Gnon – conhecido, em alguns cultos depravados, como ‘O Grande Deus-Caranguejo’ – é severo e, quando formulado com rigoroso ceticismo, necessariamente real. Ainda assim, esta abominação cancerosa com pinças é risos e amor, em comparação com o horror enterrado sob sombras que espreita por trás dele. Nós agora entendemos que o silêncio das galáxias é uma mensagem de agouro absoluto. Uma coisa há, de incompreensível poder, que toma a vida inteligente como sua presa. (Esta popularização é feita de maneira muito competente.)

Robin Hanson, que tenta estar animado, escreve sobre ela aqui e fala sobre ela aqui. Por trás do sorriso (e do entrevistador drogado), um abismo de lucidez sombria se escancara. Algumas ideias mal-ajeitadas:

(1) O pânico com a UFAI é uma distração desta Coisa. A menos que os mais absurdos cenários de maximizadores de clipes sejam entretidos, a Singularidade não pode importar para ela (como mesmo a central dos maximizadores de clipes concorda). O silêncio das galáxias não é parcial à vida orgânica – não há sinal inteligente vindo de nada. O primeiro evento senciente para qualquer IA verdadeira – amigável ou não – seria o horror cósmico lavador de almas do encontro intelectual com o Grande Filtro. (Se quisermos uma aliança com Pítia, este seria um bom tópico de conversa.) A mesma consideração se aplica a todos os X-riscos tecno-positivos. Entendidos a partir da perspectiva da contemplação do Grande Filtro, este tipo de coisa é um gatilho para o terror cru.

(2) O Grande Filtro não simplesmente caça e fere, ele extermina. Ele é um ameaça absoluta. As civilizações técnicas que ele aborta, ou mais tarde chacina, não são severamente feridas, mas erradicadas ou, pelo menos, aleijadas de maneira tão fundamental que nunca se ouve falar delas novamente. O que quer que esta ruína absoluta seja, ela acontece toda vez. O grito mudo vindo das estrelas diz que nada nunca o escapou. Seu desempenho de matança é perfeito. Pena de morte com probabilidade 1 para a Tecno-Civilização.

(3) A linha da esperança, que colocaria o Exterminador atrás de nós, é altamente sensível à ciência. Conforme nosso conhecimento tem aumentado, ela tem sido constantemente atenuada. Esta é uma questão empírica (sem necessidade a priori.) A vida poderia ter sido complicada, química ou termicamente muito exigente, mesmo resilientemente misteriosa. Na verdade, ela é comparativamente simples, cosmicamente barata, fisicamente previsível. Os planetas poderiam ter sido raros (eles são super-abundantes). A inteligência poderia ter apresentado desafios evolutivos peculiares, mas não há nenhum sinal de que o faça. A tendência científica é futurizar o Exterminador. (Isto é muito ruim.)

(4) Se o Grande Filtro encontra expressão mitológica no caçador, é apenas em um sentido específico – embora um antropologicamente realista. É o caçador que leva à extinção. O Exterminador.

(5) Nós sabemos que O Exterminador existe, mas nada que seja sobre o que ele é. Isto o torna o arquétipo da ontologia horrorista.

Original.
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