É hora de ainda outro ‘novo Nietzsche’? Qualquer voga dessas não poderia ser mais do que uma distração, comparada ao que realmente importa, que é que lascas de compreensão nitzscheana se recusam a envelhecer em silêncio e, em vez disso, se refazem como nossas contemporâneas, comentando com espantosa perspicácia sobre o desdobrar do caos dos tempos.

Pode nunca ter havido um pensador mais merecedor de um post de blog curto, esfarrapado e inconclusivo. Eis aqui alguns temas nietzscheanos que ainda estão conosco – ou conosco mais do que nunca.

(1) Vontade de Poder. Poder são meios abstratos, ou capacidade instrumental. Fazer dele o objeto determinante da vontade, portanto, é retorcer a estrutura teleológica ordenada em um circuito reflexivo e paradoxal. A vontade de poder diz que os meios são o fim último e que mesmo aqueles dispostos a simplesmente rejeitar esta fórmula perturbadora são desafiados a aceitar que ela é pelo menos pensável.

(2) Revolta de Escravos na Moralidade. Discriminar entre bom e mau, como foram outrora entendidos, é mau, e apenas aqueles que se opõem a tal discriminação são bons. Alguém, antes ou depois dele, se aproximou da acuidade de Nietzsche em compreender a insanidade sistemática de nossos sistemas dominantes de valor?

(3) Niilismo como Destino. Nos anos finais do século XIX, Nietzsche declarou que o niilismo era a chave interpretativa para entender a história Ocidental dos duzentos anos por vir. O cristianismo, mortalmente ferido por sua própria tolerância à honestidade, estava passando para um eclipse, com nada em posição para lhe substituir. (Não apenas nada, mas Nada, estava à frente.) Alguma coisa ocorreu desde então para refutar esta visão de ruína civilizatória que se amontoa?

(4) Super-homem. A humanidade é algo a ser superada, Nietzsche proclamou, e o transumanismo nasceu. Ciborgues são seus filhos mentais.

(5) Eterno Retorno. Nós compreendemos mal a topologia do tempo e, ao fazê-lo, fechamos os portões que conectam o tempo à eternidade. A recuperação a partir deste maior dos erros separará os fortes dos fracos, estabelecendo a pedra de capeamento da ‘Grande Política’ que se abre no fim do niilismo. Eventualmente, a filosofia do tempo decidirá.

Original.
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