Anarquia na NRx

Arthur R. Harrison (@AvengingRedHand) faz a observação incisiva: “Bem, a coisa é que a NRx é um tipo específico de pós-libertarianismo, ou era. Agora parece ser apenas um nome para a reação pós-Moldbug”. Poderiam existir pessoas que não vêem isso como uma degeneração. Na verdade, parece que existem.

O reactotwitter está se balançando em puro delírio (como *ahem* previsto) Para começar, ele parece não concordar mais sobre com o que ele começa:

evola tem uma patente maior que moldbug. as realizações e credenciais do primeiro são bem superiores.

— michael anissimov (@mikeanissimov) february 17, 2014

(Não no meu exército.)

É hora de escolher sua própria tradição e estampar um adesivo NRx nela. Alguém está vislumbrando quaisquer limites para isto:

Então a NRx é uma anarquia amorfa dizendo ao mundo como se colocar em ordem? Na verdade, eu acho que isto provavelmente está certo, e é teoricamente interessante, mas certamente é algo sobre o que precisa-se pensar. Como imaginavelmente pode haver uma ameaça de ‘entrismo’ quando o controle de comendo é um caos fervilhante? O que este exemplo de desordem radical sugere?

Eis aqui o anarco-caos da NRx já vazando pelo ladrão:

@mikeanissimov @anarchopapist @outsideness i respect moldbug, but he is one of many. we all have our voice – we can and should add our ideas

— anti democracy blog (@antidemblog) february 18, 2014

Todo mundo tem uma voz, e nós respeitamos isso… não, espera…

[Algumas pistas intrigantes em outros lugares do twitter de que o Urbit poderia eventualmente resolver esta gritante insanidade.]

ADICIONADO: Occam’s Razor coloca as coisas em uma perspectiva sensata.

Original.

O Desvendamento

Uma democracia não pode sobreviver como forma permanente de governo. Ela só pode durar até que seus cidadãos descubram que eles podem votar benesses para si mesmos vindas dos cofres públicos. Deste momento em diante, a maioria (que vota) votará nos candidatos que prometam os maiores benefícios vindos do erário público, com o resultado de que uma democracia sempre colapsará por conta de políticas ficais relaxadas, sempre seguidas por uma ditadura. – Macaulay [ou a ‘Calúnia de Tytler‘ (obrigado Matt)]

Do Urban Dictionary, Democracia:

1) Um sistema comum de governo, dirigido pelos caprichos das massas e marcado por uma baixa tolerância a direitos humanos básicos e ao senso comum; primariamente usado para se transicionar, de maneira incremental, de um governo regrado pelo direito comum (República) para um governo regrado pela lei política de uma pequena elite (Oligarquia).

Conforme o declive continua, o entendimento perene do estadismo anti-demótico (e compreensão iniciadora da nova reação) parece estar ficando mainstream. Alex Berezow escreve no blog The Compass do Realclearworld:

Têm sido anos duros para a democracia. Apesar disso, os ocidentais sempre parecem assumir que a forma mais altamente evoluída de governo é democrática. O problema com essa noção é que, em algum ponto, a maioria dos eleitores percebem que podem votar em políticos que lhes prometam mais coisas, independente de se é uma boa política ou financeiramente sustentável, ou não. E, uma vez que isso ocorra, o país está (talvez irreversivelmente) em um caminho para o declínio.

Embora levianamente insubstancial para os padrões de Moldbug (claro), o artigo nunca retira esta premissa inicial e conclui com a sugestão de que o mundo todo poderia, com lucro, aprender da China as artes de inibição da democracia.

[Nota: os dois artigo imediatamente abaixo do de Berezow no site da RCW são ‘Is Cameron’s EU Strategy Unraveling?’ (“A Estratégia de Cameron na EU Está se Desvendando?”) (por Benedict Brogan) e ‘Libya Is Still Unraveling’ (“A Líbia Ainda Está se Desvendando’ (por Max Boot) – apenas notei (conscientemente). Notícias contemporâneas: tudo se desvendando, todo o tempo.]

O ‘mundo pós-democrático’ terá um princípio claro de legitimidade política? O mais elegante, de longe, seria a introdução da comutatividade no slogan da rebelião colonial da Anglosfera: ‘Nenhuma tributação sem representação’.

