Marcadores de Fendas

O comentador que usa o rótulo Saddam Hussein’s Whirling Aluminium Tubes produziu algumas das críticas mais brilhantes a que este blog já esteve sujeito. Argumentando contra a estirpe tecno-comercial da NRx a partir de um ponto de vista paleorreacionário linha-dura, sua contribuição para esta (pt) seção é o ponto alto de seu engajamento aqui. Que, mesmo no clímax do ataque, este blog seja incapaz de declinar o diagnóstico oferecido, com a exceção de apenas as mais ligeiras e marginais reservas, é um fato que atesta a lucidez de sua visão. (Alguns ajustes editoriais mínimos foram feitos por consistência – o original pode ser conferido no link fornecido). SHWAT escreve:

A analogia do Admin entre o Tecno-Comercialismo e as estruturas do governo colonial na época da companhia das Índias Orientais está absolutamente correta e fornece um esclarecimento decisivo. Isto é como a vez quando um grupo ficou na Europa, enquanto o outro grupo ia fazer sua fortuna no Novo Mundo.

Reação: Ordem estável (como valor, se não efeito prático), posição hereditária
Tecno-comercialismo: Competição desintegradora, dinamismo

Reação: Conservadorismo, tradição, as antigas maneiras
Tecno-comercialismo: Compatição desintegradora, inovação

Reação: Autoridade pessoal, Realeza sacra, privilégios hereditários
Tecno-comercialismo: Governo corporativo, inclinando-se para o oligárquico, composição dinâmica da oligarquia, baseado na política corporativa e no Darwinismo Social

Reação: História cíclica, Kali Yuga
Tecno-comercialismo: História linear, progresso em direção à singularidade

Reação: Foco no país antigo, nas pessoas antigas, salvando o Ocidente
Tecno-comercialismo: Abandonar o antigo, colonizar novos espaços, tanto no Oriente quanto (espera-se) no Espaço

Reação: Ordem social tradicional, comunidade, pertencimento, senso de local e enraizamento, casta
Tecno-comercialismo: Dinamismo social moderno, liberdade, meritocracia, desenraizamento, atomização, Darwinismo Social, um futuro questionável para certas classes sociais

Reação: Conservadoramente comunitária
Tecno-comercialismo: Radicalmente individualista

Reação: Identitário
Tecno-comercialismo: Cosmopolita

Reação: Alega acabar com a política, acaba com a política Bizantina / Otomana
Tecno-comercialismo: Alega acabar com a política, acaba com a Política Corporativa

Reação: Marcial
Tecno-comercialismo: Mercantil, pós-Marcial (Drones > Xátrias)

Reação: Desdenhosa de empreendimentos mercantis crassos
Tecno-comercialismo: Vê empreendimentos mercantis como primários

Reação: Falha sem bons líderes
Tecno-comercialismo: Foco em estruturas governamentais inovadoras, de modo que as pessoas não precisem ser boas

Reação: Conservadora, quer que as coisas fiquem as mesmas ou volta para trás
Tecno-comercialismo: Desintegrador, dinâmico, quer que as coisas mudem constantemente, Avante!

Reação: Capitalismo ordinário, enjaulado (o que, para o Ultra-Capitalista, é socialismo)
Tecno-comercialismo: Ultra-Capitalismo

Reação: Religiosa
Tecno-comercialismo: Quer invocar um deus-máquina

Reação: Sobre encontrar uma maneira para que os humanos vivam vidas espiritualmente satisfatórias e depois morram e abram espaço para seus filhos
Tecno-comercialismo: Sobre encontrar uma maneira de invocar um deus-máquina para acabar com a humanidade e/ou encontrar uma maneira de viver para sempre. Muito poucos filhos.

Reação: Exigiria a criação de uma elite marcial nova e legítima ou a cooptação de alguém como Putin (horripilante para os tecno-comercialistas)
Tecno-comercialismo: Busca cooptar a atual elite mercante progressista e colocar alguém como o cara do Google no poder (horripilante para os reacionários)

Reação: Causa perdida romântica
Tecno-comercialismo: Perturbadoramente plausível, no sentido de que alguém como o cara do Google provavelmente iria acabar no topo de qualquer maneira, e ele poderia ouvir aqueles que lhe bajulam.

