Reinicialização Forçada

Conforme a mídia inteligente começa a se interligar com a NRx de uma maneira séria, o problema fundamental que ela representa emerge cada vez mais nitidamente à vista. Compare a análise sobre Moldbug neste artigo de tecnologia de Clark Bianco, resolutamente focado no Urbit (e seus substratos), com a crítica político-econômica de Adam Gurri da ‘tecnocracia’ e transformação moldbuggiana. Contundentemente, as questões tecnológica e política são indistinguíveis. Em ambos os casos, a questão central é a praticidade de uma ‘reinicialização forçada’, ou começar de novo.

Repetindo e respondendo a um ponto em sua própria área de comentários, Bianco observa:

“Se você começar procurando uma maneira de substituir nosso atual sistema de nomeação de redes centralizado, hierárquico e com identidades públicas por um serviço de identidade parecido com o Bitcoin, descentralizado, anônimo-mas-confiável, você poderia bem acabar na estrada que leva ao Urbit.”

Estamos inteiramente com a mesma mentalidade sobre a orientação geral aqui.

As coisas neo-reacionárias no Urbit, que parecem ser decoração, não são. Esse é todo o ponto.

Não vou tentar processar este tópico agora – é vasto demais. Ao longo dos próximos meses, contudo, ele será um fio guia. Mais proeminentemente: Um engajamento teórico de alto nível com Moldbug, enquanto pensador político e provocador, pode não ser também um emaranhamento com o Urbit e o empreendimento tecnológico? Minha suspeita é que qualquer tentativa dessas de clivagem falharia, ou, pelo menos, ficaria aquém de um nível adequado de abstração. Em particular, qualquer invocação da ‘prática’ política neorreacionária que ignore o projeto consecutivo de reinicializar a maldita Internet corre o risco de desorientação total. (Mais sobre tudo isso por vir.)

(Obrigado ao @mr_archenemy pelo ponteiro para o artigo do Popehat.)

Original.

Re-Aceleracionismo

Existe uma palavra para um ‘argumento’ tão ensopadamente insubstancial que tem que ser recolhido entre um par de aspas para ser apreendido, mesmo em sua auto-dissolução? Se existisse, eu a estaria usando o tempo todo recentemente. Entre as últimas ocorrências está um post do blog de Charlie Stross, que se descreve como “uma especulação política”, antes de desaparecer no gosmenon cinza. Nada nele realmente se mantém, mas é divertido à sua própria maneira, especialmente se for tomado como um sinal de alguma outra coisa.

A ‘outra coisa’ é uma cumplicidade subterrânea entre a Neorreação e o Aceleracionismo (o último linkado aqui, no estilo de Stross, em sua forma mais recente e Esquerdista). Comunicando-se com seu companheiro ‘Martelo da Neorreação’ David Brin, Stross pergunta: “David, você já se deparou com o equivalente esquerdista dos Neo-Reacionários – os Aceleracionistas?” Ele então continua, convidativamente: “Eis aqui minha (irreverente) opinião sobre ambas as ideologias: Singularitários trotskistas pelo Monarquismo!”

Stross é um romancista cômico-futurista, então é irrealista esperar muito mais do que uma diversão dramática (ou qualquer coisa mais que seja, na verdade). Depois de um divertido meandro por entre as partes do grafo social trotskista-neolibertário, que poderia ter sido depositado em uma curva de tipo tempo saindo de Singularity Sky, aprendemos que o Partido Comunista Revolucionário Britânico tem estado em um estranho caminho, mas qualquer conexão que houvesse com o Aceleracionismo, quanto mais com a Neorreação, se perdeu inteiramente. Stross tem o instinto teatral de acabar com a performance antes que ela se tornasse embaraçosa demais: “Bem-vindos ao século dos monarquistas trostskistas, dos reacionários revolucionários e da política extremista do paradoxal!” (OK.) A cortina se fecha. Ainda assim, tudo foi comparativamente bem humorado (pelo menos em contraste com o bate-cabeça cada vez mais raivoso de Brin).

