Etno-Cladística

A tese etno-cladística, superficialmente resconstruída aqui a partir do uso neorreacionário de Mencius Moldbug, propões que relações entre sistemas culturais são capturadas por cladogramas em um nível altamente significante de adequação. Os limites a esta tese são estabelecidos por complicações laterais – intercâmbios e modificações que não se conformam com um padrão de descendência ramificada – e estas não são, de forma alguma, negligenciáveis. Não obstante, formações culturais reais são dominadas pela ordem cladística. Como consequência, teorias culturais que assumem a regularidade taxonômica como uma norma são capazes de alcançar aproximações potencialmente realistas e, além disso, de oferecer o único prospecto para a organização rigorosa dos fenômenos etnográficos.

A defesa mais direta e central da tese etno-cladística ignora os sistemas religiosos de nível comparativamente alto que fornecem o material para os argumentos de Moldbug e se volta, em vez disso, para o fenômeno etnográfico raiz: a língua. Línguas simplesmente são culturas em suas características fundamentais, de modo que qualquer abordagem aplicável a elas terá demonstrado sua adequação geral para a análise cultural.

Eu tentaria desenrolar isto de forma melodramática, mas não acho faça realmente qualquer sentido:

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Parece indisputável (para mim) que complicações laterais destes esquemas cladísticos básicos são marginais. Línguas estão naturalmente agrupadas em estruturas ramificadas em forma de árvores que, como aquelas da variedade biológica (metazoária), são simultaneamente explicativas de processos históricos e de parentesco morfológico, já que representam processos evolutivos de especiação sucessiva. A organização dominante é uma hierarquia taxonômica que se conforma à língua formal da teoria dos conjuntos. Os eventos reais capturados por esses esquemas são cismas, cuja relação lógica é aquela do gênero com a espécie. No caso da cultura, assim como com a biologia, o desenvolvimento evolutivo manifesto indica a existência de algum mecanismo hereditário eficiente (cuja unidade de informação replicada é rotulada por Moldbug, entre inúmeros outros, como um ‘meme‘). Sobre este último ponto, vale a pena notar que a classificação taxonômica biológica, e mesmo a genética, precedeu a descoberta bioquímica do DNA – e foi amplamente confirmada, e não perturbada, quando esta descoberta teve lugar. (O meme é uma analogia, mas não uma metáfora.)

A etno-cladística é a esquemática da herança cultural. Apesar da assertividade tratorante deste post, ele não tem a intenção de impedir esforços metódicos dirigidos à subversão deste modelo. Como indicado, tais esforços necessariamente envolverão a elaboração de diagramas laterais (ou ‘rizomáticos’) – um projeto de grande significância intrínseca (e potencial criativo). Processos tecno-comerciais estão fortemente associados com lateralizações deste tipo.

A cultura, contudo, é fundamentalmente herança, e a etno-cladística é a resposta teórica a este fato histórico básico. Esta já é a alegação tácita de Moldbug, que deveria ser incontroversa entre reacionários de qualquer tipo. No cerne do empreendimento neorreacionário está o cladograma.

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Meditações Cladísticas

Neorreacionários têm uma coisa com o Puritanismo. Se esse traço é conceitualmente essencial ou não é uma questão para uma outra hora. O ponto importante, agora, é que ele serve como um marcador cladístico. O que quer que possa ser aquilo em que a neorreação se especie, carrega esse traço como uma indicação de ancestralidade cultural, favoritando o arquivo de código raiz de Mencius Moldbug.

Quando reconstruído como um argumento, o clade moldbuggiano propõem uma espécie de categorização etnográfica em um modelo vagamente darwiniano (e fortemente evolutivo), de acordo com o qual os fenômenos culturais estão logicamente aninhados, na forma de uma árvore, revelando um padrão de descendência. Quando considera um evolucionista darwiniano inglês, que também é um exemplo de progressismo político contemporâneo, Moldbug deixa esse modo de análise explícito:

Minha crença é que o Professor Dawkins não é apenas um ateu cristão. Ele é um ateu protestante. E ele não é apenas um ateu protestante. Ele é um ateu calvinista. E ele não é apenas um ateu calvinista. Ele é um ateu anglo-calvinista. Em outras palavras, ele também pode ser descrito como um ateu puritano, um ateu dissidente, um ateu não conformista, um ateu evangélico, etc, etc.

Esta taxonomia cladística remonta a ancestralidade intelectual do Professor Dawkins até cerca de 400 anos atrás, à era da Guerra Civil Inglesa. Exceto, claro, pelo tema do ateísmo, o cerne do Professor Dawkins é uma combinação notável para as tradições Ranter, Leveller, Digger, Quaker, Quintomonarquista ou qualquer uma das mais extremas tradições dissidentes inglesas que floresceram durante o interregno cromwelliano.

Se houvesse Trinta e Nova Artigos da neorreação, alguma versão adequadamente comprimida deste cladograma constituiria um princípio primário da crença. Entre os galhos logicamente mais atenuados deste esquema, sub-especiados ao limite da definição cladística, se encontra a instância soberana globalmente dominante da modernidade avançada – a Catedral (o inimigo).