Então, eu tenho boas notícias e más notícias. As boas notícias são que [vocês tecno-comercialistas] provavelmente vão conseguir muito do que vocês querem no futuro. As más notícias são que você não são reacionários, nem mesmo um pouco. Vocês são liberais clássicos, só estava um pouco obscurecido porque vocês são liberais clássicos ingleses, em vez de americanos ou franceses. Consequentemente a falta de interesse em revoluções. O equivalente moderno daqueles caras liberais clássicos da Companhia das Índias Orientais.

Então, a escolha é de vocês. Vocês certamente podem manter o rótulo neo-reacionário e transformá-lo em algo como o “neo” em “neo-conservador”, onde o “neo” significa “pwnado”. Mas isso significará que os conservadores tradicionalistas e NBs continuam a vaguear por aqui. Ou você pode cortar o cordão e completar a fissão.

De qualquer forma, neste ponto provavelmente deveríamos seguir nossos caminhos separados e começar a conspirar uns contra os outros. Obrigado por uma leitura agradável

Se isto é realmente uma nota de despedida, é o exemplo mais magnífico que já vi. Estou quase tentado a dizer, com inimigos como este, quem precisa de aliados?

Há reviravoltas e meandros a serem adicionados esta cartografia rígida do cismo, incluindo aqueles que o cismo fará a si mesmo. Da atual perspectiva deste blog (que ele, claro, suspeita ser alguma outra coisa), a orientação quanto a esses é a complicação do tempo através do espiromorfismo, ou restaurações inovadoras, que nem ciclos, nem simplesmente trajetórias de escape podem capturar. Essas, em última análise, re-formam tudo, mas elas podem esperar (enquanto a ferida apodrece criativamente). A fissão libera energia. Talvez ironicamente – SHWAT demonstrou isso para além de toda controvérsia.

Original.

NRx com Características Chinesas

Ao passo que reconhece (pelo menos um pouco) das múltiplas complexidades envolvidas, este blog se atém a uma determinação fundamentalmente cladística da Neorreação. A NRx é irredutivelmente Ocidental, emergindo a partir de um ramo altamente específico do Ultra-Protestantismo Anglófono. É apenas de se esperar que a maioria de seus adeptos estejam situados dentro de países falantes de inglês, expostos intimamente à decomposição civilizacional que se acelera de maneira radical. A resposta é natural:

Como um convidado do Reino do Meio, o problema parece muito diferente. A última coisa que se quer aqui, de uma perspectiva reacionária, é uma reinicialização. Pelo contrário, a prioridade esmagadora é conservadora, o que é dizer – mais precisamente – o imperativo de que qualquer modernização que ocorra absolutamente não tome o caminho ocidental. Uma estase quase total seria preferível a mesmo à reforma mais profundamente inteligente, se a última incluísse o menor sinal de submissão à catraca democrática (que significa destruição social inevitável e abrangente). Entre as razões para se apoiar a extirpação completa de toda inclinação liberal-democrática da sociedade chinesa é a consequente liberação real que isto tornaria possível, ao confirmar um caminho de Modernização Confucionista livre de corrosão demótica.

A China deve ser defendida, precisamente porque é alienígena à Catedral. Por esta mesma razão, pode-se prever com grande confiança que a investida Ocidental contra a Civilização Chinesa será escalada a um extremo, conforme se tornar claro que a pseudo-teleologia progressista está sendo rejeitada aqui. Se a China for bem sucedida em recusar a Catedral, a civilização sobreviverá. Não pode haver causa mais significativa – ou praticamente contra-revolucionária.