A Neorreação é o Aceleracionismo com um pneu furado. Descrita de maneira menos figurativa, ela é o reconhecimento de que a tendência de aceleração é historicamente compensada. Além da máquina de velocidade, ou capitalismo industrial, há um desacelerador cada vez mais perfeitamente pesado, que gradualmente drena o impulso tecno-econômico para dentro de sua própria expansão, conforme ele retorna o processo dinâmico à meta-estase. Comicamente, a fabricação deste mecanismo de freio é proclamada como progresso. É a Grande Obra da Esquerda. A Neorreação surge como resultado de nomeá-la (sem afetação excessiva) como a Catedral.

A armadilha deve ser explodida (como advogado pelo Aceleracionismo) ou a explosão foi presa (como diagnosticado pela Neorreação)? – Esta é a casa do enigma cibernético sob investigação. Um esboço rápido do pano de fundo poderia ser útil.

O catalisador germinal para o Aceleracionismo foi um chamado, no Anti-Édipo de Deleuze & Guattari, para se “acelerar o processo”. Trabalhando como cupins dentro da mansão em decomposição do Marxismo, que foi sistematicamente eviscerada de todo hegelianismo até se tornar algo totalmente irreconhecível, D&G veementemente rejeitaram a proposta de qualquer coisa jamais tivera “morrido de contradições”, ou jamais iria. O capitalismo não nasceu de uma negação, tampouco iria ele perecer de uma. A morte do capitalismo não poderia ser entregue pelo machado do carrasco de um proletariado vingativo, porque as aproximações realizáveis mais próximas do ‘negativo’ eram inibitórias e estabilizantes. Longe de propelir ‘o sistema’ a seu fim, elas reduziam a dinâmica a um simulacro de sistematicidade, retardando sua aproximação de um limite absoluto. Ao progressivamente comatizar o capitalismo, o anti-capitalismo o arrastava de volta a uma estrutura social de auto-conservação, suprimindo sua implicação escatológica. O único caminho Para Fora era adiante.

O Marxismo é a versão filosófica de um sotaque parisiense, um tipo retórico, e, no caso de D&G, ele se torna algo semelhante a um sarcasmo superior, zombando de cada princípio significativo da fé. A bibliografia de Capitalismo e Esquizofrenia (do qual Anti-Édipo é o primeiro volume) é um compêndio de teoria contra-Marxista, desde revisões drásticas (Braudel), passando por críticas explícitas (Wittfogel), até rejeições desdenhosas (Nietzsche). O modelo de capitalismo de D&G não é dialético, mas cibernético, definido por um acoplamento positivo de comercialização (“decodificação”) e industrialização (“Desterritorialização”), tendendo intrinsecamente a um extremo (ou “limite absoluto”). O capitalismo é a instalação histórica singular de uma máquina social embasada em escalação cibernética (feedback positivo), se reproduzindo apenas incidentalmente, como um acidente na contínua revolução socio-industrial. Nada exercido contra o capitalismo pode se comparar ao antagonismo intrínseco que ele dirige à sua própria atualidade, confirme ele acelera para fora de si, arremessando-se ao fim já operacional ‘dentro’ dele. (Claro, isto é loucura.)

Uma apreciação detalhada do “Aceleracionismo de Esquerda” é uma piada para uma outra ocasião. “Falando em nome de uma facção dissidente dentro do mecanismo de freio moderno, nós realmente gostaríamos de ver as coisas progredirem muito mais rápido.” OK, talvez possamos trabalhar em alguma coisa… Se isso ‘levar a algum lugar’, só pode ficar mais divertido. (Stross está certo sobre isso.)

A Neorreação tem um ímpeto bem maior e uma diversidade associada. Se reduzida a um espectro, ela inclui um ala ainda mais Esquerdista que a Esquerda,uma vez que critica a Catedral por falhar em parar a loucura da Modernidade com nada parecido com o vigor suficiente. Você deixou este monstro sair da coleira e agora não consegue pará-lo poderia ser sua acusação característica.

