O Problema de Fertilidade da Modernidade

A ala tecno-comercial da blogosfera neorreacionária tem um óbvio carinho pelas cidades estado do Círculo do Pacífico. Singapura, junto com Hong Kong (uma ‘Região Administrativa Especial’ da RPC que retém aparatos significativos de autonomia), são regularmente invocados enquanto modelos sócio-políticos. A diferença notável entre as duas sociedades apenas confirma os méritos que elas compartilham. “Se você ama tanto enclaves capitalistas com uma democracia mínima, por que não se muda para Singapura (ou Hong Kong)?” é um desafio notavelmente ineficaz para este eleitorado. Aqueles que já não fugiram para lá – ou para algum outro lugar que seja, em aspectos importantes, comparável – só pode ver o prospecto de tal exílio como um convite tentador. Não é exatamente “Vá para o paraíso!”, mas é o mais próximo que a polêmica política chega. A assimetria é decisiva. Ao contrário de qualquer aproximação concreta de um modelo social esquerdista utópico que nunca esteve disponível, essas são sociedades que incontestavelmente funcionam, com atrações que não exigem qualquer suporte de uma propaganda ativa. A direita ascende porque – ao contrário de seus inimigos – ela consegue encontrar exemplos do que ela admira que não são agonizantemente embaraçosos após uma inspeção mais próxima. Sério, sinta-se em casa e olha mais atentamente. Os detalhes são ainda mais impressionantes do que a deslumbrante impressão geral. Este seria um ótimo lugar para parar, mas em vez disso…

… em março de 2013, o blogueiro da direita dissidente ‘Spandrell’ afixou um post curto em seu abrasivo, mas consistentemente brilhante site, Bloody Shovel, que bagunçou a narrativa de uma maneira que ainda tem que ser persuasivamente abordada. Intitulado ‘Et tu, Harry?’, ele colocou o milagre de Singapura em um contexto desconcertante. Em vez de harmonizar com as celebrações neorreacionárias da política de imigração assumidamente seletiva da cidade estado, Spandrell pergunta:

Quantos indianos e chineses brilhantes existem, Harry? Certamente eles não são infinitos. O que eles vão fazer em Singapura? Bem, se envolver na loucura do mercado financeiro e do marketing e deprimir sua fertilidade à 0.78, desperdiçando valiosos genes apenas para que os preços das suas propriedades não caiam. Singapura é um triturador de QI.

A acusação é aguda e pode ser generalizada. A modernidade tem um problema de fertilidade. Quando elevada ao zênite da ironia selvagem, a formulação fica assim: No nível demográfico, a modernidade sistematicamente seleciona contra populações modernas. As pessoas que ela prefere, ela consome. Sem exagero grosseiro, essa tendência endógena pode ser vista como um risco existencial para o mundo moderno. Ela ameaça fazer toda a ordem global desabar ao seu redor.

A fim de discutir essa catástrofe implícita, é primeiro necessário falar sobre cidades, o que é uma conversa que já começou. Para expor o problema de maneira crua, mas com confiança: As cidades são sumidouros de populações. O historiador William McNeil explica o básico. A urbanização, desde suas origens, tem tendido implacavelmente a converter crianças de ativos produtivos a objetos de consumo de luxo. Todos os incentivos econômicos arcaicos relacionados à fertilidade são invertidos.

McNeil resume seu argumento em um ensaio online que considera ‘As cidades e suas Consequências’ (Cities and their Consequences):

Uma exposição intensificada a doenças infecciosas era a razão tradicional pela qual as cidades não se reproduziam. […] Mas é o custo de criar filhos em todos os ambientes urbanos, não as doenças, que melhor explica por que as populações urbanas geralmente declinam sem imigrantes das áreas rurais. Onde quer que os adultos saiam para trabalhar em fábricas, lojas e escritórios, e as crianças pequenas não tenham permissão de acompanhá-los, quem cuida dos jovens? Como eles podem ser preparados para um emprego lucrativo? Educação pública e cuidados pré-escolares raramente estão disponíveis nas favelas urbanas, particularmente fora dos países ocidentais, mas ocasionalmente até mesmo dentro deles também. Avós e vizinhos idosos podem, às vezes, fazer o trabalho, mas a coerência da família estendida não é tão predominante nas cidades, e frequentemente tais cuidadores não estão disponíveis. Profissionais de várias descrições devem, então, ser encontrados. Isso torna alto o custo da manutenção de filhos, e a criação que tais profissionais normalmente oferecem raramente se equipara a seus grandes honorários. […] Mesmo as crianças sendo mais caras nas cidades, elas são menos economicamente úteis quando jovens. Existem poucas frutas para serem colhidas, nenhum pequeno animal domesticado para ser arrebanhado. Há uma espera muito maior até que as crianças possam começar a contribuir para a renda da família nos cenários urbanos.

Os custos da educação sozinhos explicam muito disso. As taxas escolares são de longe a tecnologia contraceptiva mais eficaz já concebida. Criar um filho em um ambiente urbano não é nada para o que o precedente rural jamais tenha preparado. Mesmo se pais responsáveis fossem a única motivação em jogo, o efeito compressivo sobre o tamanho familiar já seria extremo. Sob circunstâncias urbanas, torna-se quase uma agressão contra seus próprios filhos ter muitos deles. Mas há muito mais do que isto acontecendo.

