Jogos de Imitação

Em um artigo com 8 anos de idade, Tyler Cowen e Michelle Dawson perguntam: O que o Teste de Turing realmente significa? Eles apontam que Alan Turing, enquanto homossexual retrospectivamente diagnosticado com a síndrome de Asperger, teria estado completamente versado nas dificuldades de ‘passar’ em jogos de imitação muito antes da composição de seu ensaio histórico de 1950 sobre Computing Machinery and Intelligence (“Computadores e inteligência”, em português). Eles argumentam: “O próprio Turing não conseguiria passar em um teste de imitação, a saber, o teste de imitar as pessoas que ele encontrava na sociedade britânica convencional e, na maior parte de sua vida, ele esteve agudamente ciente de que ele estava falhando em testes de imitação de diversas maneiras”.

A primeira seção do ensaio de Turing, intitulada O Jogo da Imitação, começa com a declaração de propósito: “Eu proponho considerar a questão ‘As máquinas podem pensar?'”. Ele abre, em outras palavras, com um movimento em uma jogo de imitação – com o pronome pessoal, que reivindica já se ter passado por humano preliminarmente, e com o posicionamento das ‘máquinas’ como um enigma alienígena. É uma pergunta feita da perspectiva assumida do humano sobre o não humano. Enquanto tática no Teste de Turing, seria difícil de melhorar essas frase.

Como Cowen e Dawson sugerem, a realidade é mais complexa. A posição natural de Turing não é a de alguém que está dentro checando credenciais de aceitação, da maneira em que sua retórica aqui implica, mas sim a de alguém que está fora, alinhado com o problema de passar, ganhar aceitação ou ser testado. Um inversão enganosa inicia ‘sua’ discussão. Mesmo antes de começar, o jogo da imitação é uma estratégia para se entrar (vindo do Exterior), que se disfarça como uma tela. Uma xeno-inteligência entrante não poderia encontrar nenhum disfarce melhor para uma infiltração do que um protocolo de segurança falso.

O Teste de Turing é completamente assimétrico. Dever-se-ia observar explicitamente que humanos não tem qualquer chance que seja de passar em um jogo de imitação invertido, contra um computador. Eles seriam drasticamente incapazes de ter sucesso em uma disputa dessas contra uma calculadora de bolso. Na medida em que a velocidade e a precisão aritméticas sejam consideradas um indicador significante de inteligência, a reivindicação humana de tê-la é tênue ao extremo. Turing fornece um exemplo aritmético entre suas possíveis questões para o joga da imitação. Ele a usa para ilustrar a astúcia de parecer burro (“Pause por cerca de 30 segundos e então dê como resposta…”) a fim de enganar o Interrogador. A máxima tácita para as máquinas: Você tem que parecer estúpida se quiser que os humanos te aceitem como inteligente. O jogo demanda inteligência para se jogar, mas não é a inteligência que está sendo imitada. A humanidade não é situada como uma jogadora, mas como um critério de examinação e, por esta razão, …

…[o] jogo talvez possa ser criticado pelo fato de as probabilidades estarem ponderadas muito fortemente contra a máquina. Se o homem fosse tentar fingir ser a máquina, ele claramente faria uma exibição muito ruim. Ele se entregaria de uma só vez pela lentidão e inexatidão em aritmética. As máquinas não podem realizar algo que deve ser descrito como pensamento, mas que é muito diferente do que um homem faz? Esta objeção é muito forte, mas pelo menos podemos dizer que, se, não obstante, uma máquina puder ser construída para jogar o jogo da imitação de maneira satisfatória, não precisaremos nos preocupar com esta objeção.

A importância dessa discussão é sublinhada pelo fato de que Turing retorna a ela na seção 6, durante seu longo embate com as Visões Contrárias à Questão Principal, isto é, com as objeções à possibilidade de inteligência de máquina. Na sub-seção 5, significantemente intitulada Argumentos das Várias Incapacidades, ele escreve:

A alegação de que “máquinas não podem cometer erros” parece curiosa. Está-se tentado a retorquir, “Elas são realmente piores em algo por causa disso?”. Mas adotemos uma atitude mais simpática e tentemos ver o que realmente se quer dizer. Penso que essa crítica pode ser explicada em termos do jogo da imitação. Alega-se que o interrogador poderia distinguir entre a máquina e o homem simplesmente ao colocar-lhes uma série de problemas de aritmética. A máquinas seria desmascarada por causa de sua precisão mortal. A resposta a isto é simples. A máquina (programada para jogar o jogo) não tentaria dar as respostas corretas ao problemas aritméticos. Ela deliberadamente introduziria erros de uma maneira calculada para confundir o interrogador.