Na Direita Exterior (neste sentido) se encontra um Re-Aceleracionismo Neorreacionário, o que é dizer: uma crítica do desacelerador, ou da estagnação ‘progressista’ enquanto desenvolvimento institucional identificável – a Catedral. Desta perspectiva, a Catedral adquire sua definição teleológica a partir de sua função emergente enquanto cancelamento do capitalismo: o que ela tem que se tornar é o negativo mais ou menos precisa do processo histórico primário, de tal modo que componha – junto com a cada vez mais extensa sociedade em liquidação que ela parasita – um mega-sistema cibernético metastático, ou armadilha super-social. ‘Progresso’, em sua encarnação manifesta, madura, ideológica, é a anti-tendência necessária para levar a história à imobilidade. Conceba o que é necessário para impedir a aceleração até a Singularidade tecno-comercial, e a Catedral é o que isso será.

Aparatos compensatórios auto-organizantes – ou montagens de feedback negativo – se desenvolvem de maneira errática. Eles buscam equilíbrio através de um comportamento típico rotulado ‘caça’ – ajustes ultrapassantes e re-ajustes que produzem padrões ondulatórios distintivos, garantindo a supressão da dinâmica de fuga, mas produzindo volatilidade. Esperar-se-ia que um comportamento de caça da Catedral de suficiente crueza gerasse ocasiões de ‘Singularidade da Esquerda’ (com subsequentes ‘restaurações’ dinâmicas) como ultrapassagens inibitórias de ajuste para um travamento (e reinicialização) do sistema. Mesmo estas oscilações extremas, contudo, são internas ao super-sistema metastático que elas perturbam, na medida em que um gradiente geral de Catedralização persiste. Antecipar a escapada no limite péssimo do ciclo de caça metastático é uma forma de ilusão paleo-marxista. A jaula só pode ser rompida no caminho para cima.

Para a Neorreação Re-Aceleracionista, a escapada para dentro da fuga cibernética descompensada é o objetivo guia – estritamente equivalente à explosão de inteligência, ou Singularidade tecno-comercial. Tudo o mais é uma armadilha (por necessidade definitiva da dinâmica do sistema). Pode ser que monarcas tenham algum papel a desempenhar nisso, mas não está de maneira alguma óbvio que eles tenham.

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Doctor Gno II

O Kokomo pretende ser uma espécie de base domiciliar, aonde viajantes entusiastas podem ir em seus helicópteros e barcos – ou iates submersíveis. A Migaloo também tem um conceito para um híbrido iate-submarino no qual os super-vilões provavelmente mal podem esperar para colocarem suas mãos. Sério, esta companhia está nos inspirando a inventar tantos enredos de filme. (Fonte.)

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Da ABC: “Chega de ficar preso em um único lugar. Esta ilha privada flutua. …A ilha – que contará com uma cobertura, deck de selva com cascata e uma área refeições ao ar livre – seria a primeira no mundo a operar com sua própria energia, de acordo com a companhia. …A inclusão de jardins verticais, palmeiras e mesmo uma estação de alimentação de tubarões ‘adicionam elementos mais naturais à ilha náutica’, de acordo com a companhia.”

Tecnologias de saída vão ser difíceis de parar.

A segurança mais forte ainda precisa de algum trabalho, motivo pelo qual o tema de Vilão do Bond surge tão previsivelmente. A capacidade de dissuasão no nível inter-estatal só pode ser uma questão de tempo. Para citar o feiticeiro secreto do basilisco neorreacionário, Eliezer Yudkowsky: “A cada dezoito meses, o QI mínimo necessário para destruir o mundo cai em um ponto”. Então, tudo que é necessário é paciência.

O Doctor Gno é um tipo frio. Ele aguardará calmamente o tempo que for necessário para operacionalizar a estratégia de escape (mas, com sorte, não muito mais tempo).

“Alimentar tubarões” ou jogar pessoas para fora de helicópteros – é sequer uma questão?