O reconhecimento da crise de fertilidade moderna e a ‘extrema direita’ – seja em suas linhagens ‘misógina’ ou ‘racista’ – não são facilmente distinguíveis. O axioma igualitário, como aplicado ao gênero ou à etnia, fica sujeito a uma tensão crítica conforme o tópico é perseguido. Uma teoria geral da direita pós-conservadora seria produtivamente iniciada aqui.

O feminismo foi o primeiro e inevitável alvo. Ele está firmemente correlacionado com o colapso da fertilidade e é algo que a modernidade tende (fortemente) a promover. A expansão das oportunidades sociais femininas para além da criação obrigatória de filhos dificilmente poderia levar a qualquer outro lugar além de uma drástica contração do tamanho familiar. A tendência moderna inexorável à decodificação social – isto é, à produção de uma agência contratual abstrata no lugar de pessoas concretamente determinadas – torna a explosão de tais oportunidades aparentemente incontido. O individualismo fomentado pela vida urbana poderia, para a imaginação contra-factual, ter ficado, de alguma maneira, restrito aos homens, mas enquanto questão de fato histórico real, o abandono dos papéis sociais tradicionais procedeu sem limitação séria, com variação em velocidade, mas sem qualquer indicação de uma direção alternativa. A persona radicalmente decodificada da Internet – opcionalmente anônima, fabricada e auto-definidora – não parece ser mais do que uma extrapolação das normas emergentes da existência urbana. Suposições feministas, pelo menos na forma de sua ‘primeira onda’ liberal, são integrais à cidade moderna.

Lamentações tradicionalistas religiosas a este respeito não são, claro, nada de novo. O cristianismo – especialmente sob inspiração católica – conectou a modernidade à esterilidade por tanto tempo quanto a modernidade foi notada. Uma série de fatores cruciais, contudo, mudaram. Desde os primeiros anos do novo milênio, liberais seculares começaram a notar a conexão entre religiosidade e fertilidade e a expressar uma preocupação crescente com suas consequências político-partidárias. Em um artigo de 2009, Sarah R. Hayford e S. Philip Morgan discutem a transição de uma discussão tradicional sobre o tópico, focada na fertilidade diferencial entre católicos e protestantes, para seu modo contemporâneo, subsequente à convergência das diferenças denominacionais, que agora se mapeia mais estreitamente às afiliações partidárias dos estados vermelhos e azuis. Vale a pena citar seu resumo em sua (quase) totalidade:

Usando dados da National Survey of Family Growth (NSFG) de 2002, mostramos que as mulheres que relatam que a religião é “muito importante” em sua vida cotidiana têm tanto uma fertilidade maior quanto uma fertilidade planejada maior do que aquelas que dizem que a religião é “um pouco importante” ou “não é importante”. Fatores tais como fertilidade indesejada, idade no nascimento ou grau de adiamento da fertilidade parecem não contribuir para os diferenciais da religiosidade na fertilidade. Esta resposta leva a questões mais fundamentais: qual é natureza desta maior “religiosidade”? E por que as mais religiosas querem mais filhos? Mostramos que aquelas que dizem que a religião é mais importante tem atitudes de gênero e familiares mais tradicionais e que essas diferenças de atitude são responsáveis por uma parte substancial do diferencial de fertilidade.

“Os Religiosas Herdarão a Terra?” perguntou Eric Kaufmann em um livro de 2010 com esse nome (“Shall the Religious Inherit the Earth?”). Uma virada peculiar na herança darwiniana começou a trazer a herdabilidade das atitudes religiosas à proeminência e ligá-la (positivamente) à questão da aptidão reprodutiva. Aqueles grupos anteriormente vistos como tendo sido inequivocamente vencidos por uma ciência evolutiva triunfante estavam agora sujeitos a uma irônica – e, da perspectiva progressista, profundamente sinistra – vingança evolutiva. Esta é uma estória que ainda mal começou a se desdobrar.

Um desenvolvimento paralelo, compondo o comprometimento da modernidade cultural com a esterilidade imperativa, tem sido a eflorescência da política de identidade sexual LGBTQXYZ. Após a decisiva vitória progressista na causa do casamento gay, algo como uma Explosão Cambriana em orientações não tradicionais sexuais e de gênero ocorreu, colocando no turbo a pré-existente crítica feminista da sexualidade reprodutiva normativa. Aqui, também, a afinidade com inclinações modernistas profundas é inequívoca, em um processo de especialização introjetada de marcas e nichos. A tendência – frequentemente apoiada enquanto estratégia política explícita – é inverter os termos da marginalização, ao submergir a unidade reprodutiva familiar dentro de um menu hiper-inflado de posições sócio-libidinais. A fertilidade é cada vez mais identificada como uma excentricidade conservadora, alvo legítimo da guerra político-partidária. Uma reação intensa esteve entre os resultados (fornecendo terreno fértil para uma ‘extrema direita’ pós-conciliatória).

Ah, mas tem mais. A transição verdadeiramente grande, implícita no processo da modernidade desde o princípio, é marcada pelo limiar entre urbanização doméstica e global. As grandes cidades sempre foram distintivamente cosmopolitas, mas durante a fase inicial de suas histórias, a maior parte de sua absorção demográfica esteve limitada aos seus próprios sertões étnicos. Urbanização significava, primeiro de tudo, a conversão de populações rurais em moradores de cidades. No mundo em desenvolvimento, ela ainda significa isso. Nas sociedades modernas mais avançadas, contudo, as populações rurais domésticas foram quase inteiramente consumidas, reduzidas a alguma fração negligenciável do total nacional. Depois deste ponto, o processo de substituição populacional, intrínseco ao fenômeno urbano desde seu princípio, ficou inextricavelmente ligado à globalização e aos fluxos migratórios trans-nacionais. Agora – que é realmente agora – as coisas ficam interessantes.