Nenhuma representação sem tributação restringe a legitimidade àqueles regimes nos quais aqueles que financiam o governo determinam sua estrutura, escopo e política, em proporção direta à sua contribuição. As melhorias que resultariam desta integração dos circuitos de feedback fiscal e eleitoral do Estado são profundas e numerosas demais para se delinear prontamente, mas elas podem ser resumidas em uma única expectativa: uma mudança radical, irreversível e contínua para a direita.

Entre as objeções antecipadas mais óbvias:
(1) Não é prático (Ah sim, apenas horrores são práticos)
(2) É injusto (Para soldados e tiras, talvez, mas os efeitos deletérios da complicação prevalecem sobre os benefícios do nuance moral)
(3) No Ocidente, pelo menos, os plutocratas brâmanes o desfariam na primeira oportunidade (Uma previsão tristemente plausível – talvez nenhum cultura abraâmica seja capaz de sustentar uma ordem social sã e sempre escolherá resolver problemas de policiamento através da expensão do direito ao voto.)

Concedendo todas estas objeções, e mais, o princípio da política fiscal comutativa ainda fornece um serviço muito valioso: ele explica o que deu errado. A hipertrofia representativa destruiu a ordem constitucional moderna, embasada em uma interpretação unilateral da exigência de que o governo seja feito responsável por suas exações. O equilíbrio (comutatividade) poderia muito bem ser inalcançável, mas não é difícil entender o que ele seria.

Original.

Nenhum Caminho para Casa

Segue-se da análise da modernidade socio-política enquanto uma catraca degenerativa que a identificação da deterioração não equivale, em si, a um programa para sua reversão. A vividez deste problema é diretamente proporcional à seriedade com a qual a natureza do tempo, enquanto consideração prática, é abordada. A diferença essencial entre reação e neorreação é adequadamente articulada tão logo esse ponto seja feito.

A ‘orientação ao passado’ é um valor impressivamente defensável (mesmo pelos critérios tecno-comerciais). A ação retro-direcionada, em contraste, é puro erro. Esta é uma ideia óbvia demais para se trabalhar sobre ela. Aqueles que não a entendem escolheram não o fazer.

Ao contrário de muitas controvérsias não resolvidas da neorreação, a tentação de simplesmente retornar, não importa o quão bem intencionada, não merece mais do que condescendência. Neste caso – como em tantos outros – uma imagem vale mais do que mil palavras:

spain-botched-christ1

(clique para ampliar)

Original.

Etno-Cladística

A tese etno-cladística, superficialmente resconstruída aqui a partir do uso neorreacionário de Mencius Moldbug, propões que relações entre sistemas culturais são capturadas por cladogramas em um nível altamente significante de adequação. Os limites a esta tese são estabelecidos por complicações laterais – intercâmbios e modificações que não se conformam com um padrão de descendência ramificada – e estas não são, de forma alguma, negligenciáveis. Não obstante, formações culturais reais são dominadas pela ordem cladística. Como consequência, teorias culturais que assumem a regularidade taxonômica como uma norma são capazes de alcançar aproximações potencialmente realistas e, além disso, de oferecer o único prospecto para a organização rigorosa dos fenômenos etnográficos.

A defesa mais direta e central da tese etno-cladística ignora os sistemas religiosos de nível comparativamente alto que fornecem o material para os argumentos de Moldbug e se volta, em vez disso, para o fenômeno etnográfico raiz: a língua. Línguas simplesmente são culturas em suas características fundamentais, de modo que qualquer abordagem aplicável a elas terá demonstrado sua adequação geral para a análise cultural.

Eu tentaria desenrolar isto de forma melodramática, mas não acho faça realmente qualquer sentido:

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Clique nas imagens para uma exibição em tamanho completo (legível).