É indecoroso que ‘reacionários’ estejam tramando revoluções ou qualquer coisa remotamente parecida com elas. Na medida em que lealdades etno-nacionalistas os levem nesta direção, é um sinal de que uma linha de demotismo romântico continua a envenenar suas almas, mesmo ao passo que impulsos democráticos mais claramente formalizados são apropriadamente repudiados. Argumentar que “queremos nosso próprio estado” é uma perversão cruamente populista. O estado – qualquer estado – responde apenas ao Mandato do Céu e não ao povo. Ele responde ao Mandato do Céu exatamente na medida em que se protege da voz do povo. (Qualquer estado que seja sensível à plebe é um cão que merece morrer.)

Um convidado estrangeiro na China vive sob um substituto próximo do governo colonial, e nenhum arranjo superior talvez seja possível nesta terra. Dada a história das relações anglosféricas com a China, isto é, claro, irônico, mas é uma ironia rica em significado. Hong Kong ou a Xangai da era da concessão eram bem melhor governadas durante o período colonial do que a própria Grã-Bretanha metropolitana. Se agora é possível que um expatriado encontre refúgio em tais lugares, despojado de todos os direitos políticos positivos e libertado em apreciação muda de uma administração eficiente e alienígena, a ruína democrática que consumiu sua terra natal tem um exterior demonstrável. A única decência ‘política’ aberta a ele nesta situação é a cessação absoluta da alma revolucionária ocidental e o cultivo da docilidade ante o Mandato do Céu. Ele está, afinal, cercado de pessoas civilizadas que se beneficiaram de oportunidades equivalentes em circunstâncias inversas. Estas sociedades funcionam. Gnon manifestamente lhes abençoa.

Levar uma vida decente e produtiva em um lugar digno dela é o mais alto bem político. Na medida em que mecanismos de Saída prevaleçam, as escolhas tácitas de tal vida reforçam o que merece reforço, ao passo que desinvestem aquilo que requer o açoite do desinvestimento. O antagonismo raivoso não tem qualquer lugar útil. Na escala mais ampla, o mal é melhor punido pelo abandono.

Isto não é criticar tendências secessionistas em sociedades que apodrecem – que devem ser, antes, entusiasticamente aplaudidas – mas é sugerir que a dinâmica profunda que alavanca o mundo colapsado em pedaços tem maior probabilidade de começar do abandono estratégico do que da raiva oposicionista. Não é que se lute primeiro a fim de depois escapar. Antes, escapa-se desde o princípio, para acelerar o colapso do inimigo. (Aqueles mais inflexíveis sobre a justiça de seu confronto com o Grande Inimigo são os mesmos que – em termos bastante concretos – têm maior probabilidade de estar lhe fornecendo recursos.)

Você acha que ele está se alimentando do seu sangue para desovar seus horrores? Então pare de doar seu sangue. Não é difícil, pelo menos em princípio.

O Exterior é um lugar e não um sonho. A NRx com características chinesas recomenda que você procure por ele.

ADICIONADO: Se você se considera um biorrealista anti-democrático e você não acha que a Ordem virá do Leste, é provavelmente porque a lealdade tribal está operando sua mente.

ADICIONADO: Legionnaire lança um olhar impressionantemente sóbrio sobre a discussão.

Original.

Cinco Estágios da BDH

Estágio-1 (Negação): “O que é está coisa que soa meio nazista “BDH” de que você fala? Na verdade, eu preferiria que você não respondesse isso.”

Estágio-2 (Raiva): “RAAAAAAACISSSSTA!!!”

Estágio-3 (Barganha): “…mas, mesmo se a BDH for real, ela não significa nada, não é? Sabe, vantagem comparativa, ou pós-modernismo …(ou alguma coisa).”

Estágio-4 (Depressão): “Quem poderia ter imaginado que a realidade era tão má?”

Estágio-5 (Aceitação): “O liberalismo da tábula rasa realmente tem sido uma montanha de lixo desonesto, não é? Acho que é hora de ele morrer…”

[Agredeço ao Thales pela incitação]

Original.

Cortes do Twitter (#59)

Original.