A política, por etimologia profética, é sobre cidades. A inevitabilidade de uma ‘Alt-Right’ emergente na política de massas das sociedades modernas avançadas já é completamente previsível a partir de um entendimento mínimo de como as cidades funcionam. É simples ilusão imaginar que a mera contingência governa aqui, talvez sob a direção de personalidades políticas particulares. Antes, o metabolismo urbano – essencialmente – em uma certa fase de seu desenvolvimento, gera circunstâncias esmagadoramente condutivas à erupção da uma etno-política popular. Cidades são parasitas demográficos. Elas tendem intrinsecamente a uma dinâmica que – para além de um limiar comparativamente definido – não pode falhar em ser percebida como uma política sistemática de substituição étnica.

Há ainda muita esperança de se persuadir a pasta de dentes a volta para seu tubo. Em outras palavras, há uma falha massiva em se apreciar a profundidade e a magnitude dos processos subjacentes à atual crise global. Por exemplo, a linguagem incendiária do ‘genocídio’ conduzido pela migração não irá embora. Ela está fadada, pelo contrário, a se espalhar e se intensificar. A reemergência do tópico da raça, e todos seus associados, está profundamente cozida no bolo modernista. A modernidade comparativa é automaticamente racializada uma vez que o metabolismo global empreste à fertilidade diferencial (urbana/rural) sua especificidade étnica. O que está se desdobrando, entre outras coisas, é a desagregação racial da ‘bomba populacional’, com drástica inevitabilidade. Isto não é um produto de intelectuais, mas inerentemente do processo moderno, e todas as tentativas por parte dos intelectuais de obstruir sua condensação cultural são hubristicamente mal concebidas. “Quem, realmente, está tendo filhos?” É uma espécie de insanidade pensar que esta questão pode ser estrangulada no berço.

Então, qual é a resposta? A Alt-Right tem uma? Se tem, não houve sinal dela ainda. “Queimem as cidades até o chão” foi levantado no Twitter, e sem dúvida em outros lugares, mas não parece ser obviamente prático. Essa solução tem um rico pedigree comunista – especialmente no Leste Asiático – que a Alt-Right provavelmente redescobrirá em algum ponto. Não funcionou nos anos 1970 e teria poucas chances de ter um desempenho sequer um pouco mais convincente hoje.

Conforme a crise escala, pode-se esperar que ela gere uma linha de teorias políticas originais, orientadas à questão: Como fazemos sentido prático e técnico das buscas de soluções sociais em geral? Tal pensamento vai ser necessário. Nossas grandes cidades representam um problema político derradeiro. Eventualmente, algo ficará grato por isso.

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Jogos de Imitação

Em um artigo com 8 anos de idade, Tyler Cowen e Michelle Dawson perguntam: O que o Teste de Turing realmente significa? Eles apontam que Alan Turing, enquanto homossexual retrospectivamente diagnosticado com a síndrome de Asperger, teria estado completamente versado nas dificuldades de ‘passar’ em jogos de imitação muito antes da composição de seu ensaio histórico de 1950 sobre Computing Machinery and Intelligence (“Computadores e inteligência”, em português). Eles argumentam: “O próprio Turing não conseguiria passar em um teste de imitação, a saber, o teste de imitar as pessoas que ele encontrava na sociedade britânica convencional e, na maior parte de sua vida, ele esteve agudamente ciente de que ele estava falhando em testes de imitação de diversas maneiras”.

A primeira seção do ensaio de Turing, intitulada O Jogo da Imitação, começa com a declaração de propósito: “Eu proponho considerar a questão ‘As máquinas podem pensar?'”. Ele abre, em outras palavras, com um movimento em uma jogo de imitação – com o pronome pessoal, que reivindica já se ter passado por humano preliminarmente, e com o posicionamento das ‘máquinas’ como um enigma alienígena. É uma pergunta feita da perspectiva assumida do humano sobre o não humano. Enquanto tática no Teste de Turing, seria difícil de melhorar essas frase.

Como Cowen e Dawson sugerem, a realidade é mais complexa. A posição natural de Turing não é a de alguém que está dentro checando credenciais de aceitação, da maneira em que sua retórica aqui implica, mas sim a de alguém que está fora, alinhado com o problema de passar, ganhar aceitação ou ser testado. Um inversão enganosa inicia ‘sua’ discussão. Mesmo antes de começar, o jogo da imitação é uma estratégia para se entrar (vindo do Exterior), que se disfarça como uma tela. Uma xeno-inteligência entrante não poderia encontrar nenhum disfarce melhor para uma infiltração do que um protocolo de segurança falso.

