Uma discussão sobre a Teologia de Gnon e o Tempo merece um prefácio, sobre a Teologia de Gnon, mas há diversas razões para se pular isso. Mais obviamente, seria ainda outro prólogo a uma introdução à primeira parte de uma série prometida, e os leitores deste blog estão, muito provavelmente, completamente saturados disso (ao ponto de leve náusea). É uma doença cognitiva, e seria presunçoso esperar que qualquer outra pessoa tenha o mesmo interesse mórbido em cascatas reversas que este blog tem.

A razão mais interessante para evitar fazer um prefácio à questão do tempo, ao longo de qualquer linha de investigação, é que tais precauções metódicas são erros graves neste caso. Não há nada mais básico do que o tempo, ou preliminar a ele. Ao dar o nome a um prefácio ou prólogo, ele já foi introduzido. O tempo é um problema que não pode ser conceitualmente antecipado.

Gnon suspende a decisão ontológica sobre Deus. Começa a partir do que é real, quer Deus exista ou não. Um transe-Gnon é incerto. Ele ainda não é agnóstico, não mais do que é decididamente teísta ou ateísta. Ele se preocupa primariamente com aquilo que foi aceito como real antes que qualquer coisa seja acreditada e, subsequentemente, com o que quer que possa ser alcançado através da negação metódica da pressa intelectual. Uma vez que a suspensão é sua única determinação positiva, ele colapsa em direção a uma intuição crua de tempo.

Evidentemente, a Teologia de Gnon não pode ser dogmática, sequer em parte. Em vez disso, ela é hipotética, em um sentido maximamente reduzido, no qual a hipótese é uma oportunidade de exploração cognitiva liberta de comprometimentos ontológicos. O conteúdo da Teologia de Gnon é exaurido pela questão: Em que a ideia de Deus nos permite pensar?.

E ‘a ideia de Deus’? – o que, em nome de Gnon, é isso? Todo que sabemos, a princípio, é que ela foi jateada de todas as encrustações de qualquer fé positiva ou negativa. Ela não pode ser nada com o que já tenhamos familiaridade histórica ou reveladora, uma vez que que ela nos alcança a partir do abismo (epoche), onde apenas o tempo e/ou o desconhecido permanecem.

Saturada de fruto proibido, a Teologia de Gnon desnuda Deus como uma máquina, até o limite da abstração ou eternidade para-si-mesma. Existe alguma perspectiva assim? Já sabemos que esta não é nossa questão. Toda essa ‘ontologia regional’ foi suspensa. Já temos o direito, não obstante, através da graça de Gnon (que – recorde – poderia (ou não) ser Deus), à suposição ou aceitação de realidade de que: para que qualquer Deus seja Deus, não pode ser menos do que eternidade para-si-mesma. No que quer que a eternidade para-si-mesma implique, qualquer Deus também implicará.

O que ela implica, sem ambiguidade, é em viagem no tempo, no sentido forte de causação reversa, embora não necessariamente na variante folclórica/Hollywoodiana (que também já teve sérios defensores) embasada na retro-transportação de objetos físicos para o passado. Conhecimento sobre o futuro é indistinguível da transmissão contra-crônica de informação. Isto talvez seja a percepção mais crítica na pesquisa realista sobre viagem no tempo – voltaremos a ela. (Se qualquer um a achar menos do que logicamente irresistível, use a área de comentários.)

Para acelerar esta discussão com crueza blogística, em uma saída da Teologia de Gnon para dentro da história religiosa Ocidental (e para a possibilidade do dormir), podemos pular para uma simples, certa e segura conclusão: Nenhum cristão pode consistentemente negar a realidade da viagem no tempo. A objeção ‘se a viagem no tempo (reversa) é possível, onde estão os viajantes do tempo?’ é anulada pela própria revelação cristã. A Encarnação Messiânica (de Deus ou eternidade para-si-mesma), junto com toda profecia verdadeira, história providencial e oração respondida, instancia a viagem no tempo com exatidão técnica. Não pode haver nenhuma verdade que seja na religião cristã a menos que a viagem no tempo tenha estruturado de maneira fundamental a história humana. O que quer mais que o cristianismo possa ser, ele é uma estória de viagem no tempo e uma que, às vezes, parece estar peculiarmente carente de um auto-entendimento claro.

(A viagem no tempo, talvez dever-se-ia notar de maneira explícita, não tem qualquer dependência óbvia do cristianismo, ou mesmo do Deus da Teologia de Gnon. Este é um tópico para outras ocasiões.)

Original.
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