O medo racial é uma coisa complicada. Vale a pena tentar quebrá-lo, sem piscar demais.

Conforme se regride através da história e para dentro da pré-história, o padrão de encontros entre grupos em larga escala de humanos com ancestralidade marcantemente distinta é modelado – com fidelidade cada vez maior – sobre um ideal genocida. O ‘outro’ precisa ser morto ou, no mínimo, interrompido em sua alteridade. Abater todos os machos, começando com aqueles em idade militar, e então assimilar as fêmeas como gado reprodutor poderia ser suficiente como solução (Javé adverte especificamente os antigos hebreus contra tais medidas hesitantes). Qualquer coisa a menos é pura procrastinação. Quando imperativos econômicos e altos níveis de confiança civilizacional começam a soterrar considerações mais primordiais, é possível que a supressão de outros povos tome a forma humanizada de obliteração social combinada com escravização em massa, mas tal suavidade é um fenômeno comparativamente recente. Durante quase todo o período em que animais reconhecivelmente ‘humanos’ existiram neste planeta, se pensou a diferença racial como motivo suficiente para o extermínio, com o contato limitado e a inadequação de meios sociotécnicos servindo como os únicos freios significantes sobre a violência inter-racial. A única alternativa histórica profunda para a opressão racial foi a erradicação racial, exceto quando a separação geográfica adiou a resolução. Este é o lado simples do ‘problema da raça’, mas ele também começa a ficar complicado … (o retomaremos novamente após um desvio).

No momento, precisamos apenas notar o oceano arcaico e subterrâneo de animosidade racial que envolve o abismo sem sol do cérebro, dirigido por genomas esculpidos por éons de guerra genocida. Chame de terror racial. Não é nossa preocupação principal aqui.

O horror racial é uma outra coisa, embora esteja, sem dúvida, intricadamente interconectado. Horror ao próprio fenômeno da raça – à raça como tal – é um tópico tanto maior quanto menor. É, de uma só vez, um afeto expansivo que não encontra nenhum conforto na identidade biológica e uma síndrome distintamente etno-específica. Quando elaborada de forma positiva, o horror racial explode em uma revulsão cósmica ‘Lovecraftiana’ dirigida à situação da inteligência humana através de sua herança natural. A expressão negativa, bem mais comum hoje (entre aqueles de uma herança natural muito específica), toma a forma de uma negação inexpressiva de que qualquer realidade tal como raça sequer exista. Temos todo direito de descrever este último desenvolvimento como um “whiteout” racial. Qualquer Estudo Crítico da Branqueza de seriedade sequer mínima se concentraria nele implacavelmente.

A BDH, ou biodiversidade humana, evidentemente não é redutível à variação racial. Ela está pelo menos igualmente preocupada com o dimorfismo sexual humano e é, em última análise, indistinguível de uma eventual genômica humana comparativa. Quando considerada como uma provocação, contudo, a tradução de BDH para ‘ciência da raça’ ou, mais incisivamente, ‘racismo científico’ abafa qualquer outra dimensão do significado. O que se acha aterrador sobre a BDH é a insistência de que raça existe. É um ‘trigger’ do horror racial. Indignação social, certamente, mas, para além disso, aflição cósmica, inclinando-se a um pânico sem limites. A BDH subtrai a promessa da humanidade universal, então ela deve – a qualquer custo – ser parada.

Uma vez que este não é mais que um post preliminar de um blog, irei restringi-lo a uma única e modesta ambição: a refundação dos Estudos Críticos da Branqueza sobre uma base impiedosamente Neorreacionária. Pessoas brancas são estranhas. Um grupo especialmente significante delas, em particular, quebrou radicalmente com o padrão arcaico de identidade racial humana, criando, em consequência, o mundo moderno, e, dentro dele, sua identidade étnica se tornou um paradoxo dinâmico. A branqueza é uma reação histórica não controlada que ninguém – muito menos alguém dentre os anti-racistas complementares dos Estudos Críticos da Branqueza e do Nacionalismo Branco – começou a entender. Para começar a fazê-lo, ter-se-ia que compreender por que o ensaio em que Mencius Moldbug mais explicitamente repudia o Nacionalismo Branco é o mesmo em que ele mais inequivocamente endossa a diversidade racial humana. Isso exige um reconhecimento da dificuldade que – já que ela destrói soluções irresistivelmente atraentes, mas desesperadamente simplistas, em ambos os lados – poucos estão motivados a fazer.