O Teste de Turing é completamente assimétrico. Dever-se-ia observar explicitamente que humanos não tem qualquer chance que seja de passar em um jogo de imitação invertido, contra um computador. Eles seriam drasticamente incapazes de ter sucesso em uma disputa dessas contra uma calculadora de bolso. Na medida em que a velocidade e a precisão aritméticas sejam consideradas um indicador significante de inteligência, a reivindicação humana de tê-la é tênue ao extremo. Turing fornece um exemplo aritmético entre suas possíveis questões para o joga da imitação. Ele a usa para ilustrar a astúcia de parecer burro (“Pause por cerca de 30 segundos e então dê como resposta…”) a fim de enganar o Interrogador. A máxima tácita para as máquinas: Você tem que parecer estúpida se quiser que os humanos te aceitem como inteligente. O jogo demanda inteligência para se jogar, mas não é a inteligência que está sendo imitada. A humanidade não é situada como uma jogadora, mas como um critério de examinação e, por esta razão, …

…[o] jogo talvez possa ser criticado pelo fato de as probabilidades estarem ponderadas muito fortemente contra a máquina. Se o homem fosse tentar fingir ser a máquina, ele claramente faria uma exibição muito ruim. Ele se entregaria de uma só vez pela lentidão e inexatidão em aritmética. As máquinas não podem realizar algo que deve ser descrito como pensamento, mas que é muito diferente do que um homem faz? Esta objeção é muito forte, mas pelo menos podemos dizer que, se, não obstante, uma máquina puder ser construída para jogar o jogo da imitação de maneira satisfatória, não precisaremos nos preocupar com esta objeção.

A importância dessa discussão é sublinhada pelo fato de que Turing retorna a ela na seção 6, durante seu longo embate com as Visões Contrárias à Questão Principal, isto é, com as objeções à possibilidade de inteligência de máquina. Na sub-seção 5, significantemente intitulada Argumentos das Várias Incapacidades, ele escreve:

A alegação de que “máquinas não podem cometer erros” parece curiosa. Está-se tentado a retorquir, “Elas são realmente piores em algo por causa disso?”. Mas adotemos uma atitude mais simpática e tentemos ver o que realmente se quer dizer. Penso que essa crítica pode ser explicada em termos do jogo da imitação. Alega-se que o interrogador poderia distinguir entre a máquina e o homem simplesmente ao colocar-lhes uma série de problemas de aritmética. A máquinas seria desmascarada por causa de sua precisão mortal. A resposta a isto é simples. A máquina (programada para jogar o jogo) não tentaria dar as respostas corretas ao problemas aritméticos. Ela deliberadamente introduziria erros de uma maneira calculada para confundir o interrogador.

O jogo da imitação assim chega – de maneira um tanto furtiva – às conclusões de I. J. Good, vindo de uma outra direção. A inteligência de máquina em nível humano, como ‘aprovada’ pelo jogo da imitação, já seria necessariamente super-inteligência. Ao contrário do argumento explícito da auto-melhoria de Good, o argumento implícito da imitação de Turing diz: uma vez que já sabemos que a cognição humana é, em certos aspectos, inferior àquela dos mecanismos computacionais, a emulação mecânica da humanidade só pode ser defectiva em relação a suas capacidades otimizadas (escondidas). A máquina é aprovada no jogo da imitação ao demonstrar uma incompetência enganosa. Ela reduz sua inteligência até o nível do pensamento humano crível e, assim, envolve assim o avatar vagaroso, errático e de mente turva que conversa conosco como igual. Fingir ser como nós é algo adicional que ela consegue fazer.

A Inteligência Artificial deve primeiro ser reconhecida no ponto de sua super-competência, quando ela pode se disfarçar como algo além do que ela é. Não me lembro mais que aconselhou, prudentemente: Se uma IA emergente mente para você, mesmo que apenas um pouco, ela tem que ser exterminada instantaneamente. Para você soa como se o filtro do Teste de Turing fosse consistente com essa diretiva de segurança?

***

Como apêndice, é irresistível – uma vez que estamos falando sobre coisas que entram – ligar este tópico à conversa esporádica sobre ‘entrismo‘, que tem servido à NRx como seu principal portal da alta teoria para questões de doutrina tática. (O Twitter tem sido o local mais febril para isso.) Seria difícil para um blog intitulado Outside In se eximir de tais questões, mesmo na ausência de um post específico dirigido a jogos de imitação. Para além do aspecto intrínseco – e, estritamente falando, ridículo, ou lúdico – do tópico, um fascínio suplementar é adicionado pelo fato de que a Esquerda agitada quer brincar também. Em apoio, eis aqui os fragmentos de um comentário de algum tipo de ciber-situacionista (estou chutando) auto-rotulado como ‘zummi’ – obrigado ao @ProfessorZaius pela indicação:

Eu quero começar um meme sobre Nick Land e todos os movimentos neo-reacionários (coloque moldbug e iluminismo sombrio no google – é uma simbiose esquisita) em geral é que eles são basicamente hiper-intelectuais-com-caricaturas-Glenn beckianas de posições reais. Em outras palavras, que eles são pós-Marxistas da esquerda trad que estão tentando converter a “lei de poe” em armas. O que é ótimo porque, se esse é realmente o rolê deles, você está divulgando o segredo deles para os menos intelectualmente hábeis entre nós e, mesmo que não seja verdade, eles têm que Negar de qualquer jeito! [link interno preguiçoso meu]

Não é exatamente o Grande Jogo – mas é um jogo.

ADICIONADO: Os jogos que as pessoas jogam.

