No twitter, @SamoBurja propôs o silêncio da galáxia como um tópico horrorista não desenvolvido. Ela está certo.

A ausência de quaisquer sinais de inteligência alienígena foi primeiro observada como um problema por Enrico Fermi, em 1950. Ele achava a escancarada inconsistência entre a aparente probabilidade de vida muito difundida no cosmo e sua óbvia invisibilidade provocadora ao ponto de um paradoxo. “Onde estão eles?”, perguntou ele. (Respostas a esta pergunta, bem representadas nas referências da Wikipédia, constituíram uma corrente significante de especulação cosmológica.)

Entre pensadores recentes, Nick Bostrom tem estado especialmente obstinado em perseguir as implicações do Paradoxo de Fermi. Abordando o problema através de uma ontologia estatística sistemática, ele demonstrou que ele sugere uma ‘coisa’ – um ‘Grande Filtro’ que, em algum estágio, peneira as potenciais civilizações galáticas a quantidades negligenciáveis. Se esta filtragem não ocorre cedo – devido a impedimentos astro-químicos à emergência da vida – ela tem que se aplicar mais tarde. Consistentemente, ele considera quaisquer indicações de vida galáctica abundante como sendo agourentas ao extremo. Uma Grande Filtro Tardio, então, ainda estaria adiante (para nós). O que quer que seja, estaríamos em nossa aproximação a um encontro com ele.

Com cada nova descoberta de exoplaneta, o Grande Filtro se torna mais sombrio. Uma galáxia repleta de vida é uma história de horror. Quanto menos há obstruindo nosso nascimento, tanto mais há esperando para nos matar ou arruinar.

Se pudéssemos vislumbrar claramente a calamidade que nos esperava, ela seria um objeto de terror. Em vez disso, ela é uma ameaça sem forma, ‘Lá Fora’ apenas no sentido abstrato (abrangendo a imensidão negativa de tudo o que não podemos compreender). Ela poderia estar em qualquer lugar, desde nossos genes ou dinâmicas ecológicas até as leis ocultas da evolução tecnológica ou nas imensidões hostis entre as estrelas. Sabemos apenas que, em estrita proporção com a vitalidade do cosmo, a probabilidade de sua existência avança em direção à inevitabilidade e que, para nós, ela significa mal supremo.

Densidade ontológica sem forma identificável é o horror abstrato em si. Conforme o Grande Filtro deriva inexoravelmente, de um desafio que poderíamos, imaginavelmente, já termos superado para um encontro que, de forma cada vez mais fatalista, esperamos, o horrorismo é engrossado pela vindicação estatística-cosmológica. O desconhecido se condensa em uma coisa sem forma e predatória. Através de nossos sensores e cálculos tecno-científicos, a Sombra murmura para nós, e a probabilidade insiste que encontraremos com ela logo.

Original.
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2 thoughts on “Horror Abstrato (Nota-1)

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