Handle tem um excelente post sobre isto, fazendo referência a Nydwracu, que fez disso um importante projeto. É imenso e antigo e bem impossível de resumir de maneira de persuasiva. É também impossível evitar, especialmente para a Direita Exterior.

Steve Sailer contou uma piada que eu vou mutilar. Uma monstruosa invasão alienígena assalta a terra e as pessoas têm que decidir como responder. Os conservadores dizer “O que há para se pensar? Temos que nos reunir para derrotar esta coisa”. Os liberais respondem: “Espere! Eles provavelmente têm boas razões para nos odiar. Deve ser algo que fizemos. Até que resolvermos o que é, deveríamos nos prostrar antes suas queixas”. Finalmente, os libertários aumentam a voz: “Eles acreditam em mercados livres?”.

Uma querela óbvia surge com o remate libertário: se apenas. Libertários predominantemente demonstraram um entusiasmo por invasões alienígenas que estejam totalmente separadas de qualquer qualificação orientada ao mercado. Como diz seu argumento – a invasão alienígena é o livre mercado. (Precisaremos retornar a isto, indiretamente.)

O apetite por identidade parece estar cabeado na maneira aproximada da língua, ou religião. Você tem que ter uma (ou várias), mas o instinto não a fornece já pronta. É por isso que a identidade corresponde a uma fome. É algo de que as pessoas precisam, instintivamente, com uma intensidade que é difícil de exagerar. Necessidades saciáveis simbolicamente são combustível político de foguetes.

Fornecer um plugue expediente para o dolorido soquete da identidade é o mais perto de política-em-poucas-palavras que qualquer coisa jamais chegará. No cerne de toda ideologia está uma determinação da identidade modelo – secto, classe, raça, gênero, orientação sexual… – e uma implementação em massa desta ‘consciência’ já é triunfo consumado. Depois que o engate psicológico na ‘nação’ relevante ocorre, não resta nada além de táticas.

A reação busca defender as nações agonizantes entre seu próprio povo – o que já é uma repetição sugestiva. A neorreação se torna meta, em um mundo em que a proscrição de certos povos quase completamente define a ação inimiga orquestrada. Para uma construção razoável do mainstream reacionário (*ahem*), isso já é ter chegado em um ponto natural de parada. Nós queremos nossas nações de volta. A despeito dos evidentes obstáculos, ou obstáculo (a Catedral), em seu caminho, esta abordagem joga para o germe da natureza humana e, assim, tende – compreensivelmente – a assustar aqueles que quer assustar. Se ela começar a funcionar, encontrará um sério combate.

Este blog, cuja missão é a estranheza, está determinado a complicar as coisas. Mesmo a mais resoluta das nações provavelmente acolherá o primeiro apêndice, o que chama atenção para a peculiar introdução de identificações punitivas verdadeiramente mórbidas. Não há qualquer razão para pensar que isto seja novo – Nietzsche denunciou o cristianismo por fazê-lo – mas eleva-se a uma inequívoca proeminência durante a decadência da modernidade. Identificações primárias, para grupos seletos – visados -, deixam de ser nações positivas, exceto na medida em que estas tenham se tornado radicalmente negativizadas. O que ‘se’ é, primariamente, se não for protegido por uma vitimização crível, é alguma variante pós-moderna de pecador (racista, cisgênero, opressor). Tal é a fome por identidade que mesmo essas formações tóxicas de autodestruição psíquica imposta são abraçadas, criando uma espécie de animais sacrificiais servis consumidos pela culpa, encurralados dentro dos contornos de ‘nossas’ antigas nações. Redenção é prometida àqueles que mais completamente se resignam a sua própria toxicidade identitária, que, desta maneira, atingem uma perversa superioridade sobre aqueles insuficientemente convencidos da necessidade da salvação através da auto-abolição. “Nós realmente, realmente merecemos morrer” vence um fraco “Nós realmente merecemos morrer”, e qualquer um que ainda pense que é OK viver está simplesmente perdido. (Apenas pecadores estão inclusos nesta corrida armamentista, e a Catedral nos diz claramente quem eles são.)

Uma complicação adicional será bem menos digestível, que é precisamente por que eu gostaria de alinhá-la com a Direita Exterior. Talvez escapar dessa estrutura de cativeiro não possa tomar um caminho reverso, e um direcionamento para dentro de des-identificações, identidades artificiais e curto-circuitos identitários seja ‘nosso’ real destino. A inveja de identidade da direita – não importa o quão profundamente enraizada em uma história indisputável de implacável agressão catedralista – não pode jamais ser qualquer coisa além de uma fraqueza, dado o que sabemos sobre o gradiente político da época moderna. O fato que ela sabe que queremos ser alguma coisa e o que é que queremos ser é o alfa e o ômega da competência política da Catedral. Ela sabe o que seus inimigos seriam, se eles pudessem ser o que querem ser. Não é necessário uma profunda imersão em Sun Tzu para perceber o desespero estratégico dessa situação.

Eu quero que a Catedral seja obliterada por monstros que ela não reconhece, entende ou contra os quais possui anticorpos. Há um elemento idiossincrático nisso, admitidamente. Eu me identifico bem mais com a Companhia das Índias Orientais do que com o Reino Unido, com a híbrida Singlosfera do que com o povo britânico, com clubes e cultos do que com nações e credos, com Yog Sothoth do que com minha religião ancestral e com Pítia do que com o Sistema de Segurança Humana. Eu acho que verdadeiros cosmopolitas – tais como os aventureiros da Xangai do final do século XIX (tanto ingleses quanto chineses) – são superiores à ralé populista da qual o nacionalismo extrai seus recrutas. Esse sou só eu.

O que não sou só eu é o que a Catedral sabe como derrotar. Esse, suspeito fortemente, pelo menos na grande maioria dos casos, é você.

Original.
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One thought on “Fome de Identidade

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