Reação de Livre-Escala

Kaplan fica todo Moldbug:

A menos que alguma força possa, contra consideráveis probabilidades, reinstituir a hierarquia… teremos mais fluidez, mais igualdade e, portanto, mais anarquia a aguardar. Isto é profundamente perturbador, porque a civilização abjura a anarquia. …sem ordem – sem hierarquia – não há nada.

Talvez, no campo das relações internacionais, Kaplan seja mais Moldbug do que Moldbug, apresentando um modelo reacionário da ordem mundial intransigentemente linha-dura, completamente imperturbável por considerações domésticas ou mesmo o menor sinal de descendência libertária. Se a soberania é conservada globalmente, assim como nacionalmente, uma ordem mundial de Patchwork parece tão improvável quanto uma república constitucional estável, e as opções de saída evaporam. A análise moldbuggiana de livre-escala poderia se provar mais do que um pouco de gelar o sangue.

Original.

Notas de Citação (#1)

Doug Casey, entrevistado no The Daily Bell:

As coisas parecem ter ficado melhor no mundo nos últimos anos, desde que começaram com a flexibilização quantidade – ou seja, impressão de moeda. Claro, se você criar trilhões de dólares de unidades de moeda, isso faz as pessoas se sentirem mais ricas do que realmente são e as encoraja a continuar vivendo acima de suas possibilidades. Apenas garante uma depressão ainda pior. O que está por vir vai ser a maior coisa da história moderna. Não vai ser apenas financeira e econômica. Vai ser um terremoto político, social e militar também.

E:

O século XIX foi a época mais pacífica e próspera da história mundial. E a taxa de crescimento era bem mais alta, e mais sólida, do que é hoje, também. Isso foi, em grande parte, porque o estado era uma influência relativamente menor na sociedade. A inflação não existia, porque o ouro era dinheiro – o ouro era a moeda internacional – os impostos eram extremamente baixos, as regulamentações eram pequenas. A resposta é voltar para alguma coisa que realmente funcionava, que era o sistema econômico que usávamos no século XIX. Não era o capitalismo laissez-faire, mas estava de longe mais próximo dele do que o que temos hoje, o que seria dizer, nada além de variações do socialismo e do fascismo.

Original.

A Ideia da Neorreação

Traduzir ‘neorreação’ para ‘a nova reação’ não é de forma alguma censurável. Ela é nova e aberta à novidade. Apreendida historicamente, ela não remonta a mais do que alguns anos. Os escritos de Mencius Moldbug foram um catalisador crítico.

Neorreação é também uma espécie de análise política reacionária, herdando um profunda desconfiança do ‘progresso’ em seu uso ideológico. Ela aceita que a ordem sociopolítica dominante do mundo ‘progrediu’ unicamente na condição de que tal avanço, ou movimento implacável para frente, fosse inteiramente destituído de endosso moral e está, de fato, ligado a uma associação primária com a piora. O modelo é aquele de uma doença progressiva.

O ‘neo-‘ da neorreação é mais do que apenas um marcador cronológico, contudo. Ele introduz uma ideia distintiva, ou tópico abstrato: aquele de uma catraca degenerativa.

O impulso de recuar de algo já é reacionário, mas é a combinação de um crítica do progresso com um reconhecimento de que a simples reversão é impossível que inicia a neorreação. A este respeito, a neorreação é uma descoberta específica da seta do tempo, dentro do campo da filosofia política. Ela aprende e, então, ensina que a maneira de sair não pode ser a maneira em que entramos.

Onde quer que o progressismo tome conta, uma catraca degenerativa é colocada em funcionamento. É impensável que qualquer sociedade poderia recuar do direito expansivo ao voto, do estado de bem-estar social, da formulação de políticas macroeconômicas, da burocracia regulatória massivamente extensa, da religião secular coerciva-igualitária ou da arraigada intervenção globalista. Cada uma dessas coisas (inter-relacionadas) são essencialmente irreversíveis. Elas dão à história moderna um gradiente. Dados quaisquer dois ‘instantâneos’ históricos, pode-se dizer imediatamente qual é anterior e qual é posterior, simplesmente observando-se a medida em que quaisquer desses fatores sociais progrediram. O Leviatã não diminui.

Dentro da teoria dos sistemas complexos, certas transições de fase exibem propriedades comparáveis. Efeitos de rede podem prender mudanças, que são então irreversíveis. A adoção e a consolidação do teclado Qwerty exemplifica este padrão. Empresas de tecnologia comumente tornam o aprisionamento central às suas estratégias e, se elas forem bem-sucedidas, elas não podem, então, morrer da mesma maneira em que amadureceram.

