A ‘Tricotomia Spandrelliana’ (cunhagem de Nick B. Steves, baseado neste post) se tornou um incrível motor de discussão. O tópico é efervescente em tal medida que qualquer lista de links estará desatualizada assim que for compilada. Entre os marcadores de caminho mais óbvios são este, este, este, este e este. Dada a necessidade de se referir a este complexo de maneira sucinta, eu confio que abreviá-lo para ‘a Tricotomia’ não será interpretado como uma tentativa desajeitada de obstruir a candidatura de Spandrell ao Prêmio Nobel da Paz.

O que já está, de maneira geral, acordado?

(1) Há um substrato de consenso neorreacionário, envolvendo uma variedade de compreensões realistas abominadas, especialmente as contribuições da herança profunda para os resultados sociopolíticos. Ao passo que a ênfase difere, uma atitude ultra-burkeana é tacitamente compartilhada e, entre aqueles autores que se auto-identificam com o Iluminismo Sombrio, a importância da BDH é geralmente colocada em primeiro plano.

(2) A neorreação também compartilha um inimigo: a Catedral (como delineada por Mencius Moldbug). Sobre a natureza deste inimigo, muito está acordado, não menos que ele é definido por um projeto de apagamento – tanto ideológico quanto prático – da herança profunda, que, simultaneamente, eclipsa sua própria herança profunda enquanto uma profunda síndrome religiosa, de um tipo peculiar. Uma elaboração maior da genealogia da Catedral, contudo, aventura-se em controvérsia. (Em particular, sua consistência com o cristianismo é um tópico ferozmente contestado.)

(3) Conforme as perspectivas neorreacionárias são sistematizadas, elas tendem a cair em um padrão tricotômico de dissenso. Isto, ironicamente, é algo com que se pode concordar. A Tricotomia, ou tríade neorreacionária, é determinada por identificações divergentes da tradição Ocidental que a Catedral suprime de maneira primária: Cristão, Caucasiano ou Capitalista. Meus termos preferidos para as estirpes neorreacionárias resultantes são, respectivamente, o Teonomista; o Etno-Nacionalista; e o Tecno-Comercial. Estes rótulos têm a intenção de ser descrições acuradas e neutras, sem bagagem polêmica intrínseca.

É de se esperar – pelo menos inicialmente, e ocasionalmente – que cada estirpe busque repudiar, subordinar ou amalgamar as outras duas. Se elas não estivessem assim tentadas, sua desintegração tricotômica nunca teria surgido. Cada uma tem que acreditar que apenas ela tem a verdade, ou o caminho para a verdade, a não ser que a pura insinceridade reine.

Este blog não finge imparcialidade, mas afirma uma desilusão invencível.
– Se a Tricotomia fosse redutível, a nova reação já seria uma coisa. Ela não é e não vai ser (em breve).
– Como a astrologia revela, e sistemas mais ‘sofisticados’ confirmam, as pessoas se deliciam em serem categorizadas, aceitando a não-universalidade como o preço real da identificação. (A resposta ao diagrama de Scharlach atesta isso.)
– Aceitar a Tricotomia e os argumentos que ela organiza é uma maneira de ser testado, e qualquer posição neorreacionária que a recuse morrerá uma morte flácida.
– A Tricotomia torna impossível que a neorreação brinque de dialética com a Catedral. Só por essa razão, já deveríamos ser gratos a ela. A unidade – mesmo a unidade oposicional – nunca esteve do nosso lado.

Original.
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