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Doctor Gno

Uma coisa tem que ser concedida ao artigo sub-adolescente de Pein (casualmente descartado aqui) – ele desencadeou uma agústia interessante. Esta interpretação da Neorreação (tecno-comercial) como vilania de Bond é especialmente notável. Ao contrário de Pein, Izabella Kaminska demonstra pelo menos um pouco de perspicácia genuína. De maneira mais importante, ela se agarra ao Secessionismo do Vale do Silício como um (assustador) projeto criptopolítico, de real significância. Suas referência são excelentes (a história é construída em torno de uma série de slides extraídas desta palestra histórica, de Balaji Srinivasan, intitutlada Silicon Valley’s Ultimate Exit (“A Saída Derradeira do Vale do Silício”, em tradução livre).

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A elegância desse projeto repousa em sua combinação de simplicidade e radicalidade, capturada em elementos essenciais pela fórmula S > V (Saída sobre Voz). Ele avança o prospecto, já em movimento, de uma destruição da política (embasada em voz) através da inovação tecno-comercial de mecanismos de saída. Está começando a deixar os progressistas insanos.

O ponto fundamental não poderia ser mais claro: Não queremos governar vocês. Queremos escapar de vocês.

Claro, toda a agenda da Catedral é levar esta mensagem de volta à ininteligibilidade, ao inundá-la com a tediosa dialética política BDSM esquerdista, como se a questão fosse uma luta por domínio. A este respeito, os memes monarquistas predominantes dentro da NRx desempenham um papel distintivamente amigável aos progs.

Entre os slides de Srinivasan, há um com o cabeçalho Um contínuo de abordagens válidas: De ilhas privadas à colonização de Marte. Ele contém a nota: “E a melhor parte disto: as pessoas que pensam que isso é esquisito, que zombam da fronteira, que odeiam tecnologia – elas não vão te seguir lá para fora”.

Os progressistas sabem como argumenter sobre reis (não importa o quão ineptamente). Aquilo com que eles não têm nenhuma ideia de como argumentar – aquilo com o que não se pode argumentar – é a fuga.

O Secessionismo do Vale do Silício é o melhor campo de batalha que temos.

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Nota Fragmentada (#13)

Sim, o artigo da Baffer foi comicamente ruim. O título lhe diz tudo que você precisa saber sobre o nível de seu tom. Aparentemente, a NRx tem sede em São Francisco e Xangai porque ela odeia pessoas asiáticas, mas se ela apenas lesse um pouco de Rawls (e “desempenhasse o papel do camponês”), ela poderia se ajustar. Nydrwracu tem a resposta mais apropriada. Mike Anissimov se dá ao trabalho de fazer uma análise decente. Os breves comentários de Klint Finley sobre ele são bem melhores que o próprio artigo. Estereótipos crus triunfam novamente: “The Baffler Foundation Inc., P.O. Box 390049, Cambridge, Massachusetts 02139 USA”.

A construção sociológica da neorreação foi incompetente, mas de maneira interessante. Inteiramente tecno-comercialista em orientação, com uma ênfase no Vale do Silício, ela se estendeu para incluir Justine Tunney, Balaji Srinivasan, Patri Friedman e Peter Thiel. O quadro que ela pinta borra, de uma elite tecnológica americana se descolando para dentro da neorreação, não é muito convincente, mas por certo é extraordinariamente atraente.

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Provavelmente vale a pena ser explícito sobre o fato de que, para a variedade tecno-comercial da NRx, o modelo de ação é o que as companhias de tecnologia avançada fazem. O clamor por ‘ação’ está sempre se levantando em nossa sombria comunidadezinha, com a implicação que a única alternativa para algum tipo de preparação de golpe é tweetar sobre metafísica. Na verdade, a alternativa à politickagem é fazer coisas ou – secundariamente – operar uma interferência ideológica em nome daqueles que são capazes de fazer coisas.

Os problemas páticos da governança policêntrica estão rapidamente se tornando inextricáveis da tecnologia emergente – criptosistemas de blockchain mais proeminentemente. A ideia de que a vanguarda da ação efetiva vai ser encontrada fora da esfera da inovação tecnológica já é claramente insustentável. Qualquer tipo de ‘ação social’ que não contribua bastante diretamente para a criação de maquinário autonomizante precisa ser firmemente desencorajada, uma vez que é quase certamente inibitória em efeito. (“Bastante diretamente” significa dentro de dois ou três passos inteligíveis, no máximo.)