O jogo da imitação assim chega – de maneira um tanto furtiva – às conclusões de I. J. Good, vindo de uma outra direção. A inteligência de máquina em nível humano, como ‘aprovada’ pelo jogo da imitação, já seria necessariamente super-inteligência. Ao contrário do argumento explícito da auto-melhoria de Good, o argumento implícito da imitação de Turing diz: uma vez que já sabemos que a cognição humana é, em certos aspectos, inferior àquela dos mecanismos computacionais, a emulação mecânica da humanidade só pode ser defectiva em relação a suas capacidades otimizadas (escondidas). A máquina é aprovada no jogo da imitação ao demonstrar uma incompetência enganosa. Ela reduz sua inteligência até o nível do pensamento humano crível e, assim, envolve assim o avatar vagaroso, errático e de mente turva que conversa conosco como igual. Fingir ser como nós é algo adicional que ela consegue fazer.

A Inteligência Artificial deve primeiro ser reconhecida no ponto de sua super-competência, quando ela pode se disfarçar como algo além do que ela é. Não me lembro mais que aconselhou, prudentemente: Se uma IA emergente mente para você, mesmo que apenas um pouco, ela tem que ser exterminada instantaneamente. Para você soa como se o filtro do Teste de Turing fosse consistente com essa diretiva de segurança?

***

Como apêndice, é irresistível – uma vez que estamos falando sobre coisas que entram – ligar este tópico à conversa esporádica sobre ‘entrismo‘, que tem servido à NRx como seu principal portal da alta teoria para questões de doutrina tática. (O Twitter tem sido o local mais febril para isso.) Seria difícil para um blog intitulado Outside In se eximir de tais questões, mesmo na ausência de um post específico dirigido a jogos de imitação. Para além do aspecto intrínseco – e, estritamente falando, ridículo, ou lúdico – do tópico, um fascínio suplementar é adicionado pelo fato de que a Esquerda agitada quer brincar também. Em apoio, eis aqui os fragmentos de um comentário de algum tipo de ciber-situacionista (estou chutando) auto-rotulado como ‘zummi’ – obrigado ao @ProfessorZaius pela indicação:

Eu quero começar um meme sobre Nick Land e todos os movimentos neo-reacionários (coloque moldbug e iluminismo sombrio no google – é uma simbiose esquisita) em geral é que eles são basicamente hiper-intelectuais-com-caricaturas-Glenn beckianas de posições reais. Em outras palavras, que eles são pós-Marxistas da esquerda trad que estão tentando converter a “lei de poe” em armas. O que é ótimo porque, se esse é realmente o rolê deles, você está divulgando o segredo deles para os menos intelectualmente hábeis entre nós e, mesmo que não seja verdade, eles têm que Negar de qualquer jeito! [link interno preguiçoso meu]

Não é exatamente o Grande Jogo – mas é um jogo.

ADICIONADO: Os jogos que as pessoas jogam.

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Mecanização

Bryce Laliberte tem pensado sobre a Teleologia do Capital, da perspectiva do aumento tecnológico humano. Uma característica significativa desta abordagem é que ela não requer qualquer tipo de ruptura selvagem com o tradicionalismo ‘humanista’ – a estória da tecnologia se desdobra dentro da história do homem.

Coincidentemente, Isegoria tweetou sobre a jihad butleriana alguma horas antes (fazendo referência a este post de dezembro de 2013). A tensão implícita entre essas visões da tecno-teleologia merecem uma atenção sustentada – que sou incapaz de fornecer aqui e agora. O que é facilmente oferecido é uma citação do ‘Book of the Machines’ de Samuel Butler (os capítulos 23 e 24 de seu romance Erewhon), uma passagem que poderia produtivamente ser afixada à margem das reflexões de Laliberte, a fim de induzir uma fricção cognitiva produtiva. O tópico é especulação sobre a emergência de uma realização superior da vida e da consciência por sobre a terra, como explorada pelo autor ficcional de Butler:

O escritor … procedia perguntando se os traços da aproximação de uma tal fase nova da vida poderiam ser percebidos no presente; se podíamos ver quaisquer arranjos preparando o que poderia, em um futuro remoto, ser adaptado a ela; se, de fato, a célula primordial de tal tipo de vida poderia ser agora detectada na terra. No curso de sua obra, ele respondeu afirmativamente a essa pergunta e apontou para as máquinas mais elevadas.