Não é surpreendente, portanto, que a ‘questão Puritana’ continue sendo a preocupação central do Iluminismo Sombrio neorreacionário. Isto foi ilustrado com consumada clareza por um artigo postado por J. M. Smith em The Orthosphere, que constesta a genealogia cristã da Catedral, e pelas réplicas subsequentes de descendentes do clade neorreacionário – de convicções religiosas variadas – Jim (aqui), Foseti (aqui) e Nick B. Steves (aqui, aqui e aqui). Foseti reage com um pouco de desconcerto ao enquadramento polêmico do texto de Smith, porque o que ele encontra é um argumento sem discordância:

No The Orthosphere, tem um post com a intenção de argumentar que a Catedral não foi construída por Cristãos. Presumivelmente, o título foi alterado por alguém que não o autor do texto, porque o post habilmente demonstra que cristão de fato construíram a Catedral. Na verdade, o post é recomendado.

O método cladístico contribui significantemente para um entendimento desses relacionamentos. Em particular, é essencial compreender a lógica da nomenclatura taxonômica, que corresponde perfeitamente à genealogia pura, e a reconstrução ideal do parentesco evolutivo. O ponto crucial: Um nome cladístico se refere a tudo que é englobado por uma cisão, especiação ou cisma.

Correndo o risco de uma explicação supérflua, poderia valer a pena ensaiar esta lógica com um exemplo biológico coloquializado (usando descritores taxonômicos familiares ao invés de técnicos). Paleontólogos estão supremamente confiantes de que os anfíbios evoluíram a partir de peixes ósseos e de que os répteis evoluíra a partir dos anfíbios. Isto pode ser formulado, sem perda de informação, como uma série cladística (de ramificações), com os peixes ósseos incluindo os anfíbios que, por sua vez, incluem os répteis. Em outras palavras, enquanto nome cladístico, um ‘peixe ósseo’ descreve uma cisão especiadora inicial a partir de um clade ancestral que – projetada adiante – engloba todas as especiações subsequentes, neste caso anfíbios e répteis. Tanto anfíbios quanto répteis são peixes ósseos. Também o são os mamíferos, símios e seres humanos. Peixe ósseos, enquanto clade, compreende todas as espécies descendentes que tenham uma ancestralidade de peixes ósseos, quer estejam extintas, ainda existam ou ainda estejam por vir. Nada que tenha uma ancestralidade de peixes ósseos, não importa o quão distante, jamais pode deixar de ser um peixe ósseo (o que quer mais que se torne além disso). Cladisticamente, é óbvio que humanos são peixes ósseos, assim como coisas bem mais simples e mais primordiais.

Smith escreve:

…um Grande Cisma despedaçou o protestantismo americano no começo do começo do século XIX, com uma fissura esfaceladora rasgando por entre denominações e mesmo congregações. Os protestantes de um lado da fissura se chamavam de “liberais”, aqueles do outro lado se chamavam de “ortodoxos”. …O protestantismo liberal é uma religião nova e pós-cristã que, em seus estágios iniciais, oportunisticamente falou em um idioma cristão, mas que, ainda assim, pregava um novo evangelho.

Vimos, contudo, que, de um ponto de vista cladista, nada que surge como um cisma a partir de X jamais se torna ‘pós-X’. Não há coisa tal como um pós-peixe ósseo, um pós-réptil ou um pós-símio. Nem, por analogia lógica estrita, pode jamais haver coisas tais como monoteístas pós-abraâmicos, pós-cristãos, pós-católicos, pós-protestantes, pós-puritanos ou pós-progressistas. É uma impossibilidade lógica que clades ancestrais jamais sejam evolutivamente suplantados. Ter o cristianismo como ancestral cultural é permanecer cristão para sempre. Isso não é mais do que precisão terminológica, de uma perspectiva cladista-neorreacionária.

Steven elucida o mesmo ponto em um vocabulário intimamente relacionado: “…existem católicos ateus. Por quê? Porque ser católico é cultural. Não é apenas isso, mas é isso também, pelo menos isso”. As culturas estão genealógica ou cladisticamente organizadas – está é a pressuposição neorreacionária. (Complicações laterais não são inteiramente inconcebíveis – link para uma entrada da Wikipédia verdadeiramente medonha sobre um pensamento importante: a rede não arbórea. Isto é tudo por ora.)

E, no entanto, quanto à própria neorreação? Do que ela se separou? Como tudo o mais sob investigação aqui, a menos que seja compreendida como um cisma, ela não é compreendida de forma alguma.

Quando abordada cladisticamente, a cisão primordial é a questão inelutável da identidade, ou ancestralidade persistente. Podemos, talvez, adiá-la momentaneamente, mas ela eventualmente nos levará em direções que são mais do que um pouco lovecraftianas.

Qual foi a última coisa dentro da qual a neorração estava submersa, antes de surgir através do cisma? (Esta investigação tem que aguardar um outro post.)

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Reinicialização Forçada

Conforme a mídia inteligente começa a se interligar com a NRx de uma maneira séria, o problema fundamental que ela representa emerge cada vez mais nitidamente à vista. Compare a análise sobre Moldbug neste artigo de tecnologia de Clark Bianco, resolutamente focado no Urbit (e seus substratos), com a crítica político-econômica de Adam Gurri da ‘tecnocracia’ e transformação moldbuggiana. Contundentemente, as questões tecnológica e política são indistinguíveis. Em ambos os casos, a questão central é a praticidade de uma ‘reinicialização forçada’, ou começar de novo.