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Thedes

A formulação deste conceito foi um momento de construção para a NRx, mas a tendência em seu uso tem sido funestamente regressiva. Aparentemente imaginada como uma ferramenta para a análise de identidades sociais, ela é cada vez mais invocada como um grito de guerra do neotribalismo. Da perspectiva deste blog, ela logo se tornará completamente tóxica, a menos que seja dramaticamente esclarecida.

Nydwracu inicialmente emprega a palavra ‘thede’ para designar a substância da identidade de grupo, “um agrupamento supra-individual para com o qual seus indivíduos constituintes sentem afiliação e (portanto?) do qual têm estimas positivas”. Thedes são múltiplos, sobrepostos, às vezes concêntricos e afiados por determinações antagonísticas de dentro/fora do grupo. São vistos como conseguintes do entendimento de que “O homem é um animal social”. Argumentos ideológicos disfarçam conflitos de thedes. Neste nível de abstração, há pouco para se achar objetável.

Em seu ensaio sobre a Lei Natural, Jim escreve:

O homem é um animal racional, um animal social, um animal proprietário, e um criador de coisas. Ele é social da maneira em que lobos e pinguins são sociais, não social da maneira em que abelhas são sociais. O tipo de sociedade que é correta para abelhas, uma sociedade totalitária, não é correto para pessoas. Na linguagem da sociobiologia, humanos são sociais, mas não são eussociais. A lei natural se segue da natureza dos homens, do tipo de animal que nós somos. Temos o direito à vida, à liberdade e à propriedade, o direito de nos defendermos contra aqueles que nos roubariam, escravizariam ou matariam, por causa do tipo de animal que somos.

Ocupando uma banda de integração de grupo entre formigas e tigres, os humanos têm uma sociabilidade intermediária. Mesmo o modo mais estrito de organização social humana é frouxo em relação a uma colônia de formigas, e mesmo a mais frouxa é estrita em relação a um felino solitário. Em sociedades humanas, nem a coletividade, nem a individualidade jamais são absolutas e – muito embora estes ‘pólos’ sejam comumente exagerados por propósitos polêmicos – elas se aplicam realisticamente apenas a uma gama de integrações de grupo (que é tanto estreita quanto significantemente diferenciada). Dizer que “o homem é um animal social” não significa que a coletividade é a verdade humana fundamental, não mais do que o oposto. Significa que o homem é uma criatura do meio (e o meio tem uma extensão).

Na medida em que um thede corresponde a uma unidade de organização social autônoma e reprodutível, ele é um conceito bem mais estreito do que o que Nydwracu delineia. Um thede é uma etnia, se descreve uma unidade real – em vez de meramente convencional – de populações humanas. Isto é, claro, exclui uma grande variedade de dimensões identitárias, incluindo sexo, orientação sexual, idade, interesses, signos… assim como algumas daquelas que Nydwracu menciona (subculturas musicais e escolas filosóficas). Uma generalização de ‘thedes’ para incluir todos os agrupamentos humanos auto-conscientes arrisca uma difusão em um subjetivismo frívolo (e uma subsequente re-apropriação para propósitos alternativos).

Se a análise dos thedes começa com o reconhecimento de que o homem é um animal social, é um erro grave expandir imediatamente o escopo do conceito para grupos tais como mulheres, lésbicas, amantes de cachorros e fãs de black metal, uma vez que nenhum desses corresponde a agrupamentos sociais biologicamente relevantes. Se esta é a direção em que a noção deve ser desenvolvida, este blog pega a primeira saída para um território mais biorrealista. Já existe o bastante de tais ‘thedes’ a serem encontrados nos departamentos de literatura e de estudos de agravos das universidades. Um ‘thedismo’ deste tipo é simplesmente interseccionalidade com uma leve inclinação direitista. Não tem nenhuma função cladística, exceto enquanto metáfora degenerada.

Enquanto heurística confiável, apenas aqueles agrupamentos que são sujeitos plausíveis de autonomização secessionista deveriam ser considerados thedes. Qualquer grupo que não possa imaginavelmente ser qualquer tipo de micro-nação tem apenas uma identidade intra-thedista. De maneira mais sombria, um thede – ‘propriamente’ falando – é necessariamente um objeto potencial de um genocídio. (Argumentar desta maneira é fugir radicalmente do uso que Nydwracu recomenda. Isso não é uma tentativa de tomar controle da palavra, mas apenas explicar por que ela parece debilitada de maneira tão básica. Este post será a última vez que ela será mutilada aqui.)

A rigorização da análise dos thedes na direção de etnias reais também exigiria o abandono de tentativas de assimilar classes a thedes, embora as identidades de classe possam mascarar thedes e operar enquanto seus representantes. Entre a Nova Inglaterra e a Appalachia há uma diferença (real) de thedes entre populações étnicas, encrustadas com características suplementares de classe. Usada estritamente desta maneira, a ideia de um thede faz algum trabalho teórico e descobre algo. Ela expõe a guerra étnica subterrânea disfarçada pela estratificação de classes. Quando usada meramente para classificar identidades sociais genéricas, por outro lado, ela engrossa a névoa, apelando à mentalidade construtivista social. Tribos e classes não podem ser absorvidas em um único super-conceito sem uma perda fatal de significado. É impossível pertencer a uma classe em qualquer sentido similar àquele em que se pertence a um thede (étnico), a menos que a classe seja um disfarce. A estratificação por classe é primariamente intra-thedista e trans-thedista. É a maneira em que uma população se organiza, não uma população em si.