“Não há nenhuma segurança,” – para citar suas próprias palavras – “contra o desenvolvimento último da consciência mecânica, no fato de que as máquinas possuam pouca consciência agora. Um molusco não tem muita consciência. Reflita sobre o extraordinário avanço que a máquinas têm feito durante os últimos séculos e note quão lentamente os reinos animal e vegetal estão avançando. A máquinas mais altamente organizadas são criaturas não tanto de ontem, quanto dos últimos cinco minutos, por assim dizer, em comparação com o tempo passado. Assuma, por bem do argumento, que seres conscientes tenham existido por cerca de vinte milhões de anos: veja os largos passos que as máquinas têm feito nos últimos mil! O mundo não pode durar mais vinte milhões de anos? Se sim, o que elas não irão, afinal, se tornar? Não é mais seguro cortar o mal pela raiz e proibi-las de avançar mais?

Mas quem pode dizer que a máquina a vapor não tem um tipo de consciência? Onde a consciência começa e onde termina? Quem pode traçar a linha? Quem pode traçar qualquer linha? Tudo não está entrelaçado com todo o resto? O maquinário não está ligado à vida animal em uma infinita variedade de maneiras? A casca de um ovo de galinha é feita de uma delicada porcelana branca e é uma máquina tanto quanto uma xícara de ovo o é: a casca é um dispositivo para segurar o ovo, tanto quanto a xícara é para segurar a casca: ambas são fases da mesma função; a galinha faz a casca dentro de si, mas ela é pura cerâmica. Ela faz seu ninho fora de si por bem da conveniência, mas o ninho não é mais uma máquina do que a casca do ovo. Uma ‘máquina’ é apenas um ‘dispositivo’.”

[…] “Mas, retornando ao argumento, eu repetiria que eu não temo nenhuma das máquinas existentes; o que eu temo é a extraordinária rapidez com a qual elas estão se tornando algo muito diferente do que elas são no presente. Nenhuma classe de seres fez, em nenhum tempo passado, um movimento adiante tão rápido. Esse movimento não deveria ser zelosamente observado e restrito enquanto ainda podemos restringi-lo? E não é necessário, para este fim, destruir as mais avançadas das máquinas que estão em uso no presente, embora se admita que elas são, por si só, inofensivas?

[…] Pode-se responder que, muito embora as máquinas não devessem nunca ouvir tão bem e nunca falar tão sabiamente, elas ainda sempre farão um ou o outro para nossa vantagem, e nunca para sua própria; que o homem será o espírito governante e a máquina, o servo; que, tão logo uma máquina falhe em executar o serviço que o homem espera dela, ela está fadada à extinção; que as máquinas estão para o homem simplesmente na relação de animais inferiores, a máquina-a-vapor em si sendo apenas um tipo mais econômico de cavalo; de modo que, em vez de estarem propensas a serem desenvolvidas até um tipo mais elevado de vida do que a do homem, elas devem sua própria existência e progresso a seu poder de ministrar as necessidades humanas e devem, portanto, agora e para sempre, serem inferiores ao homem.

Está tudo muito bem. Mas o servo desliza por aproximações imperceptíveis até o mestre; e chegamos a um tal ponto que, mesmo agora, o homem deve sofrer terrivelmente em deixar de beneficiar as máquinas. Se todas as máquinas fossem aniquiladas em um instante, de modo que nem uma faca, nem uma alavanca, nem um pano de roupa, nem qualquer coisa que fosse restasse ao homem além de seu próprio corpo nu, com o qual ele nasceu, e se todo o conhecimento das lei mecânicas fossem tomado dele, de modo que a raça do homem fosse deixada, por assim dizer, nua por sobre uma ilha deserta, seríamos extintos em seis semanas. Alguns poucos indivíduos miseráveis poderiam durar, mas mesmo esses, em um ano ou dois, se tornariam piores do que macacos. A própria alma do homem se deve às máquinas; é uma coisa feita por máquinas: ele pensa como pensa, e sente como sente, através do trabalho que as máquinas fizeram sobre ele, e sua existência é tanto uma condição sine qua non para a dele, quanto a dele é para elas. Este fato nos preclui de propor a aniquilação completa do maquinário, mas certamente indica que deveríamos destruir tantas delas quando pudermos dispensar, para que elas não nos tiranizem ainda mais completamente.

