Tenho planejado um expedição ao horror, para a qual o Kurtz de Conrad e de Coppola é um ponto de parada essencial – talvez até mesmo um ponto terminal. A missão é articular o horror como uma ‘realização’ funcional e cognitiva – uma calma catástrofe de toda inibição intelectual – que tende ao realismo em sua possibilidade derradeira. O horror é o verdadeiro fim da filosofia. Assim, conta como um momento de sincronicidade tropeçar em Richard Fernandez citando Kurtz (o de Coppola) – e tinha que ser repassado imediatamente. Há, claro, apenas uma passagem que importa, então não é nenhuma coincidência que Fernandez a selecione:

Eu vi horrores… horrores que você viu. Mas você não tem nenhum direito de me chamar de assassino. Você tem o direito de me matar. Você tem o direito de fazer isso… mas você não tem nenhum direito de me julgar. É impossível que palavras descrevam o que é necessário para aqueles que não sabem o que horror significa. O horror… o horror tem uma face… e você tem que fazer do horror um amigo. O horror e o terror moral são seus amigos. Se eles não forem, então são inimigos a serem temidos. Eles são verdadeiros inimigos! Eu lembro quando estava com as Forças Especiais… parece que faz mil séculos. Fomos a um campo para inocular algumas crianças. Deixamos o campo depois de termos inoculado as crianças contra a pólio, e este velho veio correndo atrás de nós e ele estava chorando. Ele não podia ver. Voltamos lá, e eles haviam vindo e decepado cada um dos braços inoculados. Eles estavam em uma pilha. Uma pilha de bracinhos. E eu lembro… eu… eu… eu chorei, eu chorei como uma avó. Eu queria arrancar meus dentes; eu não sabia o que eu queria fazer! E eu quero lembrar disso. Eu não quero esquecer disso nunca …. Eu não quero esquecer nunca. E então eu percebi…. como se eu tivesse sido baleado… como se eu tivesse sido baleado por um diamante… uma bala de diamante atravessando minha testa. E eu pensei, meu Deus… a genialidade daquilo! A genialidade! A vontade de fazer aquilo! Perfeita, genuína, completa, cristalina, pura. E então eu percebi que eles eram mais fortes que nós, porque eles poderiam aguentar aquilo […] estes não eram monstros, estes eram homens… quadros treinados. Estes homens que lutavam com seus corações, que tinham famílias, que tinham filhos, que estavam repletos de amor… mas eles tinham a força… a força… de fazer aquilo. Se eu tivesse dez divisões daqueles homens, nossos problemas aqui acabariam bem rapidamente. Você tem que ter homens que são morais… e, ao mesmo tempo, que são capazes de utilizar seus instintos primordiais para matar sem sentir… sem paixão… sem julgamento… sem julgamento! Porque é o julgamento que nos derrota.

Para arrancar uma frase para repetição: “É impossível que palavras descrevam o que é necessário para aqueles que não sabem o que o horror significa”. Como, então, aprender o que ‘o horror significa’… (mesmo em uma poltrona)?

Original.
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