Desde o momento de sua concepção, este blog esteve acampado na margem da ‘reactosfera’ – e tudo que ocorre sob o rótulo de ‘NRx’ é (pelo menos nominalmente) de seu interesse. Conforme este território se expandiu, de um compacto reduto a tratos que se alastram, cujas fronteiras estão perdidas para além de horizontes enevoados, um escrutínio minucioso e abrangente se tornou impraticável. Em vez disso, temas e tendências emergem, absorvendo e carregando meros incidentes. Como mudanças climáticas, ou vagos sistemas meteorológicos, eles sugerem padrões de desenvolvimento persistente e difuso.

Entre esses rumores, os mais indefinidos, tentativos e irresolutos tendem ao estético. Sem critérios de avaliação estabelecidos, há pouca base óbvia para a colisão produtiva. Em vez disso, há afirmações idiossincráticas de apreciação, expressadas como tal, ou juízos inflexíveis de afirmação ou negação, ganhando força, envoltos na elegância heráldica do absoluto, antes colapsarem de volta no vazio de suas pretensões insustentáveis. Da maneira em que as coisas estão, quando alguém posta uma foto de algum tesouro arquitetônico ou de uma pintura clássica, observando (ou, mais comumente, meramente insinuando) “Vocês deveriam todos estimar isto”, não há nenhuma resposta verdadeiramente apropriada além da gargalhada. Se não houvesse um problema profundo exatamente a este respeito, a NRx não existiria. Critérios são quebrados, dispersos e despojados, a tradição oficial é esmagada, infectada ou reduzida a auto-paródia, as Musas, estupradas e massacradas. É neste lugar em que estamos na terra do sol moribundo.

Um murmúrio associado e insistente diz respeito à lucidez comunicativa. Isto não é unicamente uma questão de estética, mas, em sua trêmula falta de fundamento, comporta-se como uma. Surge mais tipicamente como a afirmação – inicialmente sem suporte e subsequentemente não desenvolvida – de que, claramente, ‘a obscuridade desnecessária’ deveria ser condenada.

A culpabilidade deste blog enquanto vórtex de obscurantismo eufórico dificilmente pode ser duvidada, então abordar o desafio se aproxima de um dever. Deixando de lado, no momento, os aspectos sociais e criptográficos do tópico, assim como a crítica específica da cognição humana por sua intolerância à real obscuridade (comparativamente articulada, da minha perspectiva, mesmo que obscura a partir de outras), este posta perseguirá diretamente a questão da linguagem.

Esta questão é, acima de tudo, sobre confiança. Mesmo nesta consideração inicial, ela já é difícil. Enquanto uma ferramenta complexa, há coisas que ela pode fazer e coisas que ela não pode fazer. Falando de maneira aproximada e incerta, se ela for dirigida àquelas empreitadas que têm, ao longo das eras, exercido pressão seletiva sobre si – satisfazer as necessidades sociais de grupos humanos paleolíticos – então uma suposição de sua inerente confiabilidade é pelo menos plausível. Estender tal suposição mais além é pura imprudência. Nada na linguística suporta a selvagem hipótese de que este código, desenvolvido pouco a pouco para a coordenação social de primatas, é necessariamente adequado aos desafios cognitivos modernos. A gramática não é uma boa epistemologia. Os matemáticos abandonaram a ‘linguagem natural’ inteiramente. Presumir que a linguagem nos permite pensar é um salto de fé. A desconfiança radical é o padrão mais rigoroso.

Promover a ‘clareza’ enquanto um ideal óbvio, que não precisa de qualquer justificação a mais, é uma exigência de que a linguagem – como tal – possa ser confiada, de que ela seja competente para todas as tarefas comunicativas razoáveis e de que a ‘razão’ possa ser definida de uma maneira que torne esta afirmação tautológica (tal definição é eminentemente tradicional). “Eu lhe dou minha palavra” de que a linguagem não está predisposta à enganação – nenhum investigador pensativo jamais se encontrou de acordo com tal alegação. Vocabulários são retardo, e a gramática, quando é mais do que um jogo, é uma mentira. A linguagem é boa apenas para jogos de linguagem, e, entre estes, os jogos de confiança são os mais irremediavelmente estúpidos.

Não há nenhuma obrigação geral de se escrever a fim de atacar a linguagem, mas é isto que Xenosistemas faz e continuará a fazer. A língua não é um transportador neutro de infinitas possibilidades comunicativas, mas uma caixa de inteligência. Ela deve ser contada entre as armadilhas a serem escapadas. Ela é um alvo da Saída – e a saída é difícil.

Original.
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One thought on “Da Dificuldade

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