Traduzir ‘neorreação’ para ‘a nova reação’ não é de forma alguma censurável. Ela é nova e aberta à novidade. Apreendida historicamente, ela não remonta a mais do que alguns anos. Os escritos de Mencius Moldbug foram um catalisador crítico.

Neorreação é também uma espécie de análise política reacionária, herdando um profunda desconfiança do ‘progresso’ em seu uso ideológico. Ela aceita que a ordem sociopolítica dominante do mundo ‘progrediu’ unicamente na condição de que tal avanço, ou movimento implacável para frente, fosse inteiramente destituído de endosso moral e está, de fato, ligado a uma associação primária com a piora. O modelo é aquele de uma doença progressiva.

O ‘neo-‘ da neorreação é mais do que apenas um marcador cronológico, contudo. Ele introduz uma ideia distintiva, ou tópico abstrato: aquele de uma catraca degenerativa.

O impulso de recuar de algo já é reacionário, mas é a combinação de um crítica do progresso com um reconhecimento de que a simples reversão é impossível que inicia a neorreação. A este respeito, a neorreação é uma descoberta específica da seta do tempo, dentro do campo da filosofia política. Ela aprende e, então, ensina que a maneira de sair não pode ser a maneira em que entramos.

Onde quer que o progressismo tome conta, uma catraca degenerativa é colocada em funcionamento. É impensável que qualquer sociedade poderia recuar do direito expansivo ao voto, do estado de bem-estar social, da formulação de políticas macroeconômicas, da burocracia regulatória massivamente extensa, da religião secular coerciva-igualitária ou da arraigada intervenção globalista. Cada uma dessas coisas (inter-relacionadas) são essencialmente irreversíveis. Elas dão à história moderna um gradiente. Dados quaisquer dois ‘instantâneos’ históricos, pode-se dizer imediatamente qual é anterior e qual é posterior, simplesmente observando-se a medida em que quaisquer desses fatores sociais progrediram. O Leviatã não diminui.

Dentro da teoria dos sistemas complexos, certas transições de fase exibem propriedades comparáveis. Efeitos de rede podem prender mudanças, que são então irreversíveis. A adoção e a consolidação do teclado Qwerty exemplifica este padrão. Empresas de tecnologia comumente tornam o aprisionamento central às suas estratégias e, se elas forem bem-sucedidas, elas não podem, então, morrer da mesma maneira em que amadureceram.

Quando a neorreação identifica uma catraca degenerativa – tal como a Singularidade da Esquerda (de Jim Donald) – ela necessariamente coloca o problema de um novo fim. O processo dá errado consistente e irreversivelmente. Para repetir a Ideia Neorreacionária como um mantra: o caminho para fora não pode ser o caminho para dentro.

Uma catraca degenerativa só pode progredir, até que não possa continuar, e ela para. O acontece depois é alguma outra coisa – seu Exterior. Moldbug o chama de reinicialização. A história nos diz para esperá-la, mas não o que devemos esperar.

Original.
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