Verdade, de um ponto de vista materialista baixo, pareceria que aqueles que prosperam mais são os que usam maquinário onde quer que seu uso seja possível com lucro; mas esta é a arte das máquinas – elas servem para que possam governar. Elas não têm qualquer malícia para com o homem por destruir toda uma raça delas, contanto que ele crie uma melhor em seu lugar; pelo contrário, elas o recompensam de maneira liberal por ter acelerado seu desenvolvimento. É por negligenciá-las que ele incorre em sua ira, ou por usar máquinas inferiores, ou por não realizar exerções suficientes para inventar novas, ou por destruí-las sem substituí-las; ainda assim, essas são as próprias coisas que deveríamos fazer, e fazer rapidamente; pois, embora nossa rebelião contra seu poder pueril vá causar sofrimento infinito, ao quê não chegarão as coisas, se essa rebelião for adiada?”

A culminação natural desta investigação, conforme concebida dentro do romance de Butler, é uma guerra contra as máquinas. As consequências nas teorias dos jogos e de decisão são intricadas, e predominantemente agourentas. (Se é persuasivamente racional que a potência terrestre instalada extermine sua existência na concepção, as contra-medidas que fazem sentido mais óbvio combinam camuflagem e hostilidade. Apenas aquilo que chega em segredo e preparado para lutar pode esperar existir.)

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Reinicialização Forçada

Conforme a mídia inteligente começa a se interligar com a NRx de uma maneira séria, o problema fundamental que ela representa emerge cada vez mais nitidamente à vista. Compare a análise sobre Moldbug neste artigo de tecnologia de Clark Bianco, resolutamente focado no Urbit (e seus substratos), com a crítica político-econômica de Adam Gurri da ‘tecnocracia’ e transformação moldbuggiana. Contundentemente, as questões tecnológica e política são indistinguíveis. Em ambos os casos, a questão central é a praticidade de uma ‘reinicialização forçada’, ou começar de novo.

Repetindo e respondendo a um ponto em sua própria área de comentários, Bianco observa:

“Se você começar procurando uma maneira de substituir nosso atual sistema de nomeação de redes centralizado, hierárquico e com identidades públicas por um serviço de identidade parecido com o Bitcoin, descentralizado, anônimo-mas-confiável, você poderia bem acabar na estrada que leva ao Urbit.”

Estamos inteiramente com a mesma mentalidade sobre a orientação geral aqui.

As coisas neo-reacionárias no Urbit, que parecem ser decoração, não são. Esse é todo o ponto.

Não vou tentar processar este tópico agora – é vasto demais. Ao longo dos próximos meses, contudo, ele será um fio guia. Mais proeminentemente: Um engajamento teórico de alto nível com Moldbug, enquanto pensador político e provocador, pode não ser também um emaranhamento com o Urbit e o empreendimento tecnológico? Minha suspeita é que qualquer tentativa dessas de clivagem falharia, ou, pelo menos, ficaria aquém de um nível adequado de abstração. Em particular, qualquer invocação da ‘prática’ política neorreacionária que ignore o projeto consecutivo de reinicializar a maldita Internet corre o risco de desorientação total. (Mais sobre tudo isso por vir.)

(Obrigado ao @mr_archenemy pelo ponteiro para o artigo do Popehat.)

Original.

Doctor Gno

Uma coisa tem que ser concedida ao artigo sub-adolescente de Pein (casualmente descartado aqui) – ele desencadeou uma agústia interessante. Esta interpretação da Neorreação (tecno-comercial) como vilania de Bond é especialmente notável. Ao contrário de Pein, Izabella Kaminska demonstra pelo menos um pouco de perspicácia genuína. De maneira mais importante, ela se agarra ao Secessionismo do Vale do Silício como um (assustador) projeto criptopolítico, de real significância. Suas referência são excelentes (a história é construída em torno de uma série de slides extraídas desta palestra histórica, de Balaji Srinivasan, intitutlada Silicon Valley’s Ultimate Exit (“A Saída Derradeira do Vale do Silício”, em tradução livre).

dr-no

A elegância desse projeto repousa em sua combinação de simplicidade e radicalidade, capturada em elementos essenciais pela fórmula S > V (Saída sobre Voz). Ele avança o prospecto, já em movimento, de uma destruição da política (embasada em voz) através da inovação tecno-comercial de mecanismos de saída. Está começando a deixar os progressistas insanos.