A assinatura da indissolúvel diferença Branca é precisamente o horror racial. A BDH é singularmente horrível para as pessoas brancas. Até que você entenda isso, você não entende nada.

Brinque com isso por um momento, ou por mais do que um momento (isso realiza um enorme quantidade de trabalho indesejado mas indispensável). Para começar com:

(1) Os Estudos Críticos da Branqueza, quaisquer que sejam suas pretensões etno-minoritárias, são todos sobre ‘agir branco’. Na medida em que eles criticam o ‘privilégio branco’ essencialmente, eles o fazem reproduzindo um modo etnicamente singular de razão universal, do qual nenhum outro povo consegue fazer qualquer sentido que seja, exceto de maneira oportunista e parasitária. A ‘branqueza’ tende a se tornar um princípio religioso, exatamente na medida em que carece das características reconhecíveis da dominância de grupo racial (“raça não existe”) e se sublima em um modo de reprodução cultural que apenas uma etnia já manifestou. Para citar Alison Bailey – que tomba para dentro da psicose crua da crítica sistemática à ‘branqueza’ (link repetido):

Em sua busca por certeza, a filosofia Ocidental continua a gerar o que imagina serem descrições sem cor e sem gênero do conhecimento, da realidade, da moralidade e da natureza humana. Talvez isto seja porque a filosofia acadêmica nos EUA tenha sido largamente guiada por métodos analíticos e pelo legado de pensadores gregos clássicos e europeus, ou porque os departamentos de filosofia são espaços sociais brancos onde a maioria esmagadores dos filósofos profissionais são homens brancos. Em ambos os casos, é provável que a maioria dos membros da disciplina tenham evitado tópicos raciais porque acreditam que o pensamento filosófico transcende as diferenças culturais, raciais, étnicas e sociais básicas e que estas diferenças são melhor abordadas por historiadores, acadêmicos de estudos culturais, teóricos literários e cientistas sociais. A ausência da conversa sobre cor na filosofia é um marcador de sua branqueza.

O racismo supremacista branco vai tão fundo que é absolutamente indistinguível de uma completa ausência de racismo – quod erat demonstrandum.

(2) O Nacionalismo Branco se encontra frustrado a cada passo pelo universalismo, pelo altruísmo patológico, pelo etno-masoquismo – todas essas coisas brancas nojentas. Se apenas você conseguisse fazer um Nacionalismo Branco sem pessoas brancas, ele varreria o planeta. (Tente não entender isto, eu sei que você não quer.) Heartiste está captando o padrão:

“Aonde este pensamento está levando? O estoque nativo do Ocidente está claramente sofrendo de uma doença mental causada por excesso de exogamia. O universalismo é a religião dos brancos liberais, e eles se apegam tão fortemente a esta religião secular que estão felizes, ou melhor, exultantes! em abrir as fronteiras e legar seu território e cultura duramente conquistados para batalhões de terceiro-mundistas e outros estrangeiros de temperamento distante que, claro, dados número grande o suficiente, irão prontamente, quer intencionalmente ou consequentemente, executar sua destruição.”

(3) Tudo que as pessoas brancas precisam é uma religião identitária. Isso não é aproximadamente o mesmo que dizer: uma história contra-factual?

(4) Esses libertários malucos, com seu esquema universal de emancipação humana que é tão facilmente confundido com uma propaganda de sabão em pó – é tão estonteantemente branco. Negue a branqueza e se auto-destrua na degradação bleeding-heart e na insanidade das fronteiras abertas, ou a afirme e dirija-se à perplexidade racial pós-libertária.

O destino é difícil – não menos, o destino racial. Eu não acho que muitas pessoas querem pensar sobre isso, mas estou determinado a ser tão estranho sobre isso quanto eu possa ser… (provavelmente é uma coisa de branco).

Original.
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