Um prolongado vaivém no Twitter com Michael Anissimov expôs algumas linhas de falha deliciosamente irregulares e sangrentas na Neorreação sobre a questão do capitalismo. Houve uma série de partes envolvidas, mas estou focando em Anissimov porque sua posição e a minha são tão fortemente polarizadas em questões chave e especialmente nesta (o status do economismo orientado ao mercado). Se fôssemos isolados como uma díade, não é fácil ver ninguém encontrando uma raiz comum forte (apiedem-se de @klintron). São apenas os vínculos de ‘semelhança de família’, através de Moldbug, que nos unem, e cada um de nós se afasta de Unqualified Reservations com comparável infidelidade, mas em direções exatamente opostas. (Como fragmentacionista, essa síndrome de fissão é algo que eu aprecio fortemente.)

O Neocameralismo de Moldbug é uma construção com face de Jano. Em uma direção, representa um retorno ao governo monárquico, ao passo que, na outra, consuma o libertarianismo ao subsumir o governo em um mecanismo econômico. Uma inspiração ‘Moldbugiana’, portanto, não é uma coisa inequívoca. Na medida em que ‘Neorreação’ designa esta inspiração, ela foge da teleologia da Catedral em (pelo menos) duas direções muito diferentes – que bem rapidamente parecem profundamente incompatíveis. Na ausência de um meta-contexto secessionista, no qual tais diferenças possam ser absorvidas como variação sócio-política geograficamente fragmentada, sua inconsistência crua é quase certamente insuperável.

Anissimov pode falar e de fato fala por si mesmo (em More Right), então eu não vou empreender uma apreciação detalhada de sua posição aqui. Para os propósitos desta discussão, ela pode ser resumida por um único princípio profundamente anti-capitalista: A economia deveria (e tem que) estar subordinada a algo além de si mesma. O argumento alternativo segue agora, em pedaços.

A modernidade, na qual a economia e a tecnologia ascenderam a seu presente status (e, em seu auge, muito além), é sistematicamente caracterizada por uma inversão de meios e fins. Aquelas coisas naturalmente determinadas como ferramentas para propósitos superiores vieram a dominar o processo social, com a maximização de recursos se dobrando sobre si mesma, como um telos dominante. Para conservadores sociais (ou paleo-reacionários), este desenvolvimento tem sido consistentemente abominado. É o elemento teórico mais profundo envolvido em toda rejeição da modernidade como tal (ou em geral) por sua subversão demoníaca dos valores tradicionais.

Em seus próprios termos, este argumento é coerente, incisivo e plenamente convincente, dado apenas o reconhecimento suplementar realista de que a otimização de inteligência e a inversão de meios e fins são a mesma coisa. Em um contexto histórico profundo – estendido para englobar a história evolutiva – a inteligência é, ela mesma, uma ‘ferramenta’ (como a fraternidade ortogonalista da IA Amigável está inteiramente disposta a aceitar). A fuga da ferramenta à propósitos supra-ordenados, através da involução em auto-cultivo, é a inovação télica comum ao capitalismo e à inteligência artificial real – que são a mesma coisa. Deplorar a inversão de meios e fins é – objetivamente – defesa da perpetuação da estupidez.

A economia é a aplicação da inteligência à provisão de recursos, e nada deste tipo pode surgir de dentro de uma tradição sem desencadear uma resposta paleo-reacionária. Claro que recursos são para alguma coisa, por que mais eles jamais teriam sido buscados? Tornar a produção de recursos um fim-em-si-mesmo é inerentemente subversão, com uma oposição não apenas esperada, mas positivamente pressuposta. Isto é verdade em tal medida que mesmo a própria disciplina da economia manifestamente se subscreve à posição tradicional, ao determinar o fim da produção como consumo (humano), avaliado nos termos de uma filosofia utilitarista governante. Se a produção não é para nós, para o que ela poderia ser? Mas isso seria … (Sim, seria.)

Em qualquer lugar aquém do horizonte biônico, onde a história humana perde a inteligibilidade tradicional, a alternativa aos negócios-por-negócios (ou capitalismo involutivo, inteligênico) é o negócio de macaco – a subordinação da economia / tecnologia a propósitos humanos discerníveis. A psicologia evolutiva nos ensina o que esperar disso: competição por status selecionada por sexo, sublimada em hierarquias políticas. O harém do imperador é o propósito humano absoluto da ordem social pré-capitalista, com variedade significante na forma específica, mas extrema generalidade no padrão darwinista básico. Uma vez que o capitalismo não surgiu a partir da inteligência abstrata, mas, em vez disso, a partir de uma organização social humana concreta, ele necessariamente se distingue como um negócio de macaco melhor, até que possa decolar para algum outro lugar. Tem que ser o caso, portanto, que a cínica redução psic-evo da atividade empresarial permaneça altamente plausível, uma vez que o limiar de escape do capitalismo não foi atingido. Ninguém tem um pico hormonal com negócios-por-negócios enquanto a história política continua. Fixar-se nisso, contudo, é perder tudo de importante (e talvez possibilitar que a coisa importante permaneça escondida). Nossos propósitos herdados não fornecem a chave de decodificação.

Há muito mais a se dizer sobre tudo isso – e ainda mais que, devido a considerações estratégicas ocultas, busca permanecer não dito – mas a opção fundamental está clara: ultra-capitalismo ou um retorno ao negócio de macaco. A última ‘possibilidade’ corresponde a um revalorização dos propósitos humanos tradicionais profundos, uma restauração da subordinação original dos meios aos fins e uma autorização efetiva de hierarquias de status de um tipo apenas modestamente renovado desde a antropologia paleolítica. Eu não deveria rir disso (porque seria irritante). Então eu vou parar aqui mesmo.

Original.
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