O ponto fundamental não poderia ser mais claro: Não queremos governar vocês. Queremos escapar de vocês.

Claro, toda a agenda da Catedral é levar esta mensagem de volta à ininteligibilidade, ao inundá-la com a tediosa dialética política BDSM esquerdista, como se a questão fosse uma luta por domínio. A este respeito, os memes monarquistas predominantes dentro da NRx desempenham um papel distintivamente amigável aos progs.

Entre os slides de Srinivasan, há um com o cabeçalho Um contínuo de abordagens válidas: De ilhas privadas à colonização de Marte. Ele contém a nota: “E a melhor parte disto: as pessoas que pensam que isso é esquisito, que zombam da fronteira, que odeiam tecnologia – elas não vão te seguir lá para fora”.

Os progressistas sabem como argumenter sobre reis (não importa o quão ineptamente). Aquilo com que eles não têm nenhuma ideia de como argumentar – aquilo com o que não se pode argumentar – é a fuga.

O Secessionismo do Vale do Silício é o melhor campo de batalha que temos.

Original.

Nota Fragmentada (#13)

Sim, o artigo da Baffer foi comicamente ruim. O título lhe diz tudo que você precisa saber sobre o nível de seu tom. Aparentemente, a NRx tem sede em São Francisco e Xangai porque ela odeia pessoas asiáticas, mas se ela apenas lesse um pouco de Rawls (e “desempenhasse o papel do camponês”), ela poderia se ajustar. Nydrwracu tem a resposta mais apropriada. Mike Anissimov se dá ao trabalho de fazer uma análise decente. Os breves comentários de Klint Finley sobre ele são bem melhores que o próprio artigo. Estereótipos crus triunfam novamente: “The Baffler Foundation Inc., P.O. Box 390049, Cambridge, Massachusetts 02139 USA”.

A construção sociológica da neorreação foi incompetente, mas de maneira interessante. Inteiramente tecno-comercialista em orientação, com uma ênfase no Vale do Silício, ela se estendeu para incluir Justine Tunney, Balaji Srinivasan, Patri Friedman e Peter Thiel. O quadro que ela pinta borra, de uma elite tecnológica americana se descolando para dentro da neorreação, não é muito convincente, mas por certo é extraordinariamente atraente.

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Provavelmente vale a pena ser explícito sobre o fato de que, para a variedade tecno-comercial da NRx, o modelo de ação é o que as companhias de tecnologia avançada fazem. O clamor por ‘ação’ está sempre se levantando em nossa sombria comunidadezinha, com a implicação que a única alternativa para algum tipo de preparação de golpe é tweetar sobre metafísica. Na verdade, a alternativa à politickagem é fazer coisas ou – secundariamente – operar uma interferência ideológica em nome daqueles que são capazes de fazer coisas.

Os problemas páticos da governança policêntrica estão rapidamente se tornando inextricáveis da tecnologia emergente – criptosistemas de blockchain mais proeminentemente. A ideia de que a vanguarda da ação efetiva vai ser encontrada fora da esfera da inovação tecnológica já é claramente insustentável. Qualquer tipo de ‘ação social’ que não contribua bastante diretamente para a criação de maquinário autonomizante precisa ser firmemente desencorajada, uma vez que é quase certamente inibitória em efeito. (“Bastante diretamente” significa dentro de dois ou três passos inteligíveis, no máximo.)

O principal papel (positivo) de intelectuais não-tecnológicos é manter os intelectuais fora do poder. O principal papel (positivo) das multidões é se envolver em tão pouca ação quanto possível. Se você não é Satoshi Nakamoto, a simples realidade da situação é que – no grande esquema das coisas – você não importa muito, nem deveria. (E, quanto menos parecido com Satoshi Nakamoto você for, menos você importa.)

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Este blog novo está trabalhando duro para elevar o nível da discussão. O fato de que ainda é tão difícil dizer aonde ele está indo é um forte ponto a seu favor.

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Estranheza.

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Evola está começando a assustar as pessoas. Talvez alguém que saiba seu caminho em torno deste material pudesse ajudar a esclarecer um fonte de confusão: O fatalismo histórico de Evola não é o exato oposto de um ‘chamado à ação’? Como, então, a estirpe evolana da NRx ficou tão firmemente associada com a exortação ativista?

