Mate o hífen, Anomaly UK aconselhou (em algum lugar) – ele deixa a Busca do Google dissolver e evitar o assunto. Escrever ‘neo-reação’ como ‘neorreação’ a estimula a se tornar uma coisa.

A Busca do Google pode editar nossa auto-definição? Isso é o ‘neo’ em ‘neorreação’, bem ali. Ela não apenas promove uma regressão drástica, mas uma regressão drástica altamente avançada. Como o retrofuturismo, o paleomodernismo e o cibergótico, a palavra ‘neorreação’ descreve compactamente um vetor retorcido no tempo, que espirala adiante para o passado e para trás para o futuro. Ela emerge, quase automaticamente, conforme o presente é dilacerado pelas marés – quando a política democrática-Keynesiana de adiamento-deslocamento se exaure e a lata chutada sai da estrada.

Expressa com verbosidade abstrusa, portanto, a neorreação é uma crise temporal, manifesta através de um paradoxo, cuja elaboração adicional pode esperar (se não por muito tempo). Desordenando nossas instituições mais básicas, ela é, por sua própria natureza, difícil de compreender. Poderia qualquer coisa ser dita de maneira fácil sobre ela?

Anomaly UK oferece uma explicação terra-a-terra para a inversão do rumo sociopolítico:

Em última instância, contudo, se depois de todos esses séculos tentando melhorar a sociedade com base em ideias abstratas de justiça só tornaram a vida pior do que teria sido sob sistemas sociais pré-Iluminismo, chegou a hora de simplesmente desistir de todo o projeto e reverter às formas tradicionais cuja base podíamos não ser capazes de estabelecer racionalmente, mas que têm a evidência da história para lhes suportar.

Este entendimento da neorreação – que, sem dúvida, captura seu sentimento predominante – a equaciona com um conservadorismo burkeano radicalizado, projetado para uma era em que quase tudo foi perdido. Uma vez que a destruição progressista da sociedade tradicional foi em grande medida realizada, se agarrar ao que resta não é mais suficiente. É necessário voltar atrás, para além da origem do Iluminismo, porque a Razão falhou no teste da história.

A neorreação só é uma coisa se alguma medida de consenso for alcançável. Burke-com-esteroides é um candidato excelente para isso. Primeiramente, porque todos os neorreacionários se definem através do antagonismo à Catedral, e a Catedral é a auto-proclamada consumação do racionalismo Iluminista. Em segundo lugar, por razões mais complicadas e positivas …

Spandrell prestativamente decompõe a neorreação em duas ou três correntes principais:

Há duas linhas do [nosso] pensamento reacionário [contemporâneo]. Uma é o ramo tradicionalista e [a outra é] o ramo futurista.

Ou talvez exista[m] três. Há o ramo religioso/tradicionalista, o ramo étnico/nacionalista e o ramo capitalista.

Futuristas e tradicionalistas se distinguem por ênfases distintas e unilaterais em ‘neo’ e ‘reação’, e suas divergências perdem a identidade na espiral neorreacionária. A diferenciação triádica é mais resilientemente conflitiva, e, ainda assim, esses ‘ramos’ são ramos de algo, e esse algo é um tronco ultra-burkeano.

Teonomistas, etno-nacionalistas e tecno-comercialistas compartilham uma aversão fundamental à reconstrução social racionalista, porque cada um subordina a razão à história e às suas normas tácitas – à ‘tradição’ (diversamente entendida). Quer a linhagem soberana seja considerada como sendo predominantemente religiosa, biocultural ou consuetudinária, ela se origina fora do estado (de iluminação) auto-reflexivo e permanece opaca à análise racional. Fé, liturgia ou escritura não são solúveis na crítica; a identidade comunal não é redutível à ideologia; e a lei comum, a estrutura de reputação ou a especialização produtiva não são passíveis de supervisão legislativa. A ordem profunda da sociedade – o que quer que se assuma que isso seja – não está aberta à intromissão política sem consequências desastrosas previsíveis.

Esta junção burkeana, onde a concordância neorreacionária começa, é também onde ela termina. Revelação divina, continuidade racial e descoberta evolutiva (catalaxia) são fontes de soberania absoluta, instanciadas na tradição, para além do estado-Catedral, mas elas são auto-evidentemente diferentes – e apenas precariamente compatíveis. Estranhamente, mas inescapavelmente, tem que se reconhecer que cada ramo principal da super-família neorreacionária tende a um resultado social que seus irmãos achariam ainda mais horripilante do que a realidade Catedralista.

Intelectuais de esquerda não têm qualquer dificuldade de conceber um Hiper-Capitalismo Teocrático Supremacista Branco®. De fato, a maioria parece considerar esse modo de organização social a norma Ocidental moderna. Para aqueles agachados nas confusas trincheiras da neorreação explodidas pela Catedral, por outro lado, os múltiplos absurdos desta construção não são tão facilmente esquecidos. De fato, cada ramo da reação dissecou os outros mais incisivamente – e brutalmente – do que a esquerda foi capaz de fazê-lo.

Quando os teonomistas escrutinam os etno-nacionalistas e os tecno-comercialistas, eles vêm pagãos perversos.
Quando os etno-nacionalistas escrutinam os teonomistas e os tecno-comercialistas, eles vêm traidores da raça iludidos.
Quando os tecno-comercialistas escrutinam os teonomistas e os etno-nacionalistas, eles vêm cripto-comunistas retardados.
(Os detalhes destes diagnósticos excedem a presente discussão.)

Quando desenvolvida para além de seu tronco ultra-burkeano, portanto, os prospectos para o consenso neorreacionário – para uma coisa neorreacionária – dependem da desintegração. Se formos compelidos a compartilhar um estado pós-Catedral, nos mataremos uns aos outros. (O hífen destruído foi apenas um aperitivo.)

Original.
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One thought on “Neorreação (para leigos)

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