indoeuropean

Parece indisputável (para mim) que complicações laterais destes esquemas cladísticos básicos são marginais. Línguas estão naturalmente agrupadas em estruturas ramificadas em forma de árvores que, como aquelas da variedade biológica (metazoária), são simultaneamente explicativas de processos históricos e de parentesco morfológico, já que representam processos evolutivos de especiação sucessiva. A organização dominante é uma hierarquia taxonômica que se conforma à língua formal da teoria dos conjuntos. Os eventos reais capturados por esses esquemas são cismas, cuja relação lógica é aquela do gênero com a espécie. No caso da cultura, assim como com a biologia, o desenvolvimento evolutivo manifesto indica a existência de algum mecanismo hereditário eficiente (cuja unidade de informação replicada é rotulada por Moldbug, entre inúmeros outros, como um ‘meme‘). Sobre este último ponto, vale a pena notar que a classificação taxonômica biológica, e mesmo a genética, precedeu a descoberta bioquímica do DNA – e foi amplamente confirmada, e não perturbada, quando esta descoberta teve lugar. (O meme é uma analogia, mas não uma metáfora.)

A etno-cladística é a esquemática da herança cultural. Apesar da assertividade tratorante deste post, ele não tem a intenção de impedir esforços metódicos dirigidos à subversão deste modelo. Como indicado, tais esforços necessariamente envolverão a elaboração de diagramas laterais (ou ‘rizomáticos’) – um projeto de grande significância intrínseca (e potencial criativo). Processos tecno-comerciais estão fortemente associados com lateralizações deste tipo.

A cultura, contudo, é fundamentalmente herança, e a etno-cladística é a resposta teórica a este fato histórico básico. Esta já é a alegação tácita de Moldbug, que deveria ser incontroversa entre reacionários de qualquer tipo. No cerne do empreendimento neorreacionário está o cladograma.

Original.

Meditações Cladísticas

Neorreacionários têm uma coisa com o Puritanismo. Se esse traço é conceitualmente essencial ou não é uma questão para uma outra hora. O ponto importante, agora, é que ele serve como um marcador cladístico. O que quer que possa ser aquilo em que a neorreação se especie, carrega esse traço como uma indicação de ancestralidade cultural, favoritando o arquivo de código raiz de Mencius Moldbug.

Quando reconstruído como um argumento, o clade moldbuggiano propõem uma espécie de categorização etnográfica em um modelo vagamente darwiniano (e fortemente evolutivo), de acordo com o qual os fenômenos culturais estão logicamente aninhados, na forma de uma árvore, revelando um padrão de descendência. Quando considera um evolucionista darwiniano inglês, que também é um exemplo de progressismo político contemporâneo, Moldbug deixa esse modo de análise explícito:

Minha crença é que o Professor Dawkins não é apenas um ateu cristão. Ele é um ateu protestante. E ele não é apenas um ateu protestante. Ele é um ateu calvinista. E ele não é apenas um ateu calvinista. Ele é um ateu anglo-calvinista. Em outras palavras, ele também pode ser descrito como um ateu puritano, um ateu dissidente, um ateu não conformista, um ateu evangélico, etc, etc.

Esta taxonomia cladística remonta a ancestralidade intelectual do Professor Dawkins até cerca de 400 anos atrás, à era da Guerra Civil Inglesa. Exceto, claro, pelo tema do ateísmo, o cerne do Professor Dawkins é uma combinação notável para as tradições Ranter, Leveller, Digger, Quaker, Quintomonarquista ou qualquer uma das mais extremas tradições dissidentes inglesas que floresceram durante o interregno cromwelliano.

Se houvesse Trinta e Nova Artigos da neorreação, alguma versão adequadamente comprimida deste cladograma constituiria um princípio primário da crença. Entre os galhos logicamente mais atenuados deste esquema, sub-especiados ao limite da definição cladística, se encontra a instância soberana globalmente dominante da modernidade avançada – a Catedral (o inimigo).

Não é surpreendente, portanto, que a ‘questão Puritana’ continue sendo a preocupação central do Iluminismo Sombrio neorreacionário. Isto foi ilustrado com consumada clareza por um artigo postado por J. M. Smith em The Orthosphere, que constesta a genealogia cristã da Catedral, e pelas réplicas subsequentes de descendentes do clade neorreacionário – de convicções religiosas variadas – Jim (aqui), Foseti (aqui) e Nick B. Steves (aqui, aqui e aqui). Foseti reage com um pouco de desconcerto ao enquadramento polêmico do texto de Smith, porque o que ele encontra é um argumento sem discordância:

No The Orthosphere, tem um post com a intenção de argumentar que a Catedral não foi construída por Cristãos. Presumivelmente, o título foi alterado por alguém que não o autor do texto, porque o post habilmente demonstra que cristão de fato construíram a Catedral. Na verdade, o post é recomendado.

