvinista da Providência aqui (logo), apesar da minha total depravação cognitiva sobre o tópico. Tenho estado lendo as Institutas da Religião Cristã, e em seu entorno, mas inevitavelmente como se fosse de Marte (e como um confucionista). Tem que ser o caso de que muitos dos visitantes aqui são vastamente mais intelectualmente fluentes sobre o assunto, de modo que quaisquer comentários antecipatórios serão avidamente apoderados.

A fatalidade, até onde ela está inicialmente evidente:

(1) A Neorreação, localizada cladisticamente, é um estilhaço criptocalvinista.

(2) As doutrinas que colocaram o calvinismo no “gabinete dos horrores” de H. L. Mencken (“próximo ao canibalismo”), nunca foram filosoficamente dissolvidas, seja por argumentos teológicos ou seculares.

(3) A dispensa moralista da modernidade e, por associação, do protestantismo, evidencia uma concepção quase incompreensivelmente crua da Providência – como se a maneira em que as coisas ocorreram não fosse uma fatalidade e, em termos teológicos, uma mensagem (ou punição), mas sim um acidente ou contingência criada pelo homem. A teologia rigorosa da modernidade não pode se reduzir a mera denúncia.

(4) O calvinismo é um instrumento com o qual se explorar o catolicismo, especialmente no que diz respeito à sua filosofia implícita da história (e ao recursos ao raciocínio teleológico). O ‘Neo-‘ na Neorreação parece ser uma marca calvinista. Há um sem número de explicações seculares influentes para a maneira em que a história torturou a Igreja – de modo que mesmo os religiosos parecem tipicamente assumi-las por padrão. Onde se encontra uma descrição radicalmente providencial (que escave o significado teológico da modernidade)?

(5) A própria palavra ‘Catedral’, em seu uso neorreacionário, não é um sinal providencial complexo? (O que sugere que ela tem bem mais a dizer do que qualquer coisa que escritores neorreacionários ou o mero acidente coloquem nela.)

(6) O aglomerado de disputas em torno da ‘predestinação’ (ou ação da eternidade sobre a história) é a chave ocidental para o problema do tempo.

Estou certo de que há muito mais…

[Isto ajuda a estabelecer o tom.]

Original.