Repetindo e respondendo a um ponto em sua própria área de comentários, Bianco observa:

“Se você começar procurando uma maneira de substituir nosso atual sistema de nomeação de redes centralizado, hierárquico e com identidades públicas por um serviço de identidade parecido com o Bitcoin, descentralizado, anônimo-mas-confiável, você poderia bem acabar na estrada que leva ao Urbit.”

Estamos inteiramente com a mesma mentalidade sobre a orientação geral aqui.

As coisas neo-reacionárias no Urbit, que parecem ser decoração, não são. Esse é todo o ponto.

Não vou tentar processar este tópico agora – é vasto demais. Ao longo dos próximos meses, contudo, ele será um fio guia. Mais proeminentemente: Um engajamento teórico de alto nível com Moldbug, enquanto pensador político e provocador, pode não ser também um emaranhamento com o Urbit e o empreendimento tecnológico? Minha suspeita é que qualquer tentativa dessas de clivagem falharia, ou, pelo menos, ficaria aquém de um nível adequado de abstração. Em particular, qualquer invocação da ‘prática’ política neorreacionária que ignore o projeto consecutivo de reinicializar a maldita Internet corre o risco de desorientação total. (Mais sobre tudo isso por vir.)

(Obrigado ao @mr_archenemy pelo ponteiro para o artigo do Popehat.)

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Saia

Foseti escreve:

Há muito torcer de mãos nestas partes da interwebz sobre o que os reacionários deveriam fazer.

Eu não tenho ideia. Eu certamente não tenho quaisquer grandes planos para mudar o mundo. Eu gosto de saber o que está acontecendo ao meu redor e gosto de discussões abertas – isto é, aquelas que não são sufocadas até a morte pelo politicamente correto.

Contudo, se eu fosse sugerir um plano, eu diria conte a verdade.

Suas sugestões (ligeiramente) mais detalhadas também são louváveis. A Catedral provoca a reação ao tornar obrigatória a fantasia acima da realidade, e não há dúvida de que muito poderia ser feito sobre isso.

Há uma sub-questão sobre tudo isso, contudo, que dificilmente é menos insistente: O que ‘nós’ realmente queremos?

Mais cibernética, argumenta o determinadamente não reacionário Aretae. Claro, este blog concorda. O maquinário de feedback social e técnico é o (único?) amigo da realidade, mas com o que a Catedral se importa sobre qualquer parte disso? Ela está ganhando uma guerra de religião. O anti-realismo compulsório é o espírito reinante da época.

A única maneira de conseguir um feedback mais firme sob as condições atuais é dividindo, em todos os sentidos. Este é o imperativo prático esmagador: Fuja, rompa, se retire e escape. Persiga todo caminho de autonomização, federalismo fissional, desintegração política, secessão, êxodo e encobrimento. Roteie ao redor do aparato educacional, midiático e financeiro da Catedral em cada uma e todas as maneiras possíveis. Prepare-se, fique Galt, fique cripto-digital, expatrie-se, recue para as colinas, vá para o subterrâneo, faça um seastead, construa mercados negros, o que quer que funcione, mas dê o fora.

Contar a verdade já pressupõe uma escapada do império dos sonhos neo-puritanos. ‘Nós’ precisamos escancarar os portões de saída, onde quer que os encontremos, para que o barco afunde sem nós. A reação começa com a proposição de que nada pode ou deveria ser feito para salvá-lo. Desista de afiançar. Já era. Quanto mais cedo afundar, melhor, para alguma outra coisa possa surgir.

Mais do que qualquer coisa que possamos dizer, a saída prática é o sinal crucial. A única pressão que importa vem disso. Para encontrar caminhos para fora é deixar o Lado de fora entrar.

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Questões

Nydwracu quer que pensemos mais forte, o que tem que ser uma coisa boa (certo?). Então, quais são as questões básicas da neorreação? Isto é importante demais para apressar, então estou inclinada a ficar meta (o que confiavelmente desacelera as coisas).

Primeiro meta-ponto: Se isso for funcionar, tem que ser bem mais rigorosamente afinado. Isso significa um máximo de três problemas básicos cada um, com o objetivo de amalgamação em uma lista de 10, no máximo. O processo de compressão deveria fazer muito do trabalho preparatório. Adicione os 11 originais de Nydwracu aos 10 completamente diferentes de Bryce Laliberte (nos comentários, mesmo link), e o resultado já é uma confusão em expansão que não vai a lugar algum. Nenhuma das listas é notável por sua concisão, como espero que ambos os proponentes admitiriam. “Os 119 problemas básicos da neorreação” não vai afiar ninguém.

De qualquer forma, aqui estão os meus:

(1) O Problema de Odisseu (ou teoria do nó político): Um modelo de poder distribuído pode ser rigorosamente formulado? Eu não estou nem remotamente convencido de que esta questão já foi respondida e me recuso a ficar animado com monarcas até que tenha sido.

(2) Uma teoria rigorosa de catracas degenerativas captura o problema prático básico da neorreação? Se o fizer, um domínio de investigação é determinado em um alto nível de abstração. Se não o fizer, aonde procuramos pela contra-engenharia de catracas (onde quer que seja, estarei passando muito tempo lá).