O principal papel (positivo) de intelectuais não-tecnológicos é manter os intelectuais fora do poder. O principal papel (positivo) das multidões é se envolver em tão pouca ação quanto possível. Se você não é Satoshi Nakamoto, a simples realidade da situação é que – no grande esquema das coisas – você não importa muito, nem deveria. (E, quanto menos parecido com Satoshi Nakamoto você for, menos você importa.)

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Este blog novo está trabalhando duro para elevar o nível da discussão. O fato de que ainda é tão difícil dizer aonde ele está indo é um forte ponto a seu favor.

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Estranheza.

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Evola está começando a assustar as pessoas. Talvez alguém que saiba seu caminho em torno deste material pudesse ajudar a esclarecer um fonte de confusão: O fatalismo histórico de Evola não é o exato oposto de um ‘chamado à ação’? Como, então, a estirpe evolana da NRx ficou tão firmemente associada com a exortação ativista?

ADICIONADO: Mais críticas vinda dos comunistas. (A NRx como “quadros de apirantes [do Vale do Silício] a Führers do pensamento… trabalhando em novas teorias de Darwinismo Social racista, reforçadas pelas moda do Malthusianismo entre os superricos”.) Seria útil se eles conseguissem fazer sua guerra de classes funcionar, uma vez que era aceleraria a corrida para as saídas, mas de certa forma duvido que são capazes disso.

ADICIONADO: Corey “eu não gosto de comentários” Pein posta algumas resposta ao seu artigo (d.m.).

ADICIONADO: A melhor ‘crítica’ até o momento.

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À Beira da Loucura

Uma incitação de @hugodoingthings a se explorar as criptas densa de fantasmas do Basilisco de Roko (que, inexplicavelmente, nunca pegou antes) levou direto a este cativante relato na RationalWiki. Todo o artigo é excitante, mas o seguintes pequenos parágrafos se destacam por sua extraordinário intensidade dramática:

O basilisco de Roko é notável por ter sido completamente banido das discussões no LessWrong, onde qualquer menção a ele é deletada. Eliezer Yudkowsky, fundador do LessWrong, considera que o basilisco não funciona, mas não explica por quê, pois não considera que a discussão aberta sobre a noção de comércio acausal com possível superinteligências seja demonstravelmente segura.

Super-extrapolações bobas de memes, jargões e conceitos locais são bastante postados no LessWrong; quase todas apenas recebem votos negativos e são ignoradas. Mas a esta, Yudkowsky reagiu a ela imensamente e depois redobrou sua reação. Graças eu efeito Streisand, discussões sobre o basilisco e os detralhes sobre o caso logo se espalharam para fora do LessWrong. Na verdade, ele agora é frequentemente discutido fora do LessWrong, em quase qualquer lugar em que o LessWrong sequer seja discutido. Todo o caso constitui um exemplo real de um falha espetacular de gerenciamento comunitário e controle de informações supostamente perigosas.

Algumas pessoas familiares com o memeplexo do LessWrong sofreram distúrbios psicológicos graves após contemplarem ideias afins à do basilisco – mesmo quando elas estavam razoavelmente seguras intelectualmente de que ele é um problema bobo. A noção é levada suficientemente a sério por alguns postadores do LessWrong para que eles tentem descobrir como apagar evidências de si mesmos, de modo que uma futura IA não possa reconstruir uma cópia deles para torturar.

“…Quer dizer, uma infiltração retrocrônica de IAs está realmente deixando as pessoas loucas, agora mesmo?”. Ah, sim. No Less Wrong, o comentador ‘rev’ clama por ajuda:

Existe algum mecanismo neste site para lidar com questões de saúde mental desencadeadas por posts/tópicos (especificamente, o post proibido do Roko)? Eu realmente apreciaria que qualquer postador interessado entrasse em contato por MP para uma conversa. Eu não realmente sei a quem recorrer. …

Vagando pela ala psiquiátrica, passando por fileiras de Tiras Turing neurologicamente destruídos, violados no fundo de suas mentes por algo indizível vindo até eles do futuro próximo… Estou completamente viciado. Alrenous foi notavelmente bem sucedido em me desmamar desse lixo de ontologia estatística, mas uma dose de EDT concentrada, e volta tudo de novo, como a maré do destino.

