A tese etno-cladística, superficialmente resconstruída aqui a partir do uso neorreacionário de Mencius Moldbug, propões que relações entre sistemas culturais são capturadas por cladogramas em um nível altamente significante de adequação. Os limites a esta tese são estabelecidos por complicações laterais – intercâmbios e modificações que não se conformam com um padrão de descendência ramificada – e estas não são, de forma alguma, negligenciáveis. Não obstante, formações culturais reais são dominadas pela ordem cladística. Como consequência, teorias culturais que assumem a regularidade taxonômica como uma norma são capazes de alcançar aproximações potencialmente realistas e, além disso, de oferecer o único prospecto para a organização rigorosa dos fenômenos etnográficos.

A defesa mais direta e central da tese etno-cladística ignora os sistemas religiosos de nível comparativamente alto que fornecem o material para os argumentos de Moldbug e se volta, em vez disso, para o fenômeno etnográfico raiz: a língua. Línguas simplesmente são culturas em suas características fundamentais, de modo que qualquer abordagem aplicável a elas terá demonstrado sua adequação geral para a análise cultural.

Eu tentaria desenrolar isto de forma melodramática, mas não acho faça realmente qualquer sentido:

langtree1

Clique nas imagens para uma exibição em tamanho completo (legível).

indoeuropean

Parece indisputável (para mim) que complicações laterais destes esquemas cladísticos básicos são marginais. Línguas estão naturalmente agrupadas em estruturas ramificadas em forma de árvores que, como aquelas da variedade biológica (metazoária), são simultaneamente explicativas de processos históricos e de parentesco morfológico, já que representam processos evolutivos de especiação sucessiva. A organização dominante é uma hierarquia taxonômica que se conforma à língua formal da teoria dos conjuntos. Os eventos reais capturados por esses esquemas são cismas, cuja relação lógica é aquela do gênero com a espécie. No caso da cultura, assim como com a biologia, o desenvolvimento evolutivo manifesto indica a existência de algum mecanismo hereditário eficiente (cuja unidade de informação replicada é rotulada por Moldbug, entre inúmeros outros, como um ‘meme‘). Sobre este último ponto, vale a pena notar que a classificação taxonômica biológica, e mesmo a genética, precedeu a descoberta bioquímica do DNA – e foi amplamente confirmada, e não perturbada, quando esta descoberta teve lugar. (O meme é uma analogia, mas não uma metáfora.)

A etno-cladística é a esquemática da herança cultural. Apesar da assertividade tratorante deste post, ele não tem a intenção de impedir esforços metódicos dirigidos à subversão deste modelo. Como indicado, tais esforços necessariamente envolverão a elaboração de diagramas laterais (ou ‘rizomáticos’) – um projeto de grande significância intrínseca (e potencial criativo). Processos tecno-comerciais estão fortemente associados com lateralizações deste tipo.

A cultura, contudo, é fundamentalmente herança, e a etno-cladística é a resposta teórica a este fato histórico básico. Esta já é a alegação tácita de Moldbug, que deveria ser incontroversa entre reacionários de qualquer tipo. No cerne do empreendimento neorreacionário está o cladograma.

Original.
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One thought on “Etno-Cladística

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