(3) O que o ‘neo-‘ em ‘neorreação’ significa? Esta é uma questão oportuna, porque estou notando muitas pessoas indo em direção a ela, e os tópicos que ela escava são enormes. Minha própria opinião sobre isso: Qualquer um que pense que Modernidade, Capitalismo e Progresso sejam simplesmente coisas ruins a terem acontecido deveria abandonar o prefixo ‘neo-‘ imediatamente. Depois disso, qualquer um que careça da convicção de precisar dele deveria pensar sobre fazer o mesmo. A simples reação é OK, não é? Moda não é uma boa razão para nada.

James Goulding também tinha um conjunto extremamente interessante de questões básicas (estou preocupado que elas estão perdidas em algum lugar deste blog). Fazê-las aparecerem também contribuiria seriamente para mover isso para frente.

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O Quadro do Declínio

Este ponto é importante o suficiente para refirmar bem, como Foseti o faz:

O ponto crucial do argumento [de Scott Alexander] é que, “É uma marca do pensamento Reacionário que tudo está ficando gradualmente pior”. Ele então continua mostrando que nem tudo está ficando pior. [..] Não é uma marca do pensamento reacionário de que tudo está ficando pior. Pelo contrário, eu nunca li esse argumento de nenhum reacionário, em lugar nenhum. […] Vamos corrigir sua afirmação: É uma marca do pensamento Reacionário que melhorias massivas na tecnologia foram muito efetivas em mascarar declínios massivos em virtualmente todos os outros aspectos da sociedade.

A suposição progressista, que a neorreação contesta, é que é natural e bom gastar os avanços da civilização em causas não relacionadas com o avanço da civilização. Uma formulação mais controversa (apoiada aqui) é que a Catedral gasta o capitalismo em alguma coisa além do capitalismo e, em última análise, na destruição do capitalismo. Ela tolera uma economia funcional – na medida em que o faz – apenas sob o entendimento de que ela será usada para alguma outra coisa.

A cibernética elementar prevê que, se a produtividade for reciclada em produtividade, o resultado é um processo explosivo de retornos cada vez maiores. Na medida em que a história não está manifestando uma produtividade que se acelera, portanto, pode-se assumir que os circuitos sociais estão sendo alimentados através de ligações não produtivas e anti-produtivas. A Modernidade Tecno-comercial está sendo desperdiçada com o Progressismo (Neo-Puritano). No Ocidente, pelo menos, é isso que está ficando pior.

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Re-Aceleracionismo

Existe uma palavra para um ‘argumento’ tão ensopadamente insubstancial que tem que ser recolhido entre um par de aspas para ser apreendido, mesmo em sua auto-dissolução? Se existisse, eu a estaria usando o tempo todo recentemente. Entre as últimas ocorrências está um post do blog de Charlie Stross, que se descreve como “uma especulação política”, antes de desaparecer no gosmenon cinza. Nada nele realmente se mantém, mas é divertido à sua própria maneira, especialmente se for tomado como um sinal de alguma outra coisa.

A ‘outra coisa’ é uma cumplicidade subterrânea entre a Neorreação e o Aceleracionismo (o último linkado aqui, no estilo de Stross, em sua forma mais recente e Esquerdista). Comunicando-se com seu companheiro ‘Martelo da Neorreação’ David Brin, Stross pergunta: “David, você já se deparou com o equivalente esquerdista dos Neo-Reacionários – os Aceleracionistas?” Ele então continua, convidativamente: “Eis aqui minha (irreverente) opinião sobre ambas as ideologias: Singularitários trotskistas pelo Monarquismo!”

Stross é um romancista cômico-futurista, então é irrealista esperar muito mais do que uma diversão dramática (ou qualquer coisa mais que seja, na verdade). Depois de um divertido meandro por entre as partes do grafo social trotskista-neolibertário, que poderia ter sido depositado em uma curva de tipo tempo saindo de Singularity Sky, aprendemos que o Partido Comunista Revolucionário Britânico tem estado em um estranho caminho, mas qualquer conexão que houvesse com o Aceleracionismo, quanto mais com a Neorreação, se perdeu inteiramente. Stross tem o instinto teatral de acabar com a performance antes que ela se tornasse embaraçosa demais: “Bem-vindos ao século dos monarquistas trostskistas, dos reacionários revolucionários e da política extremista do paradoxal!” (OK.) A cortina se fecha. Ainda assim, tudo foi comparativamente bem humorado (pelo menos em contraste com o bate-cabeça cada vez mais raivoso de Brin).

A Neorreação é o Aceleracionismo com um pneu furado. Descrita de maneira menos figurativa, ela é o reconhecimento de que a tendência de aceleração é historicamente compensada. Além da máquina de velocidade, ou capitalismo industrial, há um desacelerador cada vez mais perfeitamente pesado, que gradualmente drena o impulso tecno-econômico para dentro de sua própria expansão, conforme ele retorna o processo dinâmico à meta-estase. Comicamente, a fabricação deste mecanismo de freio é proclamada como progresso. É a Grande Obra da Esquerda. A Neorreação surge como resultado de nomeá-la (sem afetação excessiva) como a Catedral.

A armadilha deve ser explodida (como advogado pelo Aceleracionismo) ou a explosão foi presa (como diagnosticado pela Neorreação)? – Esta é a casa do enigma cibernético sob investigação. Um esboço rápido do pano de fundo poderia ser útil.

