O poder é uma ideia. Ele é exatamente o que se pensa que é.

Mesmo entre animais sociais pre civilizados, onde a tentação de confundir poder com força é mais forte, a necessidade de se demonstrar força é apenas esporádica, e, onde quer que a força não seja continuamente demonstrada, o poder surgiu.

É assim que a dominância se distingue da predação. Em certas ocasiões, sem dúvida, um predador domina sua presa, ao convencer um herbívoro que se debate de que a resistência é inútil e de que sua passagem para nutrição já está virtualmente acabada. Mesmo nestes casos, contudo, um predador não busca instalar um domínio duradouro. Não importa, de maneira alguma, que seu comando de força irresistível seja reconhecido para além do momento de destruição. Não há nenhuma relação social a ser estabelecida.

Mesmo a sociedade mais rudimentar requer algo a mais. A economia da força tem que ser institucionalizada, e o poder – perfeitamente coincidente com a Ideia de poder – nasce. Quando o poder é testado, levado a recorrer à força ou a regredir a ela, a ideia já escapou, sua fraqueza foi exposta.

A mera dominância tem que se reafirmar regularmente, reconstruir-se a partir da força. Sob condições civilizadas, em contraste, o poder se exime do teste da força. Ele se torna mágica e religião, perfeitamente identificado com sua apreensão enquanto uma suposição radiante.

O poder é , desta forma, profundamente paradoxal. Sua verdade é inextricavel de uma de uma desrealização, de modo que, quando ela é interrogada de maneira prática, por forças determinadas a escavar sua realidade, ela tende a nada.

Mesmo a força a qual o poder recorre, quando pressionado a se demonstrar ou a se realizar, tem que estar conectada de forma mágica à sua ideia. O generais obedecerão? Os soldados atirarão? É o poder, e não a força, que decide. Não é surpresa alguma, portanto, que o poder possa evaporar como as encostas de neve de um vulcão, como se instantaneamente, quando uma erupção de força é pouco mais do que um rumor. Poder é a erupção não acontecer, bem mais do que a erupção sendo contida. (Igualmente, a anarquia é a questão do poder colocada de forma prática, antes de ser qualquer tipo de ‘solução’.)

Conceber o poder econômico como riqueza é interpretá-lo mal, como uma força (racionalizada), e assim perder a Ideia. O ‘verdadeiro’ poder econômico é um padrão e uma reserva de valor completamente desrealizados e ainda assim impositivos, como instanciado – exclusivamente – na moeda fiduciária. Sinais monetários que não são suportados por nada além do ‘crédito’ (ou credibilidade) do Estado são os símbolos do poder puro e supremamente idealizado em sua forma econômica. Eles simbolizam a supressão efetiva – porque não testada – da anarquia. Eles vivem através da Ideia e morrem com ela.

Aqueles que reconhecem a realização do poder em uma Ideia, celebrantes e antagonistas igualmente, não têm qualquer razão para objetar ao seu bastismo atrasado como a Catedral: nossa apropriação política contemporânea da autoridade numinosa, servida por um clero acadêmico, jornalístico, judicial e administrativo, incluindo de forma proeminente o sacerdócio da adoração fiduciária e do planejamento central financeiro. Não há nenhuma macroeconomia que não seja liturgia da Catedral, nenhuma confiança ou ‘espíritos animais’ independentes de suas devoções, nenhum cataclisma econômico que não seja simultaneamente uma crise de fé. Uma única Ideia está em jogo.

Na macroeconomia, assim como na política de forma mais geral, apenas uma questão (sistematicamente inibida) permanece: Nós acreditamos? Bem, acreditamos?

Origina.
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