Depois de (re)ler a análise crítica de Adam Gurri da problema central da Neorreação (uma tragédia dos comuns políticos), leia a resposta cirúrgica de Handle. A calma inteligência em exposição de ambos os lados é quase suficiente para lhe deixar insano. Isto não pode estar acontecendo, certo? “De uma maneira, é um pouco triste, porque eu consigo adivinhar que o artigo de Gurri será o zênite e a linha de maré alta da cobertura da neorreação, o que significa que só vai ficar pior daqui em diante.” Aproveite a compreensão enquanto ela dura.

A minha própria resposta a Gurri ainda é embrionária, mas eu já suspeito que ela diverge da de Handle em algum grau. Em vez de defender o elemento ‘tecnocrata’ no modelo Patchwork-Neocameral de Moldbug, eu concordo com Gurri que este é um problema real, embora (claro) eu seja bem mais simpático ao projeto intelectual subjacente. Diferente de Gurri – que, neste aspecto crucial, representa uma posição liberal clássica em sua forma mais pensativa – Moldbug não concebe a democracia como um processo de descoberta, iluminado pela analogia à dinâmica de mercado e à evolução social orgânica. Pelo contrário, ela é um mecanismo de catraca que sucessivamente distancia a esfera política da sensibilidade ao feedback, devido a seu caráter enquanto loop fechado (ou igreja estatal) sensível apenas a uma opinião pública que ela mesmo fabricou. Conforme a Catedral se expande, sua adaptação à realidade se atenua progressivamente. O resultado é que todo processo efetivo de descoberta – que ele seja econômico, científico ou de qualquer outro tipo – está sujeito a uma subversão cada vez mais radical por parte de influência política cujo único ‘princípio de realidade’ é interno: baseado em um circuito fechado de manipulação social.

A democracia é assim, estritamente falando, uma produção de insanidade coletiva, ou dissociação da realidade. A solução de Moldbug, portanto, só pode ser uma tentativa de reincorporar a governança em uma sistema efetivo de feedback. Uma vez que já está evidente que mecanismos democráticos, em vez de fornecer tal feedback, confiavelmente aprofundam a dissociação, o sinal da realidade tem que vir de algum outro lugar. Para retornar a uma condição adaptativa, a governança tem que simultaneamente se desconectar da opinião popular (voz) e se reconectar a um registro de desempenho real – em vez de ideologicamente produzido. O meio de comunicação para o feedback não contaminado requerido por um governo sensato é o tráfego de saída dentro do Patchwork (comparável, em sua operação, a uma preferência revelada de consumo dentro de mercados).

A grande dificuldade que aí emerge – lançando todo o esquema Neocameral em questão – é a exigência de um salto ‘não descoberto’ ou ‘tecnocrata’, a partir de um ambiente de descoberta ou pressão seletiva progressivamente decadente, para um que a descoberta possa novamente ocorrer. A Neorreação confronta um problema bem real de transição, e Gurri está bastante correto em apontar isto. Handle está não menos correto quando insiste que a opção ‘conservadora’ de acomodação ao processo social democrático em movimento é profundamente indefensável, porque a deterioração da descoberta é essencial para a tendência democrática. A mal adaptação à realidade deixa de ser corrigível sob a governança da Catedral, e o reconhecimento desta condição maligna é a compreensão neorreacionária definitiva.

Se ficarmos no trem, seremos esmagados em uma insanidade consumada, mas saltar é erro tecnocrata (não suportado pela descoberta). Quanto à prevaricação: A intensificação deste dilema pode ser confiantemente esperada da mera continuação do processo democrático, dominado pela política degenerativa de um hospício, e que embaralha toda a informação social. É nesta posição precária que a tarefa de uma avaliação rigorosa do esquema Neocameral, junto com seus prospectos de renovação e reposição, tem que ocorrer.

“… só vai ficar pior daqui em diante.”

Original.
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