Para Além da Face

A crítica do Social Matter ao ‘Complexo Industrial da Justiça Social’ (cujo primeiro estágio já foi linkado aqui), isola a “tendência, na natureza humana, a sobreatribuir agência” enquanto uma proeminente fonte de erro. Em outras palavras, as pessoas gostam de colocar uma face nas coisas – mesmo nas nuvens – em tal medida que a própria noção de uma ‘pessoa’ é sempre já fabricada. Etimologicamente (e não apenas etimologicamente), uma ‘pessoa’ é uma máscara.

Conforme os hominídeos arcaicos foram sendo seletivamente adaptados a relações sociais cada vez mais complicadas, eles foram facializados. O olho humano adquiriu sua esclera branca, para acentuar a expressividade, tornando a direção da atenção diretamente comunicativa. Com a chegada da linguagem, gestos e expressão foram aumentados por mensagens articuladas. O ‘gerenciamento da face’ se tornou um sumidouro exigente de funcionalidade cognitiva, em seus aspectos de desempenho e interpretação. Uma nova e instintiva ‘teoria da mente’ começara a acreditar em pessoas e – quase com certeza simultaneamente – a se identificar como uma. Este era um novo tipo de pele, ou superfície sensível. A partir da sociabilidade psicológica, um modelo do eu enquanto ser social, auto-escrutinado como um objeto de atenção de outro de seu tipo – isto é, um ego – nascia.

A ‘pessoa interna’ não corresponde a nada real. A pessoa, ou eu socialmente desempenhado, é essencialmente superficial. É irredutivelmente teatral. Ela existe apenas enquanto modo de inserção dentro de um jogo de múltiplos jogadores.

Como quer que, em última análise, venhamos a fazer sentido da agência e do destino, não será em termos comensuráveis com a pessoa (a face), a não ser por contumaz autoengano. A liberdade pessoal é um ato, uma performance dentro de uma peça. Não têm nenhuma profundidade real. Todas as perguntas dirigidas a ela estão condenadas à confusão. A coisa real – livre ou predestinada – veste uma face, como um papel atribuído no interior do mundo.

A inanidade do Facebook e também sua extrema popularidade se seguem quase imediatamente deste arranjo. O escritor tem que assumir uma face. A estupidez destes retratos, que adornam capas de livros e colunas de notícias, é indistinguível de sua necessidade social. Cada um é já uma pequena teoria da conspiração, uma má atribuição de agência, baseada na absurda tese símia de que as palavras saem da face. Não leve palavras a sério até que você possa ver o branco de seus olhos – avalie a qualidade do sorriso que acompanha o pensamento. Assim, tudo desaparece.

É para além da face – fora dela – que a ocorrência é decidida, as peças, escritas. Se não começarmos ali, não estamos sequer começando.

Original.

Da Dificuldade

Desde o momento de sua concepção, este blog esteve acampado na margem da ‘reactosfera’ – e tudo que ocorre sob o rótulo de ‘NRx’ é (pelo menos nominalmente) de seu interesse. Conforme este território se expandiu, de um compacto reduto a tratos que se alastram, cujas fronteiras estão perdidas para além de horizontes enevoados, um escrutínio minucioso e abrangente se tornou impraticável. Em vez disso, temas e tendências emergem, absorvendo e carregando meros incidentes. Como mudanças climáticas, ou vagos sistemas meteorológicos, eles sugerem padrões de desenvolvimento persistente e difuso.

Entre esses rumores, os mais indefinidos, tentativos e irresolutos tendem ao estético. Sem critérios de avaliação estabelecidos, há pouca base óbvia para a colisão produtiva. Em vez disso, há afirmações idiossincráticas de apreciação, expressadas como tal, ou juízos inflexíveis de afirmação ou negação, ganhando força, envoltos na elegância heráldica do absoluto, antes colapsarem de volta no vazio de suas pretensões insustentáveis. Da maneira em que as coisas estão, quando alguém posta uma foto de algum tesouro arquitetônico ou de uma pintura clássica, observando (ou, mais comumente, meramente insinuando) “Vocês deveriam todos estimar isto”, não há nenhuma resposta verdadeiramente apropriada além da gargalhada. Se não houvesse um problema profundo exatamente a este respeito, a NRx não existiria. Critérios são quebrados, dispersos e despojados, a tradição oficial é esmagada, infectada ou reduzida a auto-paródia, as Musas, estupradas e massacradas. É neste lugar em que estamos na terra do sol moribundo.

