O post é lançado assim porque é sexta-feira à noite, mas funciona. Um post mais atencioso poderia ter sido intitulado simplesmente ‘Malthus’ e envolvido muito trabalho. Isso vai ser necessário em algum ponto. (Eis aqui a 6ª edição de An Essay on the Principle of Population, para qualquer um que queira começar agora.) Uma abordagem mais minuciosamente técnica teria sido marcado como ‘neo-malthusianismo’. Embora simpatize com lamentações sobre um outro prefixo ‘neo-‘, neste caso ele teria sido solidamente justificado. É apenas através da expansão da compreensão malthusiana, de acordo com uma lei de conservação mais geral, que sua relevância atual completa pode ser apreciada. O Malthus clássico ainda faz bem mais trabalho do que lhe é creditado, mas contém um princípio de bem aplicação bem mais penetrante.

O ‘neo-‘, em sua forma mais frívola, é meramente uma marca da moda. Quando empregado de maneira mais séria, ele denota um elemento de inovação. Seu sentido mais significante inclui não apenas novidade, mas também abstração. Algo é levado adiante de tal maneira que seu núcleo conceitual é destilado através da extração de um contexto específico, alcançando uma generalidade mais elevada e uma formalidade mais exata. Malthus antecipa isto parcialmente, em uma frase que aponta para além de qualquer concretude excessivamente restritiva:

malthus00

“O poder da população é tão superior ao poder da terra em produzir subsistência ao homem que a morte prematura deve, de uma forma ou outra, visitar a raça humana.”
– Reverendo Thomas Malthus

A qualificação “de uma forma ou outra” poderia ter sido extraída do horror abstrato, e “morte prematura” só a restringe vagamente. Ainda assim, essa formulação permanece demasiado estreita, uma vez que tende a excluir o resultado disgênico que, desde então, descobrimos ser uma dimensão da expressão malthusiana, pouco menos imponente do que a crise de recursos. Uma descrição neo-malthusiana do “X”, que, de uma forma ou outra, faz uma sombria perversidade de todos os esforços da humanidade para melhorar sua condição, o compreende como um destino matematicamente conservado, plástico ou abstrato, funcionando tão sem remorso através de reduções da mortalidade (‘relaxamentos’ malthusianos) quanto através de aumentos (‘pressões’ malthusianas). Ambos contariam igualmente como “restrições à população” – cada um conversível, através de um cálculo complexo, ao termos do outro. Uma população disgenicamente deteriorada através do relaxamento malthusiano ‘iluminado’ descobre, uma vez mais, como passar fome.

O Iluminismo Sombrio (ensaio) foi claramente catalizado pelo trabalho de Mencius Moldbug, mas deveria ter tido dois pilares histórico-intelectuais anglo-Thomistas ou Thomas céticos (e nenhum deles era Thomas Carlyle). O primeiro era Thomas Hobbes, no qual pelo menos se tocou. O segundo deveria ter sido Thomas Malthus, mas a série foi desviada para dentro da corrente espumante do caso Derbyshire e dos ultrajes da política racial esquerdista. A integridade da concepção foi perdida. Não tivesse sido, poderia ter sido menos tentador ler a corrente-333 como um Anti-Iluminismo, em vez de como um Contra-Iluminismo, no sentido de um alternativa eclipsada à calamidade rousseauista que prevaleceu. Teria certamente anexado o Iluminismo Escocês, mas apenas sob a condição definitiva de que ele fosse acorrentado seguramente ao cadafalso duramente realista do Iluminismo Sombrio (Hobbes e Malthus), desiludido de todo idealismo. Estórias bonitas são para criancinhas (sendo criadas por liberais).

Malthus subtrai todo o utopismo do iluminismo. Ele demonstra que a história é montada – necessariamente – em um jardim de açougueiro. Através de Malthus, Ricardo descobriu a Lei de Ferro dos Salários, desconectando as ideias de avanço econômico e redenção humanitária. Darwin efetuou um revisão comparável (e mais importante) na biologia, também sobre bases malthusianas, dissipando toda a sentimentalidade das noções de ‘progressão’ evolutiva. É a partir de Malthus que sabemos que, quando qualquer coisa parece se mover adiante, é por ser moída contra um fio de corte. É quando Marx tenta colocar Malthus na história, em vez da história em Malthus, que a demência utópica foi ressuscitada dentro da economia. O anti-malthusianismo dos libertários os estigmatiza como tolo sonhadores.

Com a NRx, a questão talvez seja mais instável, mas o Iluminismo Sombrio é inequivocamente malthusiano. Se você encontrar seu olho ficando úmido, arranque-o fora.

Original.
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