Quando a neorreação identifica uma catraca degenerativa – tal como a Singularidade da Esquerda (de Jim Donald) – ela necessariamente coloca o problema de um novo fim. O processo dá errado consistente e irreversivelmente. Para repetir a Ideia Neorreacionária como um mantra: o caminho para fora não pode ser o caminho para dentro.

Uma catraca degenerativa só pode progredir, até que não possa continuar, e ela para. O acontece depois é alguma outra coisa – seu Exterior. Moldbug o chama de reinicialização. A história nos diz para esperá-la, mas não o que devemos esperar.

Original.

Do Poder

O poder é uma ideia. Ele é exatamente o que se pensa que é.

Mesmo entre animais sociais pre civilizados, onde a tentação de confundir poder com força é mais forte, a necessidade de se demonstrar força é apenas esporádica, e, onde quer que a força não seja continuamente demonstrada, o poder surgiu.

É assim que a dominância se distingue da predação. Em certas ocasiões, sem dúvida, um predador domina sua presa, ao convencer um herbívoro que se debate de que a resistência é inútil e de que sua passagem para nutrição já está virtualmente acabada. Mesmo nestes casos, contudo, um predador não busca instalar um domínio duradouro. Não importa, de maneira alguma, que seu comando de força irresistível seja reconhecido para além do momento de destruição. Não há nenhuma relação social a ser estabelecida.

Mesmo a sociedade mais rudimentar requer algo a mais. A economia da força tem que ser institucionalizada, e o poder – perfeitamente coincidente com a Ideia de poder – nasce. Quando o poder é testado, levado a recorrer à força ou a regredir a ela, a ideia já escapou, sua fraqueza foi exposta.

A mera dominância tem que se reafirmar regularmente, reconstruir-se a partir da força. Sob condições civilizadas, em contraste, o poder se exime do teste da força. Ele se torna mágica e religião, perfeitamente identificado com sua apreensão enquanto uma suposição radiante.

O poder é , desta forma, profundamente paradoxal. Sua verdade é inextricavel de uma de uma desrealização, de modo que, quando ela é interrogada de maneira prática, por forças determinadas a escavar sua realidade, ela tende a nada.

Mesmo a força a qual o poder recorre, quando pressionado a se demonstrar ou a se realizar, tem que estar conectada de forma mágica à sua ideia. O generais obedecerão? Os soldados atirarão? É o poder, e não a força, que decide. Não é surpresa alguma, portanto, que o poder possa evaporar como as encostas de neve de um vulcão, como se instantaneamente, quando uma erupção de força é pouco mais do que um rumor. Poder é a erupção não acontecer, bem mais do que a erupção sendo contida. (Igualmente, a anarquia é a questão do poder colocada de forma prática, antes de ser qualquer tipo de ‘solução’.)

Conceber o poder econômico como riqueza é interpretá-lo mal, como uma força (racionalizada), e assim perder a Ideia. O ‘verdadeiro’ poder econômico é um padrão e uma reserva de valor completamente desrealizados e ainda assim impositivos, como instanciado – exclusivamente – na moeda fiduciária. Sinais monetários que não são suportados por nada além do ‘crédito’ (ou credibilidade) do Estado são os símbolos do poder puro e supremamente idealizado em sua forma econômica. Eles simbolizam a supressão efetiva – porque não testada – da anarquia. Eles vivem através da Ideia e morrem com ela.

Aqueles que reconhecem a realização do poder em uma Ideia, celebrantes e antagonistas igualmente, não têm qualquer razão para objetar ao seu bastismo atrasado como a Catedral: nossa apropriação política contemporânea da autoridade numinosa, servida por um clero acadêmico, jornalístico, judicial e administrativo, incluindo de forma proeminente o sacerdócio da adoração fiduciária e do planejamento central financeiro. Não há nenhuma macroeconomia que não seja liturgia da Catedral, nenhuma confiança ou ‘espíritos animais’ independentes de suas devoções, nenhum cataclisma econômico que não seja simultaneamente uma crise de fé. Uma única Ideia está em jogo.

Na macroeconomia, assim como na política de forma mais geral, apenas uma questão (sistematicamente inibida) permanece: Nós acreditamos? Bem, acreditamos?

Origina.

Cozido no Inferno

Há um potencial prólogo a este post, pelo qual reluto em ser distraído. É introvertidamente sobre a NRx, enquanto mutação cultural, e sobre a maneira em que ela é definida por uma indiferença estratégica – ou meramente intratável – a modos profundamente estabelecidos de condenação etno-política. Termos designados como bloqueadores de caminhos – mais obviamente ‘fascista’ ou ‘racista’ – são pisados, talvez caçoados, mas, em todo caso e mais importantemente, expostos como portadores de um terror religioso. Eles são sinais de um regime de controle, que marcam os impensáveis ermos onde há dragões, efetivos precisamente na medida em que não possam ser cogitados. ‘Satânico’ já foi uma palavra dessas (antes de se tornar uma piada). Essas palavras não podem ser entendidas, exceto como invocações do sagrado em seu papel negativo ou limitador.