Um murmúrio associado e insistente diz respeito à lucidez comunicativa. Isto não é unicamente uma questão de estética, mas, em sua trêmula falta de fundamento, comporta-se como uma. Surge mais tipicamente como a afirmação – inicialmente sem suporte e subsequentemente não desenvolvida – de que, claramente, ‘a obscuridade desnecessária’ deveria ser condenada.

A culpabilidade deste blog enquanto vórtex de obscurantismo eufórico dificilmente pode ser duvidada, então abordar o desafio se aproxima de um dever. Deixando de lado, no momento, os aspectos sociais e criptográficos do tópico, assim como a crítica específica da cognição humana por sua intolerância à real obscuridade (comparativamente articulada, da minha perspectiva, mesmo que obscura a partir de outras), este posta perseguirá diretamente a questão da linguagem.

Esta questão é, acima de tudo, sobre confiança. Mesmo nesta consideração inicial, ela já é difícil. Enquanto uma ferramenta complexa, há coisas que ela pode fazer e coisas que ela não pode fazer. Falando de maneira aproximada e incerta, se ela for dirigida àquelas empreitadas que têm, ao longo das eras, exercido pressão seletiva sobre si – satisfazer as necessidades sociais de grupos humanos paleolíticos – então uma suposição de sua inerente confiabilidade é pelo menos plausível. Estender tal suposição mais além é pura imprudência. Nada na linguística suporta a selvagem hipótese de que este código, desenvolvido pouco a pouco para a coordenação social de primatas, é necessariamente adequado aos desafios cognitivos modernos. A gramática não é uma boa epistemologia. Os matemáticos abandonaram a ‘linguagem natural’ inteiramente. Presumir que a linguagem nos permite pensar é um salto de fé. A desconfiança radical é o padrão mais rigoroso.

Promover a ‘clareza’ enquanto um ideal óbvio, que não precisa de qualquer justificação a mais, é uma exigência de que a linguagem – como tal – possa ser confiada, de que ela seja competente para todas as tarefas comunicativas razoáveis e de que a ‘razão’ possa ser definida de uma maneira que torne esta afirmação tautológica (tal definição é eminentemente tradicional). “Eu lhe dou minha palavra” de que a linguagem não está predisposta à enganação – nenhum investigador pensativo jamais se encontrou de acordo com tal alegação. Vocabulários são retardo, e a gramática, quando é mais do que um jogo, é uma mentira. A linguagem é boa apenas para jogos de linguagem, e, entre estes, os jogos de confiança são os mais irremediavelmente estúpidos.

Não há nenhuma obrigação geral de se escrever a fim de atacar a linguagem, mas é isto que Xenosistemas faz e continuará a fazer. A língua não é um transportador neutro de infinitas possibilidades comunicativas, mas uma caixa de inteligência. Ela deve ser contada entre as armadilhas a serem escapadas. Ela é um alvo da Saída – e a saída é difícil.

Original.

Exterioridade

Em um universo alternativo, em que não houvesse ninguém além de Michael Anissimov e eu brigando pela identidade da Neorreação, eu iria propor uma distinção entre ‘NRx Interna’ e ‘Externa’ como o eixo mais apropriado de fissão. Naturalmente, neste universo real, tal dimensão secciona um rico tecido de nós, tensões e diferenças.

Para a facção interna, uma identidade essencial firmemente consolidada é a ambição central. (Vale a pena notar, contudo, que uma relação ainda não interrogada com o transhumanismo parece não menos problemática, em princípio, do que a relação vastamente mais ferozmente contestada com o libertarianismo demonstrou ser.) A NRx Interna, enquanto micro-cultura, se modela sobre um estado protegido, no qual o pertencimento é sagrado, e as fronteiras, rigorosamente policiadas.

