O último de Moldbug contém muito sobre o que se pensar e contra o que se argumentar. Parece-me um pouco perdido (talvez Spandrell esteja certo).

O fio condutor é a utilidade, em seu sentido técnico (filosófico e econômico), apreendida como o indicador geral de uma civilização em crise. O utilitarismo, afinal, é precisamente um hedonismo ‘objetivo’, a promoção do prazer como a chave-mestra do valor. Como filosofia, isto é pura decadência. Como economia, é mais defensável, por certo quando restrita a seu uso descritivo (se os economistas encontram seu campo de investigação populado por mamíferos hedonicamente controlados, dificilmente é condenável que eles reconheçam o fato). A este respeito, acusar os Austríacos de “filosofia de porco” é logro retórico – o comportamento suíno não foi aprendido em Ação Humana.

O utilitarismo é muitas vezes atraente para pessoas racionais, porque ele parece tão racional. O imperativo  de maximizar o prazer e minimizar a dor segue a veia do que a biologia e a cultura já dizem: prazer é bom, sofrimento é ruim, as pessoas buscam recompensas e evitam punições, a felicidade é auto-justificadora. O consequencialismo calculista é vastamente superior à deontologia. No entanto, a venerável crítica em que Moldbug toca e que ele estende é verdadeiramente devastadora. A estrada utilitarista leva inexoravelmente a um implante cerebral de auto-orgasmo e à implosão consumada do propósito. O prazer é uma armadilha. Qualquer sociedade obcecada com ele já acabou.

A utilidade, apoiada pelo prazer, é lixo tóxico, mas isso não significa que há qualquer necessidade de se descartar o maquinário do cálculo utilitarista – que inclui todas as tradições da economia rigorosa. É suficiente mudar a variável normativa ou meta de otimização, substituindo o prazer pela inteligência. Isto é algo que vale a pena fazer? Apenas se criar inteligência. Se deixar as coisas mais estúpidas, certamente não é.

Há inúmeras objeções que poderiam jorrar neste ponto [excelente!].
– Mesmo que a economia rigorosa seja de fato o estudo de distribuições inteligênicas (ou cataláticas), a suposição da maximização subjetiva da utilidade não fornece a base mais confiável para qualquer entendimento do comportamento econômico?
– A inteligência infinita já (e eternamente) existe, deveríamos nos focar em rezar para ela
– Melhor meu sobrinho retardado do que um alienígena inteligente
– Nós sequer sabemos o que é inteligência?
– Um agente não pode ser super-inteligente e mau?
– Apenas: Por quê?

Mais, portanto, por vir…

Original
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One thought on “Otimize a Inteligência

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