O catalisador germinal para o Aceleracionismo foi um chamado, no Anti-Édipo de Deleuze & Guattari, para se “acelerar o processo”. Trabalhando como cupins dentro da mansão em decomposição do Marxismo, que foi sistematicamente eviscerada de todo hegelianismo até se tornar algo totalmente irreconhecível, D&G veementemente rejeitaram a proposta de qualquer coisa jamais tivera “morrido de contradições”, ou jamais iria. O capitalismo não nasceu de uma negação, tampouco iria ele perecer de uma. A morte do capitalismo não poderia ser entregue pelo machado do carrasco de um proletariado vingativo, porque as aproximações realizáveis mais próximas do ‘negativo’ eram inibitórias e estabilizantes. Longe de propelir ‘o sistema’ a seu fim, elas reduziam a dinâmica a um simulacro de sistematicidade, retardando sua aproximação de um limite absoluto. Ao progressivamente comatizar o capitalismo, o anti-capitalismo o arrastava de volta a uma estrutura social de auto-conservação, suprimindo sua implicação escatológica. O único caminho Para Fora era adiante.

O Marxismo é a versão filosófica de um sotaque parisiense, um tipo retórico, e, no caso de D&G, ele se torna algo semelhante a um sarcasmo superior, zombando de cada princípio significativo da fé. A bibliografia de Capitalismo e Esquizofrenia (do qual Anti-Édipo é o primeiro volume) é um compêndio de teoria contra-Marxista, desde revisões drásticas (Braudel), passando por críticas explícitas (Wittfogel), até rejeições desdenhosas (Nietzsche). O modelo de capitalismo de D&G não é dialético, mas cibernético, definido por um acoplamento positivo de comercialização (“decodificação”) e industrialização (“Desterritorialização”), tendendo intrinsecamente a um extremo (ou “limite absoluto”). O capitalismo é a instalação histórica singular de uma máquina social embasada em escalação cibernética (feedback positivo), se reproduzindo apenas incidentalmente, como um acidente na contínua revolução socio-industrial. Nada exercido contra o capitalismo pode se comparar ao antagonismo intrínseco que ele dirige à sua própria atualidade, confirme ele acelera para fora de si, arremessando-se ao fim já operacional ‘dentro’ dele. (Claro, isto é loucura.)

Uma apreciação detalhada do “Aceleracionismo de Esquerda” é uma piada para uma outra ocasião. “Falando em nome de uma facção dissidente dentro do mecanismo de freio moderno, nós realmente gostaríamos de ver as coisas progredirem muito mais rápido.” OK, talvez possamos trabalhar em alguma coisa… Se isso ‘levar a algum lugar’, só pode ficar mais divertido. (Stross está certo sobre isso.)

A Neorreação tem um ímpeto bem maior e uma diversidade associada. Se reduzida a um espectro, ela inclui um ala ainda mais Esquerdista que a Esquerda,uma vez que critica a Catedral por falhar em parar a loucura da Modernidade com nada parecido com o vigor suficiente. Você deixou este monstro sair da coleira e agora não consegue pará-lo poderia ser sua acusação característica.

Na Direita Exterior (neste sentido) se encontra um Re-Aceleracionismo Neorreacionário, o que é dizer: uma crítica do desacelerador, ou da estagnação ‘progressista’ enquanto desenvolvimento institucional identificável – a Catedral. Desta perspectiva, a Catedral adquire sua definição teleológica a partir de sua função emergente enquanto cancelamento do capitalismo: o que ela tem que se tornar é o negativo mais ou menos precisa do processo histórico primário, de tal modo que componha – junto com a cada vez mais extensa sociedade em liquidação que ela parasita – um mega-sistema cibernético metastático, ou armadilha super-social. ‘Progresso’, em sua encarnação manifesta, madura, ideológica, é a anti-tendência necessária para levar a história à imobilidade. Conceba o que é necessário para impedir a aceleração até a Singularidade tecno-comercial, e a Catedral é o que isso será.

Aparatos compensatórios auto-organizantes – ou montagens de feedback negativo – se desenvolvem de maneira errática. Eles buscam equilíbrio através de um comportamento típico rotulado ‘caça’ – ajustes ultrapassantes e re-ajustes que produzem padrões ondulatórios distintivos, garantindo a supressão da dinâmica de fuga, mas produzindo volatilidade. Esperar-se-ia que um comportamento de caça da Catedral de suficiente crueza gerasse ocasiões de ‘Singularidade da Esquerda’ (com subsequentes ‘restaurações’ dinâmicas) como ultrapassagens inibitórias de ajuste para um travamento (e reinicialização) do sistema. Mesmo estas oscilações extremas, contudo, são internas ao super-sistema metastático que elas perturbam, na medida em que um gradiente geral de Catedralização persiste. Antecipar a escapada no limite péssimo do ciclo de caça metastático é uma forma de ilusão paleo-marxista. A jaula só pode ser rompida no caminho para cima.

Para a Neorreação Re-Aceleracionista, a escapada para dentro da fuga cibernética descompensada é o objetivo guia – estritamente equivalente à explosão de inteligência, ou Singularidade tecno-comercial. Tudo o mais é uma armadilha (por necessidade definitiva da dinâmica do sistema). Pode ser que monarcas tenham algum papel a desempenhar nisso, mas não está de maneira alguma óbvio que eles tenham.