A NRx Externa, definida primariamente pela Saída, se relaciona com aquilo de que escapa. Ela é refúgio e periferia, mais do que um núcleo substituto. Ela jamais espera governar o que quer que seja (acima do nível mais microscópico de realidade social e aí sob nomes bastante diferentes.) O Patchwork é para ela um conjunto de opções e oportunidades de alavancagem, em vez de um menu de lares potenciais. Ela é intrinsecamente nômade, incerta e micro-agitadora. Sua cultura consiste de afastamentos dos quais ela não se arrepende. (Embora nem remotamente globalista, ela é inequivocamente cosmopolita – com o entendimento de que o ‘cosmo’ consiste de chances para cisão.)

A NRx Exterior tende a gostar de libertários, pelos menos daqueles com uma forte persuasão de direita, e o portal que permitiu que ela estivesse fora do libertarianismo é a zona ideológica à qual ela gravita. Deixar o libertarianismo (pela direita) fez dela o que ela é e continua a nutri-la. O ‘entrismo’ – como foi frequentemente observado – não é uma ansiedade significante para a NRx Exterior, mas bem mais um estímulo e, em sua forma mais aguda, uma provocação intelectual bem-vinda. Não são os espertalhões refugiados do PZA que ameaçam a reduzir sua exterioridade e colocá-la de volta em uma armadilha.

O Lado de Fora é o ‘lugar’ da vantagem estratégica. Ser jogado lá fora não é causa para nenhuma lamentação, nem um pouco.

Original.

Premissas da Neorreação

Patri Friedman é tanto extremamente inteligente quanto, para este blog entre outros na ‘sfera, altamente influente. Então, quando ele nos promete “um iluminismo sombrio mais politicamente correto” (“adicionando anti-racismo e anti-sexismo à minha controversa nova posição pró-monogamia”), isso é uma coisa. Acentua preocupações sobre ‘entrismo’ e entropia ideológica, levando a algumas respostas pensativas tais como esta (de Avenging Red Hand).

Michael Anissimov antecipou isto em um post em More Right sobre as ‘Premissas do Pensamento Reacionário’, que começa: “Fazer progresso em qualquer área de empenho intelectual requer conversa entre aqueles que concordam com premissas básicas e a exclusão daqueles que não concordam”. (O comentário de Cathedral Whatever também vale bem a pena uma olhada.) As cinco premissas originais de Anissimov, subsequentemente atualizadas para seis (com uma nova #1 adicionada) são:

1. As pessoas não são iguais. Elas nunca serão. Rejeitamos a igualdade em todas as suas formas.
2. A direita está certa e a esquerda está errada.
3. A hierarquia é basicamente uma boa ideia.
4. Os papéis sexuais tradicionais são basicamente uma boa ideia.
5. O libertarianismo é retardado.
6. A democracia é irremediavelmente falha e precisamos acabar com ela.

Estes ‘artigos’ neorreacionários merecem uma resposta em detalhada, mas neste ponto eu simplesmente avançarei uma lista alternativa, na expectativa de que ainda outras versões estarão por vir no futuro próximo, fornecendo uma referência para a discussão. Meu objetivo (condizente com o conselho de ARH) é a economia, afinada através da abstração, no interesse da sustentação da diversidade produtiva. Minimamente, afirmamos:

1. A democracia é incapaz de controlar o governo. Com esta proposição, a possibilidade efetiva de uma direita mainstream é negada. Na medida em que qualquer movimento político retenha sua fidelidade ao mecanismo democrático, ele conspira com a catraca da expansão governamental e, assim, essencialmente se dedica a fins esquerdistas. A porta de entrada do Libertarianismo para a Neorreação se abre com este entendimento. Como corolário, qualquer política imperturbável pelo estatismo expansionista não tem qualquer razão para se desviar para dentro do caminho neorreacionário.

2. O igualitarismo essencial à ideologia democrática é incompatível com a liberdade. Esta proposição é parcialmente derivada da #1, mas se estende mais além. Quando elaborada historicamente, e cladisticamente, ela se alinha com a teoria Cripto-Calvinista da evolução política Ocidental (e depois Global). A crítica que ela anuncia intercepta significantemente os rigorosos achados da BDH. As conclusões extraídas são primariamente negativas, ou seja, elas suportam uma rejeição, baseada em princípios, da política igualitária positiva. A hierarquia emergente é pelo menos tolerada. Modelos mais assertivos e ‘neofeudais’ da hierarquia social ideal são devidamente controversos dentro da Neorreação.