A NRx é de fato fascista? Nem remotamente. Provavelmente, em realidade em vez de auto-avaliação, ela é a corrente menos fascista da filosofia política que existe atualmente, embora isto requeira uma compreensão mínima do que o fascismo de fato é, o que a palavra em seu uso contemporâneo é projetada para obstruir. A NRx é racista? Provavelmente. O termo é tão completamente plástico a serviço daqueles que o utilizam que é difícil dizer com qualquer clareza real.

O que a NRx mais definitivamente é, pelo menos na firme opinião deste blog, é Darwinista Social. Quando este termo é lançado contra a NRx como um epíteto negativo, não é nem uma causa de resignação estoica, enrijecida pelo humor, mas sim de prazer sombrio. Claro, este termo não é processado culturalmente – pensado através – nem um pouco mais competentemente do que aqueles notados anteriormente. É nossa tarefa fazer isto.

Se ‘Darwinismo Social’ é um termo infeliz de alguma forma, é apenas porque é meramente Darwinismo e, mais exatamente, Darwinismo consistente. É equivalente à proposição de que processos darwinistas não têm limites relevantes para nós. O Darwinismo é algo de que estamos dentro. Nenhuma parte do que é ser humano jamais pode julgar sua herança darwinista a partir de uma posição de alavancagem transcendente, como se acessando princípios de estima moral com alguma gênese ou critério alternativo.

Isso é fácil dizer. No que diz respeito a este blog, também é – além de qualquer questionamento razoável – verdadeiro. Embora muito distante de uma opinião global dominante, ela é não pouco comumente mantida – mesmo que apenas nominalmente – por uma fração considerável daqueles entre o segmento educado das populações com o maior QI do mundo. Também é, contudo, dificilmente suportável de se pensar.

A consequência lógica do Darwinismo Social é que tudo de valor foi construído no Inferno.

É apenas devido a uma predominância de influências que são não apenas completa e moralmente indiferentes, mas, de fato, – de uma perspectiva humana – indescritivelmente cruéis, que a natureza foi capaz de ação construtiva. Especificamente, é unicamente por meio do abate inexorável e brutal de populações que quaisquer traços complexos ou adaptativos foram peneirados – com uma ineficiência torturante – do caos da existência natural. Toda saúde, beleza, inteligência e graça social foi arreliada de um vasto jardim de açougueiro de carnificina ilimitada, exigindo incalculáveis éons de massacre para trazer à tona sequer a mais sutil das vantagens. Isto não é apenas uma questão dos sangrentos moinhos da seleção, tampouco, mas também das inúmeras abominações mutantes vomitadas pela loucura do acaso, enquanto ele persegue seu caminho sem direção até algum traço negligenciável que se possa preservar e, então, – mais ainda – dos horrores inconfessáveis em que a ‘aptidão’ (ou pura sobrevivência) em si implica. Nós somos uma minúscula amostra de matéria agonizada, que constitui monstros de sobrevivência genética, pescados de um oceano cósmico de mutantes vis, por uma máquina de matar sem piedade e com apetite infinito. (E isto é, talvez, ainda colocar um viés irresponsavelmente positivo na estória, mas será o suficiente para os nossos propósitos aqui.)

Crucialmente, qualquer tentativa de escapar a esta fatalidade – ou, de forma mais realista, qualquer mero adiamento acidental e temporário dela – inexoravelmente leva ao desfazer de seu trabalho. Relaxamento Malthusiano é toda a misericórdia e é o maior mecanismo de destruição que nosso universo é capaz de produzir. Na medida precisa em que somos poupados, mesmo que por um momento, degeneramos – e esta Lei de Ferro se aplica a toda dimensão e escala de existência: filogenética e ontogenética, individual, social e institucional, genômica, celular, orgânica e cultural. Não há qualquer maquinário existente, ou mesmo rigorosamente imaginável, que possa sustentar um único iota de valor obtido fora das forjarias do Inferno.

O que é que a Neoreação – talvez eu devesse dizer O Iluminismo Sombrio – tem a oferecer ao mundo, se tudo correr otimamente (o que, claro, não ocorrerá)? De fato, a resposta honesta a esta questão é: Inferno Eterno. Não é um resumo de marketing fácil. Podemos tentar, talvez: Mas poderia ser pior (e quase certamente será).

Original.