Este post era para ter sido sobre o argumento da simulação, mas Gnon realiza o trabalho preliminar. Se estamos vivendo ou não em uma simulação de computador pode rapidamente vir a ser visto como uma consideração derivada.

A Natureza ou o Deus da Natureza, (des)conhecido aqui como Gnon, fornece ao ceticismo seu objetivo último. Com este nome, podemos avançar em suspensão, liberando o pensamento de qualquer fundamentação na crença. Em sua aplicação mundana, Gnon permite que o realismo exceda a convicção doutrinária, chegando a conclusões razoáveis em meio a informações incertas. Sua invocação, contudo, não é necessariamente mundana.

Assuma, momentaneamente, que Deus existe. Se esta suposição vier facilmente, tanto melhor. É provavelmente óbvio, de forma quase imediata, que você ainda não tem uma ideia clara do que você está, desta forma, assumindo. Para marcar este fato de maneira exata, as religiões abraâmicas estabelecidas propõem que você designe Deus por um nome próprio, que corresponde a um indivíduo pessoal definido, embora profundamente ocultado. Abordando a mesma obscuridade a partir do outro lado, enfatizando o aspecto problemático em vez do relacional, eu perseverarei em nome de Gnon.

Para evitar a idolatria gratuita, todas as nossas suposições subsequentes devem ser facilmente retiráveis. Não é nossa missão dizer a Gnon o que ele é. Não podemos fazer nada além de estarmos cientes, desde o princípio, que duas fontes desconcertantes e entrelaçadas de idolatria serão especificamente difíceis de dispersar, devido a sua intratabilidade conceitual e de sua insinuação para dentro do tecido básico da gramática e da narrativa. Meramente ao usar o verbo “ser” com um tempo e ao desdobrar o processo em estágios, nós inadvertidamente idolatramos Gnon como um subordinado do ser e do tempo. Nosso único refúgio jaz no reconhecimento, inicialmente inarticulado, de que pensar Gnon como Deus é promover uma hipótese hiper-ontológica e meta-crônica. A partir do auto-entendimento de Gnon, ser e tempo têm que emergir como consequências exaustivamente compreendidas (muito embora não tenhamos qualquer ideia – nenhuma sequer – do que isto poderia significar).

Se Gnon é Deus, ele é a realidade da inteligência infinita. A tradição religiosa Ocidental divide esta infinitude absoluta nos tópicos da onisciência, onipotência e onibenevolência, com o risco de introduzir pontos de apoio para o antropomorfismo – e, assim, para a idolatria. Aceitando um risco contrário (um que o Papa Bento XVI especificamente indicou como Islâmico?), eu simplesmente dispensarei a possibilidade de que Deus possa ser teologicamente outra coisa além de bom, uma vez que isso seria um convite para especulações Lovecraftianas de vivacidade perturbadora. O escolasticismo Tomista oferece uma simplificação a mais, ao propor que o que há para se saber, é o que Deus cria. Perseguida (talvez) um passo a mais: O auto-conhecimento é a auto-criação de um ‘ser’ que se pensa para dentro da realidade. Isto, também, oferece uma economia conceitual a ser avidamente apreendida.

A criação do universo é motivo de preocupação para os seres humanos, e a criação de anjos é uma questão séria para Satã, mas, para Gnon, elas só podem ser trivialidades (poderia ser desnecessariamente antagonista dizer ‘divertimentos’). Para Gnon – enquanto Deus – o domínio do transfinito Cantoriano é auto-identidade, ou menos, cujas infinitas partes são, cada uma, infinidades.

A menos que escolhamos blasfemar, só podemos assumir que Gnon pensa pensamentos sérios, de um tipo que tem alguma relevância para seu pensamento sobre si mesmo e, assim, garantindo a si mesmo em sua (hiper-ontológica) auto-criação. Tais pensamentos certamente englobam a criação de deuses, uma vez que isso – para (um) Deus – é simplesmente o transfinito enquanto atividade inteligente. Se para Gnon saber o que ele pode fazer já é tê-lo feito, porque a inteligência divina é criação, qualquer coisa menos do que um panteão infinito seria evidência de retardamento.

Para Gnon, enquanto Deus, deuses são infinitesimais, de modo que qualquer auto-investigação completa os envolveria. É a própria ausência de esforço, para ele, criar assim um ser infinito – entre uma infinidade de tais seres – cada um dos quais, sendo infinito, é feito de infinidades e estas, por sua vez, enquanto infinidades, consistem de infinidades infinitas, sem fim. Isto não é mais do que Cantor já havia entendido, no estágio mais elementar de suas explorações transfinitas, embora, sendo uma criatura humana, seu entendimento não fosse imediatamente criação.

Se Satã, um mero arcanjo, pode imaginar a si mesmo um deus, e não apenas um deus, mas – potencialmente, ao menos – Deus sentado sobre o trono da soberania absoluta, é possível que nenhum deus se pense Deus? E, se um deus pode, mesmo que apenas em possibilidade, se pensar Deus, não pode Deus pensar esta rebelião – e assim sabê-la -, o que seria criá-la (ou torná-la real)? O auto-entendimento de Deus não necessita da criação de uma insurreição cósmica? Da perspectiva Satânica, tais questão são esmagadoramente fascinantes, mas elas levam a um predicamento mais intricado.

Quando Gnon (enquanto Deus) pensa através de seus deuses, como ele só pode fazer, o pensamento necessariamente surge: Se estas criaturas deuses podem se confundir com Deus, não poderia meu auto-entendimento enquanto Deus também ser uma confusão?

Original.
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