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A Pílula Vermelha

Morpheus: Eu imagino que você esteja se sentindo um pouco como a Alice. Hm? Entrando pela toca do coelho?
Neo: Você tem razão.
Morpheus: Eu vejo nos seus olhos. Você tem o olhar de um homem que aceita o que vê porque está esperando acordar. Ironicamente, não deixa de ser verdade. Você acredita em destino, Neo?
Neo: Não
Morpheus: Por que não?
Neo: Porque não gosto da ideia que não controlo minha vida.
Morpheus: Sei exatamente o que quer dizer. Vou lhe dizer por que está aqui. Você está aqui porque você sabe de algo. O que você sabe, você não consegue explicar, mas você sente. Você sentiu a sua vida inteira que há algo de errado com o mundo. Você não sabe o que é , mas está lá, como um zunido na sua cabeça, te enlouquecendo. Foi esse sentimento que te trouxe até mim. Você sabe do que estou falando?
Neo: Da Matrix?
Morpheus: Você deseja saber o que ela é?
Neo: Sim.
Morpheus: A Matrix está em todo lugar. Em toda nossa volta. Mesmo agora, nesta sala. Você pode vê-la quando olha pela janela ou quando liga sua televisão. Você a sente quando vai para o trabalho… quando vai à igreja… quando paga seus impostos. É o mundo que foi colocado diante dos seus olhos para lhe cegar à verdade.
Neo: Que verdade?
Morpheus:[se inclina para perto de Neo] De que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu num cativeiro. Nasceu numa prisão que não consegue sentir ou tocar. Uma prisão para sua mente.
[pausa]
Morpheus: Infelizmente, é impossível dizer o que é a Matrix. Você tem de ver por si mesmo. [Abre uma caixa de pílulas, esvazia os conteúdos nas palmas das mãos e estica sua mãos] Esta é sua última chance. Depois disso, não há como voltar. Se tomar a pílula azul [abre sua mão direita para revelar uma pílula azul translúcida], a estória acaba, e você acordará na sua cama acreditando no que quiser acreditar. Se tomar a pílula vermelha [abre sua mão esquerda, revelando uma pílula vermelha similarmente translúcida], ficará no País das Maravilhas e eu lhe mostro até onde vai a toca do coelho. [Neo apanha a pílula vermelha] Lembre-se: tudo que ofereço é a verdade. Nada mais.

– Esta é versão dos irmãos Wachowski do Platonismo Gnóstico e ela acerta exatamente quase tudo. A Alegoria da Caverna, de Platão (no Livro VII da República), conta precisamente a mesma estória, mas com um elenco mais barato, efeitos especiais inferiores e menos drogas. Não é surpreendente que o Iluminismo Sombrio tenda a ficar com o remake, conforme fica Neo(reacionário).

A chave crítica para a gnose é a percepção de que todo o seu mundo é um lado de dentro, que implica em um Lado de Fora e na possibilidade radical de escapada. O que parecera ser realidade ilimitada é exposto como um receptáculo, desencadeando uma partida abrupta, saindo um sistema de ilusão. Tudo o mais é meramente a rota tomada para nos alcançar, adaptada às ruínas. As especificidades da estória são restrições das quais se livrar retorcendo-se, uma vez que suas funções foram exauridas, como ganchos, dentes cerrados, circuitos de replicação memética e manchas de camuflagem. Contanto que uma diferença interior / exterior seja efetivamente comunicada, os detalhes narrativos são incidentais.

A versão chinesa, que talvez tenha se originado com Zhuangzi, descreve um sapo em um poço, que nada sabe sobre o Grande Oceano (井底之蛙,不知大海). Esta simples fábula já é completamente adequada às mais exaltadas ambições da filosofia mística.

Colocar as coisas em caixas ou retirá-las de caixas é o todo do pensamento, tão logo as ‘coisas’ possam, elas mesmas, serem tratadas como caixas. Categorias e conjuntos são caixas, de modo que mesmo dizer “um A é um B” é efetuar uma operação de inclusão ou inserção, através da qual a ‘identidade’ é primordialmente aplicável. Ser é estar dentro. Colocar uma espécie dentro (ou ‘sob’) um gênero tem uma originalidade cognitiva insuperável, estendendo-se até o horizonte mais distante da ontologia (uma vez que um horizonte ainda é uma caixa). Conter, ou não conter, é a primeira e última relação inteligível. Caixas são básicas.

Tomar a pílula vermelha é escalar para fora de uma caixa. Ao mostrar a jaula, já alcança uma liberação cognitiva e, assim, fornece um modelo para qualquer escapologia prática que haja para seguir. Saber como deixar uma caverna ou um poço já é saber – de maneira abstrata – como deixar um mundo (e a abstração não é nada além de exterioridade).