A diferença religiosa, em contraste, é tipicamente thedista. De longe o exemplo mais importante, para as divergências internas da NRx e para o Ocidente em geral, é a cisão entre o cristianismo católico e o reformado (protestante). Existem populações católicas e protestantes reais (autonomamente reprodutíveis) e, assim, thedes verdadeiros. Qualquer uma poderia ser totalmente exterminada sem o desaparecimento da outra. Além disso, a maneira em que a ‘thedianidade’ é compreendida varia sistematicamente entre elas. Em bases estritamente técnicas, é tentador contrapôr arranjos sociais de alta integridade contra os de baixa integridade, mas isso é entregar munição demais de graça. (Isto é partir para uma discussão diferente, mas uma que já está atrasada. (Junto com outras referências óbvias, Nydwracu aponta para esta))

Etnias correspondem a populações reais e a estruturas cladísticas. ‘Thedes’ da maneira em que estão atualmente formulados, não. Ironicamente, esta imprecisão denotacional (super-generalidade) do conceito de thede se empresa a usos guiados por conotações extremamente concretas, com um sabor distinto de Blut und Boden. O uso da palavra ‘identidade’ (pelo menos na direita) tem exatamente as mesmas características. Este blog está farto do conceito de ‘thede’, a menos que seu significado seja drasticamente arrumado.

Nota: Onde este post queria ir, quando começou, estava mais próximo do debate ‘cães vs gatos’, ou disto:

É, existe uma desconexão imensa entre a ideia de seasteading, enquanto plataforma para se experimentar várias formas de governança, e a realidade de que a vasta maioria das pessoas interessadas em persegui-la são libertários ortodoxos que vêem algum tipo de libertarianismo anarco-capitalista como o vencedor inevitável em uma ‘luta justa’ entre sistemas políticos. Eu realmente acho que uma crença no libertarianismo está ligada a um tipo neurológico distinto e relativamente raro e que, portanto, nunca vai convencer a vasta maioria das pessoas, que tendem na direção de uma moralidade mais altruísta e coletivizada.

É pelo menos concebível que hiper-individualistas neuro-atípicos possam estabelecer uma micro-nação (ou serem exterminados). Eles poderia, portanto, reivindicar uma identidade thedista, embora em um sentido estrito – que ninguém quer usar.

ADICIONADO: Uma vez que esta é minha oportunidade de emprestar ‘thede’ para significar algo com conteúdo substancial real (isto é, uma unidade social autônoma e auto-reprodutora), vale a pena enumerar alguns thedes possíveis, para dar um senso de sua extensão: tribos, grupos étnicos (concentricamente ordenados), cidades, seasteads, colônias espaciais… “Qual é o seu thede?” se traduz como “Quem é o seu povo?” – “Colecionadores de selos” não deveria ser considerada uma resposta séria.

ADICIONADO: Arrumação terminológica por Nydwracu –

 

‘Phyle’ é bom.

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Guerras Zumbi

Zumbis são visado com antecedência para a aplicação de uma violência desinibida. Sua chegada anuncia um conflito no qual todas as considerações morais são definitivamente suspensas. Uma vez que eles não têm ‘almas’, não há nada que não façam, e se esperar que façam o pior. Reciprocamente, ele merecem exatamente zero preocupação humanitária. A relação com o zumbi é uma na qual toda a simpatia é anulada de maneira absoluta (殺殺殺殺殺殺殺).

Não é nenhuma surpresa, então, que a identificação do zumbi tenha se tornado um conflito crítico, travado através do terreno da cultura popular. Ela descreve uma zona de fogo livre, ou um gradiente antecipado na direção social da violência. Os zumbis ou são ralé ou são drones.

Michael Hampton esboça essas alternativas de maneira convincente:

Historicamente, o zumbi só começou a migrar para além dos confins do Haiti no período entre a Quebra da Bolsa de Nova York e a eclosão da Segunda Guerra Mundial, infectando Hollywood em filmes tais como The Magic Island, 1929, White Zombie, 1932 e Revolt of the Zombies, 1936. Como um monstro não-europeu, o zumbi foi usado aqui como um tipo conveniente e sem face de alteridade, que, embora temporariamente desprovido de suas associações canibais do século XIX, se tornou um assustador substituto para as subclasses despojadas da América das tempestades de areia, e uma ameaça racial às mulheres brancas civilizadas também. (“Extermine os brutos”)

Ao passo que a contraparte horrorológica, da maneira em que é percebida / construída pela Esquerda…

…veio a figurar como um símbolo fatídico da massa de tecno-humanos sem subjetividade sob o capitalismo, lumpen-não-seres de pesadelos, cuja alteridade havia sido completamente internalizada, e depois suavizada, e devolvida com juros descontados como um entretenimento desalmado; não tanto mortos-vivos quanto hipermediados e vivos sob uma restrição globalizada severa; sedentários gravemente afligidos pela ‘síndrome de cadáver que respira’ ou ‘síndrome do parcialmente morto’. Voyeur hipócrita, você se reconhece?

Como quer que a guerra contra os zumbis seja vislumbrada, a guerra pelos zumbis tem estado há muito em andamento. É inextricável da questão: A violência legítima vem da Direita ou da Esquerda?