ADICIONADO: Mais críticas vinda dos comunistas. (A NRx como “quadros de apirantes [do Vale do Silício] a Führers do pensamento… trabalhando em novas teorias de Darwinismo Social racista, reforçadas pelas moda do Malthusianismo entre os superricos”.) Seria útil se eles conseguissem fazer sua guerra de classes funcionar, uma vez que era aceleraria a corrida para as saídas, mas de certa forma duvido que são capazes disso.

ADICIONADO: Corey “eu não gosto de comentários” Pein posta algumas resposta ao seu artigo (d.m.).

ADICIONADO: A melhor ‘crítica’ até o momento.

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Vingança dos Nerds

Cada vez mais, há apenas dois tipos humanos básicos que populam este planeta. Há nerds autistas, que sozinhos são capazes de participar efetivamente nos processos tecnológicos avançados que caracterizam a economia emergente, e há todas as outras pessoas. Para todas as outras pessoas, esta situação é desconfortável. Os nerds estão continuamente encontrando maneiras de fazer todas as coisas que as pessoas ordinárias e sub-ordinárias fazem, de maneira mais eficiente e econômica, programando máquinas. Apenas os nerds têm qualquer entendimento de como isto funciona e, – até que inteligências de máquina generalizadas cheguem para lhes fazerem companhia – apenas eles saberão. As massas sabem apenas três coisas:
(a) Elas querem as coisas legais que os nerds estão criando
(b) Elas não têm nada de muito para oferecer em troca
(c) Elas não estão nem remotamente felizes sobre isso.

A política por todo o espectro está sendo rasgada pela fissão socioeconômica. De Neo-Marxistas a Neorreacionários, há uma compreensão razoavelmente lúcida de que a competência nerd é o único recurso econômico que ainda importa muito, ao passo que o túrgido agravo da preponderante humanidade que fica obsoleta é um irresistível imã de adulação. O que fazer? Conquistar os nerds e governar o mundo (a partir do back-end maquínico)? Ou fazer demagogia com as massas e cavalgar seu tsunami de ressentimento até o poder político? Ou defender os nerds contra as massas, ou ajudar as massas a colocar os nerds em seu lugar. Este é o dilema. O palavrório vazio sobre ‘terceira via’ pode ser esperado, como sempre, mas a agenda real será Booleana e insultantemente fácil de decodificar.

Olhe e é inequívoco, em todo lugar. A assimetria é especialmente notável.

Para os nerds autistas, as relações sociais que importam são aqueles entre si mesmos – as redes produtivas que são seu modelo para a fase final da cultura humana em geral – junto com as conexões cada vez mais intricadas em que eles entram com as máquinas tecnológicas. De basicamente todas as outras pessoas – sejam garotas psico-sadistas, ou turbas extrativas e políticos tiranos – eles não esperam nada, exceto tortura social, parasitismo e bullying, misturados com alguns serviços subalternos que as máquinas de amanhã farão melhor. Sua tendência é encontrar uma maneira de escapar.

Para o resto da humanidade, exposta cada vez mais claramente como um tipo de detrito carente, bullying é tudo que resta. Se não conseguirem encontrar uma maneira de embolsar o dinheiro do almoço dos nerds, não vão conseguir nada para comer. Desta perspectiva, um nerd que escapa é bem mais uma agressão intolerável do que a bota de um policial nos dentes. Há apenas uma política popular no fim da estrada, e esta é enjaular os nerds. Encontre uma formulação para isto que soe tanto convincente quanto meio-quase razoável, e o tapete vermelho para o poder é estendido aos seus pés.

Qual vai ser? Matar de fome as massas ou escravizar os nerds? Não tem jeito disto não ficar incrivelmente feio.

Da perspectiva deste blog, a via expressa para o realismo sobre tudo isso é parar de fingir que alguém além dos nerds tem qualquer coisa de muito para oferecer ao futuro. (Completamente desprovidos de competências autistas nerds nós mesmo, o desapego do qual falamos é impecável.) Este duro atalho realista eliminar todo o desperdício de tempo em coisas ‘especiais’ que não-nerds podem fazer – que, de alguma forma, sempre acabam estando intimamente relacionadas à tarefa da governança (e isso, como vimos, se reduz, em última análise, a intimidar os nerds). “OK, você não é um nerd, mas você é especial.” Todos já ouvimos isto antes.

Mesmo sem ser um nerd autista, pode-se ser dotado de alguma medida modesta de inteligência – o suficiente, em todo caso, para perceber: “A história está se moldando em uma narrativa torturante de vingança dos nerds.” Não é necessário nem uma superinteligência artificial para entender por quer isso deveria ser assim.

Original.