O que é inescapável, a não ser através de uma auto-escravização precipitada, é a desagradabilidade social do Iluminismo Sombrio. A gnose é ineliminavelmente hierárquica e, na melhor das hipóteses, condescendente (quando não abrasivamente desdenhosa), porque uma mente livre não pode fingir igualdade com uma mente escrava, independente do escárnio lançado contra ela por causa disso. Como Brandon Smith observa:

Frequentemente se diz que há apenas dois tipos de pessoas neste mundo: aquelas que sabem e aquelas que não sabem. Eu expandiria isto e diria que há, na verdade, três tipos de pessoas: aquelas que sabem, aquelas que não sabem, e aquelas que não se importam em saber. Membros do último grupo são o tipo de pessoa que eu caracterizaria como “sheeple”.

As ‘sheeple’ de Smith não são meramente ignorantes, mas ativamente auto-enganadoras. Ao tomarem a pílula azul, elas optaram por residir na prisão de mentiras. É neste ponto, contudo, que a metáfora farmacêutica muda de gancho para obstáculo, porque não há nenhuma ‘pílula azul’ ou qualquer coisa funcionalmente equivalente além da própria Matrix como um todo (o que seria dizer, claro, a Catedral).

Um ponto crítico da análise política e social é alcançado aqui, e é um que continua a evadir a apreensão definitiva, devido a suas elusivas sutilizas. Entre o arquiteto oculto da Matrix e as sheeple que tomam a pílula azul, ou “rio de carne“, não há nenhuma ordem simples de maestria, seja indo na direção óbvia (da elite doutrinária para a massa doutrinada) ou na alternativa democrática-perversa (colocando a especialidade a serviço da ignorância popular e suas vulgaridades). A Matrix é tanto um objeto de apego popular ‘genuíno’ quanto um aparato de controle mental sistemático. Ela é mais verdadeiramente democrática quando atinge mais completamente seu estado de clímax na falsidade totalitária leve. A máquina de propaganda não é menos do que um circo. O que é exigido – o que sempre foi exigido – é a mentira.

A invocação mais recente da pílula vermelha por Moldbug diz:

Eu acho que escolhi minha candidata para a Pílula em si. E vou ficar com ela. Minha Pílula é:

A América é um país comunista.

O que eu gosto sobre esta afirmação é que ela é ambígua. Especificamente, ela é uma ambiguidade Empsoniana do segundo ou talvez terceiro tipo (eu nunca realmente entendi a diferença). Incorporada como está na louca tapeçaria da história do século XX, AEUPC pode ser interpretada de inúmeras maneiras.

Todas estas interpretações – a menos que inventadas como um espantalho intencional e obviamente idiota – são absolutamente verdadeiras. Às vezes elas são obviamente verdadeiras, às vezes surpreendentemente verdadeiras. Elas são sempre verdadeiras. Porque a América é um país comunista.

A verdade é que a América serve ao povo através da mentira. Esta é a ‘escolha’ representada pelo progressismo (= comunismo), instalado, em um estado altamente acabado, por mais de um século, como auto-engano popular triunfante. O serviço fornecido – e exigido – é o engano. Se as pessoas virem através da mentira, a insatisfação resultante não derivará do fato de que se mentiu para elas, mas da revelação de que não se mentiu para elas bem o suficiente. Algo poderia ser mais claro do que isso? Os surtos de ira popular ocorrem exatamente naquelas momentos em que a realidade ameaça a se manifestar – quando a Matrix falha. “Nós os elegemos para nos esconder a verdade”, o povo guincha, “então apenas façam o seu maldito trabalho e façam a realidade desaparecer”.

Não há nenhuma pílula vermelha para salvar a sociedade. Imaginar que poderia haver é não entender nada.

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Premissas da Neorreação

Patri Friedman é tanto extremamente inteligente quanto, para este blog entre outros na ‘sfera, altamente influente. Então, quando ele nos promete “um iluminismo sombrio mais politicamente correto” (“adicionando anti-racismo e anti-sexismo à minha controversa nova posição pró-monogamia”), isso é uma coisa. Acentua preocupações sobre ‘entrismo’ e entropia ideológica, levando a algumas respostas pensativas tais como esta (de Avenging Red Hand).

Michael Anissimov antecipou isto em um post em More Right sobre as ‘Premissas do Pensamento Reacionário’, que começa: “Fazer progresso em qualquer área de empenho intelectual requer conversa entre aqueles que concordam com premissas básicas e a exclusão daqueles que não concordam”. (O comentário de Cathedral Whatever também vale bem a pena uma olhada.) As cinco premissas originais de Anissimov, subsequentemente atualizadas para seis (com uma nova #1 adicionada) são:

1. As pessoas não são iguais. Elas nunca serão. Rejeitamos a igualdade em todas as suas formas.
2. A direita está certa e a esquerda está errada.
3. A hierarquia é basicamente uma boa ideia.
4. Os papéis sexuais tradicionais são basicamente uma boa ideia.
5. O libertarianismo é retardado.
6. A democracia é irremediavelmente falha e precisamos acabar com ela.

Estes ‘artigos’ neorreacionários merecem uma resposta em detalhada, mas neste ponto eu simplesmente avançarei uma lista alternativa, na expectativa de que ainda outras versões estarão por vir no futuro próximo, fornecendo uma referência para a discussão. Meu objetivo (condizente com o conselho de ARH) é a economia, afinada através da abstração, no interesse da sustentação da diversidade produtiva. Minimamente, afirmamos:

1. A democracia é incapaz de controlar o governo. Com esta proposição, a possibilidade efetiva de uma direita mainstream é negada. Na medida em que qualquer movimento político retenha sua fidelidade ao mecanismo democrático, ele conspira com a catraca da expansão governamental e, assim, essencialmente se dedica a fins esquerdistas. A porta de entrada do Libertarianismo para a Neorreação se abre com este entendimento. Como corolário, qualquer política imperturbável pelo estatismo expansionista não tem qualquer razão para se desviar para dentro do caminho neorreacionário.