3. As soluções sócio-políticas neorreacionárias são, em última análise, baseadas em Saída. Em todos os casos, a saída deve ser defendida contra a voz. Nenhuma sociedade ou instituição social que permite a livre saída está aberta a qualquer crítica politicamente eficiente adicional, exceto àquela que a própria seleção sistemática de saída aplica. Dada a ausência de tirania (isto é, livre saída), todas as formas de protesto e rebelião devem ser consideradas perversões esquerdistas, sem direito a proteção social de nenhum tipo. O governo, de qualquer forma tradicional ou experimental, é legitimado a partir do lado de fora – através da pressão de saída – em vez de internamente, através da capacidade de resposta à agitação popular. A conversão da voz política em orientação à saída (por exemplo, revolução em secessionismo), é a principal característica da estratégia neorreacionária.

Da perspectiva deste blog, nenhuma premissa além dessas – não importa o qual amplamente endossada dentro da Neorreação – é verdadeiramente básica ou definidora. A resolução de disputas elaboradas é remetida, em última análise, à geografia dinâmica, e não à dialética. É o Lado de Fora, trabalhando através da fragmentação, que rege, e nenhuma outra autoridade tem legitimidade.

[Se alguém perguntar “Como esse post de repente pulou do ‘Iluminismo Sombrio’ para ‘Neorreação’?”, minha resposta é “Bom ponto!” (mas um para uma outra ocasião).]

Original.

DPP e r/K

Categorização ideológica é a astrologia da política, no sentido de que agrada à insaciável fome de identidade. Este post ainda mantém um recorde diário de tráfego aqui, o que provavelmente não é inteiramente devido às pessoas procurando seus signos estelares políticos, mas tampouco é, em sua maior parte, por outras razões. Novas abordagens ao espectro Esquerda-Direita – a Dimensão Política Primária – prometem chaves-mestras para os segredos da opinião de cerna identitário.

Dada a natureza bastante absurdamente competitiva do terreno, há algo verdadeiramente notável sobre a simplicidade e persuasão deste modelo da DPP, baseado na distinção biológica entre estratégias de seleção r/K. A aplicação desta distinção aos humanos é – eu confiantemente assumo – radioativamente controversa. Seu uso como ferramenta conceitual para colapsar a ideologia em um eixo de Diversidade Biológica Humana é, portanto, indubitavelmente vergonhoso. (Este trigger-warning provavelmente não vai agir tanto como um dissuasor aqui.)

A teoria do ‘Anonymous Conservative’ faz as coisas mais importantes esperadas de um modelo da DPP. Em particular, ele fornece uma explicação para os aglomerados polarizados de traços ‘liberais’ e ‘conservadores’, que frequentemente se provaram altamente resistentes à integração reflexiva. Por que anti-capitalismo, pacifismo e lassidão sexual deveriam caminhar juntos? Quando agrupados enquanto expressões de uma estratégia de tipo r, este pacote de predisposições ideológicas aparentemente desconexas se firmam em um todo intuitivamente coerente.

Digno de menção especial é o mapeamento da diferença ideológica às condições ambientais. A estratégia de tipo r (‘liberal’) é uma resposta a condições de abundância de recursos, contra a adaptação do tipo K (‘conservadora’) à escassez. Quando acrescido de algumas suposições modestas sobre os efeitos da predominância do tipo r sobre a persistência da Civilização, o modelo r/k da DPP automaticamente gera uma história cíclica de ascensão e declínio social (através de um mecanismo biorrealista de abundância-decadência). A estrutura trágica esmagadora de esperanças certamente apelará às sensibilidades reacionárias.

A predição deste blog: Esta é uma teoria (e livro)que irá longe. Você pode ler o primeiro capítulo aqui.