Pesadelos se tornam peças de máquina projetadas com precisão. Desta forma, somos conduzidos um pouco mais ao fundo, ao longo do caminho das sombras…

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Plutocracia

A entrada da Wikipédia sobre Plutocracia começa:

Plutocracia (do grego πλοῦτος, ploutos, significando “riqueza”, e κράτος, kratos, significando”poder, domínio, governo”), também conhecida como plutonomia ou plutarquia, define uma sociedade ou um sistema governado e dominado pela pequena minoria dos principais cidadãos mais ricos. O primeiro uso conhecido do termo foi em 1652. Ao contrário de sistemas como democracia, capitalismo, socialismo ou anarquismo, a plutocracia não está enraizada em uma filosofia política estabelecida e não tem quaisquer defensores formais. O conceito de plutocracia pode ser defendido pelas classes ricas de uma sociedade de uma maneira indireta ou sub-reptícia, embora o termo em si seja quase sempre usado em um sentido pejorativo

Com convém ao territória teórico virgem, esta definição provoca alguns pensamentos bruscamente cortados.

(1) Assumindo, não irrealisticamente, que Plutocracia designa algo além de uma ideia fantástica, fica imediatamente óbvio que sua identificação como um tipo de regime político quase inevitavelmente enganará. O pode plutocrático não começa na arena política, e sua expressão política provavelmente não captura sua natureza rapidamente. Na medida em que a imagem de um ‘governo plutocrático’ associa a plutocracia a uma conspiração, ela não é só insensível ao fenômeno real, mas positivamente falsificadora.

(2) Se existiram plutocratas dignos do nome, eles foram os ‘Barões Gatunos’ na América do meio ao final do século XIX. O progressismo reescreveu tão completamente a história deste período que é difícil, hoje, apreciar o que ocorreu. A destruição de sua época foi não menos fundamental para o que se seguiu do que a decapitação ideológica dos reis foi para a era subsequente de governo popular.

(3) Plutocratas eram monopolistas porque criaram estruturas industriais inteiramente novas, mais ou menos a partir do zero. Seu monopolismo era o governo efetivo do novo e demonstravelmente alcançado. Não havia nenhuma ‘indústria do petróleo’ antes de John D, Rockerfeller trazer uma à existência – fazê-la existir foi a fundação de sua soberania econômica.

(4) Entre os plutocratas, o que é, na verdade, dizer entre os soberanos de setores industriais distintos, as relações eram ultra-competitivas, em uma medida sem precedentes na história. A concorrência intra-setorial, do tipo considerado normal pelos teóricos de mercado influenciados pelo progressismo, foi dramaticamente ofuscada pela concorrência inter-setorial dos plutocratas. (Conceber a concorrência econômica ‘normal’ como uma dinâmica restrita ao domínio de mercadoria intercambiáveis já é sucumbir à domesticação progressista-estatista.)

(5) Os plutocratas faziam guerra econômica por toda esfera de produção, inovando oportunidades para a competição onde estas já não eram evidentes. Abrir novas frentes de conflito econômica onde elas ainda não existiam esteve entre os mais profundos motores da mudança dinâmica e radicalmente transformadora. O conflito econômico plutocrático criava competição. (Rockefeller inventou o oleoduto para competir com as ferrovias – uma manobra de flanqueamento que não era previsível, estava fora do conflito em processo.)

(6) Plutocratas exemplificam o direito natural ao governo na modernidade. Seu direito é natural porque é ganho – ou verdadeiramente demonstrado – um fato que nenhum monarca ou multidão pode equiparar. Dentro da plutocracia, poder é criação. Fora dos dogmas da teologia, isto pode ser ilustrado em algum outro lugar?

Original.