2. O igualitarismo essencial à ideologia democrática é incompatível com a liberdade. Esta proposição é parcialmente derivada da #1, mas se estende mais além. Quando elaborada historicamente, e cladisticamente, ela se alinha com a teoria Cripto-Calvinista da evolução política Ocidental (e depois Global). A crítica que ela anuncia intercepta significantemente os rigorosos achados da BDH. As conclusões extraídas são primariamente negativas, ou seja, elas suportam uma rejeição, baseada em princípios, da política igualitária positiva. A hierarquia emergente é pelo menos tolerada. Modelos mais assertivos e ‘neofeudais’ da hierarquia social ideal são devidamente controversos dentro da Neorreação.

3. As soluções sócio-políticas neorreacionárias são, em última análise, baseadas em Saída. Em todos os casos, a saída deve ser defendida contra a voz. Nenhuma sociedade ou instituição social que permite a livre saída está aberta a qualquer crítica politicamente eficiente adicional, exceto àquela que a própria seleção sistemática de saída aplica. Dada a ausência de tirania (isto é, livre saída), todas as formas de protesto e rebelião devem ser consideradas perversões esquerdistas, sem direito a proteção social de nenhum tipo. O governo, de qualquer forma tradicional ou experimental, é legitimado a partir do lado de fora – através da pressão de saída – em vez de internamente, através da capacidade de resposta à agitação popular. A conversão da voz política em orientação à saída (por exemplo, revolução em secessionismo), é a principal característica da estratégia neorreacionária.

Da perspectiva deste blog, nenhuma premissa além dessas – não importa o qual amplamente endossada dentro da Neorreação – é verdadeiramente básica ou definidora. A resolução de disputas elaboradas é remetida, em última análise, à geografia dinâmica, e não à dialética. É o Lado de Fora, trabalhando através da fragmentação, que rege, e nenhuma outra autoridade tem legitimidade.

[Se alguém perguntar “Como esse post de repente pulou do ‘Iluminismo Sombrio’ para ‘Neorreação’?”, minha resposta é “Bom ponto!” (mas um para uma outra ocasião).]

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Problemas Neorreacionários

Estou sob a sagrada obrigação de analisar o e-book What is Neoreaction? Ideology, Social-Historical Evolution, and the Phenomena of Civilization de Bryce Laliberte. Felizmente, este solene dever não foi especificamente agendado. Trabalhar para a sua realização é um processo instigante, o que é uma coisa boa.

Por uma questão trivial, sou forçado a perguntar: Deveria ser ‘fenômenos’ mesmo? ‘Fenômeno’ seria mais estilisticamente persuasivo, mesmo que o plural seja defensável por razões conceituais. Esse tipo de questão secundária, contudo, é auto-distração sintomática. Há questões sérias em jogo aqui, e elusivas.

Minha prevaricação é, parcialmente, o resultado de ideias que colidem, que ficaram emaranhadas ao significado desse livro (para mim), mas não são realmente internas às suas próprias preocupações. A primeira entre estas é a conotação da própria palavra ‘neorreação’, que acende uma conversação embriônica (na casa de Laliberte e na minha). Questões terminológicas podem facilmente parecer impertinentes ou fetichistas, mas, neste caso pelo menos, elas se estendem continuamente para dentro de questões de indisputável substância e relevância. Sumariamente: A ‘neorreação’ é primariamente uma doutrina ou um problema? (Talvez o ponto de interrogação injustamente enviese o julgamento.)

Em um post futuro, eu voltarei às especificidades da definição estendida de Laliberte – que é, sem dúvida, coextensiva ao livro. É de amplo interesse e se conecta de maneira importante com a busca de Nick B. Steves por ‘consenso reacionário‘ (note: sem ‘neo-‘). Neste ponto, contudo, minhas observações marcadoras de lugar são, elas mesmas, deliberadamente problemáticas, referindo-se ao papel do paradoxo e da ironia no termo e na ‘coisa’ – elementos que são, para mim, essenciais, mas que eu suspeito que Laliberte veja como incidentais ou mesmo lamentáveis. A neorreação, da perspectiva problemática, é a insistência de uma questão, em vez de uma solução lutando para nascer em uma doutrina estabelecida. É uma palavra inventada para preservar sua própria ilegibilidade dinâmica (ou paradoxo instável), pelo menos tanto quanto o nome de um programa a caminho da aceitação (chegando na significância consensual).

Uma vez que a neorreação parece estar sendo arremessada em algum tipo de reconhecimento, devido, em grande parte, às contribuições de Laliberte, estas considerações são arcanas apenas de um lado de uma conversa não desenvolvida. Mais provavelmente, o ritmo e o contexto desta troca serão estabelecidos em lugares inesperados. Tais iminentes incógnitas inevitavelmente guiam meu caminho para dentro do livro de Laliberte, conforme ele se abre, peça por peça, à frente.

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