O método cladístico contribui significantemente para um entendimento desses relacionamentos. Em particular, é essencial compreender a lógica da nomenclatura taxonômica, que corresponde perfeitamente à genealogia pura, e a reconstrução ideal do parentesco evolutivo. O ponto crucial: Um nome cladístico se refere a tudo que é englobado por uma cisão, especiação ou cisma.

Correndo o risco de uma explicação supérflua, poderia valer a pena ensaiar esta lógica com um exemplo biológico coloquializado (usando descritores taxonômicos familiares ao invés de técnicos). Paleontólogos estão supremamente confiantes de que os anfíbios evoluíram a partir de peixes ósseos e de que os répteis evoluíra a partir dos anfíbios. Isto pode ser formulado, sem perda de informação, como uma série cladística (de ramificações), com os peixes ósseos incluindo os anfíbios que, por sua vez, incluem os répteis. Em outras palavras, enquanto nome cladístico, um ‘peixe ósseo’ descreve uma cisão especiadora inicial a partir de um clade ancestral que – projetada adiante – engloba todas as especiações subsequentes, neste caso anfíbios e répteis. Tanto anfíbios quanto répteis são peixes ósseos. Também o são os mamíferos, símios e seres humanos. Peixe ósseos, enquanto clade, compreende todas as espécies descendentes que tenham uma ancestralidade de peixes ósseos, quer estejam extintas, ainda existam ou ainda estejam por vir. Nada que tenha uma ancestralidade de peixes ósseos, não importa o quão distante, jamais pode deixar de ser um peixe ósseo (o que quer mais que se torne além disso). Cladisticamente, é óbvio que humanos são peixes ósseos, assim como coisas bem mais simples e mais primordiais.

Smith escreve:

…um Grande Cisma despedaçou o protestantismo americano no começo do começo do século XIX, com uma fissura esfaceladora rasgando por entre denominações e mesmo congregações. Os protestantes de um lado da fissura se chamavam de “liberais”, aqueles do outro lado se chamavam de “ortodoxos”. …O protestantismo liberal é uma religião nova e pós-cristã que, em seus estágios iniciais, oportunisticamente falou em um idioma cristão, mas que, ainda assim, pregava um novo evangelho.

Vimos, contudo, que, de um ponto de vista cladista, nada que surge como um cisma a partir de X jamais se torna ‘pós-X’. Não há coisa tal como um pós-peixe ósseo, um pós-réptil ou um pós-símio. Nem, por analogia lógica estrita, pode jamais haver coisas tais como monoteístas pós-abraâmicos, pós-cristãos, pós-católicos, pós-protestantes, pós-puritanos ou pós-progressistas. É uma impossibilidade lógica que clades ancestrais jamais sejam evolutivamente suplantados. Ter o cristianismo como ancestral cultural é permanecer cristão para sempre. Isso não é mais do que precisão terminológica, de uma perspectiva cladista-neorreacionária.

Steven elucida o mesmo ponto em um vocabulário intimamente relacionado: “…existem católicos ateus. Por quê? Porque ser católico é cultural. Não é apenas isso, mas é isso também, pelo menos isso”. As culturas estão genealógica ou cladisticamente organizadas – está é a pressuposição neorreacionária. (Complicações laterais não são inteiramente inconcebíveis – link para uma entrada da Wikipédia verdadeiramente medonha sobre um pensamento importante: a rede não arbórea. Isto é tudo por ora.)

E, no entanto, quanto à própria neorreação? Do que ela se separou? Como tudo o mais sob investigação aqui, a menos que seja compreendida como um cisma, ela não é compreendida de forma alguma.

Quando abordada cladisticamente, a cisão primordial é a questão inelutável da identidade, ou ancestralidade persistente. Podemos, talvez, adiá-la momentaneamente, mas ela eventualmente nos levará em direções que são mais do que um pouco lovecraftianas.

Qual foi a última coisa dentro da qual a neorração estava submersa, antes de surgir através do cisma? (Esta investigação tem que aguardar um outro post.)

Original.

