De todas as razões para se ler Kant, a mais importante é entender Mises e, assim, o modelo para um mundo funcional (por mais inalcançável que seja). A economia austríaca, como formulada em Ação Humana, consiste exclusivamente de proposições sintéticas a priori sistematicamente agregadas. Na medida em que a ação é de fato dirigida pela razão prática, as conclusões da praxeologia organizada não podem estar erradas.

É sem sentido perguntar a um Economista Austríaco se ele ‘acredita’ que um aumento no salário mínimo aumentará o desemprego (acima do nível em que de outra forma estaria). A construção praxeológica da lei econômica é indiferente à regularidade empírica, assim como a qualquer coisa menos certa do que a necessidade racional. ‘Acredita’-se que 2 + 2 = 4? Não, sabe-se isso, porque os valores irredutíveis dos signos compelem a conclusão e são inextricáveis dela. Não poderia haver qualquer valor ‘2’, a menos que sua duplicação fosse igual a ‘4’, nem qualquer significado para ‘salário’, a menos que sua duplicação reduzisse a demanda por trabalho. O austrianismo empiricamente sensível não é de forma alguma austríaco.

Assim como a teoria dos jogos, o austrianismo se aplica onde quer que agentes racionais busquem maximizar vantagens. Talvez, como Moldbug argumenta, seja comparável à geometria euclidiana – outra construção sintética a priori – incorporado, como um caso especial, dentro de um modelo mais geral, não restrito pela pressuposição de propósitos inteligíveis.

O problema com Mises enquanto guru é que o liberalismo clássico misesiano (ou o libertarianismo rothbardiano) é como a física newtoniana. Está basicamente correto dentro de seu invólucro operacional. Sob condições incomuns, ele quebra, e um modelo mais geral é necessário. A equação tem um outro termo, o valor ordinário do qual é zero. Sem este termo, a equação está errada. Normalmente, isto não é nenhum problema; mas se o termo não for zero, o erro se torna visível.

Enquanto questão de fato histórico, é assim que o afastamento neorreacionário do libertarianismo puro ocorreu. Tropeçou em uma curvatura diferente de zero no domínio da economia política e – incapaz de se confortar através da rejeição desta descoberta – precipitou uma crise intelectual, através da qual se espalha. Quer fielmente carlyleano ou não, insiste em uma generalização do realismo para além das expectativas da ordem liberal. A civilização é a frágil solução de um problema mais profundo, não uma fundação estável a ser assumida – como um postulado paralelo – por cálculos elaborados subsequentes.

O que isso faz do dinheiro? O austrianismo pode ser modificado, através de transformações sistemáticas que o adaptem à intrusão sombria do realismo neorreacionário? Esta é uma questão que discussões recentes já introduziram.

Original.
Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s