Original.

Vingança dos Nerds

Cada vez mais, há apenas dois tipos humanos básicos que populam este planeta. Há nerds autistas, que sozinhos são capazes de participar efetivamente nos processos tecnológicos avançados que caracterizam a economia emergente, e há todas as outras pessoas. Para todas as outras pessoas, esta situação é desconfortável. Os nerds estão continuamente encontrando maneiras de fazer todas as coisas que as pessoas ordinárias e sub-ordinárias fazem, de maneira mais eficiente e econômica, programando máquinas. Apenas os nerds têm qualquer entendimento de como isto funciona e, – até que inteligências de máquina generalizadas cheguem para lhes fazerem companhia – apenas eles saberão. As massas sabem apenas três coisas:
(a) Elas querem as coisas legais que os nerds estão criando
(b) Elas não têm nada de muito para oferecer em troca
(c) Elas não estão nem remotamente felizes sobre isso.

A política por todo o espectro está sendo rasgada pela fissão socioeconômica. De Neo-Marxistas a Neorreacionários, há uma compreensão razoavelmente lúcida de que a competência nerd é o único recurso econômico que ainda importa muito, ao passo que o túrgido agravo da preponderante humanidade que fica obsoleta é um irresistível imã de adulação. O que fazer? Conquistar os nerds e governar o mundo (a partir do back-end maquínico)? Ou fazer demagogia com as massas e cavalgar seu tsunami de ressentimento até o poder político? Ou defender os nerds contra as massas, ou ajudar as massas a colocar os nerds em seu lugar. Este é o dilema. O palavrório vazio sobre ‘terceira via’ pode ser esperado, como sempre, mas a agenda real será Booleana e insultantemente fácil de decodificar.

Olhe e é inequívoco, em todo lugar. A assimetria é especialmente notável.

Para os nerds autistas, as relações sociais que importam são aqueles entre si mesmos – as redes produtivas que são seu modelo para a fase final da cultura humana em geral – junto com as conexões cada vez mais intricadas em que eles entram com as máquinas tecnológicas. De basicamente todas as outras pessoas – sejam garotas psico-sadistas, ou turbas extrativas e políticos tiranos – eles não esperam nada, exceto tortura social, parasitismo e bullying, misturados com alguns serviços subalternos que as máquinas de amanhã farão melhor. Sua tendência é encontrar uma maneira de escapar.

Para o resto da humanidade, exposta cada vez mais claramente como um tipo de detrito carente, bullying é tudo que resta. Se não conseguirem encontrar uma maneira de embolsar o dinheiro do almoço dos nerds, não vão conseguir nada para comer. Desta perspectiva, um nerd que escapa é bem mais uma agressão intolerável do que a bota de um policial nos dentes. Há apenas uma política popular no fim da estrada, e esta é enjaular os nerds. Encontre uma formulação para isto que soe tanto convincente quanto meio-quase razoável, e o tapete vermelho para o poder é estendido aos seus pés.

Qual vai ser? Matar de fome as massas ou escravizar os nerds? Não tem jeito disto não ficar incrivelmente feio.

Da perspectiva deste blog, a via expressa para o realismo sobre tudo isso é parar de fingir que alguém além dos nerds tem qualquer coisa de muito para oferecer ao futuro. (Completamente desprovidos de competências autistas nerds nós mesmo, o desapego do qual falamos é impecável.) Este duro atalho realista eliminar todo o desperdício de tempo em coisas ‘especiais’ que não-nerds podem fazer – que, de alguma forma, sempre acabam estando intimamente relacionadas à tarefa da governança (e isso, como vimos, se reduz, em última análise, a intimidar os nerds). “OK, você não é um nerd, mas você é especial.” Todos já ouvimos isto antes.

Mesmo sem ser um nerd autista, pode-se ser dotado de alguma medida modesta de inteligência – o suficiente, em todo caso, para perceber: “A história está se moldando em uma narrativa torturante de vingança dos nerds.” Não é necessário nem uma superinteligência artificial para entender por quer isso deveria ser assim.

Original.