Reinicialização Forçada

Conforme a mídia inteligente começa a se interligar com a NRx de uma maneira séria, o problema fundamental que ela representa emerge cada vez mais nitidamente à vista. Compare a análise sobre Moldbug neste artigo de tecnologia de Clark Bianco, resolutamente focado no Urbit (e seus substratos), com a crítica político-econômica de Adam Gurri da ‘tecnocracia’ e transformação moldbuggiana. Contundentemente, as questões tecnológica e política são indistinguíveis. Em ambos os casos, a questão central é a praticidade de uma ‘reinicialização forçada’, ou começar de novo.

Repetindo e respondendo a um ponto em sua própria área de comentários, Bianco observa:

“Se você começar procurando uma maneira de substituir nosso atual sistema de nomeação de redes centralizado, hierárquico e com identidades públicas por um serviço de identidade parecido com o Bitcoin, descentralizado, anônimo-mas-confiável, você poderia bem acabar na estrada que leva ao Urbit.”

Estamos inteiramente com a mesma mentalidade sobre a orientação geral aqui.

As coisas neo-reacionárias no Urbit, que parecem ser decoração, não são. Esse é todo o ponto.

Não vou tentar processar este tópico agora – é vasto demais. Ao longo dos próximos meses, contudo, ele será um fio guia. Mais proeminentemente: Um engajamento teórico de alto nível com Moldbug, enquanto pensador político e provocador, pode não ser também um emaranhamento com o Urbit e o empreendimento tecnológico? Minha suspeita é que qualquer tentativa dessas de clivagem falharia, ou, pelo menos, ficaria aquém de um nível adequado de abstração. Em particular, qualquer invocação da ‘prática’ política neorreacionária que ignore o projeto consecutivo de reinicializar a maldita Internet corre o risco de desorientação total. (Mais sobre tudo isso por vir.)

(Obrigado ao @mr_archenemy pelo ponteiro para o artigo do Popehat.)

Original.

Saia

Foseti escreve:

Há muito torcer de mãos nestas partes da interwebz sobre o que os reacionários deveriam fazer.

Eu não tenho ideia. Eu certamente não tenho quaisquer grandes planos para mudar o mundo. Eu gosto de saber o que está acontecendo ao meu redor e gosto de discussões abertas – isto é, aquelas que não são sufocadas até a morte pelo politicamente correto.

Contudo, se eu fosse sugerir um plano, eu diria conte a verdade.

Suas sugestões (ligeiramente) mais detalhadas também são louváveis. A Catedral provoca a reação ao tornar obrigatória a fantasia acima da realidade, e não há dúvida de que muito poderia ser feito sobre isso.

Há uma sub-questão sobre tudo isso, contudo, que dificilmente é menos insistente: O que ‘nós’ realmente queremos?

Mais cibernética, argumenta o determinadamente não reacionário Aretae. Claro, este blog concorda. O maquinário de feedback social e técnico é o (único?) amigo da realidade, mas com o que a Catedral se importa sobre qualquer parte disso? Ela está ganhando uma guerra de religião. O anti-realismo compulsório é o espírito reinante da época.

A única maneira de conseguir um feedback mais firme sob as condições atuais é dividindo, em todos os sentidos. Este é o imperativo prático esmagador: Fuja, rompa, se retire e escape. Persiga todo caminho de autonomização, federalismo fissional, desintegração política, secessão, êxodo e encobrimento. Roteie ao redor do aparato educacional, midiático e financeiro da Catedral em cada uma e todas as maneiras possíveis. Prepare-se, fique Galt, fique cripto-digital, expatrie-se, recue para as colinas, vá para o subterrâneo, faça um seastead, construa mercados negros, o que quer que funcione, mas dê o fora.

Contar a verdade já pressupõe uma escapada do império dos sonhos neo-puritanos. ‘Nós’ precisamos escancarar os portões de saída, onde quer que os encontremos, para que o barco afunde sem nós. A reação começa com a proposição de que nada pode ou deveria ser feito para salvá-lo. Desista de afiançar. Já era. Quanto mais cedo afundar, melhor, para alguma outra coisa possa surgir.

Mais do que qualquer coisa que possamos dizer, a saída prática é o sinal crucial. A única pressão que importa vem disso. Para encontrar caminhos para fora é deixar o Lado de fora entrar.

Original.