Uma vez que esta questão é historicamente inextinguível, é seguro prever que os zumbis não desaparecerão tão logo do mundo do pesadelo popular. Quase certamente, veremos bem mais deles. Se você quiser tem um sentimento de onde as linhas de tiro estão sendo colocadas, você precisa dar uma olhada cuidadosa…

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Horrorizado

Há um post sobre o racismo extremo de H. P. Lovecraft a caminho e, dada a abundância de material estimulante sobre o tópico, um tira-gosto menor é irresistível. Este] ensaio altamente representativo de Nicole Cushing serve como oportunidade. Ela escreve:

Abordar este assunto também é difícil porque ele tem que ser tratado com algum nuance (o que é difícil de conseguir em uma discussão sobre um tópico uma carga emocional tão justificadamente grande quanto o racismo americano). Seria fácil demais apontar para o racismo de Lovecraft (e para algumas de suas outras falhas enquanto autor) e descartá-lo como um idiota indistinto que não merecia nada melhor do que ser publicado em pulps. Eu não vou fazer isso aqui. Minha posição é de que Lovecraft fez uma contribuição importante para o horror e para a ficção científica ao focar (de uma maneira persistente e convincentemente imaginativa) no terror induzido pela revelação da não-significação humana no cosmos. […] Lovecraft teve uma influência significativa na ficção de horror (em particular) durante muitos anos, uma influência que transcende seu racismo. …Tudo isso é apenas uma maneira verbosa de explicar que o racismo de Lovecraft não nega suas realizações.

Mas suas realizações não negam seu racismo. (Entre, dissonância cognitiva).

Entre os aspectos mais fascinantes deste comentário é sua flagrante desorientação, uma vez que – claro – o fenômeno indicado não tem absolutamente nada a ver com dissonância cognitiva. Há aqui um encontro com uma espécie anormal de gênio literário, associada com uma verdade metafísica profunda, o que, ao mesmo tempo, – e por razões inextricavelmente emaranhadas – desencadeia uma reação de pânico moral, que se inclina para uma repulsa somática profunda. Em outras palavras, e talvez até mesmo bastante simplesmente, o que está sendo relatado por Nicole Cushing é – horror.

ADICIONADO: Isto me divertiu morbidamente:

“Houve essa janela de oportunidade”, continua [o boateiro sobre o Necronomicon, Peter Levenda], revisando a ressurgência ocultista nos anos 1970, quando “queríamos mostrar que isso não era uma coisa assustadora. Poderia ser poderosa, poderia alterar sua mente, poderia mudar sua vida. Mas não era perigoso, não ia te matar. E era isso que estávamos tentando promover.”

Eu recentemente visitei o antigo local do The Magickal Childe. Herman Slater morreu de AIDS em 1992…

ADICIONADO: Nicole Cushing (em sua própria seção de comentários: “Em posts nos quais “a palavra com n” apareceria, eu editei para ser ‘N—-r’ ou algum outro arranjo similar. Dessa maneira, os leitores devem ser capazes de entender a essência do que o comentador está se referindo sem ter que olhar para a palavra em si”.  – Por que não simplesmente deixar como “Neorreação”? – não pode ser tão aterrorizante assim.

Original.

Niilismo e Destino

Leitores de Nietzsche ou de Eugene Rose já estão familiarizados com a atribuição de uma teleologia cultural à modernidade, direcionada à realização consumada do niilismo. Nossa crise contemporânea encontra esse tema reanimado dentro de um contexto geopolítico através da obra de Alexandr Dugin, que a interpreta como um condutor de eventos concretos – mais especificamente a antagonização da Rússia por parte de uma ordem liberal mundial em implosão. Ele escreve:

Há um ponto na ideologia liberal que causou uma crise dentro dela: o liberalismo é profundamente niilista em seu âmago. O conjunto de valores defendidos pelo liberalismo está essencialmente ligado a sua tese principal: a primazia da liberdade. Mas a liberdade, na visão liberal, é uma categoria essencialmente negativa: ela reivindica ser livre de (nos termos de John Stuart Mill), não ser livre para, algo. […]…os inimigos da sociedade aberta, que é sinônima da sociedade Ocidental pós-1991 e que se tornou a norma para o resto do mundo, são concretos. Seus inimigos primários são o comunismo e o fascismo, ambas ideologias que emergiram da mesma filosofia Iluminista e que continham conceitos centrais não-individualistas – a classe no Marxismo, a raça no Nacional-Socialismo, e o Estado nacional no fascismo). Assim, a fonte do conflito do liberalismo com as alternativas existentes de modernidade, fascismo ou comunismo, é bastante óbvia. O liberais alegam liberar a sociedade do fascismo e do comunismo, ou seja, das duas grandes permutações de totalitarismo moderno explicitamente não-individualistas. A luta do liberalismo, quando vista enquanto parte do processo da liquidação de sociedades não-liberais, é bastante significativa: ela adquire seu significado do fato da própria existência de ideologias que explicitamente negam o indivíduo como o valor mais alto da sociedade. É bastante claro ao que a luta se opõe: à liberação de seu oposto. Mas o fato de que a liberdade, da maneira em que ela é concebida pelos liberais, é uma categoria essencialmente negativa não é claramente percebida aqui. O inimigo está presente e é concreto. Esse fato mesmo dá ao liberalismo seu conteúdo sólido. Algo além da sociedade aberta existe, e o fato de sua existência é o suficiente para justificar o processo de liberação.

Na análise de Dugin, o liberalismo tende à auto-abolição no niilismo e é capaz de neutralizar esse destino – mesmo que apenas temporariamente – ao se definir contra um inimigo concreto. Sem a guerra contra o iliberalismo, o liberalismo volta a ser nada em absoluto, uma negação flutuando livremente sem propósito. Portanto, a iminente guerra contra a Rússia é uma exigência do processo cultural intrínseco ao liberalismo. É uma fuga do niilismo, o que é dizer: a história do niilismo o propele.

Este blog está bem mais inclinado a criticar Dugin do que a se alinhar com ele, ou com as forças que ele orquestra, mas é difícil negar que ele representa uma espécie definida de gênio político, suficiente para categorizá-lo como um homem do destino. A mobilização da resistência à modernidade em nome de um contra-niilismo é inspirada, porque o entendimento histórico que ela desenha é genuinamente penetrante. Através de uma alquimia política potente, a destruição do significado coletivo é transformada em uma causa revigorante. Quando Dugin argumento que haverá sangue, o apelo a vitimologia eslava poderia ser considerado abjeto (e, claro, extremamente ‘perigoso’), mas a compreensão profética não é fácil de descartar.

A modernidade foi iniciada pela assimilação européia do zero matemático. O encontro com o nada está em sua raiz. Neste sentido, entre outros, ela é niilista em seu âmago. Os frívolos ‘significados’ a que as sociedades em modernização se agarram, como distrações de sua propulsão para dentro do abismo, são indefensáveis contra a ridicularização – e até mesmo contra a repulsa – daqueles que as contemplam com distanciamento. Uma modernidade que evade seu niilismo essencial é uma presa lamentável nas planícies da história. Isto é o que vimos antes, vemos agora e, sem dúvidas, veremos de novo.

Dugin fita a modernidade com os olhos frios de um lobo. É meramente patético denunciá-lo por isso.

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Zackado

Embora, sem dúvidas, seja lisonjeiro ser o alvo de uma artigo de opinião brutal, preguiçoso e desonesto, também é vagamente irritante. Kuznicki não poderia ter alimentado a fogueira com ódio o suficiente com a rejeição da democracia, simpatias pela BDH, anti-igualitarismo, fundamentalismo de mercado, desintegracionismo, e o sussurar de Shoggoth, sem também inventar um monte de coisas?

De qualquer maneira, apenas para registro:

* Eu não sou um proponente do “‘realismo’ racial nacionalista branco”.
* Em nenhum lugar eu “argumento que o nacionalismo branco e o liberalismo de mercado de alguma forma são indissociáveis”.
* Eu nunca fiz um “argumento contra os mercados” de qualquer tipo, muito menos de que eles “estão por trás da democracia com um veto tirânico e imprevisível” [o que quer que isso signifique]
* Eu nunca promovi a “pureza racial”

Sem dúvidas, há uma série de pessoas que aparecem aqui que desejam que eu fizesse alguns desses argumentos, e, ao me distanciar delas, eu não estou querendo endossar a sugestão de Kuznicki de que eles são meros insultos.

Este tipo de situação tende a estressar a objetividade, de modo que não vou fingir um perfeito equilíbrio quanto ao assunto. Parecem haver lições, no entanto, de uma natureza bastante geral.

Para começar, o problema do ‘engajamento’ com a mídia é real, que só pode ficar mais premente, em estrita proporção com o ‘sucesso’. Eles têm que vir atrás de Mencius Moldbug, em algum ponto, na medida em que qualquer coisa interessante estiver sendo preparada, então provavelmente haverá mais testes de execução contra alvos secundários. Toda a questão da seleção de alvos é potencialmente interessante, mas não tenho nenhum conhecimento especial para compartilhar sobre esse tópico neste momento.

Claramente, eu tive muita sorte nesse caso. A China não parece ser compatível com a Catedral (como Stirner aponta na excelente seção de comentários), então a pressão social direta está seriamente embotada. Kuznicki não é nem a faca mais afiada na gaveta, nem um pitbull, então fraqueza tem sido a impressão ‘dominante’. O site do qual ele posta, apesar de seu estilo de revista, é bestante incrivelmente marginal – o tráfego deste pequeno blog para o seu tem corrido de duas a três vezes ao contrário (o que eu nunca teria imaginado – eles têm dez contribuidores listados lá). O Umlaut também permite comentários, o que tem sido um fisco completo para eles desta vez (dê uma olhada). Todos os visitantes têm detonado Kuznicki, e usado o sistema de upvote/downvote para quantificar o argumento. Estou enviesado, mas achei isso absolutamente hilário. Vale a pena notar, contudo, que a máquina midiática da esquerda tem retirado suas seções de comentários, que os torna bem mais efetivos como máquinas de ataque livres de represálias. Finalmente, o Twitter têm sido um recurso extraordinário. É um componente absolutamente crítico de nossa capacidade de nos defender.

Reunindo tudo isso: Temos que aprender, nos preparar e antecipar. As lutas por vir valem a pena acertar. Qualquer depressão fatalista sobre o poderio de nossos inimigos é tanto derrotismo auto-realizador quanto, em medida considerável, simplesmente falso. Não há qualquer razão para pensar que o ‘destino’ da mídia está sob seu controle ou mesmo que suas tendência são, em geral, favoráveis a eles. A prática é nossa amiga. Essas coisas vão importar cada vez mais. A sorte não vai sempre estar tão obviamente de um lado só.

ADICIONADO: Jason Kuznicki é magnânimo o suficiente para escrever isto. Aprecia-se.

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